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Pólipo endometrial: saiba mais sobre o tratamento

Por Dra. Cristiane Pacheco

Pólipos endometriais são lesões que se formam no endométrio do útero. O endométrio é o tecido que reveste a parede interna do útero, desempenhando um papel fundamental no ciclo menstrual e na fertilidade feminina. Durante o ciclo menstrual, o endométrio passa por mudanças cíclicas em resposta aos hormônios sexuais (principalmente o estrogênio e a progesterona).

Na primeira parte do ciclo menstrual, sob estímulo do estrogênio, as células endometriais se multiplicam rapidamente. Depois da ovulação, sob a ação da progesterona, o endométrio amadurece e passa a produzir substâncias que são essenciais para o desenvolvimento inicial de um futuro embrião. Se a concepção não ocorrer, o endométrio é eliminado durante o período menstrual.

Se a concepção ocorrer, o endométrio desempenha um papel fundamental, pois é nele que o embrião se implanta e desenvolve as primeiras conexões com o organismo da mãe. Se a implantação no endométrio não é bem-sucedida, a gestação não evolui. Quer saber mais sobre os pólipos endometriais e como tratá-los? Acompanhe até o final!

O que é pólipo endometrial?

Diversas condições podem acometer o endométrio, o que causa bastante confusão nas pacientes. O pólipo endometrial é um crescimento anormal e localizado do endométrio. Em outras palavras, apenas uma parte desse tecido se prolifera excessivamente. Portanto, é diferente do que ocorre em outras condições, como:

  • Hiperplasia endometrial: todo endométrio fica mais espesso, e não uma região específica;
  • Adenomiose: além do espessamento de todo o endométrio, as células endometriais passam a invadir o miométrio, a camada intermediária do útero.

É geralmente benigno (não canceroso). Uma paciente pode ter um único ou múltiplos pólipos endometriais, que são variáveis em tamanho, podendo medir de alguns milímetros a vários centímetros. É mais comum em mulheres na pré-menopausa, mas pode ocorrer em qualquer idade.

Sintomas e diagnóstico dos pólipos uterinos

Os principais sintomas dos pólipos endometriais são:

  • Sangramento uterino anormal: sangramento entre as menstruações, sangramento menstrual intenso ou prolongado;
  • Sangramento após a menopausa;
  • Dor pélvica crônica, dismenorreia (cólicas menstruais) e dor durante a relação sexual;
  • Dificuldade em engravidar e abortamento espontâneo.

A investigação inicial envolve uma avaliação ginecológica criteriosa (anamnese e exame físico) e a ultrassonografia transvaginal. Caso lesões sejam identificadas, indica-se a histeroscopia com biópsia das lesões para obter um diagnóstico definitivo.

O tratamento dos pólipos endometriais

O tratamento dos pólipos endometriais depende de diversos fatores, como:

  • Desejo de engravidar: a retirada dos pólipos endometriais aumenta as chances de a paciente engravidar e reduz os riscos de complicações gestacionais. No entanto, como a infertilidade pode ser multifatorial, algumas mulheres que desejam engravidar podem precisar de um tratamento específico para aumentar a fertilidade;
  • Idade da paciente: o tratamento de mulheres assintomáticas em idade reprodutiva geralmente é conservador, isto é, apenas o acompanhamento dos pólipos endometriais e o tratamento dos sintomas. Apesar de pólipos endometriais malignos serem raros, a biópsia é importante para descartar as chances de tumor maligno nas mulheres no pós-menopausa, pois o risco de câncer endometrial é maior nessa fase;
  • Sintomas: se a paciente apresenta sangramento anormal ou outros sintomas, a remoção do pólipo é indicada;
  • Tamanho do pólipo: pólipos endometriais maiores que 1 cm geralmente exigem remoção.

Tratamento expectante

O tratamento expectante é aquele em que nenhuma intervenção é feita para tratar as lesões, que geralmente regridem espontaneamente. Ainda assim, o acompanhamento é fundamental, sendo feito por ultrassonografias periódicas para monitorar o crescimento das lesões. Caso algum comportamento suspeito seja identificado, o tratamento poderá ser indicado.

Tratamento medicamentoso

Em algumas pacientes com sintomas (exceto sangramento uterino anormal e infertilidade), podem ser prescritos medicamentos para ajudar a reduzi-los, como dor pélvica crônica e a dismenorreia.

Tratamento cirúrgico

A remoção dos pólipos endometriais geralmente é realizada por meio de histeroscopia, um procedimento no qual um pequeno instrumento é inserido no útero através da vagina e do colo do útero.

Os pólipos endometriais são removidos usando diferentes meios, como ressecção com cortes ou cauterização. A escolha depende do número e do tamanho dos pólipos endometriais, devendo-se colher algumas lesões inteiras para avaliação de suas características microscópicas (histologia).

Antigamente, utilizava-se a curetagem para o tratamento dos pólipos endometriais. Contudo, devido à ampla disponibilidade da histeroscopia atualmente, a curetagem tem se tornado mais rara, pois apresenta maior taxa de complicações.

O tratamento cirúrgico dos pólipos endometriais está indicado para casos, como:

  • Pacientes com sangramento uterino anormal;
  • Paciente no pós-menopausa;
  • Pacientes com risco elevado de hiperplasia endometrial ou de câncer endometrial;
  • Pacientes com pólipos endometriais maiores do que 1,5 centímetros, com pólipos endometriais prolapsados (que se projetam para dentro do canal cervical) ou com pólipos endometriais múltiplos.

A cirurgia de pólipos endometriais também deve ser considerada em casos de infertilidade, pois podem interferir na implantação do embrião.

A remoção cirúrgica dos pólipos endometriais pode ajudar a restaurar a receptividade normal do endométrio, proporcionando um ambiente mais receptivo para a gravidez. Além disso, a presença de pólipos endometriais pode estar associada a distúrbios hormonais e inflamação local, que também podem afetar a fertilidade.

A cirurgia é recomendada mesmo se a paciente planeja utilizar métodos de reprodução assistida. A remoção dos pólipos endometriais pode não apenas melhorar as chances de concepção natural, mas também aumentar a eficácia dessas técnicas, como a fertilização in vitro (FIV). No entanto, é fundamental que o tratamento seja individualizado e que outras causas potenciais de infertilidade também sejam investigadas e abordadas, em colaboração com profissionais de saúde especializados em fertilidade.

Portanto, o plano terapêutico para os pólipos endometriais, como qualquer conduta médica, deve ser elaborado, considerando os seus fatores individuais e as suas preferências. É importante entender os riscos e os benefícios de cada conduta. Afinal, apesar de a maioria dos pólipos uterinos ser benigna e assintomática, algumas lesões podem ser pré-cancerosas, cancerosas ou impactar a sua funcionalidade.

Quer saber mais sobre os pólipos endometriais? Toque aqui!

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