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O que é PTGI?

PTGI é uma abreviação para patologias do trato genital inferior, as quais representam doenças que atingem a vulva, a vagina e o colo do útero da mulher. Essas estruturas estão em maior contato com o mundo exterior e entram em contato com a genitália das parcerias durante as relações sexuais.

Por esse motivo, estão mais vulneráveis a quadros infecciosos, especialmente as lesões causadas pelo papilomavírus humano, o HPV. As infecções por esse vírus geralmente são benignas e autolimitadas (se curam espontaneamente).

No entanto, alguns tipos de HPV têm uma maior capacidade de sobreviver no organismo feminino. Com isso, podem causar alterações nas células, as quais aumentam o risco de desenvolvimento de tumores malignos. Quer entender melhor esse tema? Acompanhe nosso post!

O que é PTGI?

É um grupo de condições que têm algumas características específicas:

  • Acometem os órgãos do trato genital feminino inferior, que inclui a vulva, a vagina e o colo do útero;
  • Apesar de terem outras causas, geralmente são relacionados às infecções por HPV;
  • Podem evoluir para lesões pré-malignas e malignas.

Neoplasias intraepiteliais cervicais

São o tipo mais comum de PGTI e estão relacionadas ao câncer de colo de útero, uma das principais causas de óbito precoce em mulheres.

A NIC começa como uma displasia, que pode ser de baixo ou alto grau:

  • as displasias de baixo grau são lesões com poucas alterações em relação ao tecido saudável. No entanto, já apresentam disfunções celulares e um comportamento mais proliferativo. Se não tratadas, podem evoluir para displasias mais graves;
  • a displasia de alto grau é considerada uma lesão pré-maligna, isto é, com risco significativo de evolução para o câncer. Essa transformação comumente demora vários anos, mas, em pacientes imunocomprometidas, pode levar apenas alguns meses.

As NIC são mais frequentes em pacientes entre 25 e 35 anos, mas podem se manifestar em qualquer fase da vida. Elas são identificadas por meio das consultas ginecológicas preventivas, que incluem a realização do exame citopatológico do colo do útero (o Papanicolau). Caso alguma alteração seja identificada nela, a paciente pode ser encaminhada para um exame mais específico, a colposcopia.

Neoplasia intraepitelial vagina (NIVA)

A NIVA é a displasia da vagina, que pode ser classificada de acordo com a gravidade em:

  • Leve;
  • Moderada;
  • Grave.

Sem tratamento adequado e oportuno, pode evoluir para o câncer vaginal. Apesar de ser mais raro, ele pode trazer diversas complicações para a mulher.

O principal fator de risco para esse tipo de tumor maligno é a história prévia de câncer cervical ou vulvar. Além disso, é mais frequente após os 40 anos e antes dos 60 anos de idade. Portanto, atinge um perfil diferente de pacientes, que já estarão na pré-menopausa ou na menopausa. Por isso e por outros motivos, é muito importante manter o acompanhamento ginecológico mesmo após o fim da vida reprodutiva.

Neoplasia intraepitelial vulvar (NIV)

A vulva é a genitália externa feminina, uma estrutura complexa formada por:

  • Púbis;
  • Grandes e pequenos lábios;
  • Clitóris;
  • Períneo.

A displasia vulvar de baixo grau não é considerada uma NIV. Entretanto, a displasia vulvar de alto grau, visto que pode evoluir para o câncer da vulva. Existem dois tipos de NIV:

  • A NIV usual, que está ligada a infecções por HPV, ao tabagismo e à imunossupressão;
  • A NIV diferenciada, a qual está relacionada ao líquen escleroso, uma condição autoimune crônica caracterizada pelo aparecimento de manchas brancas e finas na genitália.

Impacto na vida da mulher e prevenção das PGTI

A dor nas relações sexuais e os outros sintomas podem reduzir a funcionalidade da paciente e reduzir seu bem-estar das pacientes. Além disso, as PGTI podem trazer um aumento nos riscos de abortamento e parto prematuro. Também podem comprometer a evolução do parto normal devido, por exemplo, ao sangramento das lesões ou à estenose (estreitamento) cervical.

Se forem necessárias intervenções mais extensas para o tratamento das lesões na vagina e no colo do útero, podem surgir sequelas que impedem a fertilização natural.

Em casos graves, as displasias podem evoluir para neoplasias malignas (câncer) que invadem outros tecidos ou para metástases. Nesse caso, a terapia pode ser bastante agressiva e as chances de cura são menores.

A prevenção das PGTI envolve medidas como:

  • Tomar a vacina contra o HPV;
  • Utilizar preservativos nas relações sexuais;
  • Bons hábitos de vida, como não fumar e ter uma alimentação saudável;
  • Passar periodicamente por avaliações ginecológicas, que incluem o exame da genitália e a realização do Papanicolau, o preventivo do colo do útero.

Além disso, ao sinal de qualquer sintoma ou alteração que chame a sua atenção, não deixe de se consultar com o médico de sua confiança o quanto antes. Não é preciso esperar as consultas de rotina.

Sintomas da PGTI

Os quadros geralmente são assintomáticos. Em alguns casos, podem surgir sintomas, como:

  • Sangramento uterino no período entre as menstruações;
  • Dor pélvica;
  • Dor nas relações sexuais;
  • Sangramento pós menopausa;
  • Alterações no corrimento vaginal, como presença de sangue;
  • Alterações na coloração, na textura ou da espessura da pele da vulva;
  • Persistência de lesões por vários dias e semanas, como rachaduras e ulcerações na vulva;
  • Sensação de queimação, coceira ou comichão no trato genital interior.

O tratamento das PGTI pode incluir a terapia tópica, a ablação a laser e a excisão (retirada) cirúrgica. Nos estágios iniciais, elas são bastante eficazes. No caso de evolução para o câncer, podem ser necessárias a quimioterapia, a radioterapia e operações mais invasivas.

Quer saber mais sobre as PGTI? Confira nosso artigo sobre o tema!

HPV: sintomas

O papilomavírus humano é um microrganismo causador de diversas doenças na pele e nas mucosas do nosso corpo. Ele é mais conhecido popularmente como HPV, um nome muito frequente nas campanhas de saúde da mulher. Afinal, as infecções por alguns tipos de HPV são os principais fatores de risco para o câncer do colo de útero, uma das principais doenças que levam ao óbito precoce no sexo feminino.

Existem mais de 100 tipos de HPV identificados até hoje. A maior parte deles causa lesões benignas, como verrugas genitais. No entanto, uma pequena parte do grupo causa alterações malignas nos tecidos que infectam, sendo chamadas de cepas oncogênicas (“geradoras de câncer”).

Por esse motivo, a prevenção da transmissão e da infecção pelo HPV é uma medida fundamental para a saúde da mulher. Ela pode ser feita com o uso de preservativos e a administração das vacinas contra os tipos mais comuns ou perigosos de HPV.

Além disso, a prevenção do câncer do colo de útero, que ocorre após a infecção, também é muito importante. Ela é realizada por meio do exame citopatológico periódico do colo uterino a partir dos 25 anos, o papanicolau. Quer saber mais sobre o tema? Acompanhe este post!

O que é o HPV?

O HPV é um grupo de vírus que se adaptou para infectar a pele e as mucosas dos seres humanos. Ele é transmitido principalmente com o contato prolongado pele a pele.

Em geral, causam infecções assintomáticas que se resolvem espontaneamente devido à ação do nosso sistema imunológico. No entanto, em algumas mulheres, podem persistir e levar ao surgimento de lesões visíveis (como as verrugas genitais) ou microscópicas.

