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Saco gestacional e desenvolvimento da gestação

O saco gestacional apresenta uma função importante no início da gestação. Afinal, é a primeira estrutura visível durante o desenvolvimento embrionário. Sua presença e características fornecem informações importantes para o diagnóstico e acompanhamento da gravidez. Quer saber mais sobre as funções do saco gestacional ao longo do desenvolvimento da gestação, desde sua formação até a transição de protagonismo para outras estruturas mais complexas? Acompanhe nosso post até o final!

O que é saco gestacional?

O saco gestacional é a cavidade preenchida por líquido que contém o embrião. Portanto, é uma estrutura muito importante nas primeiras semanas de uma gestação. Entretanto, com o avanço da gravidez, outras estruturas assumem uma relevância clínica maior e a tendência é que a expressão “saco gestacional” seja menos usada no pré-natal. Veja, a seguir, um resumo do que acontece com o saco gestacional com o desenvolvimento da gestação:

  • Entre 3ª e 4ª semanas: sinal precoce de uma possível gestação;
  • Entre 5ª e 6ª semanas: formação da vesícula vitelina;
  • A partir da 10ª semana: o saco gestacional passa a ser formado pelas membranas embrionárias. Então, a partir desse momento, a paciente passa a ouvir menos o termo “saco gestacional”, pois os médicos e os exames tenderão a usar a expressão membranas embrionárias.

Com isso, é importante ressaltar que a idade do embrião não coincide com a idade gestacional. A idade gestacional é calculada a partir da data de início da última menstruação. No entanto, a fertilização geralmente ocorre entre 10 e 15 dias após esse marco. Então, o embrião é aproximadamente duas semanas mais novo do que a idade gestacional. 

3ª e 4ª semanas: momento de protagonismo do saco gestacional

Após a fecundação, forma-se um zigoto, que inicialmente é uma única célula embrionária. Depois disso, essa célula embrionária indiferenciada começa a se dividir rapidamente (clivagem). Por volta do quarto e do quinto dia após a fecundação, essa massa celular indiferenciada começa a se diferenciar em dois tecidos distintos: o embrioblasto e o trofoblasto. O trofoblasto dará origem a diversos anexos embrionários fundamentais para a evolução normal de uma gestação. 

Após sua formação, o trofoblasto começa a liberar secreções, criando uma cavidade no interior do embrião. À medida que as células trofoblásticas produzem essas secreções, ocorre uma expansão da cavidade do blastocisto, que cresce cerca de 1 milímetro por dia. Além de proteger o embrião, isso fornece um espaço adequado para o desenvolvimento do embrião e dos anexos embrionários. 

Com o crescimento da cavidade do blastocisto, é possível visualizar, na ultrassonografia, uma região com uma massa de células preenchida por líquido. Contudo, o saco gestacional não é essa cavidade do blastocisto, o saco gestacional é todo o espaço preenchido por líquido que contém o embrião. 

A ultrassonografia transvaginal pode detectar o saco gestacional por volta de 4,5 a 6 semanas de gravidez. Nesse exame, o saco gestacional apresentará as seguintes características:

  • Seu interior é uma região muito escura, que é chamada de anecoica (ausência de eco). Isso significa que ela apresenta uma grande quantidade de líquido;
  • O entorno do saco gestacional é um anel hiperecoico, ou seja, que reflete bastante as ondas de ultrassom. Com isso, aparece branca, o que significa que há uma alta densidade de células no local.

Por ser formado precocemente, o saco gestacional é geralmente a primeira estrutura que pode ser identificada no útero pela ultrassonografia. Assim, a visualização do saco gestacional dentro do útero é reconhecida como um dos primeiros sinais de confirmação de uma gestação intrauterina. Se o saco gestacional é identificado nas tubas uterinas ou em outra estrutura pélvica, dizemos que é uma gestação ectópica, a qual não tem chance de evoluir e precisa ser interrompida.

Entre 5ª e 6ª semanas: a formação da vesícula vitelina

Entre 5 e 6 semanas de gestação, a ultrassonografia deve ser capaz de identificar também o saco vitelino e o embrião dentro do saco gestacional. Portanto, a partir desse período, um saco gestacional normal na ultrassonografia deve apresentar um embrião em seu interior. Além disso, nesse período, já é comum que possamos identificar os batimentos cardíacos fetais pela ultrassonografia.

