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Parto humanizado: quando pensar nessa possibilidade?

Por Dra. Cristiane Pacheco

O parto humanizado não é uma técnica nem um método de parto específico. É uma forma de assistência à gestante, na qual ela ganha mais protagonismo, além de todos os cuidados para lidar com esse momento em que pode se sentir tão vulnerável.

O objetivo é devolver ao parto a sua dimensão humana e pessoal, que foi gradualmente perdida com os excessos de intervenção médica.

Em um mundo ideal, o termo parto humanizado sequer deveria existir. Afinal, todas as práticas e princípios indicados por essa forma de assistência, têm como fundamento condutas profissionais baseadas na ética e em dados sólidos.

A necessidade de criar esse novo conceito surgiu por causa de algumas ações inadequadas que se tornaram muito frequentes no dia a dia dos partos. Quer entender melhor? Acompanhe o nosso post!

Quando pensar na possibilidade de optar por um parto humanizado?

Sempre, todo parto deve ser humanizado. Não devemos confundir parto humanizado com parto natural. Nesse último, há sim o objetivo de evitar qualquer ação médica intervencionista, cirúrgica ou medicamentosa.

  • A humanização do parto, porém, prevê diversas cautelas para:
  • Não alienar a mulher dos processos da gestação e do nascimento;
  • Priorizar práticas baseadas em evidências científicas;
  • Pesar os riscos e benefícios de cada intervenção para a mãe e para o bebê, entre outros pontos.

Nesse sentido, qualquer tipo de parto (vaginal ou cesariano) pode ser humanizado.

Quais são os princípios básicos do parto humanizado?

Entenda os princípios do parto humanizado e sua aplicação prática em alguns contextos.

Protagonismo da mulher

Mais do que um princípio, esse é o grande alicerce do parto humanizado. Precisamos recuperar o sentido humano do nascimento: ele não é um procedimento médico, um ato no qual o profissional é o personagem mais importante. Na verdade, o papel das equipes obstétricas será oferecer assistência no sentido mais original do termo: alguém que cuida, auxilia e facilita um processo.

Nesse sentido, você, gestante, é a grande protagonista. Afinal, foi quem gestou uma criança por vários meses: é o seu corpo e apenas você conhece a experiência de cada gravidez. Por esse motivo, poderá planejar o parto de acordo com as suas expectativas e escolhas, como:

  • Definição do tipo de parto: normal, que pode ocorrer em diferentes formatos, ou cesariana realizada por razões não médicas;
  • Do local de nascimento;
  • De quem vai participar do processo;
  • Uso de anestesia;
  • Ambientação do espaço;
  • Cuidados com o bebê após o nascimento.

Por exemplo, sabemos que o parto normal apresenta muitas vantagens para as mulheres. No entanto, nem sempre a mulher deseja ou pode passar por ele. O papel do médico não será julgar a sua escolha, mas acolhê-la e oferecer todas as informações para que você tome uma decisão consciente.

Individualidade biopsicossocial

Na medicina, gostamos de dizer que o ser humano deve ser visto na sua integralidade biopsicossocial. O que isso significa?

  • Avaliação da saúde física (bio): são levadas em consideração as características anatômicas, os processos fisiológicos, as doenças e outros aspectos do organismo de cada pessoa;
  • Avaliação da saúde mental (psico): são os pontos relacionados às suas emoções, comportamentos e pensamentos. Assim, seu humor, sua relação com a gestação e seus sentimentos serão abordados nas consultas médicas. O objetivo é conhecer expectativas e princípios para auxiliá-la a sentir uma maior sensação de autorrealização e de satisfação com o parto;
  • Social: são os aspectos familiares, culturais, religiosos, econômicos, entre outros. Todas as eventuais restrições que a mulher tiver por alguma dessas razões serão respeitadas.

Portanto, o parto é individualizado para cada gestante em cada contexto. Cada nascimento é único!

Medicina baseada em evidências

Esse é outro grande pilar do parto humanizado, pois suas práticas são amparadas pelas evidências científicas aplicadas a cada caso individualmente. Após a identificação das determinantes biopsicossociais sua e do bebê, o médico utiliza a experiência clínica para avaliar o risco e o benefício de cada procedimento.

Ao final, a partir dos seus valores e preferências, vocês tomam uma decisão compartilhada.

Como é realizado?

O acolhimento da gestante com empatia e respeito é a base das técnicas de humanização do parto.

  • Conhecer e compreender as expectativas da gestante e de sua família;
  • Esclarecer dúvidas relacionadas à gravidez e ao parto;
  • As necessidades de saúde da futura mãe;
  • Orientar sobre a rotina e os procedimentos que serão realizados.

Outros atos muito importantes são:

  • Prevenção de complicação pela realização de exames e condutas necessários no pré-natal;
  • Maior participação, autonomia e poder de decisão sobre seu corpo. Inclusive, o(a) obstetra pode auxiliá-la em um processo de empoderamento caso você apresente essa demanda;
  • Presença de um acompanhante à sua escolha durante o trabalho de parto e nascimento
  • Qualificação de relacionamentos pessoais entre profissionais e pacientes;
  • Criação de espaços para construção de conhecimento;
  • Uso de técnicas medicinais ou não para o alívio da dor;
  • Planejamento prévio do processo de trabalho de parto e nascimento.

Portanto, o parto humanizado deve abranger todos os tipos de partos, independentemente das técnicas e métodos utilizados. O objetivo dele é cuidar da sua saúde de forma integral, considerando os aspectos físicos, psíquicos e sociais.

A partir disso, todo o processo de acompanhamento obstétrico será feito para garantir que o momento do parto seja uma experiência única e positiva.

Você quer entender melhor o que é e como encontrar profissionais que façam o parto humanizado em Manaus? Confira outro texto sobre o tema!

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