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Indução do parto: conheça as técnicas

Por Dra. Cristiane Pacheco

O parto normal geralmente não precisa de indução. Na grande maioria dos casos, ele começa e termina por conta própria quando o corpo da mãe e o bebê estão prontos. Para isso, a partir das últimas semanas da gestação, o corpo da mulher se modifica gradativamente. Por exemplo, o colo se afina e o útero inicia contrações de treinamento.

Por isso, o ideal é sempre permitir que o parto siga o ritmo natural, mas há situações em que isso pode trazer riscos para a mãe e para o bebê. Assim, a indução do parto pode ser necessária. Quer saber mais sobre o tema? Acompanhe até o final!

Como é a evolução do parto normal?

Algumas semanas antes do parto, ocorre um progressivo processo de afinamento e amolecimento do colo do útero. À medida que isso evolui, o útero começa a se contrair de forma mais intensa e regular, “treinando” para as fases ativa e expulsiva do parto. Depois de amadurecer, o colo começa a se dilatar (devendo atingir uma dilatação de mais de 10 centímetros)

Portanto, algumas condições importantes para a evolução normal do parto:

  • Posição fetal: a posição ideal para o bebê é a posição cefálica, o que significa que a cabeça está para baixo em relação à mulher;
  • Idade gestacional: normalmente, o parto ocorre entre 37 e 41 semanas de gestação;
  • Condição de saúde materna: a mãe deve estar hígida para suportar o trabalho de parto. Problemas médicos graves, como pré-eclâmpsia ou diabetes gestacional descontrolada, podem colocar a mãe ou o bebê em risco e exigir a indução do parto;
  • Estado do colo do útero: o colo do útero deve estar maduro, isto é, fino, mole e progressivamente mais dilatado;
  • Contrações regulares e efetivas: elas devem ser fortes e frequentes a fim de permitir a progressão do trabalho de parto;
  • Frequência cardíaca fetal: deve estar entre 110 e 160 batimentos por minutos em ritmo regular.

Em alguns casos, as alterações nesses fatores podem prejudicar a evolução natural do parto ou colocar a saúde materno-fetal em risco. Assim, é necessária a indução do parto.

Quando a indução do trabalho de parto está indicada?

Algumas situações em que a indução pode ser indicada incluem:

  • Doenças hipertensivas durante a gestação;
  • Incompatibilidade RH;
  • Evidências de inflamação dos anexos embrionários (corioamnionite);
  • Ruptura prematura de membranas (rompimento da “bolsa”);
  • Evidência de sofrimento fetal;
  • Gestações após 41 semanas.

Esses são apenas alguns exemplos ilustrativos. Outro caso bem comum é a distocia (evolução desfavorável do trabalho de parto). Quando o médico cogita induzir o parto, uma das avaliações mais importantes será o Índice de Bishop, que avalia a necessidade de intervenções para amadurecer o colo e induzir o parto.

Como seu médico avalia a necessidade de indução do parto?

O Índice de Bishop é uma das ferramentas mais utilizadas para avaliar a indicação da indução do parto e se é necessário o estímulo do amadurecimento cervical. Ele é calculado a partir da soma da pontuação individual de cinco critérios. Quanto maior a pontuação de uma paciente no índice, maiores são as chances de ela ter um parto normal bem-sucedido:

  • Menor ou igual a 6: indica um colo uterino não favorável. Nessa situação, é necessário o amadurecimento do colo anteriormente à indução do parto;
  • 6 e 7: geralmente é indicada a indução sem a necessidade de amadurecimento cervical induzido;
  • Maior ou igual a 8: indica um colo amadurecido com condições favoráveis para o parto normal espontâneo.

A seguir, estão os cinco critérios do Índice de Bishop:

Posição cervical

  • Posterior – 0;
  • Média – 1;
  • Anterior – 2.

Consistência

  • Firme – 0;
  • Moderadamente firme – 1;
  • Macia – 2.

Dilatação cervical

  • Fechado – 0;
  • 1-2 cm – 1;
  • 3-4 cm – 2;
  • Maior do que 5 cm – 3.

Esvaecimento cervical

  • 0 a 30% – 0;
  • 40 a 50% – 1;
  • 60 a 70% – 2;
  • Maior ou igual a 80% – 3.

Altura de apresentação do colo

  • -3 – 0 pontos;
  • -2 – 1 ponto;
  • -1 – 2 pontos;
  • +1, +2 – 3 pontos.

