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Endometriose, anemia e gestação: saiba mais sobre essa relação

O monitoramento da anemia e da endometriose na gestação é importante para garantir a saúde da mãe e do bebê. A anemia, caracterizada pela deficiência de glóbulos vermelhos, pode comprometer o desenvolvimento fetal. Já a endometriose, uma doença caracterizada pela presença de tecido endometrial fora do útero, pode causar sintomas incômodos e, em alguns casos, complicações na gravidez.

O acompanhamento médico pré-natal permite o acompanhamento e o tratamento adequado de ambas as condições. Por meio das consultas clínicas, dos exames de sangue e de ultrassons, é possível identificar a presença de anemia e endometriose e determinar as medidas terapêuticas mais adequadas para cada caso. Quer saber mais sobre o tema? Acompanhe até o final!

O que é anemia?

Nosso sangue é composto por diversas células, como:

  • as hemácias (glóbulos vermelhos), que transportam oxigênio para os mais diversos tecidos do corpo;
  • os leucócitos (glóbulos brancos), que são nossas células de defesa;
  • as plaquetas (glóbulos amarelos), as quais são responsáveis pela coagulação.

As hemácias são de cor vermelha, pois armazenam hemoglobina, uma proteína que contém ferro e é responsável por transportar oxigênio para os tecidos do corpo. A anemia é caracterizada pela diminuição dos níveis de hemoglobina no sangue. Ela é diagnosticada por meio de um exame de sangue, o hemograma, o qual conta o número de hemácias e mede a concentração de hemoglobina no sangue.

Anemia e seus impactos na gestação

A anemia é uma condição bastante comum na gestação, afetando cerca de 20% das gestantes, mas não deve ser normalizada. Afinal, a condição está associada a diversos riscos gestacionais, como:

Os principais sintomas da anemia na gestação são:

  • Fadiga;
  • Falta de ar;
  • Tontura;
  • Palidez;
  • Dor de cabeça;
  • Falta de concentração;
  • Batimentos cardíacos acelerados;
  • Feto pequeno para a idade gestacional.

Causas de anemia em gestantes

Por ser um problema frequente, uma das ações das consultas de pré-natal é prevenir, investigar e tratar a anemia, aumentando as chances de uma gestação saudável para a mãe e para o bebê. As principais causas da anemia na gestação:

  • Aumento da demanda de ferro: na gestação, o bebê também precisa produzir seus próprios glóbulos vermelhos. Então, para se desenvolver, ele usa os estoques de ferro da mãe;
  • Deficiência de ferro: a causa mais comum, especialmente no segundo e terceiro trimestres, quando a demanda por ferro aumenta;
  • Deficiência de ácido fólico: esse nutriente também é importante para a formação do tubo neural do bebê;
  • Deficiência de vitamina B12;
  • Doenças inflamatórias crônicas.

Anemia e endometriose

Diversas doenças ginecológicas podem causar anemia devido a diferentes motivos:

  • Menstruação abundante — é o mecanismo mais comum de anemia por deficiência de ferro em mulheres em idade fértil, pois, durante o sangramento menstrual, a mulher perde hemácias e ferro. As principais doenças que causam sangramento uterino anormal são os miomas uterinos, a adenomiose e os pólipos uterinos. Quando a menstruação excessiva é a causa da anemia, os níveis de ferro caem nos exames de sangue;
  • Doenças inflamatórias crônicas — a inflamação persistente pode fazer com que os níveis de eritropoetina, um hormônio que estimula a produção de glóbulos vermelhos, caia. Além disso, a inflamação crônica aumenta a hemólise (destruição de glóbulos vermelhos) e reduz o ferro disponível para a produção de hemoglobina. Apesar da anemia, a quantidade de ferro armazenado no corpo pode ser normal ou até mesmo alta, devido à dificuldade do corpo em utilizá-lo para produzir glóbulos vermelhos.

A endometriose é caracterizada pelo crescimento de tecido endometrial fora do útero. Seus principais sintomas são:

  • Dor pélvica crônica;
  • Dismenorreia (cólicas menstruais);
  • Dificuldade para engravidar;
  • Dor durante as relações sexuais;
  • Disfunções urinárias e intestinais.

O sangramento uterino anormal, por sua vez, não é um sintoma frequente na endometriose. Assim, essa doença pode predispor a paciente à anemia devido à inflamação crônica, a qual interfere na produção de glóbulos vermelhos na medula óssea, levando à anemia.

Endometriose, anemia e gestação

Em muitos casos, os sintomas da endometriose podem melhorar durante a gravidez devido às alterações hormonais que ocorrem naturalmente. Ainda assim, os estudos vêm apontando que a inflamação pélvica causada pela endometriose pode estar relacionada ao aumento do risco de complicações gestacionais, como:

  • Abortamento espontâneo;
  • Gravidez ectópica;
  • Parto prematuro;
  • Descolamento prematuro da placenta;
  • Aderências pélvicas, que podem dificultar o parto normal.

Pelo conhecimento científico atual, não é possível determinar se a endometriose pode aumentar o risco de endometriose em gestantes. Portanto, quando a gestante apresenta anemia, vamos investigar as causas mais frequentes primeiramente, como a deficiência nutricional e a presença de focos ocultos de hemorragia.

Por isso, é importante que as mulheres grávidas realizem a investigação da anemia durante o pré-natal para detectar a anemia e outras condições. Além disso, a suplementação de ferro preventiva é indicada para todas as gestantes, independentemente dos resultados do hemograma.

Se diagnosticada, a anemia na gestação geralmente é tratada com doses mais altas de suplementos de ferro e, às vezes, suplementos de ácido fólico ou vitamina B12, conforme necessário. Caso os exames apontem que a anemia possa ser causada por doença crônica, a suplementação de ferro pode ser insuficiente. Quando possível, deve-se tratar essa doença de base.

Porém, o tratamento da endometriose durante a gestação é complexo. Alguns medicamentos para tratar a endometriose podem não ser seguros durante a gestação. Por exemplo, a terapia hormonal e os medicamentos que diminuem os níveis de estrogênio, como os agonistas de GnRH, geralmente não são recomendados durante a gravidez devido ao potencial de efeitos colaterais no feto.

Portanto, em gestações sem complicações, pode ser apenas necessário monitorar os sintomas e a evolução da endometriose e da anemia. Se essas medidas não forem eficazes e os níveis de hemoglobina ficarem muito baixos, uma transfusão de sangue pode ser necessária.

Quer saber mais sobre a endometriose? Toque aqui!

Transmissão do HPV durante o parto: é possível?

O Papilomavírus Humano (HPV) é um grupo de vírus que pode infectar a região genital e outras áreas do corpo. Existem mais de 200 tipos diferentes de HPV. Alguns deles estão associados ao desenvolvimento de verrugas genitais e outros podem causar lesões que evoluem para o câncer, principalmente no colo do útero. Apesar disso, é uma infecção comum, e a maioria das pessoas infectadas não apresenta sintomas.

No entanto, alguns tipos de HPV podem persistir e levar a complicações de saúde mais sérias. Devido a isso, muitas gestantes ficam preocupadas com a possibilidade de transmitir o vírus para seu bebê durante o parto. Neste post, vamos explicar melhor se isso é realmente possível e o que pode ser feito. Quer saber mais sobre o tema? Acompanhe até o final!

Transmissão do HPV durante o parto: é possível?

Sim, mas não é frequente. O vírus do papiloma humano (HPV) é geralmente transmitido por contato direto de:

  • pele com pele;
  • pele com mucosa;
  • mucosa com mucosa.

