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Líquido amniótico: veja a importância na gestação

Por Dra. Cristiane Pacheco

Desde o momento da concepção até o nascimento, o corpo passa por um processo complexo de adaptações. Tudo começa com a concepção e a implantação do embrião no útero. Então, no primeiro trimestre, os principais órgãos e sistemas fetais começam a se formar, incluindo o coração, o cérebro, os olhos, os membros e os órgãos internos. Com isso, os primeiros batimentos cardíacos podem ser detectados por ultrassonografia.

A partir do segundo trimestre, o bebê começa a se movimentar cada vez mais, e a mãe pode começar a sentir os primeiros movimentos fetais, conhecidos como “chutes”. Além disso, os genitais do bebê estão em desenvolvimento e podem ser identificados por ultrassonografia. Essa é a fase em que o bebê cresce mais rapidamente enquanto os órgãos continuam a se desenvolver.

No terceiro semestre, o bebê ganha peso, e o útero começa a se preparar para o parto. Os pulmões fetais também terminam o seu amadurecimento, preparando o bebê para a vida fora do útero. Essas transformações que ocorrem a cada semestre são também acompanhadas por mudanças nas características do líquido amniótico, as quais devem ser monitoradas para garantir o bem-estar da mãe e do bebê. Quer saber mais sobre o tema? Acompanhe!

O que é o líquido amniótico?

O líquido amniótico é um fluido claro e levemente amarelado que preenche o saco amniótico durante a gravidez. Ele é composto por água, proteínas, carboidratos, lipídios, eletrólitos, células descamadas da pele fetal, entre outros componentes. A concentração dessas substâncias no líquido amniótico muda ao longo da gravidez.

O líquido desempenha várias funções essenciais durante a gravidez, incluindo:

  • proteger o feto contra choques e traumas;
  • manter a temperatura intrauterina estável;
  • permitir que o feto se mova livremente, facilitando o desenvolvimento muscular e ósseo;
  • ajudar no desenvolvimento dos pulmões, sistema digestivo e sistema geniturinário do feto.

Como o líquido amniótico é formado?

O líquido amniótico serve um importante parâmetro para acompanhar a evolução da gestação. Alterações no seu volume total e na sua coloração podem ser indicativos de problemas de saúde fetal. Veja como ele se forma em cada etapa da gestação.

1º trimestre

Ao final da segunda semana de gestação, a produção do líquido amniótico inicia-se a partir do âmnio, uma membrana que envolve o embrião. Com isso, é possível a visualização de um saco gestacional na ultrassonografia.

À medida que o bebê se desenvolve, essa bolsa se enche com um líquido transparente, que inicialmente é composto principalmente por água, eletrólitos, proteínas e outras moléculas.

2º trimestre

A partir da 14ª semana, o líquido amniótico começa a conter urina fetal, o que altera sua composição. Além disso, bebê ingere o líquido amniótico e o excreta, o que contribui para o amadurecimento dos seus sistemas orgânicos. Portanto, o líquido amniótico é constantemente reabsorvido e excretado pelo bebê.

3º Trimestre

O volume de líquido amniótico atinge seu pico entre 24 e 32 semanas. A quantidade de urina fetal no líquido amniótico aumenta, assim como de outros componentes, como células descamadas da pele do bebê.

Quais são as principais alterações no líquido amniótico?

Oligodrâmnio

É caracterizado como um volume anormalmente reduzido de líquido amniótico. Não existe um valor de referência mínimo fixo. Portanto, o oligodrâmnio deve ser avaliado de acordo com as características fetais e a idade gestacional. As principais causas de oligodrâmnio podem ser classificadas da seguinte forma:

  • Fatores de insuficiência uteroplacentária, como doenças hipertensivas da gestação, trombofilia e tabagismo;
  • Fatores medicamentosos, como uso de anti-inflamatórios e determinadas medicações anti-hipertensivas;
  • Fatores fetais, como malformações do aparelho urinário, anomalias cromossômicas, restrição do crescimento e morte fetal;
  • Idiopática, isto é, casos em que não é possível associar uma causa.

O oligodrâmnio pode aumentar o risco de algumas complicações para a mãe e para o bebê, como:

  • Parto prematuro: a redução do líquido amniótico pode levar ao parto prematuro, que pode ser perigoso para o bebê;
  • Compressão fetal: A quantidade baixa de líquido amniótico pode comprimir o bebê, o que pode levar a problemas de desenvolvimento. Por exemplo, o oligodrâmnio aumenta o risco de deformações anatômicas fetais, principalmente no sistema ósseo;
  • Óbito fetal: em casos graves, o oligodrâmnio pode levar à morte fetal.

Polidrâmnio

O polidrâmnio é caracterizado como um volume excessivo de líquido amniótico, o qual pode acometer até 1,6% das gestantes. Apesar de o volume de líquido amniótico variar ao longo das gestações, o polidrâmnio geralmente é considerado quando ele ultrapassa 2000 mililitros. As causas do polidrâmnio podem ser variadas e ainda não são totalmente compreendidas. Cerca de 40% a 60% dos casos são idiopáticos, isto é, não é possível associá-los a nenhum outro fator.

Contudo, algumas das causas mais comuns incluem:

  • Malformações fetais: cerca de 20% dos casos de polidrâmnio estão associados a malformações fetais que afetam o sistema gastrointestinal, o sistema circulatório, o sistema nervoso central ou o sistema urinário;
  • Diabetes gestacional, uma condição caracterizada por altos níveis de glicose no sangue durante a gravidez;
  • Infecções, como sífilis, toxoplasmose e rubéola;
  • Anomalias cromossômicas, como a trissomia do 18 e a do 21;
  • Gestação múltipla: a gravidez de gêmeos aumenta o risco de polidrâmnio.

Acompanhar o polidrâmnio é fundamental para a saúde da gestante, visto que o excesso de líquido amniótico está associado com maiores riscos para a mãe e para o bebê. Afinal, o quadro pode distender o útero e sobrecarregá-lo, predispondo a gestação a:

  • parto prematuro;
  • ruptura prematura de membranas;
  • posicionamento fetal inadequado;
  • atonia uterina pós-parto;
  • necessidade cesariana;
  • Apgar inferior a 7 no primeiro e no quinto minuto de vida.

Portanto, o líquido amniótico é fundamental para a evolução normal das gestações. Seu volume é monitorado por ultrassonografias periódicas realizadas durante o pré-natal. Caso alguma alteração seja identificada, seu médico pode acompanhá-la e tratá-la de forma individualizada.

Quer saber mais sobre o parto humanizado e a importância da individualização das condutas médicas? Toque aqui!

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