Técnicas de indução do parto

A indução do parto é um procedimento feito de forma bastante individualizada. Primeiramente, avaliamos a maturidade do colo uterino com Índice de Bishop mostrado acima. Se houver necessidade, o primeiro passo é induzir o amadurecimento cervical.

A indução do parto em si é geralmente feita com a ocitocina, a qual aumenta a frequência e a força das contrações uterinas. Quando as características uterinas estão favoráveis, é realizada a amniotomia (caso a bolsa não tenha rompido naturalmente).

Amadurecimento cervical induzido

O amadurecimento do colo pode envolver duas técnicas:

  • Indução mecânica: é feita com uma sonda com um pequeno balão em uma das extremidades. O médico enche esse balão com 30 mililitros de água para dilatar o colo. A indução mecânica está contraindicada para pacientes com placenta baixa, sangramento uterino, ruptura de membranas e cervicite;
  • Misoprostol: é uma prostaglandina aplicada, geralmente a cada 6 horas, por via vaginal. O esquema será mantido até que o colo atinja um Índice de Bishop maior ou igual a 6. Caso essa pontuação não seja obtida com 24 horas, o obstetra deve avaliar o caso. Se não houver contraindicação, pode-se repetir o esquema por mais 24 horas. Quando há falha do esquema após 48 horas, indica-se realizar uma cesariana. O misoprostrol está contraindicado para pacientes com cesariana prévia, pois pode levar à ruptura uterina.

Se o parto evoluir para a fase ativa durante a aplicação do misoprostrol, não é necessária a indução com a ocitocina, salvo algumas exceções bem específicas.

Indução do parto com ocitocina

A ocitocina é um hormônio que desempenha diversas funções, incluindo a de regular as contrações durante o trabalho de parto. A administração de ocitocina sintética é a técnica de indução do parto mais utilizada atualmente devido a seu perfil de segurança e de eficácia. Ela induz o aumento da frequência e da intensidade das contrações uterinas. Isso estimula uma maior dilatação do colo uterino e facilita a expulsão do bebê.

Essa medicação é normalmente administrada, aos poucos, por via intravenosa (IV). Suas doses são cuidadosamente ajustadas a partir dos dados vitais do bebê (como a frequência cardíaca) e das características das contrações da paciente.

Uma das vantagens da indução com a ocitocina é que ela pode ser revertida rapidamente com a interrupção da infusão do medicamento, o que pode ser necessário no caso de complicações. Apesar de muito segura, a técnica também pode ter alguns efeitos colaterais. O mais comum deles é a taquissistolia (mais de 5 contrações a cada 10 minutos), o que pode comprometer a evolução fisiológica do parto e causar estresse para o bebê. Por esse motivo, a indução do parto (como qualquer intervenção médica) deve ser reservada para situações em que é realmente necessária.

Amniotomia

A amniotomia é um procedimento realizado para romper as membranas que envolvem o feto (a famosa “bolsa”) quando elas não se romperam espontaneamente. Com isso, é possível induzir e acelerar o trabalho de parto. Ele somente deve ser feito quando o bebê já está em posição de parto e a dilatação uterina estiver avançada. Além disso, está contraindicado em pacientes com boa evolução do parto normal.

A amniotomia relativamente simples (mas não sem riscos), feita de acordo com os seguintes passos:

  • A mulher é colocada em uma posição deitada ou inclinada;
  • O toque vaginal é realizado para verificar a dilatação do colo do útero e o toque abdominal é feito para identificar a posição da cabeça do bebê;
  • O profissional de saúde insere um instrumento estéril especializado através do canal vaginal e do colo do útero. Ele conta com uma pequena ponta afiada, a qual é usada para fazer um pequeno orifício na bolsa. Assim, o líquido amniótico começa a vazar.

A amniotomia estimula a evolução do parto, pois provoca a liberação de prostaglandinas e outras substâncias que atuam na parede uterina. O procedimento, entretanto, tem seus riscos, como infecções, descolamento prematuro da placenta, a compressão do cordão umbilical e o sofrimento fetal. Por isso, dentro dos paradigmas do parto humanizado, a decisão de realizar uma amniotomia é compartilhada entre a mulher e seu médico, considerando as circunstâncias individuais do parto e as melhores evidências científicas.

Portanto, a indução do parto é um procedimento indicado quando a espera da evolução do parto está desfavorável para a saúde da mãe ou do bebê. Ele não deve ser feito rotineiramente, pois traz riscos importantes. O ideal é sempre deixar o parto ocorrer da forma mais natural (fisiológica) possível.

Quer saber mais sobre o parto induzido e suas indicações? Confira este artigo sobre o tema!

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