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Ciclo menstrual: quando consideramos irregular?

Por Dra. Cristiane Pacheco

Existem muitas dúvidas relacionadas ao ciclo menstrual: quando é irregular ou regular? Quando isso significa uma doença? Como isso afeta a fertilidade? E principalmente o que isso pode indicar?

Considera-se que um ciclo menstrual tem uma duração média de 28 dias, sendo ainda considerado normal quando dura entre 24 e 38 dias. Esse intervalo é medido tendo em vista o primeiro dia de sangramento entre um ciclo e outro.

No entanto, há muita controvérsia científica sobre o valor de delimitar um intervalo preciso. Por isso, o diagnóstico de um ciclo irregular deve ser individualizado paciente a paciente.

Quer saber mais sobre o tema? Acompanhe nosso post!

O que é o ciclo menstrual?

Os ciclos menstruais apresentam uma duração média de 28 dias. Contudo isso é apenas uma estimativa populacional e, portanto, não significa que intervalos maiores ou menores indicam uma alteração na saúde ginecológica.

Parte da literatura médica entende que uma mulher apresenta ciclos normais quando eles duram entre 24 e 38 dias. Conforme a referência teórica, outros valores maiores ou menores podem ser encontrados.

No entanto, números exatos não apresentam tanta importância. Afinal, o que mais importa é a avaliação médica, que observará outros pontos para determinar se é necessária a investigação mais extensa do quadro.

Além disso, é muito importante que a mulher entenda que seus próprios ciclos menstruais poderão variar entre si. Em um mês, podem durar 28 dias. Em outros, 30. Há pacientes que apresentam uma maior tendência há ciclos sempre bem cronometrados enquanto outras observam uma maior variação.

Regulação do ciclo menstrual

Fase folicular — tem início no primeiro dia do ciclo e dura até aproximadamente o décimo terceiro. É influenciada principalmente pela ação do hormônio folículo estimulante. Folículos são cavidades recobertas por camadas de células produtoras de hormônio, dispostas em forma de saco preenchidas por líquidos. Eles contêm os óvulos, as células reprodutivas, que ficam armazenadas nos ovários desde o nascimento.

Sob o estímulo do FSH, os folículos crescem, amadurecem, mas apenas um deles se torna dominante e libera um óvulo nas tubas uterinas (ovulação). Enquanto se desenvolvem nessa fase, eles produzem quantidades cada vez maiores de estrogênio.

Esse hormônio tem ação sobre o endométrio uterino, fazendo com que suas células se multipliquem e o tecido fique mais espesso. Futuramente, caso haja a fertilização, o embrião se implantará nele para se desenvolver.

Fase ovulatória — é a fase chamada de “meio do ciclo”, ocorrendo geralmente no 14º dia do ciclo. Algumas horas antes da ovulação, o corpo secreta quantidades progressivamente maiores do hormônio luteinizante. Ele age no folículo dominante para provocar a sua maturação final e posterior rompimento. Com isso, há a liberação do óvulo, que é depositado nas tubas uterinas. Lá, ele sobrevive por 24 a 36 horas em média.

Fase lútea — após a ovulação, as células remanescentes do folículo dominante vão se transformar em outra estrutura, o corpo lúteo. Ele libera principalmente a progesterona, que, em associação com o estrogênio, vai provocar a maturação e espessamento final do endométrio (fase secretora). Assim, esse tecido se torna pronto para recepcionar um eventual embrião formado pela união do óvulo por um espermatozoide.

Caso a fertilização ocorra, as células do embrião passarão a secretar um hormônio chamado de gonadotrofina coriônica (hCG), o qual manterá o corpo lúteo. Caso contrário, o corpo lúteo se degenera e produz cada vez menos progesterona e estrogênio. Com isso, o organismo identifica que não houve uma gestação e volta a produzir mais FSH para começar um novo ciclo menstrual.

O que caracteriza o ciclo irregular?

Até pouco tempo, considerava-se ciclo irregular aqueles que duravam menos de 24-26 dias ou mais de 36-38 dias. No entanto, recentemente, há uma tendência de enquadrar todos os tipos de distúrbios menstruais dentro de um único conceito, — o sangramento uterino anormal (SUA). Assim, é possível fazer uma investigação mais completa e padronizada.

A Federação Internacional de Ginecologia e Obstetrícia (FIGO) criou o acrônimo PALM-COEIN para organizar as principais causas de SUA:

  • Pólipos uterinos;
  • Adenomiose;
  • Leiomiomas (miomas uterinos);
  • Malignidade (câncer) e hiperplasia (crescimento tecidual excessivo benigno);
  • Coagulopatias;
  • Ovulação disfuncional;
  • Endométrio disfuncional;
  • Iatrogenia;
  • Nenhuma classificação anterior.

Pólipos uterinos

São lesões endometriais intrauterinas, geralmente benignas, que se formam a partir da multiplicação excessiva de alguma região do endométrio. Com isso, surgem processos inflamatórios e outras alterações que levam à irregularidade menstrual.

Adenomiose

Ocorre quando as células endometriais invadem o miométrio (tecido que forma a parede uterina).

Leiomiomas

São os famosos miomas uterinos, que são lesões benignas resultantes do crescimento descontrolado de células musculares lisas do miométrio. Caso cresçam a ponto de afetar a função endometrial, podem provocar distúrbios menstruais.

Malignidade e hiperplasia

As malignidades e as hiperplasias podem afetar o ciclo menstrual por diversos mecanismos, como a produção de substâncias parecidas com os hormônios regulatórios, bem como as próprias lesões de degeneração do tecido.

Coagulopatia

São doenças que comprometem a funcionalidade da coagulação do sangue, fazendo com que ela seja excessiva ou insuficiente. Como o endométrio tem muitos vasos sanguíneos, os ciclos podem se alterar com as disfunções coagulatórias.

Ovulação disfuncional

São condições médicas que afetam os processos ovarianos explicados anteriormente. Uma das mais prevalentes é a síndrome dos ovários policísticos. Nela, a produção excessiva de hormônios masculinos (androgênios) pela mulher faz com que os folículos não completem a maturação. Com isso, não ocorre a ovulação em alguns ciclos, o que provoca amenorreia ou o prolongamento do intervalo intermenstrual.

Disfunções endometriais

São doenças causadas por disfunções no endométrio que não se enquadram como pólipos uterinos ou adenomiose.

Iatrogenia

São as alterações causadas por alguma intervenção médica, como uso de pílulas contraceptivas, cirurgias e outros fatores.

Outras causas

São causas que não se enquadram anteriormente, como os transtornos da tireoide e as manifestações psicossomáticas.

A irregularidade dos ciclos menstruais pode ser sinal de algum processo patológico que deve ser investigado. Além disso, ela também é comum em pacientes que enfrentam dificuldade para engravidar.

Quer saber mais sobre a importância dos ciclos menstruais para a fertilidade? Confira nosso artigo sobre o tema!

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