Alguns tipos de HPV podem causar alterações genéticas nas células infectadas, fazendo com que elas comecem a se proliferar de forma anormal. Inicialmente, essas lesões são microscópicas. Ou seja, estas últimas não podem ser vistas a olho nu e apresentam um maior risco de serem malignas.

Sintomas das infecções pelo HPV

As infecções pelo HPV são geralmente assintomáticas. Porém, em alguns casos, os seguintes sintomas podem surgir:

  • pequenas lesões caracterizadas pela alteração da cor na região ou maior facilidade para sangrar;
  • verrugas isoladas;
  • múltiplas verrugas que se parecem com uma couve-flor.

No entanto, na maior parte dos casos, as lesões são microscópicas. Portanto, não podem ser identificadas a olho nu.

Portanto, a melhor forma de identificar a presença do vírus é a coleta de material do colo uterino. Desse modo, podem ser realizados exames que ajudam a identificar a presença do vírus ou das alterações que podem levar ao câncer de colo de útero.

Apesar de ainda não ser muito utilizado na rotina clínica brasileira, a presença do HPV pode ser identificada com exames que avaliam a presença do material genético do vírus no material coletado.

No entanto, o exame mais importante para a saúde da mulher não avalia diretamente a presença do vírus, mas a presença das alterações celulares que ele pode causar, é o papanicolau.

Nele, durante o exame especular, o ginecologista colhe o material do colo do útero e identifica se há alguma alteração significativa. De acordo com a gravidade, as modificações podem ser classificadas em:

  • Displasias de baixo grau, as quais são lesões benignas e com um número baixo de alterações. No entanto, podem evoluir para a segui;
  • Displasias de alto grau, que são consideradas pré-malignas, podendo evoluir para o câncer;
  • Carcinomas, o tumor maligno do colo de útero.

A infecção pelo HPV pode ser prevenida com a vacinação e o uso de preservativos nas relações sexuais.

Sintomas do câncer de colo de útero

Além disso, é muito importante que a mulher esteja atenta aos sintomas do câncer do colo de útero, que é a principal complicação da infecção pelo HPV. Ele também é geralmente assintomático nos estágios iniciais, nos quais há maior chance de cura. Por isso, é importantíssimo não esperar os sintomas surgirem. É melhor fazer o exame periódico de acordo com a frequência indicada por seu médico.

Os principais sintomas do câncer de colo de útero são:

  • Sangramento uterino anormal, principalmente o escape de sangue no período intermenstrual;
  • Sangramento uterino pós-menopausa;
  • Dor pélvica;
  • Emagrecimento sem causa;
  • Fadiga e cansaço excessivos.

Contudo, o surgimento dos sintomas está associado a casos mais avançados, em que já há a invasão de outros órgãos. Com isso, o tratamento é mais desafiador e as chances de cura, menores.

Exames e diagnóstico do HPV e do câncer de colo de útero

Quando os exames preventivos (papanicolau), indicarem a presença de células com características suspeitas. Outros exames são necessários. O primeiro a ser realizado é a colposcopia, que é uma análise mais extensa do colo do útero.

Nele, serão coletadas biópsias que servirão para uma avaliação mais detalhada dos tecidos do colo do útero. A partir disso, podemos classificar o grau da lesão e definir a conduta terapêutica.

Não existe um tratamento específico para as infecções por HPV. Normalmente, quando o vírus é identificado, fazemos o acompanhamento das lesões. Se elas chegarem a estágios mais avançados, são retiradas cirurgicamente. Em pacientes que já desenvolveram o câncer do colo do útero, a quimioterapia e a radioterapia podem ser indicadas para completar a cirurgias.

Quer saber mais sobre o HPV e os riscos que ele causa? Confira nosso artigo sobre o tema!

O que é baby blues? É depressão?

A gravidez é um fenômeno bastante complexo, que traz diversas modificações no organismo e na mente das mulheres. Após o parto, surgem diversos desafios. Por exemplo, o corpo precisa se readaptar ao seu funcionamento normal. Associado a isso, a gestante. Além disso, ela precisa se ajustar à rotina de cuidados com o bebê e à nova dinâmica familiar. Assim, algumas mulheres podem passar por uma condição chamada baby blues, ou disforia puerperal.

O baby blues é caracterizado como um período de instabilidade emocional nas primeiras semanas após o nascimento do bebê. Com ele aparecem sintomas, como a sensação de melancolia, a fadiga e a preocupação excessiva. Essas manifestações duram, no máximo, 6 semanas e, depois disso, tendem a regredir. Caso persistam, a paciente recebe um outro diagnóstico, a depressão pós-parto.

Quer saber mais sobre o tema? Acompanhe!

O que é baby blues?

O baby blues é uma condição muito prevalente entre as puérperas. Entre 70% e 80% delas apresentam alguma alteração no humor, relatam choro fácil ou sentimentos negativos, como culpa, medo e preocupação. Além disso, os seguintes sintomas também podem fazer parte do quadro:

  • Labilidade emocional, isto é, mudança frequentes de humor;
  • Tristeza;
  • Irritabilidade;
  • Ansiedade;
  • Dificuldades para se concentrar;
  • Dificuldades para dormir.

Essas manifestações geralmente aparecem logo no primeiro mês (usualmente logo na primeira semana) de pós-parto e duram entre 14 e 30 dias. Portanto, trata-se de um transtorno passageiro, que é desencadeado pelas diversas mudanças no corpo, na mente e na rotina da mulher após o fim da gestação. A persistência por mais tempo deve ser avaliada por um médico, pois pode significar outras condições psíquicas.

Esse é um assunto muito importante de ser abordado nas consultas realizadas no puerpério. Assim, seu médico poderá esclarecer suas dúvidas e explicar quais sintomas são esperados e quais merecem uma atenção maior. Afinal, muitas pacientes se sentem culpadas por sentirem emoções negativas nesse momento ou ficam com medo de estarem deprimidas.

Causas da disforia puerperal

Ainda não se sabe qual é a causa exata do baby blues. Na verdade, é muito provável que se trate de uma condição multifatorial que envolve:

  • Mudanças hormonais que ocorrem durante a gestação e no puerpério, o que impacta nos neurônios do cérebro. Com isso, pode ocorrer um desequilíbrio dos neurotransmissores responsáveis pelo humor positivo e pela motivação. Por isso, o quadro tende a melhorar à medida que o organismo se adaptar novamente ao seu funcionamento habitual fora da gravidez;
  • Além disso, o nascimento do bebê traz mudanças muito intensas para a rotina das mães. Por exemplo, o sono fica comprometido devido à necessidade de despertar durante a noite para a alimentação da criança.

Outros fatores podem contribuir para o surgimento e agravamento do baby blues, como a necessidade de retornar às atividades domésticas ou profissionais.

Como diferenciar o baby blues da depressão pós-parto?

Essa é uma dúvida muito comum entre as gestantes e nem sempre a distinção será tão clara a princípio. Afinal, os primeiros sintomas da depressão pós-parto também surgem nas primeiras 4 semanas após o nascimento do bebê.