A partir desse momento, pode-se diagnosticar problemas gestacionais, como:

  • Gravidez anembrionária: é a ausência de vesícula vitelina ou de embrião no interior do saco gestacional após a 6ª semana de gestação;
  • Saco gestacional pequeno para a idade gestacional: esse sinal pode significar algum problema de desenvolvimento embrionário;
  • Abortamento precoce: é a presença de um saco gestacional com um feto, mas sem identificação de batimentos cardíacos após o período em que o coração já deveria ter se formado.

A partir da 7ª a 10ª semana: o saco gestacional perde o protagonismo

À medida que o embrião se desenvolve, estruturas mais complexas surgem. Então, as estruturas mais primitivas perdem seu protagonismo no acompanhamento da gestação:

  • A função da vesícula vitelina começa a ser substituída pela placenta, que se torna responsável nutrição do feto;
  • As membranas embrionárias passam a receber mais atenção, e o saco gestacional perde sua relevância funcional. 

Portanto, o saco gestacional apresenta uma grande importância funcional e clínica. Ele oferece um ambiente seguro para o desenvolvimento do embrião e é o primeiro sinal a ser identificado em uma ultrassonografia. Com o avanço das semanas gestacionais, sua relevância clínica diminui à medida que estruturas como a placenta e as membranas embrionárias assumem funções essenciais no suporte do feto.

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O que é candidíase vulvovaginal?

O sistema reprodutor feminino pode ser dividido de diferentes formas. Uma das mais comuns é a divisão entre sistema reprodutor feminino superior e inferior. A porção superior é aquela que não pode ser visualizada durante o exame físico ginecológico, sendo formada pelo útero, pelas tubas uterinas, pelos ligamentos uterinos e pelos ovários. Já a porção inferior é formada pelo colo uterino, pela vagina e pela vulva, que são estruturas que podem ser examinadas durante a inspeção visual ginecológica.

O sistema reprodutor feminino inferior apresenta uma porção que pode ser vista a olho nu, sem o auxílio de instrumentos médicos, a genitália externa (vulva). Entre as estruturas que fazem parte da vulva, estão os grandes lábios, os pequenos lábios, o clítoris e o introito vaginal. 

Contudo, uma região do sistema reprodutor feminino inferior apenas pode ser examinada com o uso do espéculo. Esse instrumento expande a abertura do introito vaginal, permitindo que o ginecologista possa visualizar as paredes da vagina e o colo do útero.

A candidíase vulvovaginal é uma infecção fúngica que acomete tanto a genitália externa (vulva) quanto a vagina, podendo causar sintomas bastante incômodos para a mulher. Quer saber mais sobre essa condição? Acompanhe nosso post até o fim!

O que é candidíase vulvovaginal?

O termo “candidíase” faz referência ao tipo de fungo que está relacionado ao quadro. Eles pertencem ao gênero Candida. Algumas espécies desse fungo habitam naturalmente o microbioma (“flora microbiana”) da mucosa vulvovaginal, sendo importantes para a proteção do sistema reprodutor feminino. 

Em até 92% dos casos, a candidíase vulvovaginal é causada pela Candida albicans, que faz parte do microbioma vaginal normal, estando presente de forma controlada e sem causar desconforto clínico. Então, o que faz com que esse fungo mude seu comportamento?

Causas da candidíase vulvovaginal

O nosso corpo apresenta alguns mecanismos para controlar o crescimento da Candida albicans, como:

  • pH vaginal – Naturalmente, a vagina apresenta um ambiente mais ácido, ou seja, um pH mais baixo do que o pH da pele;
  • Controle imunológico – o sistema imunológico produz células e moléculas que respondem eficaz e rapidamente à proliferação excessiva da Candida, evitando a permanência de sua proliferação.

A multiplicação excessiva da Candida albicans geralmente está associada a mudanças no pH (nível de acidez) da vagina. Portanto, a candidíase pode surgir quando:

  • O ambiente vaginal se torna menos ácido, isso pode facilitar a proliferação dos microrganismos que vivem nela;
  • O sistema imunológico fica enfraquecido. 

Esses fenômenos podem ocorrer devido a fatores, como:

  • Gravidez: mudanças hormonais e um leve enfraquecimento do sistema imunológico que ocorre naturalmente durante a gravidez;
  • Diabetes mellitus: níveis elevados de açúcar no sangue podem enfraquecer o sistema imunológico;
  • Uso de antibióticos: os antibióticos podem eliminar bactérias benéficas, que liberam substâncias que deixam o pH da vagina mais ácido;
  • Imunossupressão: um sistema imunológico enfraquecido reduz a capacidade do corpo de conter a Candida de forma eficaz;
  • Práticas de higiene podem desestabilizar o pH vaginal, como o uso de duchas vaginais. 