A transmissão geralmente ocorre durante a atividade sexual devido ao contato genital-genital, oral-genital e manual-genital. Além disso O vírus também pode ser transmitido por meio de fluidos corporais, como os fluidos vaginais. Ou seja, o vírus pode ser transmitido mesmo na ausência de penetração.

Apesar de não ser uma via de transmissão comum, o HPV também pode ser transmitido verticalmente (de mãe para filho) durante o parto ou o puerpério. Ou seja, o bebê pode entrar em contato com o vírus HPV presente na vagina ou no colo do útero da mãe.

Parto normal

Durante o parto, o bebê pode entrar em contato com o vírus na vagina ou no colo do útero da mãe. Isso pode acontecer mesmo se a mãe não apresentar sinais ou sintomas da infecção. Enfatizando, a transmissão durante o parto normal é considerada rara.

Alguns fatores podem aumentar esse risco de transmissão vertical do HPV, como em mulheres que:

Cesariana

A transmissão durante a cesariana é considerada ainda mais rara. Afinal, o bebê não passa pelo canal de parto vaginal, o que reduz significativamente o risco de exposição ao HPV presente na região genital materna. Além disso, as precauções padrão e medidas de assepsia são tomadas durante o procedimento para minimizar riscos de quaisquer infecções.

Apesar de o risco de transmissão do HPV ser menor nas cesarianas, ela não é indicada como uma forma de prevenção contra o HPV atualmente.

Quais as consequências de uma infecção por HPV para o bebê?

Para o bebê, um dos principais riscos da infecção pelo HPV é o desenvolvimento da papilomatose respiratória recorrente. A papilomatose respiratória recorrente (PRR) é uma condição rara que causa lesões benignas (não cancerosos) nos órgãos das vias aéreas superiores, como a laringe, a traqueia e os brônquios. Os sintomas da PRR podem incluir:

  • Rouquidão;
  • Dificuldade para respirar;
  • Tosse;
  • Tosse com sangue;
  • Falta de ar;
  • Dificuldade para engolir.

Como prevenir o HPV antes e durante o parto?

As principais formas de prevenção contra o HPV incluem:

Vacinação

A vacina contra o HPV é a forma mais eficaz de prevenir a infecção pelo HPV. Ela é recomendada para todas as meninas de 9 a 14 anos, mas também pode ser administrada em mulheres até 45 anos que nunca foram vacinadas ou que não completaram o esquema de vacinação.

É importante ressaltar, contudo, que a vacina contra o HPV não pode ser tomada durante a gestação. Por isso, deve ser administrada enquanto você está planejando engravidar. Uma das vantagens de se vacinar é que os anticorpos podem passar para o bebê durante a gravidez, reduzindo o risco de uma infecção devido ao parto.

Realização do Papanicolaou durante o pré-natal

Para as mulheres grávidas, é importante que elas façam o exame preventivo do colo do útero, conhecido como Papanicolau, durante a gravidez. O exame pode ajudar a identificar a infecção pelo HPV e iniciar o tratamento precocemente, se necessário.

Uso de preservativos

Embora o uso de preservativos não forneça uma proteção completa contra o HPV, eles podem ajudar a reduzir o risco de transmissão. Então, caso você realize relações sexuais durante a gestação, esteja sempre protegida. Isso prevenirá não apenas o HPV, mas outras infecções que podem prejudicar significativamente o bebê, como a sífilis e a clamídia.

Quais as consequências do HPV para a mulher de forma geral?

O HPV pode causar as seguintes condições nas mulheres:

  • Verrugas genitais: são lesões (geralmente, verrugas) que podem aparecer na vulva, vagina, colo do útero, ânus ou pênis. Elas são causadas por tipos de HPV de baixo risco;
  • Câncer do colo do útero: o câncer do colo do útero é um dos tipos mais comuns de câncer ginecológico. Ele é causado por tipos de HPV de alto risco, como o HPV 16 e o HPV 18;
  • Câncer de ânus, de vulva ou de vagina: são tipos raros de câncer que pode ser causado pelos HPV de alto risco.

É importante ressaltar que nem todas as mulheres infectadas pelo HPV desenvolverão câncer. A maioria das infecções pelo HPV é eliminada pelo corpo naturalmente. No entanto, é importante fazer exames regulares para detectar qualquer alteração que possa evoluir para o câncer.

Quer saber mais sobre o HPV e sua prevenção? Toque aqui!

É possível fazer a reversão da laqueadura tubária?

A laqueadura tubária, também conhecida como ligadura das tubas uterinas, é um procedimento cirúrgico utilizado para a esterilização permanente em mulheres. Durante esse procedimento, as tubas uterinas são cortadas ou bloqueadas para evitar a passagem dos óvulos para o útero, impedindo, assim, a gravidez.

A laqueadura é uma forma eficaz de contracepção. A taxa de falha é de apenas 0,1% quando a paciente segue as recomendações médicas no pós-cirúrgico. No entanto, é importante lembrar que a laqueadura é um procedimento cirúrgico irreversível e pode apresentar riscos, como infecção, sangramento e lesão dos órgãos internos.

Apesar de a reversão da laqueadura tubária (um procedimento cirúrgico) ter evoluído bastante, ela ainda não garante o retorno da fertilidade. Quer saber mais sobre o tema? Acompanhe!

Quem pode fazer uma laqueadura?

A laqueadura é um procedimento muito conhecido no Brasil e que voltou aos “holofotes” devido às mudanças na Lei de Planejamento Familiar em 2022, como:

  • Redução da idade mínima: a idade mínima para a realização da laqueadura foi reduzida de 25 para 21 anos;
  • Liberação para pessoas sem filhos: pessoas sem filhos agora podem realizar a laqueadura, independentemente da idade;
  • Fim da exigência do consentimento do cônjuge: o consentimento do cônjuge não é mais exigido para a realização da laqueadura.

Essas modificações são consideradas um avanço no direito à saúde sexual e reprodutiva das mulheres, aumentando a sua autonomia em relação ao próprio corpo. No entanto, uma decisão livre envolve não apenas o direito de fazer o procedimento, mas também a compreensão de seus riscos e benefícios.

É possível reverter a laqueadura?

Sim, é possível fazer a reversão da laqueadura tubária. O procedimento, também conhecido como reanastomose tubária, consiste na reconexão das tubas uterinas, permitindo que os espermatozoides alcancem os óvulos e ocorra a fecundação.

A reversão da laqueadura tubária é um procedimento cirúrgico, que pode ser realizado por:

  • Laparoscopia — um procedimento menos invasivo, que é realizado por meio de pequenas incisões no abdômen;
  • Laparotomia — um procedimento mais invasivo, que é realizado por meio de uma incisão maior no abdômen.

O sucesso da reversão da laqueadura tubária depende de vários fatores, incluindo:

  • Idade: a taxa de sucesso da reversão da laqueadura tubária diminui com a idade da mulher;
  • Presença de outros fatores de infertilidade: se você tiver outros fatores de infertilidade, como endometriose ou pólipos uterinos, a reversão da laqueadura tubária pode não ser suficiente para restaurar sua fertilidade;
  • Técnica utilizada para realizar a laqueadura: técnicas que envolvem a retirada de uma porção maior das tubas são mais difíceis de reverter;
  • O tempo decorrido desde a laqueadura: quanto mais antiga for uma laqueadura, menores são as chances de sucesso da reversão.