Ao contrário do baby blues (que melhora após 30 dias), eles persistem se a paciente não for tratada. No entanto, o tempo de duração não é o único critério. Se a paciente tiver algumas manifestações mais graves, a depressão pós-parto pode ser diagnosticada. Alguns exemplos são:

  • Pensamentos suicidas;
  • Impulsos de agressão a si mesma ou ao bebê;
  • Negligência aos cuidados com o bebê;
  • Alterações alimentares (tanto a fome excessiva quanto a perda de apetite);
  • Fadiga e fraqueza;
  • Isolamento social;
  • Falta de interesse por atividades prazerosas;
  • Ataques de pânico;
  • Pensamentos negativos que duram a maior parte do dia na maioria dos dias da semana.

Algumas pacientes ainda relatam que sofrem com esses sintomas desde antes do parto, mas que eles pioraram após o nascimento do bebê. Nesse caso, é possível que um transtorno depressivo maior já estivesse presente e não foi identificado oportunamente. A conduta, entretanto, nessa situação será a mesma da depressão pós-parto, tendo como objetivo recuperar a qualidade de vida da mulher.

Como minimizar os efeitos do baby blues e prevenir a depressão?

O primeiro passo é a aceitação de que a alteração do humor é comum nesse período e, possivelmente, é um problema passageiro. Assim, previne-se o desenvolvimento de um quadro ansioso mais intenso.

Alguns hábitos e atitudes podem melhorar o humor e a falta de motivação, como:

  • Conversar sobre os seus sentimentos com pessoas em quem você confia, como o parceiro, os familiares e os amigos;
  • Comparecer às consultas médicas que acontecem desde a primeira semana de pós-parto até o fim do puerpério. São oportunidades para você se educar sobre os desafios que está enfrentando;
  • Manter uma alimentação rica em nutrientes, em especial o ômega-3, o qual pode melhorar o humor e evitar a depressão;
  • Praticar exercícios leves, preferencialmente ao ar livre, como hidroginástica e yoga, caminhada;
  • Fazer exercícios de atenção plena (mindfulness);
  • Reservar um tempo para atividades de lazer que você gosta;
  • Aceitar e ter a ajuda de outras pessoas para cuidar da casa ou do bebê;
  • Buscar uma maior sincronização com o sono do bebê.

Com essas medidas, você pode prevenir a evolução do baby blues para a depressão pós-parto. Além disso, eles promovem um alívio significativo dos sintomas e uma recuperação mais ágil da qualidade de vida.

Quer saber mais sobre o baby blues? Confira nosso artigo institucional sobre o tema!

Endometriose: diagnóstico

O útero é formado por três camadas principais: o endométrio, o miométrio e o perimétrio. A primeira é a mais interna, revestindo a cavidade uterina. Ela é constituída por diversos tipos de células.

Sob o estímulo do estrogênio, ela se multiplica na primeira fase do ciclo menstrual. Se não houver gestação, ela descama e provoca um sangramento vaginal periódico, a menstruação. Se as células do tecido endometrial se implantarem fora do útero, porém, surge uma doença, a endometriose.

Essa é uma condição muito comum entre as mulheres, podendo acometer até 15% delas ao longo da vida. Entretanto, seu diagnóstico pode ser muito desafiador, visto que há sintomas muito específicos dessa doença. Além disso, os métodos diagnósticos não-invasivos não são muito sensíveis para algumas formas da endometriose, dificultando a identificação das lesões.

Quer saber mais sobre o tema? Acompanhe nosso post!

O que é a endometriose?

A endometriose é uma doença inflamatória crônica, que se desenvolve quando há a presença de glândulas ou estroma do endométrio em estruturas fora da cavidade uterina, como:

  • Peritônio;
  • Bexiga;
  • Tubas uterinas;
  • Intestino;
  • Ligamentos uterossacros.

A presença desse tecido ectópico (fora do lugar habitual) faz com que o corpo inicie uma reação inflamatória. Assim, podem surgir os sintomas e as complicações da doença.

Quais são os sintomas da endometriose?

O diagnóstico da maioria das doenças se inicia com a identificação dos sintomas. Em alguns casos, a própria paciente chega aos consultórios com uma queixa que pode estar relacionada à endometriose. Em outros, as alterações são descobertas com perguntas direcionadas do médico quando ele busca entender a saúde ginecológica e geral da paciente.

As principais manifestações da endometriose são:

  • Dor pélvica crônica, que é uma sensação de desconforto, cólicas, queimação ou pontada na região da pelve, durante mais de 6 meses;
  • Dismenorreia, que é a dor durante o período menstrual;
  • Dificuldade para engravidar (infertilidade) por mais de 1 ano em mulheres com menos de 35 anos e por mais de 6 meses em mulheres acima dessa faixa etária;
  • Dispareunia, a dor nas relações sexuais. Na endometriose, geralmente, ela é de profundidade e piora à medida que o pênis entra mais na vagina;
  • Disfunções urinárias cíclicas (durante o período menstrual). Elas podem se manifestar como incontinência urinária, dor na micção, presença de sangue na urina, entre outros;
  • Disfunções intestinais cíclicas, como dor ao evacuar e presença de sangue nas fezes.

A identificação dos sintomas é a base do diagnóstico da endometriose. A partir deles, iniciamos uma investigação com exames complementares, como ultrassonografias e ressonâncias magnéticas.

No entanto, há também casos assintomáticos de endometriose. Ou seja, a paciente não nota nenhuma alteração que pode estar relacionada à doença. Nesses casos, ela pode ser descoberta quando a paciente faz algum exame de imagem ou uma cirurgia pélvica para outra condição, como os cistos ovarinos e os miomas uterinos.

Tratamento e diagnóstico da endometriose

Quando há suspeita de endometriose, o primeiro exame a ser requisitado geralmente é a ultrassonografia transvaginal com preparo intestinal. Ela é muito parecida com as ultrassonografias ginecológicas que a mulher faz ao longo da vida para acompanhamento da saúde.

No entanto, para aumentar as chances de identificação de lesões mais difíceis de visualizar, é feito o preparo de colo. Ele visa a eliminar as fezes e os gases do intestino para que eles não comprometam a qualidade do sinal do ultrassom.

Outro exame inicial possível é a ressonância magnética, que é mais cara e complexa do que a ultrassonografia. Então, ela geralmente não é requisitada a princípio, mas apenas quando é necessário complementar a ultrassonografia.

No entanto, os exames de imagem têm algumas limitações:

  • A precisão deles é menor para alguns tipos de endometriose, como a forma peritoneal superficial. Então, um exame negativo não significa ausência dessa doença;
  • Apenas com os exames de imagem, não é possível ter certeza de que uma lesão é composta por células endometriais. Então, eles podem confirmar o diagnóstico.

Com isso, apenas a visualização direta das lesões e/ou a análise microscópica delas é capaz de estabelecer um diagnóstico de certeza. Para isso, a paciente precisaria passar por uma cirurgia, preferencialmente feita com técnicas minimamente invasivas.

No entanto, em muitos casos, o tratamento pode ser feito sem a confirmação do diagnóstico. Diante de uma grande probabilidade de a paciente ter endometriose (tendo em vista os sintomas e/ou os exames de imagem), podemos iniciar a terapia.

De acordo com os desejos e o quadro da paciente, ela pode ser feita com medicamentos (clínica) ou com a cirurgia. Em boa parte dos casos, o tratamento clínico é indicado. Se ele for efetivo, não há necessidade de se confirmar o diagnóstico.

Se a cirurgia for necessária para a paciente, a confirmação do diagnóstico ocorrerá simultaneamente ao tratamento da paciente. Em outras palavras, a confirmação do diagnóstico da endometriose geralmente é necessária somente se houver indicação ao tratamento cirúrgico. Nos demais casos, o tratamento individualizado pode envolver a terapia clínica com medicamentos hormonais e as técnicas de reprodução assistida, por exemplo.