Na tentativa de compensar essa resposta insuficiente de controle da Candida, o sistema induz a inflamação, que, na região vulvovaginal, causa sintomas, como:

  • Coceira;
  • Ardência;
  • Vermelhidão;
  • Dor durante as relações sexuais;
  • Secreção vaginal alterada, geralmente espessa e branca.

Infecções de repetição 

Algumas mulheres desenvolvem uma forma da doença caracterizada pela recorrência das infecções. A candidíase vulvovaginal recorrente é definida por pelo menos quatro episódios de candidíase vulvovaginal por ano. Os mecanismos exatos que levam à candidíase de repetição não estão totalmente compreendidos. Presume-se que essa síndrome seja causada por uma combinação de:

  • Fatores genéticos: algumas mulheres apresentam mutações genéticas hereditárias relacionadas a uma dificuldade imunológica de combater a Candida albicans
  • Fatores de virulência: são mecanismos que deixam os microrganismos mais resistentes. Por exemplo, as espécies de Candida podem formar biofilmes na mucosa vaginal, protegendo-se do sistema imunológico e dos tratamentos antifúngicos;
  • Fatores ambientais: os mais comuns são o uso de imunossupressores e a persistência no uso de duchas vaginais; 
  • Fatores adquiridos: o mais frequente é a diabetes mellitus descontrolada, que, por reduzir a eficiência do sistema imunológico, predispõe a um maior número de infecções. 

Exames e diagnóstico

Quando não é de repetição, a candidíase vulvovaginal é uma condição facilmente diagnosticada e tratada. Geralmente, o diagnóstico é feito por meio de exame físico, no qual podem ser observados sinais inflamatórios que explicamos acima (inchaço, vermelhidão e corrimento característico).

Em alguns casos, pode ser necessária a análise das secreções vaginais para identificar o tipo exato de fungo, a fim de determinar o tratamento mais adequado. Isso é especialmente importante em infecções recorrentes (de repetição), pois há uma alta probabilidade de envolvimento de espécies de Candida não albicans ou de cepas de Candida resistente aos antifúngicos.

O tratamento é indicado apenas quando há manifestação dos sintomas. Em outras palavras, com raras exceções, não é necessário tratar a candidíase assintomática. O plano terapêutico é elaborado de forma individualizada, de acordo com a gravidade e a frequência dos episódios. Ele geralmente consiste no uso de medicamentos antifúngicos tópicos ou orais, que são muito eficazes no combate à infecção. Em casos crônicos, as mulheres podem precisar de tratamento prolongado ou até mesmo de um programa de manutenção. 

Por fim, é fundamental que o tratamento da candidíase vulvovaginal seja acompanhado por um médico e que você siga as instruções dele com cuidado. Afinal, um dos fatores que podem levar à recorrência dos sintomas é o tratamento inadequado.

Quer saber mais sobre as infecções vaginais de repetição? Toque aqui!

Sintomas de candidíase vulvovaginal: conheça mais sobre essa infecção de repetição

Infecções vulvovaginais ocorrem quando microrganismos conseguem se multiplicar excessivamente na vulva e na vagina. A vulva é a genitália externa feminina, sendo principalmente formada pelos grandes lábios, pelos pequenos lábios e pelo introito vaginal. Já a vagina é o órgão tubular que se inicia após o introito vaginal e que termina no colo do útero.

Esses dois órgãos apresentam um maior risco de infecção por alguns fatores. Eles estão em maior contato com o meio externo, então estão mais propensos a colonização por microrganismos patogênicos. Além disso, apresentam uma flora microbiana própria, que é controlada pelo nosso organismo e nos protege na maior parte do tempo. Contudo, em algumas mulheres, alguns microrganismos da flora microbiana normal podem se multiplicar excessivamente e provocar infecções de repetição.

O principal microrganismo relacionado a essas infecções vulvovaginais de repetição é a Candida albicans, que faz parte da microbiota normal das mulheres. Quer saber mais sobre a candidíase, a infecção pela Candida albicans? Acompanhe nosso post até o final até o final!

O que é candidíase?