Em geral, as taxas de sucesso da reversão da laqueadura tubária são de até 70% a 80%. No entanto, é importante ressaltar que, mesmo com o sucesso do procedimento, a mulher pode não engravidar.

Se a reversão da laqueadura tubária não for uma opção viável, a FIV pode ser considerada. Nesse caso, os óvulos são coletados, fertilizados em laboratório e os embriões resultantes são transferidos para o útero.

Por que preferir métodos reversíveis?

Os métodos reversíveis de contracepção permitem que a mulher mude de ideia sobre o planejamento familiar no futuro. Se a mulher decidir engravidar, ela pode remover o método reversível sem dificuldade. A laqueadura tubária, por outro lado, é um procedimento definitivo cuja reversão apresenta resultados incertos.

Alguns exemplos de métodos reversíveis de contracepção são:

  • DIU: um pequeno dispositivo que é inserido no útero e pode prevenir gestações por mais de 5 anos;
  • Implante contraceptivo: um pequeno bastão que é inserido sob a pele do braço e libera hormônios para prevenir a gravidez;
  • Injeção contraceptiva: uma injeção de contraceptivos hormonais que é administrada a cada 3 meses;
  • Pílula anticoncepcional: comprimidos hormonais que devem ser tomados diariamente.

A vida é dinâmica, e as circunstâncias pessoais podem mudar ao longo do tempo. Optar por métodos reversíveis permite que as pessoas se adaptem às mudanças nos relacionamentos, na carreira, na situação financeira e nos objetivos familiares. Como as chances de recuperação da fertilidade pela reanastomose tubária são limitadas e os procedimentos de reprodução assistida são caros para muitas pacientes, a laqueadura não é a melhor opção para controle da fertilidade.

Segurança

Os métodos reversíveis de contracepção são geralmente mais seguros do que os métodos definitivos, como a laqueadura tubária. A laqueadura tubária é uma cirurgia invasiva que envolve o corte ou a obstrução das tubas uterinas. Como qualquer cirurgia, ela pode apresentar riscos, como infecção, sangramento e lesão dos órgãos internos.

Menor impacto emocional

A laqueadura tubária é um procedimento cirúrgico permanente e, em alguns casos, o processo de reversão pode ser desafiador. Passar por uma cirurgia adicional pode demandar bastante da mulher emocional e fisicamente. Muitos métodos reversíveis envolvem uma decisão simples, como parar de tomar a pílula ou as injeções trimestrais. Mesmo métodos mais duradouros, como o DIU, são facilmente retirados por um ginecologista experiente no próprio consultório médico.

Portanto, a recomendação atual é que a mulher evite a laqueadura sempre que possível. Em alguns casos, o procedimento pode ser a melhor opção, como para mulheres que apresentam contraindicação absoluta a uma gestação por motivos médicos. Nos demais casos, métodos contraceptivos reversíveis de longa duração oferecem a flexibilidade de escolha e a comodidade de não precisar utilizar o método todos os dias ou meses. Afinal, a fertilidade nem sempre se recupera após a reversão da laqueadura tubária.

Quer saber mais sobre os métodos contraceptivos? Toque aqui!

DIP na gestação: saiba mais sobre o assunto

As gestações são um momento delicado, o qual requer cuidados especiais para garantir a sua saúde e a do seu bebê. Por esse motivo, existe toda uma rotina de acompanhamento médico periódico, o pré-natal. Seu objetivo é garantir os melhores cuidados durante toda a gravidez, rastreando também condições que podem colocar a gestação em risco, como a doença inflamatória pélvica (DIP).

Quer saber mais sobre essa condição e suas características na gestação? Acompanhe até o final!

O que é DIP?

A doença inflamatória pélvica (DIP) é uma infecção do sistema reprodutivo feminino superior (útero, tubas uterinas e ovários). Em geral, é causada por bactérias, principalmente aquelas transmitidas por via sexual (clamídia e gonorreia são as mais comuns). Formas de transmissão mais raro são o parto, o aborto, a curetagem uterina.

Os principais sintomas da DIP incluem:

  • Dor pélvica, especialmente durante relações sexuais;
  • Corrimento vaginal anormal (alterações na cor, no odor, na consistência ou no volume);
  • Sangramento uterino anormal;
  • Febre e calafrios;
  • Dor ao urinar;
  • Náusea e vômito.

A DIP pode ainda ser assintomática, mas, ainda assim, a paciente pode apresentar complicações, como:

  • Infertilidade;
  • Gravidez ectópica;
  • Dor pélvica crônica.

A DIP pode ocorrer na gestação?

Sim, a DIP pode ocorrer durante a gestação, embora seja menos comum do que em mulheres não grávidas. As complicações da DIP na gravidez são graves e podem afetar tanto a mãe quanto o bebê.

Causas da DIP

As infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) bacterianas, como clamídia e gonorreia, são as principais causas da DIP, especialmente em mulheres grávidas com menos de 25 anos. A DIP pode ser causada tanto por uma infecção antiga, presente desde antes da gestação, quanto por uma transmissão recente. Por esse motivo, a mulher deve ter relações sexuais sempre protegidas durante a gravidez.

Além disso, a DIP pode ocorrer devido a microrganismos de uma vaginose bacteriana, os quais podem migrar para trato genital superior através do colo do útero. O acompanhamento pré-natal é fundamental para identificar e tratar precocemente as vaginoses, evitando que elas evoluam para doenças mais graves.

Sintomas

Os sintomas, em geral, são os mesmos. No entanto, é importante entender que alguns deles podem ser confundidos com manifestações que a sociedade considera “normais” durante a gestação, como as náuseas, os vômitos, dor durante as relações sexuais e a dor ao urinar.

Além disso, a mulher para de menstruar durante a gestação. Então, ela não manifesta um dos sintomas mais frequentes da DIP, o sangramento uterino anormal. Entretanto, pode apresentar spotting (manchas de sangue na roupa íntima). Qualquer sangramento durante deve ser investigado por um obstetra com bastante critério.

Prevenção

  • Praticar sexo seguro: Usar preservativos em todas as relações sexuais para prevenir ISTs. Essa é a recomendação mais importante para a prevenção da DIP;
  • Realizar exames regulares para ISTs: mesmo sem sintomas, é importante fazer exames periódicos, especialmente durante a gravidez. O rastreio de algumas ISTs é feito na rotina de pré-natal, mas não deixe de conversar com seu obstetra sobre seu comportamento sexual para que ele possa pedir uma investigação complementar (se necessário);
  • Manter uma boa higiene íntima, seguindo as dicas de seu obstetra;
  • Evitar duchas vaginais, pois elas perturbam o equilíbrio da flora vaginal e aumentam o risco de infecções;
  • Tratar adequadamente qualquer infecção vaginal: Buscar tratamento médico precoce para evitar a progressão para DIP.

Riscos na gestação

A DIP pode ainda aumentar o risco de:

Alguns estudos apontam ainda que a DIP pode aumentar o risco de ruptura prematura das membranas e baixo peso fetal ao nascer.

Diagnóstico e tratamento da DIP na gestação

O diagnóstico é predominantemente clínico, ou seja, pode ser feito apenas com a avaliação médica (anamnese e exame físico). De acordo com a avaliação individualizada de cada mulher, podem ainda ser solicitados exames complementares, como exames de sangue, de urina e de imagem. Nesse sentido, o acompanhamento pré-natal é fundamental, pois permite:

  • Identificação de fatores de risco: permite a identificação de fatores de risco para DIP, como histórico de ISTs, vaginose bacteriana, parto prematuro ou aborto anterior;
  • Detecção precoce da infecção: por meio de exames de rotina, a DIP pode ser detectada em seus estágios iniciais, aumentando as chances de um tratamento eficaz;
  • Avaliação da gravidade da infecção: O pré-natal permite a avaliação da gravidade da DIP e a determinação do melhor tratamento para cada caso.