Quer saber mais sobre o tratamento da endometriose e as causas da doença? Confira este artigo sobre o tema!

Método contraceptivo: como escolher após o parto?

Atualmente, existem dezenas de métodos contraceptivos, como as camisinhas, as pílulas hormonais e o DIU. No entanto, nem todos eles podem ser usados por mulheres que estão amamentando, pois podem prejudicar a produção de leite ou prejudicarem a saúde do bebê.

Além disso, a fertilidade da mulher fica naturalmente reduzida nos primeiros meses de lactação. Existe uma crença popular de que não é possível engravidar amamentando, mas esse nem sempre é o caso.

Com isso, é muito frequente que as mulheres fiquem com a dúvida de como devem evitar gestações após o parto. Vamos explicar esse assunto a seguir. Acompanhe!

Por que devemos considerar um método especial durante o pós-parto?

A contracepção no pós-parto é muito importante, mesmo para mulheres que desejam engravidar em um curto intervalo de tempo.

É muito comum as mulheres pensarem que a gestação acaba logo depois do parto. No entanto, seus efeitos vão muito além. Por esse motivo, a Organização Mundial de Saúde recomenda que o acompanhamento com o ginecologista continue após o parto (que se conclui com o descolamento da placenta) até os seis meses depois.

Apesar de não haver consenso sobre o tema, parte da literatura médico-científica recomenda um intervalo mínimo de 18 meses entre as gestações. Desse modo, o corpo pode se recuperar inteiramente. Antes disso, pode haver um maior risco de complicações para a próxima gestação, como:

  • Bebê com baixo peso ao nascer ou com paralisia cerebral;
  • Parto prematuro;
  • Ruptura prematura das membranas (da bolsa amniótica);
  • Endometrite puerperal (uma infecção na camada de revestimento do útero no pós-parto);
  • Sangramento vaginal pós-parto ou puerperal, que podem levar à anemia.

Portanto, um dos temas abordados nessas consultas ginecológicas nos primeiros meses pós-parto é a contracepção. A amamentação traz alguns cuidados específicos para a escolha do método contraceptivo, pois não pode ser feita da maneira habitual, pois:

  • Algumas substâncias podem passar do leite para o bebê, como o estrogênio, prejudicando o seu desenvolvimento;
  • Alguns métodos hormonais também podem interferir na liberação da prolactina. Esse hormônio estimula a produção de leite pelas glândulas mamárias.

Apesar de muitas mulheres conhecerem o efeito contraceptivo da amamentação, mas muitas não têm informação suficiente sobre o método. Ele somente é efetivo quando se toma alguns cuidados específicos.  Portanto, apesar de reduzir significativamente as chances de uma gestação, a amamentação por si só não geralmente é suficiente para evitar gestações.

Quais são os métodos contraceptivos que podem ser utilizados?

Método da amenorreia lactacional

Muitas mulheres sabem que a lactação tem um efeito anticoncepcional e contam com ele para evitar gestações nos primeiros meses pós-parto. Isso acontece devido à relação entre a regulação da prolactina e dos hormônios sexuais que atuam nos ciclos férteis da mulher.

A prolactina inibe a secreção do hormônio liberador das gonadotrofinas, o GnRH. Quando os níveis de GnRH aumentam, há um estímulo para a produção do hormônio folículo estimulante, o qual atua nos ovários e leva ao desenvolvimento dos folículos.

Quando os folículos crescem, eles liberam níveis cada vez maiores de estrogênio. Outras substâncias entram em ação e levam à ovulação, a liberação do óvulo nas tubas uterinas. Esse processo é fundamental para que haja a fertilização. Se não há ovulação, não há como um espermatozoide se encontrar com o óvulo para gerar um embrião.

Ao mesmo tempo, o estrogênio e os demais hormônios atuam no endométrio. Isso faz com que ele se torne mais espesso. Quando não há gestação, a mulher menstrua. Portanto, a menstruação é uma evidência de que possivelmente houve ovulação em um ciclo.

Se o método da amenorreia lactacional se baseia na inibição natural que a prolactina realiza sobre os ciclos menstruais, ele não mais é eficaz para mulheres que já tiveram o retorno da menstruação na fase da lactação. Contudo, se a lactante ainda não menstruou, ele pode ser utilizado.

Mas é preciso bastante cuidado, pois sua eficácia depende da intensidade e da frequência de sucção. Portanto, somente é efetivo quando:

  • A amamentação ocorre em intervalos regulares. Nenhum deles pode ser maior do que 4 horas durante o dia e do que 6 horas durante a noite;
  • A amamentação deve ser exclusiva. Se outros alimentos e a água representarem mais do que 5% a 10% da alimentação do bebê, o efeito contraceptivo se reduz devido à menor intensidade da lactação;
  • A mulher está sem menstruar.

Seguindo esses cuidados, a eficácia é de até 98% nos primeiros 6 meses e de até 94% até o final do primeiro ano. No entanto, por ser um método que exige uma rigidez muito grande e não funciona sem uma rotina muito restrita, ele não deve ser utilizado isoladamente. É muito importante associá-lo com outra forma de prevenção.

Métodos de barreira

São os métodos que impedem que os espermatozoides consigam passar através do canal do colo do útero. Os principais são:

  • O preservativo (camisinha), que impedem o contato do sêmen com a vagina. Além de protegerem contra as gestações, evitam a transmissão de infecções sexualmente transmissíveis, como o HIV, a clamídia, a sífilis e a gonorreia;
  • Diafragma, o qual é um método de barreira menos efetivo e que não protege contra infecções sexualmente transmissíveis.

Dispositivo intrauterino (DIU) de cobre

É um dispositivo que é implantado dentro do útero e traz uma proteção de até 10 anos contra gestações não planejadas. É um método reversível: a fertilidade da mulher retorna com a retirada do DIU.

Ele provoca alterações uterinas leves e discretas. Assim, o endométrio, o muco cervical e as tubas uterinas ficam mais hostis aos espermatozoides e os processos da fertilidade. Por isso, é um método contraceptivo muito eficaz (com uma taxa de falha de 0,7%, aproximadamente).

Os métodos contraceptivos durante a lactação devem ser escolhidos com bastante cuidado. Deve-se evitar, ao máximo, estratégias que podem prejudicar a produção de leite e a saúde do bebê. Além disso, devem garantir uma proteção até que o corpo da mulher se recupere completamente, o que ocorre em 18 meses após o parto aproximadamente. Preferencialmente, a mulher deve programar a nova gestação com seu ginecologista em consultas de acompanhamento preconcepcional.

Quer saber mais sobre os métodos contraceptivos durante a amamentação? Confira este artigo bem completo sobre o tema!

Depressão pós-parto: sintomas

A depressão pós-parto é uma condição muito mais comum do que as pessoas imaginam. Ela pode atingir de 10% a 15% das puérperas. Mesmo assim, as pesquisas mostram que apenas 25% das mulheres têm acesso ao seu tratamento e mais de 50% dos casos podem ficar sem um diagnóstico oportuno.

Parte desses desafios se deve ao estigma que envolve a doença. Por isso, é muito importante ter uma visão realista da maternidade e conscientizar a mulher de que complicações físicas e psíquicas podem, sim, fazer parte do processo.