A candidíase é uma infecção vaginal predominantemente causada pela espécie Candida albicans, responsável por cerca de 80% a 92% dos casos. Esse fungo habita naturalmente o canal vaginal, tendo funções protetoras importantes. Por exemplo, ele ajuda a manter o pH vaginal mais ácido e produz substâncias que dificultam a proliferação de bactérias que podem causar infecções vulvovaginais.

Embora menos frequentes, outras espécies de Candida, como Candida glabrata, Candida krusei, Candida tropicalis e Candida parapsilosis também podem ser agentes causadores da candidíase. Em geral, essas infecções podem ser mais difíceis de tratar com os planos terapêuticos utilizados para a Candida albicans.

Causas da Candidíase

No ambiente vaginal, a Candida faz parte de um rico microbioma, do qual fazem partes bactérias, como os lactobacilos, e outros fungos. O crescimento desses microrganismos é controlado por diversos mecanismos químicos e imunológicos, como:

  • pH vulvovaginal;
  • Citocinas, que são moléculas que controlam processos do sistema imunológico;
  • Temperatura corporal;
  • Substâncias antimicrobianos presentes no muco vaginal;
  • Substâncias produzidas por outros microrganismos presentes na flora bacteriana.

Alterações nesses mecanismos podem levar à proliferação excessiva do fungo, o que causa um processo inflamatório local. Estudos indicam que até 75% das mulheres podem experimentar, pelo menos, um episódio de candidíase vaginal ao longo da vida.

Quais são os sintomas da candidíase?

 

Os sintomas da candidíase são causados principalmente pelo processo inflamatório causado pela doença. A apresentação clássica da doença envolve:

  • Prurido (coceira) leve a intensa;
  • Secreção branca, que pode ser mais líquida (descrita como “leitosa”) ou ter uma textura parecida com “leite coalhado”.

Além disso, de acordo com a gravidade do quadro, outros sintomas podem surgir, como:

  • Vermelhidão e inchaço na vulva;
  • Sensação de ardência ao urinar;
  • Desconforto ou dor durante a relação sexual.

Episódios de candidíase complicada podem apresentar sintomas adicionais, como a presença de fissuras e de estenose vaginal. Em algumas situações, a doença pode ser recorrente. Isso parece estar relacionado a fatores, como:

  • Uso de antibióticos;
  • Estresse;
  • Imunossupressão;
  • Diabetes mellitus descompensada;
  • Uso de duchas vaginais.

Além disso, a candidíase parece estar intimamente relacionada a questões hormonais. Afinal, é muito menos frequente em crianças e em mulheres na menopausa.

Nesse sentido, durante a gravidez, os níveis hormonais elevados aumentam a acidez vaginal, criando um ambiente propício para a proliferação de fungos. Simultaneamente, o sistema imunológico da mulher fica ligeiramente suprimido. Felizmente, a infecção não representa risco significativo para a mãe ou o bebê.

Diagnóstico e tratamento da candidíase

A candidíase vulvovaginal é de fácil diagnóstico e tratamento. As características da secreção tornam a doença mais fácil de distinguir de outras vaginoses, mas, em alguns casos, ainda pode ser difícil a distinção.

O diagnóstico pode ser exclusivamente clínico nos casos não recorrentes. O médico realiza um exame físico para identificar sintomas característicos como inchaço, vermelhidão e corrimento na região vulvovaginal.

Contudo, em infecções recorrentes ou complicadas, pode ser necessária a avaliação laboratorial das secreções para identificar a espécie específica de Candida e determinar o tratamento mais eficaz. Afinal, esse tipo de candidíase tem maior chance de envolvimento de cepas não albicans. Inclusive, em pacientes com internação hospitalar recente e infecção complicada, é importante investigar algumas cepas multirresistentes que estão surgindo.

O tratamento é indicado somente quando os sintomas estão presentes, variando de acordo com a gravidade do quadro. Afinal, como se trata de um fungo que habita normalmente e protege a mucosa vaginal, somente faz sentido tratá-lo quando ele causa problemas para a paciente. Geralmente, a terapia envolve o uso de medicamentos antifúngicos, aplicados topicamente ou administrados por via oral, que são eficazes no combate à infecção.

Para mulheres que apresentam candidíase recorrente, o tratamento pode se estender por um período mais prolongado e envolver um plano terapêutico de manutenção. Por isso, é fundamental evitar a automedicação e seguir estritamente as orientações médicas para o tratamento.

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