A base do tratamento da DIP também são os antibióticos, mas a escolha dos medicamentos precisa levar em consideração a segurança para o bebê em desenvolvimento. Em casos não complicados e em pacientes de baixo risco, a administração é feita pela própria gestante com medicamentos de via oral.

A administração intravenosa de antibióticos no hospital é necessária em casos graves a fim garantir a efetividade do tratamento. Portanto, algumas gestantes podem ser internadas para tratar a DIP. A prevenção da reinfecção também é essencial, com o uso de preservativos em todas as relações sexuais e o tratamento do parceiro sexual para ISTs.

Portanto, a DIP é uma doença grave que deve ser tratada o mais rápido possível. O atraso no tratamento pode levar a consequências graves. Se você tem algum sintoma de DIP, consulte um obstetra imediatamente.

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Líquido amniótico: veja a importância na gestação

Desde o momento da concepção até o nascimento, o corpo passa por um processo complexo de adaptações. Tudo começa com a concepção e a implantação do embrião no útero. Então, no primeiro trimestre, os principais órgãos e sistemas fetais começam a se formar, incluindo o coração, o cérebro, os olhos, os membros e os órgãos internos. Com isso, os primeiros batimentos cardíacos podem ser detectados por ultrassonografia.

A partir do segundo trimestre, o bebê começa a se movimentar cada vez mais, e a mãe pode começar a sentir os primeiros movimentos fetais, conhecidos como “chutes”. Além disso, os genitais do bebê estão em desenvolvimento e podem ser identificados por ultrassonografia. Essa é a fase em que o bebê cresce mais rapidamente enquanto os órgãos continuam a se desenvolver.

No terceiro semestre, o bebê ganha peso, e o útero começa a se preparar para o parto. Os pulmões fetais também terminam o seu amadurecimento, preparando o bebê para a vida fora do útero. Essas transformações que ocorrem a cada semestre são também acompanhadas por mudanças nas características do líquido amniótico, as quais devem ser monitoradas para garantir o bem-estar da mãe e do bebê. Quer saber mais sobre o tema? Acompanhe!

O que é o líquido amniótico?

O líquido amniótico é um fluido claro e levemente amarelado que preenche o saco amniótico durante a gravidez. Ele é composto por água, proteínas, carboidratos, lipídios, eletrólitos, células descamadas da pele fetal, entre outros componentes. A concentração dessas substâncias no líquido amniótico muda ao longo da gravidez.

O líquido desempenha várias funções essenciais durante a gravidez, incluindo:

  • proteger o feto contra choques e traumas;
  • manter a temperatura intrauterina estável;
  • permitir que o feto se mova livremente, facilitando o desenvolvimento muscular e ósseo;
  • ajudar no desenvolvimento dos pulmões, sistema digestivo e sistema geniturinário do feto.

Como o líquido amniótico é formado?

O líquido amniótico serve um importante parâmetro para acompanhar a evolução da gestação. Alterações no seu volume total e na sua coloração podem ser indicativos de problemas de saúde fetal. Veja como ele se forma em cada etapa da gestação.

1º trimestre

Ao final da segunda semana de gestação, a produção do líquido amniótico inicia-se a partir do âmnio, uma membrana que envolve o embrião. Com isso, é possível a visualização de um saco gestacional na ultrassonografia.

À medida que o bebê se desenvolve, essa bolsa se enche com um líquido transparente, que inicialmente é composto principalmente por água, eletrólitos, proteínas e outras moléculas.

2º trimestre

A partir da 14ª semana, o líquido amniótico começa a conter urina fetal, o que altera sua composição. Além disso, bebê ingere o líquido amniótico e o excreta, o que contribui para o amadurecimento dos seus sistemas orgânicos. Portanto, o líquido amniótico é constantemente reabsorvido e excretado pelo bebê.

3º Trimestre

O volume de líquido amniótico atinge seu pico entre 24 e 32 semanas. A quantidade de urina fetal no líquido amniótico aumenta, assim como de outros componentes, como células descamadas da pele do bebê.

Quais são as principais alterações no líquido amniótico?

Oligodrâmnio

É caracterizado como um volume anormalmente reduzido de líquido amniótico. Não existe um valor de referência mínimo fixo. Portanto, o oligodrâmnio deve ser avaliado de acordo com as características fetais e a idade gestacional. As principais causas de oligodrâmnio podem ser classificadas da seguinte forma:

  • Fatores de insuficiência uteroplacentária, como doenças hipertensivas da gestação, trombofilia e tabagismo;
  • Fatores medicamentosos, como uso de anti-inflamatórios e determinadas medicações anti-hipertensivas;
  • Fatores fetais, como malformações do aparelho urinário, anomalias cromossômicas, restrição do crescimento e morte fetal;
  • Idiopática, isto é, casos em que não é possível associar uma causa.

O oligodrâmnio pode aumentar o risco de algumas complicações para a mãe e para o bebê, como:

  • Parto prematuro: a redução do líquido amniótico pode levar ao parto prematuro, que pode ser perigoso para o bebê;
  • Compressão fetal: A quantidade baixa de líquido amniótico pode comprimir o bebê, o que pode levar a problemas de desenvolvimento. Por exemplo, o oligodrâmnio aumenta o risco de deformações anatômicas fetais, principalmente no sistema ósseo;
  • Óbito fetal: em casos graves, o oligodrâmnio pode levar à morte fetal.

Polidrâmnio

O polidrâmnio é caracterizado como um volume excessivo de líquido amniótico, o qual pode acometer até 1,6% das gestantes. Apesar de o volume de líquido amniótico variar ao longo das gestações, o polidrâmnio geralmente é considerado quando ele ultrapassa 2000 mililitros. As causas do polidrâmnio podem ser variadas e ainda não são totalmente compreendidas. Cerca de 40% a 60% dos casos são idiopáticos, isto é, não é possível associá-los a nenhum outro fator.

Contudo, algumas das causas mais comuns incluem:

  • Malformações fetais: cerca de 20% dos casos de polidrâmnio estão associados a malformações fetais que afetam o sistema gastrointestinal, o sistema circulatório, o sistema nervoso central ou o sistema urinário;
  • Diabetes gestacional, uma condição caracterizada por altos níveis de glicose no sangue durante a gravidez;
  • Infecções, como sífilis, toxoplasmose e rubéola;
  • Anomalias cromossômicas, como a trissomia do 18 e a do 21;
  • Gestação múltipla: a gravidez de gêmeos aumenta o risco de polidrâmnio.

Acompanhar o polidrâmnio é fundamental para a saúde da gestante, visto que o excesso de líquido amniótico está associado com maiores riscos para a mãe e para o bebê. Afinal, o quadro pode distender o útero e sobrecarregá-lo, predispondo a gestação a:

  • parto prematuro;
  • ruptura prematura de membranas;
  • posicionamento fetal inadequado;
  • atonia uterina pós-parto;
  • necessidade cesariana;
  • Apgar inferior a 7 no primeiro e no quinto minuto de vida.

Portanto, o líquido amniótico é fundamental para a evolução normal das gestações. Seu volume é monitorado por ultrassonografias periódicas realizadas durante o pré-natal. Caso alguma alteração seja identificada, seu médico pode acompanhá-la e tratá-la de forma individualizada.