Em muitos casos, a depressão pós-parto é confundida com o baby blues, uma alteração de humor normal depois do parto. O baby blues é uma resposta às mudanças hormonais e às adaptações significativas que a vinda de um bebê necessita.

Ele também apresenta sintomas depressivos e alterações do humor, mas é passageiro. Se as alterações durarem mais do que 30 a 45 dias, é preciso acender o alerta para um quadro depressivo, que pode trazer um grande impacto na qualidade de vida da mulher e do bebê. Quer entender melhor o tema? Acompanhe o nosso post!

O que é depressão pós-parto?

A depressão pós-parto é um transtorno do humor que pode surgir nas primeiras semanas após o parto. Ele é caracterizado pela persistência de sintomas depressivos por mais de 2 a 4 semanas. Ela pode se estender por todo o primeiro ano pós-parto e evoluir para um transtorno depressivo maior se não for tratada.

A seguir, veja como você pode identificar os sintomas dessa doença.

Alteração no humor

Quando as pessoas pensam em depressão, o humor deprimido é o sintoma que primeiro vem à mente. Mas o que ele é exatamente? É uma redução do ânimo da pessoa. Ela fica para baixo, mais pessimista e com pensamentos de desesperança. As pacientes podem ter crises de choro e, em alguns episódios, sem motivo nenhum.

Outra alteração muito comum é a anedonia, isto é, a perda de interesse em atividades que eram consideradas prazerosas anteriormente. Por exemplo, a mulher pode falar: “nossa, antes eu adorava ver filmes. Mas, agora, eu vejo e não faz diferença nenhuma”. Essa manifestação atinge praticamente todos os aspectos da vida dela, inclusive o relacionamento com a parceria e os familiares.

Além disso, a irritabilidade aumentada pode surgir, fazendo com que a puérpera expresse raiva em situações cotidianas. Essa emoção pode ser direcionada a ela mesma ou a outras pessoas, como o bebê e o companheiro.

Com esse quadro, podem surgir também falas e sentimentos de:

  • Inutilidade (“não sirvo nem para cuidar do meu próprio filho”);
  • Vergonha (“ninguém deveria ter que ver a péssima mãe que eu sou”);
  • Culpa (“por que eu prejudico tanto as pessoas à minha volta?”);
  • Inadequação (“nunca vou servir para ser mãe”).

Negligência no cuidado consigo e com o bebê

É normal ter algum nível de dificuldade para cuidar do bebê. Afinal, é um ser que precisa de muito cuidado. Por exemplo, a mãe precisa acordar diversas vezes durante a noite para atender aos choros do bebê. As noites mal dormidas podem resultar em um maior cansaço durante o dia. Assim, surgem esquecimentos eventuais de trocar uma frauda, mas nada que possa prejudicar a saúde do bebê.

Na depressão pós-parto, pode haver uma negligência maior, expondo o bebê a más condições de higiene e de nutrição. Em resposta, a criança fica mais chorosa e irritada. No entanto, não é um desmazelo em relação ao filho. A própria mulher também passa por dificuldades para cuidar de si.

Mudanças de hábitos

Com a depressão, o comportamento da mulher também muda bastante. Ela pode começar a se afastar do parceiro, de familiares e de amigos. Esse sintoma pode ser muito sutil, visto que a paciente pode associar o isolamento com uma necessidade de cuidar da saúde do bebê e dela mesma.

Alterações nos hábitos alimentares também são comuns e podem se manifestar tanto como falta de apetite quanto como alimentação compulsiva. Consequentemente, podem surgir mudanças de peso. Também pode haver problemas no comportamento do sono, como sonolência excessiva durante o dia e insônia à noite.

Problemas para execução de tarefas no dia a dia

A depressão também altera a cognição e as funções executivas da mulher, resultando em dificuldade para fazer e se manter em tarefas habituais. Isso ocorre devido a manifestações, como:

  • Dificuldades de concentração;
  • Memória reduzida;
  • Indecisão constante;
  • Insegurança excessiva em relação à maternidade;
  • Dificuldade para inibir comportamentos.

Sintomas graves da depressão pós-parto

Alguns sintomas devem gerar mais preocupação, pois indicam um quadro mais grave. Com eles, há um maior risco de a gestante colocar em risco a sua integridade física e a do bebê. Veja alguns exemplos:

  • Delírios e alucinações;
  • Paranoia (sem motivo real, acredita que alguém quer fazer mal a ela ou ao bebê);
  • Pensamentos de agressão a ela própria e ao bebê;
  • Negligência às necessidades do bebê, deixando de amamentá-lo ou trocá-lo frequentemente;
  • Pensamentos persistentes de suicídio, que podem ir desde uma vontade de morrer até um planejamento de como ela pode tirar a própria vida;
  • Pensamentos obsessivos em relação ao bebê;
  • Distúrbios severos do sono;
  • Agitação psicomotora e confusão mental intensas.

Por tudo isso, é fundamental se atentar aos sintomas da depressão pós-parto. Afinal, é uma condição relativamente frequente e que pode prejudicar bastante a qualidade de vida das mulheres.

Quer saber mais sobre o tratamento da depressão pós-parto? Confira este texto em que explicamos tudo sobre o tema!

Não consigo amamentar: quais são as possibilidades?

O aleitamento materno é muito importante, tendo diversos benefícios para a mãe e o bebê. No entanto, em alguns casos, a mulher não pode oferecer o próprio leite para a criança por um problema de saúde ou por não produzir quantidades suficientes. Assim surge uma pergunta muito comum no consultório: não consigo amamentar, doutora, o que eu faço agora?

Primeiramente, entenda que há algumas alternativas para a mulher que não pode aleitar seu bebê. Quando indicadas por um médico e seguidas corretamente, elas também proporcionam um desenvolvimento saudável e normal.

Alguns exemplos são as doações de bancos de leite materno e o uso de fórmulas que têm uma composição especial para as necessidades de crescimento em cada fase da primeira infância.

Quer saber mais sobre o tema? Acompanhe o nosso post!

Não consigo amamentar, quais as possibilidades?

Algumas mulheres não podem amamentar por motivos, como:

  • Não produzem o leite;
  • Têm contraindicação materna ao aleitamento (como no caso de portadoras do HIV, usuárias de quimioterapia e de outras substâncias);
  • São mães adotivas.

Em todos os casos, elas podem ficar tranquilas. Não poder amamentar não vai prejudicar o desenvolvimento do bebê nem o vínculo afetivo. Vamos falar sobre as alternativas ao aleitamento materno a seguir.

O que não deve ser feito para substituir o aleitamento materno?

Uma das práticas que não deve ser feita é colocar seu filho para amamentar no seio de outra mulher ou receber leite materno doado fora dos bancos de sangue. Se a doadora do leite não estiver saudável, o leite poderá transmitir diversos microrganismos e toxinas para o bebê e prejudicar a saúde dele. Essa prática é conhecida como amamentação cruzada e não deve ser realizada em hipótese alguma.

Por exemplo, a Organização Mundial de Saúde já conduziu estudos que mostraram que a amamentação cruzada pode transmitir microrganismos do HIV, da HTLV e da Hepatite B. Todas essas doenças são graves e podem comprometer a saúde em curto e em longo prazos.

Outra prática não recomendada é o uso de leite animal. As necessidades nutricionais dos filhotes de vaca e de cabra, por exemplo, são muito diferentes da humana. Então, são leites que não suprem as demandas do desenvolvimento de uma pessoa.

Quais são as formas saudáveis de substituir o aleitamento materno?

Nesse sentido, quais são as alternativas saudáveis para a mãe que não consegue amamentar? São duas:

  • A doação feita em bancos de leite;
  • O uso de fórmulas específicas para bebês.

No Brasil, existem mais de 218 bancos de leite e eles estão presentes em todos os Estados. Muitos deles fazem, inclusive, a entrega do leite na casa das mães que não podem se locomover até o centro de doação.

Qual a diferença entre o leite desses bancos e aquele doado por outra mulher que está amamentando ou de uma ama? Nos bancos, o leite humano passa por um tratamento muito rigoroso. Ele é testado para a identificação de patógenos e, depois disso, passa por processos de eliminação de microrganismos e toxinas (pasteurização). Assim, não há risco de transmissão de doenças.

E qual a diferença entre o leite em pó tradicional e as fórmulas infantis? A primeira opção é feita com leite de vaca e, portanto, não contém todos os nutrientes necessários para o bebê. As fórmulas infantis são elaboradas para atender as necessidades das crianças em cada fase de desenvolvimento dos 0 aos 36 meses de vida.

Então, tem todos os carboidratos, proteínas, gorduras, vitaminas e sais minerais necessários para o bebê. No entanto, é preciso de muito cuidado na hora de dá-las para o bebê.

A diluição em água deve ser feita sempre na medida recomendada na lata. Diluir demais vai causar desnutrição na criança. Sempre deve ser utilizada a água filtrada, que deve ser fervida e esfriada antes de ser misturada ao pó. As fórmulas podem ser adquiridas gratuitamente pelo SUS ou compradas em farmácias.

Portanto, em relação à nutrição do bebê, você pode ficar tranquila, pois as alternativas ao aleitamento materno são suficientes para garantir o crescimento saudável do seu filho.

Os aspectos psicológicos da dificuldade para amamentar

Ter um filho geralmente envolve muitas expectativas, principalmente em relação ao próprio desempenho. É comum e saudável a mulher sonhar com uma situação ideal. Porém, em geral, a realidade traz desafios para o que foi planejado.

Então, a mãe com dificuldade para amamentar pode enfrentar muitas emoções difíceis, como:

  • Culpa por algum problema que pode ter causado a impossibilidade de aleita;
  • Insuficiência, uma sensação de não ser tão mulher ou mãe;
  • Ansiedade e medo de não poder prejudicar o bebê.

No entanto, se esses pensamentos vierem, você não precisa se sentir mal. Em situação de estresse, é normal sentir essas emoções negativas. Por outro lado, apegar-se e fixar-se demais nesses sentimentos faz mal.

Nesse sentido, busque aceitar a realidade e a sua reação a ela. Não há nada de errado com isso. Agora, o mais importante é que você siga os valores mais valiosos para você, como:

  • oferecer uma vida saudável para seu bebê;
  • dar afeto e estar presente com o seu filho. O carinho e o amor são nutrientes para a alma do bebê, podendo ser transmitidos em diversos momentos para além do ato de amamentar;
  • vivenciar a sua experiência da maternidade. Ser mãe é algo único para cada mulher. Cada uma delas enfrentará suas próprias dificuldades e desafios. O processo não é perfeito, é um aprendizado contínuo e diário;
  • cuidar de si mesma, da saúde física e mental. Mantenha uma rotina de autocuidado, alimentação saudável e sono.

Portanto, se você está pensando: “não consigo amamentar, e agora?” Um primeiro passo é procurar os médicos que a acompanham (ginecologista do seu puerpério e o pediatra do bebê) para se informar do que pode ser feito para lidar com a dificuldade de amamentar. Se estiver enfrentando conflitos emocionais persistentes, procure também o auxílio de psicólogos e psiquiatras.

Quer saber mais sobre a amamentação? Confira este artigo bem explicativo sobre o tema!

O que é DIP?

O corpo da mulher apresenta muitas especificidades e está sujeito a inúmeras condições médicas, principalmente aquelas localizadas no aparelho reprodutor. Por esse motivo, existe uma especialidade dedicada à saúde feminina, focada na promoção da saúde, na prevenção e na reabilitação de doenças. Uma das condições ginecológicas mais comuns é a doença inflamatória pélvica, a DIP.

A DIP é um processo inflamatório que se estende pelos órgãos e estruturas do sistema reprodutor feminino. Ela pode ocorrer devido a diversas doenças de base, sendo comumente relacionada a infecções sexualmente transmissíveis (ISTs). Contudo, também pode ser causada por microrganismos presentes em infecções esporádicas do trato genital.

Na DIP, diversos órgãos podem ser afetados, como o útero, as tubas uterinas e os ovários. A infecção, inclusive, pode ter começado em outro local, como a vagina. Quando o patógeno consegue ultrapassar as barreiras do colo uterino, ele ascende e coloniza estruturas do trato genital feminino superior.

Na maior parte dos casos, as pacientes com DIP são completamente assintomáticas. Assim, o diagnóstico pode ser dificultado. Infelizmente, mesmo as mulheres assintomáticas podem sofrer com as complicações da doença, como a infertilidade e as aderências pélvicas.

Quer saber mais o que é a DIP e como identificá-la? Acompanhe nosso post!

O que é DIP?

Vamos, primeiramente, entender o que cada palavra dessa expressão significa na prática:

  • Doença, ou seja, é um processo desencadeado por alguma causa conhecida, geralmente uma bactéria;
  • Inflamatória — em resposta à infecção, o corpo envia o sistema imunológico para inflamar o local. Isso ajuda a controlar os invasores, mas a reação imune pode sair de controle e afetar a funcionalidade dos órgãos locais;
  • Pélvica — os órgãos localizados na região mais baixa do abdômen são mais acometidos. Ali, estão principalmente as vias urinárias, o útero, os ovários e as tubas uterinas.

Causas da DIP

Dentre as causas de DIP, duas infecções sexualmente transmissíveis são mais frequentes:

  • A clamídia;
  • A gonorreia.

Ambas apresentam muitas características em comum, como o fato de causarem infecções usualmente assintomáticas. A latência entre a infecção e o desenvolvimento da DIP pode durar vários meses. Afinal, ela resulta da persistência da inflamação devido à incapacidade de controle dos patógenos e da permanência da infecção.

Caso o patógeno seja eliminado naturalmente pelo corpo, a DIP tende a não se manifestar ou regredir. No entanto, em mulheres diagnosticadas com ela, o tratamento será essencial.

Fatores de risco para DIP

Um dos principais fatores de risco para a DIP é o comportamento sexual da mulher, pois aumenta as chances de entrar em contato com algum microrganismo causador de doença, que se multiplica no sistema reprodutor feminino.

A vida sexual ativa, por si só, já é um fator de risco. Ou seja, mulheres que não praticam sexo são menos expostas à DIP. Isso não significa que você deve ver as relações sexuais como algo ruim. Pelo contrário, é muito importante se cuidar na hora de realizá-las, utilizando sempre os preservativos, que previnem contra as ISTs.

Veja alguns outros comportamentos de risco a seguir:

  • Relação sexual desprotegida;
  • Multiplicidade de parcerias sexuais;
  • Ter relações sexuais com pessoas com múltiplos parceiros;
  • História prévia de infecções sexualmente transmissíveis;
  • Uso regular de ducha íntima, uma prática comum e vista como higiênica por muitas pessoas, mas que prejudica a saúde da mulher.

Sintomas mais comuns da DIP e diagnóstico

É muito importante entender que a DIP é uma doença assintomática e silenciosa. Portanto, muitas mulheres demoram a suspeitar da inflamação.