Quer saber mais sobre o parto humanizado e a importância da individualização das condutas médicas? Toque aqui!

Ocitocina deve ser utilizada em todo parto normal?

O parto normal, também conhecido como parto vaginal, é um processo natural pelo qual um bebê nasce através do canal vaginal. Durante o parto normal, as contrações uterinas ajudam a dilatar o colo do útero, permitindo que o bebê passe pela pelve da mãe até chegar ao mundo.

O parto normal é considerado um processo fisiológico e geralmente é preferido quando não há complicações médicas. Ele oferece benefícios para a mãe e o bebê, como uma recuperação geralmente mais rápida para a mãe e uma menor incidência de algumas complicações para o bebê.

A indução do parto com ocitocina pode ser feita em situações em que um parto normal é seguro, mas deve ser antecipado, ou quando o trabalho de parto não evolui bem. Quer saber mais sobre o tema? Acompanhe!

O que é ocitocina?

A ocitocina é um hormônio e neurotransmissor produzido pelo hipotálamo, uma parte do cérebro, sendo armazenado na hipófise. É um hormônio importante para a reprodução, desde as relações sexuais até o parto e o aleitamento materno. Assim, ela desempenha um papel crucial em várias funções fisiológicas no corpo humano, como:

  • Estímulo ao parto: durante o trabalho de parto, a ocitocina é liberada para estimular as contrações uterinas e facilitar a dilatação do colo do útero;
  • Liberação do Leite: a ocitocina também desempenha um papel na ejeção do leite durante a amamentação;
  • Comportamento sexual: a ocitocina também está envolvida no funcionamento sexual, estimulando as contrações uterinas durante o orgasmo feminino.

Além das funções mencionadas, a administração exógena de ocitocina é muito utilizada para a indução do parto em situações em que essa intervenção é necessária.

Parto normal e ocitocina

O parto normal é o processo pelo qual um bebê é expulso do útero da mãe para o exterior. É um processo natural e fisiológico que, na maioria dos casos, é seguro e saudável tanto para a mãe quanto para o bebê. Ele pode ser dividido em três fases:

  • Fase latente: as contrações uterinas começam a se tornar mais frequentes e intensas, mas ainda não são regulares. O colo do útero começa a dilatar ligeiramente, não ultrapassando o tamanho de aproximadamente duas polpas digitais (ponta dos dedos). Essa fase pode durar de algumas horas a vários dias;
  • Fase ativa: As contrações uterinas se tornam mais regulares e intensas, enquanto o colo do útero se dilata rapidamente. O bebê também começa a se projetar em direção ao canal do parto. Essa etapa pode durar algumas horas;
  • Fase de expulsão: o bebê é expulso do útero através do canal do parto. A dilatação do colo atinge cerca de 10 centímetros no início da fase expulsiva. As contrações uterinas são muito mais fortes e a mulher precisa fazer força para ajudar o bebê a nascer. Essa fase pode durar de alguns minutos a algumas horas;
  • Fase de dequitação e primeira hora pós-parto: após o nascimento do bebê, contrações uterinas mais leves permanecem para facilitar a eliminação da placenta e prevenir hemorragias.

A ocitocina endógena (produzida naturalmente pelo corpo da mulher) é um dos principais hormônios responsáveis por regular a progressão do trabalho de parto normal. Ela atua desde a fase latente até a fase de dequitação. A ocitocina atua no útero de duas maneiras:

  • Estimula a contração das células musculares uterinas: a ocitocina se liga aos receptores nas células musculares uterinas, causando sua contração;
  • Aumenta a sensibilidade das células musculares uterinas à prostaglandina: a ocitocina aumenta a sensibilidade das células musculares uterinas às prostaglandinas, outro hormônio que torna as contrações mais fortes e eficazes.

A liberação de ocitocina é controlada por um mecanismo de feedback positivo. Isso significa que, à medida que as contrações uterinas ficam mais fortes, elas estimulam a liberação de mais ocitocina, o que leva a contrações ainda mais fortes. Esse mecanismo ajuda a manter um ritmo regular de contrações que é necessário para expulsar o bebê do útero. No entanto, isso também está relacionado a um efeito colateral que pode ocorrer com a administração da ocitocina para indução do parto.

A ocitocina deve ser utilizada em todo parto normal?

Não! A administração de ocitocina, como qualquer intervenção médica, apresenta seus riscos e seus benefícios. Portanto, não deve ser utilizada de forma generalizada. Deve-se reservar o uso da ocitocina para situações em que os estudos científicos mostram que os benefícios superam os riscos para a mãe e para o bebê.

As principais indicações são:

  • Parto prolongado;
  • Descolamento prematuro da placenta;
  • Gravidez pós-termo;
  • Ruptura pré-parto de membrana;
  • Corioamnionite;
  • Restrição do crescimento fetal;
  • Oligoidrâmnio;
  • Gravidez gemelar (de gêmeos);
  • Doenças hipertensivas;
  • Diabetes;
  • Doenças hipertensivas;
  • Aloimunização com anemia fetal.

A depender de cada caso, é importante distinguir duas principais situações em que a ocitocina é utilizada:

  • Indução eletiva do parto devido a alguma doença materna ou fetal que justifique a antecipação do parto ou que possa se complicar caso o parto normal se prolongue;
  • Indução devido à evolução anormal de alguma fase do trabalho de parto.

Além disso, a ocitocina pode ser administrada na fase final do parto para a prevenção de hemorragias em mulheres de alto risco de sangramento.

Efeitos colaterais e contraindicações

A indução do parto com ocitocina é um procedimento relativamente seguro, mas pode causar algumas complicações. A mais preocupante é a atividade uterina excessiva. Em outras palavras, as contrações uterinas se tornam muito fortes ou frequentes. Isso pode causar desconforto e dor para a mulher, além de poder levar a complicações mais graves (o que é raro), como ruptura uterina ou sofrimento fetal.

Por esse motivo, as contraindicações geralmente estão relacionadas a um maior risco desses eventos, como:

  • História de cesarianas prévias (principalmente de alto risco);
  • História de ruptura uterina;
  • História de cirurgias com incisão na parede uterina;
  • Placenta prévia;
  • Prolapso do cordão umbilical;
  • Posição fetal transversa;
  • Cardiotocografia com padrão desfavorável.

Além dessas, diversas contraindicações ao parto normal espontâneo também são contraindicações ao parto induzido, como a herpes genital ativa.

Portanto, para reduzir a ansiedade no momento do parto e ter mais autonomia, é importante discutir as opções de parto com o obstetra durante o pré-natal. Isso ajudará a tomar decisões compartilhadas sobre o método de parto mais adequado para cada situação, como a indução do parto normal com a ocitocina.

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Diagnóstico de pólipo endometrial: veja como é feito

O útero é um órgão constituído de três camadas: o endométrio, o miométrio e o perimétrio. O endométrio é a mais interna delas, revestindo a cavidade uterina. É um tecido glandular, rico em vasos sanguíneos. Ele é responsável por nutrir o embrião no início de uma gravidez, além de outras funções fundamentais para uma gestação saudável.

No ciclo menstrual, o endométrio passa por alterações em resposta aos hormônios sexuais femininos. Durante a fase folicular, o endométrio é estimulado pelo estrogênio a crescer e se espessar. Na fase lútea, o endométrio é estimulado a amadurecer pela progesterona a fim de se preparar para a implantação do embrião.