Quando expressa sintomas, os mais frequentes são:

  • Dor leve a grave na parte baixa do abdômen;
  • Alterações no corrimento vaginal, como secreção com odor intenso;
  • Sangramento uterino anormal, que pode ocorrer inclusive durante as relações sexuais;
  • Dor durante a relação sexual (dispareunia), especialmente à penetração profunda;
  • Sintomas sistêmicos, como febre, calafrios, náuseas e vômitos;
  • Dor ao urinar;
  • Incontinência urinária.

O diagnóstico é feito com base na consulta clínica, preferencialmente com um ginecologista experiente. Primeiramente, ele vai colher a sua história clínica, com especial atenção ao comportamento sexual, a características dos sintomas, presença de fatores de risco e de problemas reprodutivos. É um acolhimento humanizado, feito sem julgamentos morais.

Depois disso, ele faz o exame físico ginecológico, que pode revelar alterações, como:

  • Ultrassonografia pélvica;
  • Exames de sangue e urina;
  • Videolaparoscopia com biópsia endometrial em casos mais graves, como a presença de aderências significativas e abscessos.

Tratamento da DIP e a gravidez

A DIP é tratada usualmente com medicamentos que eliminam os agentes infecciosos. Por exemplo, para a gonorreia, podem ser utilizados alguns antibióticos orais ou injetáveis. É preciso utilizá-los exatamente da forma prescrita pelo médico até o último dia indicado por ele.

Muitas pessoas deixam de tomar a medicação quando os sintomas melhoram, mas isso faz a doença ressurgir em muitos casos. O parceiro sexual também é tratado para evitar o risco de reinfecção.

Após três meses, é feito o controle de cura e, se houver sinais de recidiva ou falha terapêutica, reiniciamos o tratamento. A abordagem cirúrgica é reservada para situações mais graves, como a presença de abscessos. Portanto, é muito importante que o tratamento da DIP seja individualizado para aumentar as chances de sucesso e evitar maiores complicações.

Quer saber mais sobre esse e outros temas? Confira este artigo bem completo!

Riscos da concepção: saiba mais sobre o assunto

A gravidez é um momento que altera bastante o corpo da mulher. Portanto, é natural que haja alguns riscos da concepção. Na maior parte das vezes, porém, eles são bem baixos, principalmente quando há o acompanhamento adequado da gestação. Nesse sentido, é muito importante entender que os cuidados devem começar preferencialmente antes de você engravidar. As consultas preconcepcionais são ações muito importantes nesse sentido.

Nelas, acolhemos o casal que deseja ter filhos e entendemos melhor a sua história. Então, fazemos uma avaliação tanto do homem quanto da mulher para encontrar fatores que podem comprometer a fertilidade ou aumentar os riscos gestacionais. Durante esse período, a mulher receberá informações sobre as mudanças que ocorrem no seu corpo durante o processo de gravidez.

Os riscos da concepção e da gestação significam que há uma maior chance de ocorrer alguns eventos que podem comprometer a saúde ou a vida do feto ou da mulher. Isso não significa que há uma certeza de que essas complicações vão ocorrer. Trata-se apenas de uma maior probabilidade em relação às gestações habituais.

Esses riscos podem se dever a inúmeros fatores, como idade, história gestacional prévia, doenças crônicas da paciente e a condição fetal. Quer entender melhor o assunto? Acompanhe!

Quais são os riscos da concepção e da gravidez de forma geral?

Afinal, os riscos estão aumentados em relação a quais problemas? Durante uma gestação, podem ocorrer complicações para o feto e a evolução da gravidez, como:

  • Abortamento, que é a perda gestacional antes da 24ª semana de gestação;
  • Malformações fetais (alterações na anatomia dos órgãos e estruturas do bebê);
  • Defeitos no neurodesenvolvimento (os quais podem trazer deficiências intelectuais, cognitivas e motoras para a vida do filho;
  • Morte intrauterina, a qual acontece quando o feto perde os sinais vitais ainda dentro do útero após a 24ª semana;
  • Parto prematuro, que é o parto entre a 25ª e a 36ª semana de gestação. Isso aumenta as chances de o bebê ir à óbito, ter problemas de desenvolvimento ou condições médicas adversas;
  • Parto cesariana. Apesar de ser feito eletivamente em muitas mulheres, trazem mais riscos de complicação para a mulher e para o bebê. Por isso, idealmente, devem ser reservados para situações de impossibilidade do parto normal, sendo vistos como uma complicação do parto.

A gestação também aumenta as chances complicações para a mulher, como:

  • Comprometimento da funcionalidade de órgãos importantes devido a doenças da gravidez, como a eclâmpsia e a diabetes gestacional, ou a descompensação de doenças prévias;
  • Morte materna durante a gestação, no parto ou no puerpério.

Todas elas podem acontecer em qualquer gestação, mas há algumas condições que as tornam mais prováveis.

Por que é importante avaliar os riscos gestacionais antes da gestação e durante o pré-natal?

Os riscos da concepção e da gestação são determinados fatores que aumentam as chances de as complicações acima acontecerem. Muitos deles podem ser controlados mesmo antes de o casal tentar engravidar por meio das consultas preconcepcionais.

Histórico reprodutivo

Complicações em gravidezes anteriores, como doenças gestacionais e partos prematuros;

  • Abortos espontâneos, parto prematuro, cesariana e doenças gestacionais em gestações anteriores;
  • Doenças dos órgãos geniturinários (DIP, infecções urinárias, vaginoses, miomas uterinos pólipos endometriais, patologias do trato genital inferior e endometriose);
  • Infecções sexualmente transmissíveis, como a sífilis, a gonorreia e a clamídia, que frequentemente são assintomáticas. Elas podem levar à infertilidade, abortamentos, malformações fetais e partos prematuros, por exemplo.

Então, o acompanhamento preconcepcional envolve a investigação dessas doenças e o controle antes de iniciar as gestações.

Histórico médico

Condições crônicas não-ginecológicas também podem aumentar o risco de complicações. Veja algumas delas:

  • Hipertensão arterial (pressão alta);
  • Diabetes mellitus;
  • Obesidade;
  • Disfunções da tireoide;
  • Transtorno emocionais e afetivos.

Quando identificadas e controladas antes da gestação, podemos evitar o surgimento ou a evolução de diversos problemas.

Histórico cirúrgico

As cirurgias, principalmente na região pélvica, podem deixar sequelas internas que dificultam a fertilidade ou a evolução normal de uma gestação. Por exemplo, elas podem causar aderências uterinas que obstruem a cavidade uterina ou distorcem a forma do útero.

Idade

Com o envelhecimento, a reserva ovariana cai progressivamente. A partir dos 35 anos, isso leva a um maior risco gestacional devido a:

  • estímulo insuficiente do endométrio, fazendo com que ele fique menos espesso para receber o embrião. Isso traz maiores chances de complicações gestacionais, como defeitos da implantação da placenta e abortamentos de repetição;
  • envelhecimento dos óvulos, que terão maior chance de alterações genéticas (síndrome do X frágil) ou cromossômicas (como a trissomia do cromossomo 21, que leva à síndrome de Down.

Quais são as condutas diante de determinados riscos?

O primeiro passo é fazer uma avaliação para rastrear os principais riscos de saúde com exames, como:

  • Avaliação da reserva ovariana (alguns casos, como na melhor com infertilidade ou no pré-menopausa);
  • Rastreio para infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) e para o HIV;
  • Dosagem dos níveis dos hormônios envolvidos na reprodução humana (alguns casos);
  • Tipagem sanguínea;
  • Avaliação da imunidade à rubéola, sarampo, varicela, à hepatite B e toxoplasmose;
  • Exame de urina;
  • Rastreio de doenças genéticas (se houver histórico familiar);
  • A conduta dependerá da condição identificada.

Por exemplo, no caso da maioria das infecções, é feito o tratamento curativo com o objetivo de eliminar os microrganismos do corpo da mulher. Se for uma condição crônica, busca-se controlá-la antes da gestação (atingir as metas terapêuticas de pressão arterial ou dos níveis de açúcar no sangue, por exemplo). Mulheres e homens podem receber vacinas se não tiverem imunidade para doenças preveníveis com imunizantes disponíveis.

Nesses e em outros casos, podem ser indicadas outras condutas, como:

  • Mudanças de hábitos de vida;
  • Cirurgias;
  • Reprodução assistida.

Por fim, é muito importante ressaltar que, em alguns casos, a mulher não pode gestar, pois isso traria riscos da concepção e da gestação muito elevados. A adoção e a barriga solidária podem ser opções nesses casos. Na consulta preconcepcional, portanto, podemos orientar todos os casais sobre as melhores condutas individualizadas à sua situação específica.

Quer entender melhor as consultas preconcepcionais? Confira este artigo!

Qual é o melhor momento para engravidar?

Ao contrário dos homens, que são férteis durante toda a vida, sabemos que as mulheres perdem a fertilidade à medida que se aproximam da menopausa, a interrupção permanente da menstruação. Esse evento, que acontece normalmente a partir dos 40 anos, significa que a reserva ovariana chegou a níveis muito baixos.

Consequentemente, não há produção de estrogênio suficiente para estimular o endométrio e causar os ciclos menstruais. Com isso, muitas mulheres se perguntam: qual é o melhor momento para engravidar?

Essa resposta depende atualmente de muitos fatores e, devido ao avanço da medicina e das mudanças culturais, não é tão simples quanto parece. Portanto, a decisão é sempre da mulher, e não é possível fazer uma lista do que você deve considerar ou não. É uma reflexão sua, — com base nos seus valores e nos objetivos da sua vida. Contudo, podemos falar sobre os aspectos biológicos que sabemos sobre a fertilidade feminina ao longo da vida.

Portanto, neste post, você vai entender quais são os fatores físicos que determinam a reprodução. Vamos falar, por exemplo, se há uma idade em que a mulher está mais fértil, se os riscos de ter uma gestação mais tardia ou se há métodos de reprodução assistida que permitem uma gestação após a menopausa. Quer saber mais sobre o tema? Acompanhe nosso post!

O que acontece ao longo da vida reprodutiva de uma mulher?

O envelhecimento impacta todas as funções do nosso corpo. Com a fertilidade, não é diferente! Tanto os homens quanto as mulheres têm sua capacidade reprodutiva diminuída com o passar dos anos. Esse fenômeno se acelera a partir dos 35 a 40 anos.

No entanto, enquanto a mulher perde totalmente a capacidade de reprodução natural após a menopausa, o homem não sofre uma “andropausa” verdadeira. Apesar de diminuir, a menos que ocorra alguma condição médica, ele nunca fica completamente infértil pela reprodução espontânea.

Qual o melhor momento para engravidar?

Vamos entender agora por que as mulheres se tornam inférteis após a menopausa e como isso influencia a escolha de qual o melhor momento para engravidar.

Nascimento a adolescência

A maior parte dos gametas femininos são produzidos apenas durante a fase de desenvolvimento fetal, isto é, enquanto a mulher ainda está no útero de sua mãe. Com a formação do ovário, começam a surgir folículos ovarianos primitivos, que são estruturas compostas por um gameta envolto por uma camada de células não-reprodutivas. Portanto, são os folículos os principais determinantes da fertilidade feminina.

São formados 6 a 7 milhões de folículos nas fases iniciais de desenvolvimento do sistema reprodutor feminino. A quantidade de folículos viáveis e vivos compõem a reserva ovariana de uma mulher, que atinge seu pico algumas semanas antes do nascimento.

Ainda dentro do útero, porém, essa reserva começa a cair rapidamente. Aos 10 anos de idade, dos 6 milhões de folículos, restarão apenas 1 milhão aproximadamente. Essa queda é importante para sinalizar para o corpo que é o momento de iniciar a puberdade.

Antes disso, os níveis de alguns hormônios ovarianos suprimem a liberação adequada do hormônio folículo estimulante (FSH), que é produzido na hipófise. Próximo a puberdade, a quantidade e a frequência de produção do FSH aumentam e, assim, os folículos podem alcançar fases mais avançadas de desenvolvimento.

Portanto, o elevado número de folículos durante a infância é uma forma que o corpo tem para suprimir o início precoce da vida reprodutiva e aguardar o momento em que a mulher está mais preparada para gestar. No entanto, a maturidade sexual final somente acontece a partir dos 18 a 21 anos. Antes disso, as gestações tendem a ter um risco maior, tanto do ponto de vista biológico quanto social. Portanto, o melhor momento para engravidar não coincide com o início da capacidade reprodutiva feminina.

A vida reprodutiva

A partir da menarca, a primeira menstruação da mulher, ela passa a ser capaz de engravidar e gestar. Isso acontece devido a alguns fenômenos biológicos: a estimulação do ovário e do endométrio, principalmente.

Com o início da vida reprodutiva, a hipófise passa a produzir uma maior quantidade de FSH intermitentemente. Assim, surgem os ciclos menstruais, que duram cerca de 26 a 35 dias. Como padrão, dizemos que o primeiro dia deles é a primeira menstruação.

No início do ciclo menstrual, os níveis de FSH aumentam progressivamente até atingirem um pico no terceiro dia. Isso leva ao estímulo do desenvolvimento de alguns folículos ovarianos;

Depois disso, alguns folículos ovarianos começam a crescer e se desenvolver. À medida que evoluem, passam a liberar quantidades crescentes de estradiol (o tipo mais potente de estrogênio). O estradiol estimula também o desenvolvimento do endométrio, a camada do útero na qual o embrião se implanta;

Um desses folículos se torna dominante e passa a impedir a maturação dos demais. Por isso, geralmente, apenas ele chega aos estágios finais de desenvolvimento e libera o óvulo, que fica armazenado em seu interior. Os demais morrem, assim como os gametas que eles contêm. Dos 21 aos 34 anos, a mulher está no ápice da sua reprodução e a idade não influencia nos riscos gestacionais significativamente.

Portanto, ao longo da vida, a reserva ovariana cai a cada ciclo menstrual até não ser mais significativa após a menopausa. Quando ela chega em níveis mais baixos, há a redução da fertilidade da mulher, principalmente devido ao estímulo insuficiente do endométrio. Isso aumenta os riscos de complicações gestacionais. Além disso, os óvulos mais velhos têm maior chance de terem alterações genéticas.

Por esses motivos, a partir dos 35 anos, as gestações tendem a ter mais riscos. Felizmente, a medicina tem protocolos de pré-natal para cuidar desses casos e reduzir as chances de complicação. Mesmo assim, você deve levar em consideração os fenômenos biológicos no momento de refletir sobre qual é o melhor momento para engravidar.

Quer saber mais sobre as consultas pré-concepcionais, um acolhimento médico que auxilia você a planejar melhor suas gestações? Confira este artigo sobre o tema!