Se a gravidez não ocorre, o endométrio descama e é eliminado na menstruação. O endométrio é importante para a fertilidade feminina. Um endométrio saudável é necessário para a implantação e o desenvolvimento do embrião.

O endométrio é a camada de revestimento da cavidade uterina. O útero é um órgão com três camadas. Os pólipos endometriais são lesões, geralmente benignas, que surgem quando as células de alguma região do endométrio começam a se proliferar excessivamente. Quer saber mais sobre o diagnóstico dessa condição? Acompanhe até o final!

O que é pólipo endometrial e sintomas?

Os pólipos endometriais são crescimentos anormais de tecido endometrial que se projetam para dentro da cavidade uterina. Eles podem ser únicos ou múltiplos, e podem variar de tamanho, desde alguns milímetros até alguns centímetros.

A causa exata dos pólipos endometriais é desconhecida, mas acredita-se que seja uma combinação de fatores hormonais e genéticos. Os pólipos são mais comuns em mulheres na idade reprodutiva, mas também podem ocorrer em mulheres na pós-menopausa.

Os principais sintomas dos pólipos endometriais estão relacionados à menstruação e ao sangramento uterino anormal, como:

  • Sangramento que provoca aumento do fluxo menstrual;
  • Sangramento que ocorre entre os períodos menstruais;
  • Sangramento que ocorre após as relações sexuais;
  • Sangramento após a menopausa;
  • Dismenorreia (cólicas antes e durante o período menstrual).

Além disso, os pólipos uterinos podem estar relacionados à dificuldade para engravidar e abortamentos espontâneos.

Como é feito o diagnóstico dos pólipos endometriais?

Como foi explicado acima, os pólipos endometriais são geralmente assintomáticos. Nessa situação, o caminho até o diagnóstico ocorre da seguinte forma:

  1. A paciente busca a ginecologia para fazer o acompanhamento de rotina ou para investigar alguma queixa não relacionada ao pólipo uterino;
  2. O médico pede uma ultrassonografia transvaginal e os resultados mostram que ela tem pólipo uterino;
  3. Para investigar melhor o pólipo, ele possivelmente requisitará uma vídeo-histeroscopia, o exame padrão-ouro para o diagnóstico dos pólipos.

Nesse caso, dizemos que o pólipo foi diagnosticado de forma acidental. Em outras palavras, eles são encontrados quando a intenção da investigação inicial não era diagnosticar os pólipos, mas outras condições ginecológicas.

No entanto, nem sempre é isso que ocorre. Por exemplo, há pacientes que apresentam algum sintoma relacionado aos pólipos endometriais, como sangramento uterino anormal, sangramento pós-menopausa ou infertilidade. Assim, o processo diagnóstico geralmente ocorre da seguinte forma:

  1. O médico investiga as queixas das pacientes, questionando sobre as características dos sintomas, o início do quadro, doenças ginecológicas prévias, histórico familiar, entre outras perguntas importantes. Além disso, realiza um exame físico com inspeção, palpação e ausculta da região pélvica;
  2. Então, ele solicita uma ultrassonografia transvaginal, que é um dos melhores testes para a investigação inicial de condições do útero e da cavidade uterina;
  3. Caso os pólipos endometriais sejam identificados, ele pode requisitar uma vídeo-histeroscopia.

Exames para diagnosticar os pólipos uterinos

Ultrassonografia — A ultrassonografia usa ondas sonoras para criar imagens do interior do útero. Ela é o exame de imagem mais utilizado na ginecologia, sendo capaz de identificar a maior parte dos casos de doenças uterinas frequentes, como o pólipo endometrial, o mioma uterino e a adenomiose. Como visto, caso o exame aponte a suspeita da presença de pólipo uterino, pode ser necessária a confirmação diagnóstica pela histeroscopia.

Histeroscopia — Esse exame permite o diagnóstico definitivo dessas lesões, além de permitir diferenciá-la de tumores malignos na cavidade uterina. Durante a histeroscopia, o médico insere um tubo fino com uma câmera no canal vaginal e, pelo colo uterino, ele acessa o útero. Isso permite ao médico visualizar o interior do útero para avaliar a quantidade e o volume das lesões para o planejamento do tratamento.

Além disso, ele pode coletar fragmentos das lesões para a biópsia e, em alguns casos, remover a lesão completamente. Apesar de a grande maioria dos pólipos endometriais serem benignos, cerca de 1% a 3% deles podem ser malignos. O risco é maior em mulher no pós-menopausa. A biópsia permite a identificação de um eventual câncer.

O tratamento de pólipos endometriais depende do tamanho e dos sintomas das lesões. Pólipos pequenos e assintomáticos geralmente não precisam de tratamento, pois tendem a involuir espontaneamente. Eles devem, contudo, ser observados com ultrassonografias transvaginais periódicas para avaliar o crescimento. Já pólipos maiores ou pólipos que causam sintomas podem ser removidos cirurgicamente.

Isso é comum, por exemplo, nos casos de infertilidade feminina em que sabemos que a remoção dos pólipos aumenta as chances de engravidar naturalmente ou por reprodução assistida. A remoção cirúrgica (polipectomia) pode ser feita por meio de histeroscopia cirúrgica, laparoscopia ou cirurgia aberta.

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Sintomas de candidíase mamária

A amamentação, embora seja um momento especial de vínculo entre mãe e filho, pode apresentar desafios. Por exemplo, o ingurgitamento mamário é uma complicação comum, caracterizada pela obstrução dos ductos mamários, levando a seios doloridos e tensionados.

Fissuras nos mamilos também são uma preocupação frequente, podendo causar desconforto à mãe durante a amamentação. Além disso, existe a candidíase mamária, uma infecção fúngica, é menos comum, mas pode ocorrer, manifestando-se por meio de dor intensa, vermelhidão e coceira nos seios.

Esses problemas podem comprometer a experiência da amamentação, tornando essencial o suporte médico adequado, como a orientação de profissionais de saúde e o tratamento específico para cada condição, a fim de garantir o bem-estar tanto da mãe quanto do bebê. Por esse motivo, vamos falar mais sobre o tratamento da candidíase mamária neste post. Ficou interessada? Acompanhe!

O que é candidíase mamária?

A candidíase mamária é uma infecção causada pelo fungo Candida albicans, o qual está naturalmente presente em algumas regiões do corpo da mulher. Contudo, quando ele se multiplica excessivamente na região das mamas, o sistema imunológico é ativado e provoca um processo inflamatório no local. Isso pode provocar sintomas bastante incômodos para a lactante, prejudicando a amamentação.

Quais os sintomas da candidíase mamária?

Os principais sintomas da candidíase mamária estão relacionados à reação inflamatória causada pela infecção fúngica no local. Portanto, são inespecíficos, não havendo nenhum sinal exclusivo da candidíase mamária.

A dor durante a amamentação é um dos sintomas mais frequentes da candidíase fúngica e geralmente é o que mais preocupa as pacientes. A amamentação pode se tornar dolorosa devido ao aumento da sensibilidade provocado pelo processo inflamatório.

A candidíase mamária também pode fragilizar a pele dos seios, provocando descamação e fissuras (rachaduras). Isso contribui para que a dor durante a amamentação se torne mais intensa.

No entanto, é importante ressaltar que a maior parte dos casos de dor e de fissuras durante a amamentação não são causados pela candidíase mamária, mas por condições mais comuns como o ingurgitamento das mamas e os problemas na pega.

A dor nos mamilos fora dos períodos de amamentação também pode ocorrer. Ela pode ser de leve, assemelhando-se a um desconforto na região, a intensa e persistente. As mamas também podem se tornar muito sensíveis ao toque.

Outros sinais importantes de inflamação são a vermelhidão e o inchaço nos mamilos e na área ao redor. Algumas mulheres relatam uma sensação de queimação na área afetada. Em alguns casos, a pele pode se tornar mais esbranquiçada ou perolada devido à descamação da pele.

Outro sintoma comumente relatado pelas pacientes é a coceira na região afetada, que pode ser desde leve e ocasional até incômoda e persistente. Por fim, em casos mais raros, pode haver alterações na descarga mamilar.

Também é importante estar atenta a um sinal de candidíase mamária que não se manifesta na mãe, mas no bebê. A Candida albicans também é um dos agentes causadores do “sapinho” na criança, fazendo com que surjam feridas e assaduras nos lábios, na boca e na língua do bebê.

A candidíase oral é uma condição que pode ser muito dolorosa, o que faz com ele não consiga se alimentar adequadamente ou fique muito choroso durante a amamentação. O tratamento de ambos é fundamental para que o aleitamento materno não seja prejudicado, o que traz consequências negativas para o bebê.

Como a candidíase mamária pode afetar a amamentação e como lidar com isso?

A candidíase mamária pode afetar a amamentação devido ao desconforto e à dor que provoca. Como a região fica ferida e mais sensível, algumas pacientes podem enfrentar uma dor difícil de tolerar. Nessa situação, a amamentação deve ser suspensa para evitar uma resistência emocional ao ato de amamentar.

Caso a dor seja tolerável ou a paciente deseje continuar amamentando, geralmente não é necessário suspender a amamentação durante o tratamento da candidíase mamária. Afinal, são indicadas medicações tópicas seguras para o bebê. Então, também não é preciso retirar ou lavar as mamas antes de amamentá-lo.

Nesse sentido, siga sempre as orientações do seu médico sobre as medidas necessárias. Caso tenha dúvida, pergunte para ele o que deve ser feito.

Como são feitos o diagnóstico e o tratamento da candidíase mamária?

O diagnóstico da candidíase mamária é principalmente clínico, baseado nos sintomas apresentados e nas alterações percebidas no exame físico feito pelo médico. Em alguns casos, pode ainda ser coletada uma biópsia ou um raspado para cultura microbiológica para afastar outras causas.

Geralmente a combinação de medidas antifúngicas e cuidados locais para aliviar os sintomas. Nesse sentido, o tratamento da candidíase mamária pode envolver:

  • Uso de medicações antifúngicas tópicas ou orais para controlar a infecção;
  • Uso de analgésicos seguros para lactantes com a finalidade de aliviar a dor;
  • Cuidados locais para reduzir a inflamação e acelerar a recuperação das mamas;
  • Medidas para reduzir o impacto da condição na amamentação.

Em geral, não é necessário suspender a amamentação, a não ser que a paciente esteja sentindo muita dor ao amamentar. Nesse caso, recomenda-se a ordenha do leite e, em último caso, o uso temporário de fórmulas.

Apesar de ser uma condição dolorosa, a candidíase mamária é facilmente tratável. A amamentação durante o tratamento da candidíase mamária é de suma importância, pois o leite materno oferece inúmeros benefícios à saúde do bebê, contribuindo para o fortalecimento do sistema imunológico e fornecendo nutrientes essenciais.

Portanto, embora a candidíase mamária possa causar desconforto à mãe durante a amamentação devido à infecção fúngica nos seios, é crucial continuar amamentando com o devido suporte médico.

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PTGI: tratamento

As patologias do trato genital inferior (PTGI) representam lesões benignas ou precursoras de cânceres (oncogênicas) que afetam as regiões vulvar, vaginal e cervical. Essas condições são caracterizadas pelo crescimento anormal de células no revestimento epitelial dessas áreas, sendo classificadas em diferentes graus de gravidade.

Elas são diagnosticadas por meio do exame clínico ginecológico seguido de exames complementares com amostra de células ou tecidos, como a citopatologia e as biópsias.

O diagnóstico precoce e o tratamento adequado dessas neoplasias intraepiteliais são essenciais para prevenir a progressão para tumores invasivos, destacando a importância do acompanhamento ginecológico regular, da conscientização sobre os fatores de risco e das formas de prevenção. Quer saber mais sobre o tratamento das PTGI? Acompanhe!

Neoplasia intraepitelial vulvar (NIV)

As neoplasias intraepiteliais vulvares são classificadas em:

  • neoplasias intraepiteliais vulvares de baixo grau ou de alto grau, que surge devido a infecções pelo vírus HPV;
  • neoplasia intraepitelial vulvar diferenciada, que se origina do líquen escleroso.

As lesões de baixo grau não são consideradas lesões pré-cancerígenas. Nesse sentido, não é necessário tratar em mulheres assintomáticas com a finalidade exclusiva de prevenir o câncer. Realizamos, assim, um acompanhamento periódico dessas lesões para identificar se há algum sinal de evolução desfavorável.

Algumas lesões de baixo grau, contudo, podem provocar sintomas, como:

  • coceira;
  • dor;
  • verrugas genitais e desconforto com a aparência da vulva.

Nessa situação, o plano terapêutico é semelhante ao que utilizamos em outras verrugas e condilomas anogenitais. Portanto, podem ser indicadas:

  • medicações tópicas, que devem ser usadas por várias semanas para promover a queda das lesões e a morte do tecido afetado;
  • ablação a laser, o qual envolve a aplicação hospitalar de laser de alta potência para destruir as células anormais.

As lesões de alto grau, por sua vez, apresentam um risco significativo de evolução para o carcinoma vulvar. Desse modo, o tratamento não busca apenas o alívio dos sintomas, mas a prevenção desse tipo de câncer.

O tratamento nesse caso depende das características da lesão e do estado de saúde da paciente. Em pacientes com alto risco de câncer vulvar ou lesões mais preocupantes, indica-se geralmente a cirurgia cirúrgica das lesões, em que a lesão é retirada com uma parte da pele ao seu redor (margem de segurança). Esse é também o tratamento preferencial das lesões diferenciadas devido às chances mais elevadas de evolução para um câncer.

Em algumas situações de lesões de alto grau (como lesões multifocais ou perto da uretra, do clitóris e do introito vaginal), pode ser indicada a terapia de ablação a laser para evitar sequelas anatômicas.

Neoplasia intraepitelial vaginal

O tratamento da neoplasia intraepitelial vaginal também depende de diversos fatores, especialmente da classificação da lesão. Para pacientes com lesões de baixo grau, também não se recomenda o tratamento de pacientes assintomáticas, visto que geralmente são lesões benignas causadas por tipos não oncogênicos do HPV e que regridem espontaneamente.

Pacientes com lesões de alto risco, por sua vez, precisam ser tratadas mesmo que assintomáticas. Afinal, há chances de evolução das lesões para carcinoma vaginal (câncer de vagina). Em geral, recomenda-se a excisão cirúrgica das lesões nos casos em que as lesões são mais preocupantes. Pode-se também optar pela ablação em situações, como lesões multifocais sem sinal de invasividade local.

Neoplasia intraepitelial cervical

O plano terapêutico das neoplasias intraepiteliais cervicais é mais complexo do que os casos anteriores. Afinal, o câncer de colo do útero é muito mais frequente do que os cânceres de vulva e de vagina. Assim, um cuidado muito maior é necessário. Os dois principais fatores para determinar o tratamento são a classificação da lesão e a idade das pacientes.

Em mulheres assintomáticas ou pouco sintomáticas com mais de 25 anos, recomenda-se a observação com consultas ginecológicas semestrais e novos exames nos casos de lesões de baixo grau (NIC 1). Afinal, cerca de 90% das lesões regridem espontaneamente sem nenhum tratamento médico. Caso as lesões persistam, tratamentos conservadores (ablação ou terapia tópica) são os mais frequentemente indicados.

No caso de a biópsia indicar NIC2 ou NIC3, indica-se a excisão das lesões. A extensão do procedimento depende principalmente do grau de invasão das lesões encontradas. Em mulheres com menos de 24 anos e NIC2 com características favoráveis, pode ser recomendada a observação periódica. No caso da NIC3, contudo, a excisão é fundamental em qualquer idade devido ao risco muito elevado de essas lesões evoluírem para câncer.

As principais técnicas de excisão das lesões cervicais são:

  • LEEP (Loop Electrosurgical Excision Procedure) é um procedimento mais simples e pode ser realizado em ambiente ambulatorial. Nele, uma alça de arame fino condutora de corrente elétrica é inserida através da vagina para remover a área com alterações;
  • a conização com lâmina a frio é realizada em ambiente hospitalar. Após a marcação das lesões com corantes específicos, a região afetada é retirada com um instrumento em formato de um cone.

Se forem identificadas lesões invasivas nos procedimentos acima, pode ser necessário realizar uma cirurgia mais extensa e radioterapia.

Portanto, o tratamento das PTGI deve ser cuidadosamente individualizado para o caso de cada paciente. Em todo caso, o acompanhamento oncoginecológico regular é fundamental antes e após o tratamento para identificar a evolução das lesões e a recorrência. Por isso, é fundamental que seja conduzido por um profissional especializado e experiente.

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Saco gestacional, bolsa amniótica e placenta: diferenças

Quando pensamos em uma gestação, uma das primeiras imagens que surgem na nossa mente é em bebê dentro do útero. No entanto, existem uma série de pontos que são fundamentais para permitir que ele se desenvolva e a gestação avance, como os anexos embrionários. Os anexos embrionários são órgãos temporários que desempenham diversas funções de nutrição e de proteção do feto.

Neste post, vamos falar sobre algumas dessas estruturas extraembrionárias mais conhecidas: o saco gestacional, a bolsa amniótica e a placenta. Explicaremos sua formação e suas funções. Ficou interessada? Acompanhe até o final!

Saco gestacional: um dos primeiros sinais de uma gestação

O saco gestacional é uma estrutura que se forma entre a terceira e a quinta semana de gestação. Inicialmente, com um diâmetro de 2 a 3 milímetros, pode ser visualizado pela ultrassonografia transvaginal e representa um dos sinais mais precoces de uma gravidez. A principal função inicial do saco gestacional é fornecer um espaço para que o embrião cresça, visto que as paredes uterinas exercem pressão sobre as paredes do útero.

À medida que a gravidez avança, o feto se desenvolve dentro da cavidade uterina junto com outras estruturas importantes para seu desenvolvimento, como:

  • o saco vitelino, que auxilia na nutrição do feto nas primeiras semanas de vida (antes da formação da placenta);
  • a bolsa amniótica, sobre a qual falaremos a seguir.

Por volta da 10ª semana de gestação, a bolsa amniótica passa a ocupar todo o saco gestacional e se confunde com ele. Por sua vez, o saco vitelino regride.

Em outras palavras, saco gestacional é um termo mais utilizado durante o primeiro trimestre de gestação. Depois desse período, é mais comum que a gestante ouça o médico falar sobre a bolsa amniótica.

Bolsa amniótica: uma importante estrutura de proteção do feto

A bolsa amniótica — ou simplesmente “bolsa” — é uma estrutura fundamental para o desenvolvimento fetal. É também conhecida como “membranas”, pois é constituída de duas membranas: o âmnio e o córion.

O âmnio é a membrana mais interna com uma espessura entre 0,02 e 0,5 milímetros. Apesar de fino, é bastante resistente. Uma das características mais interessantes do âmnio é a sua flexibilidade e sua capacidade de se estender. Com isso, consegue acompanhar o rápido desenvolvimento do feto ao longo da gestação.

Além disso, o âmnio contém o líquido amniótico (constituído de 98% a 99% de água), que é uma substância clara e transparente nos primeiros meses de gestação. Com o tempo, torna-se mais turvo devido à presença de células e substâncias originadas do próprio âmnio e do feto. Nesse sentido, o conjunto âmnio e líquido amniótico tem funções muito nobres, como:

  • é rico em substâncias que se ligam à água e protege o feto contra o dessecamento;
  • também contém diversas substâncias bacteriostáticas e antimicrobianas, as quais protege o bebê contra infecções;
  • protege o bebê contra impactos mecânicos e a pressão intrauterina. Quando há pouco líquido amniótico, o feto pode sofrer deformidades devido à pressão provocada pelas paredes do útero;
  • permite a movimentação fetal, que é um importante sinal de vitalidade do bebê;
  • contribui para o desenvolvimento pulmonar do bebê e para o funcionamento do sistema urinário.

Já o cório é a membrana externa, sendo geralmente mais espessa e menos elástica do que o âmnio. À medida que a gestação avança, uma parte do cório se junta com o endométrio uterino materno para formar a placenta. A outra parte permanece ao redor do âmnio, constituindo o conjunto de membranas fetais.

Placenta: órgão com múltiplas funções gestacionais

A placenta é um órgão fundamental para o desenvolvimento fetal. A capacidade de uma gestação evoluir depende da formação da placenta no lugar correto e da forma correta. Anomalias na formação e na implantação placentário representam uma causa importante de abortamento, morte fetal e de partos prematuros.

As estruturas que formam placenta começam a surgir a partir da terceira semana de gestação e terminam seu desenvolvimento a partir do quinto mês de gestação. A placenta é constituída de duas estruturas principais:

  • placa basal, que é uma camada placentária formada principalmente pelas células do endométrio (decídua basal) do útero materno;
  • placa coriônica, a qual é formada por células embrionárias.

Entre essas placas, está o espaço interviloso, o qual é preenchido por sangue materno. Esse sangue é “filtrado” e seu plasma contribui para a nutrição do bebê e para a geração do líquido amniótico.

A placenta apresenta funções muito importantes para a manutenção da gestação e para a sobrevivência do feto:

  • secreção de hormônios, como a gonadotrofina coriônica humana e a progesterona;
  • troca de gases entre a mãe e o bebê;
  • fornecimento de nutrientes para o feto;
  • transmissão de anticorpos maternos do tipo IgG, os quais protegem o bebê contra infecções;
  • excreção de produtos tóxicos gerados pelo metabolismo do bebê.

Além disso, a membrana placentária atua como “filtro” seletivo que impede que diversos microrganismos e substâncias tóxicas atinjam o bebê.

Portanto, o complexo sistema de estruturas extraembrionárias compreende não apenas o saco gestacional nas fases iniciais, mas também a bolsa amniótica e a placenta em estágios subsequentes.

A bolsa amniótica, com suas membranas flexíveis e líquido amniótico multifuncional, desempenha um papel crucial na proteção do feto ao longo da gestação. Já a placenta, que se forma mais tardiamente, assegura funções vitais, incluindo a regulação hormonal, troca de gases e fornecimento de nutrientes.

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