Dra Cristiane Pacheco | WhatsApp

Mastite: como tratar?

A mastite é uma inflamação das mamas que é geralmente causada por uma infecção bacteriana, como o Staphylococcus aureus. Isso pode ocorrer quando os microrganismos entram no tecido mamário através de fissuras ou rachaduras nos mamilos. Também pode acontecer devido a um acúmulo de leite nos ductos mamários, conhecido como ingurgitamento. 

Os sintomas incluem dor, vermelhidão, inchaço na mama, febre e mal-estar. O tratamento pode envolver esvaziar a mama com frequência, compressas quentes e, em casos de infecção bacteriana, o uso de antibióticos. Quando não tratada, a mastite pode evoluir para complicações como abscessos mamários.

Durante a amamentação, o risco de mastite aumenta devido a vários fatores, como a dificuldade de o bebê realizar uma pega adequada, que pode causar lesões nos mamilos e abrir portas para infecções. Além disso, o esvaziamento incompleto da mama pode levar ao acúmulo de leite nos ductos, favorecendo a proliferação de bactérias e o desenvolvimento de inflamações. 

Nesse sentido, cuidados, como garantir uma boa técnica de amamentação e investigar rapidamente qualquer desconforto, podem reduzir significativamente esse risco. Quer saber mais sobre o tratamento e a prevenção da mastite? Acompanhe até o final!

Sintomas da Mastite

Os principais sintomas da mastite são:

  • Dor nas mamas;
  • Vermelhidão;
  • Inchaço na mama;
  • Febre;
  • Mal-estar.

O diagnóstico da mastite é geralmente feito com base nos sintomas clínicos apresentados pela paciente. Além disso, seu médico coletará a sua história clínica e obstétrica, além de realizar um exame físico detalhado das mamas. Na maior parte dos casos, a avaliação clínica será suficiente para iniciar o tratamento. 

Em alguns casos, porém, pode ser necessário realizar exames laboratoriais, como a cultura do leite materno, para identificar a espécie da bactéria e determinar o tratamento mais adequado. Isso é mais comum quando não há resposta ao tratamento inicial ou quando as infecções são recorrentes.

Tratamento da mastite

O melhor tratamento para a mastite durante a amamentação é garantir a técnica correta de amamentação. Para uma boa técnica de amamentação, é importante que a mãe e o bebê estejam confortáveis e bem-posicionados. 

A mãe deve segurar o bebê de forma que o corpo dele esteja alinhado com o dela, e a cabeça do bebê deve estar ligeiramente inclinada para trás. O bebê deve abocanhar não apenas o mamilo, mas também uma boa parte da aréola, formando um vácuo adequado que facilita a sucção e evita traumas nos mamilos.

A técnica da pega correta envolve os seguintes passos:

  • Posicionamento da mãe e do bebê: a mãe deve estar sentada ou deitada em uma posição confortável. Então, ela deve posicionar o bebê de frente para ela, com a barriga do bebê tocando a barriga dela;
  • Segurar a mama corretamente: a mãe deve formar um “C” com a mão livre, posicionando os dedos abaixo da aréola e o polegar acima. Isso ajuda a guiar o mamilo e a aréola para a boca do bebê;
  • Estimular o reflexo de busca: tocar levemente o lábio superior do bebê com o mamilo, até que ele abra bem a boca;
  • Abocanhar a aréola: quando o bebê abrir bem a boca, a mãe deve rapidamente aproximá-lo da mama, garantindo que a boca dele cubra não apenas o mamilo, mas também uma grande parte da aréola;
  • Verificar a sucção: observar se o bebê está sugando de forma suave e confortável. A mãe não deve sentir dor. Se houver dor, pode ser um sinal de que a pega não está correta e deve ser ajustada;
  • Retirar o bebê da mama: Se for necessário retirar o bebê da mama, a mãe deve evitar puxar diretamente, para não causar dor ou lesões. Em vez disso, ela deve inserir delicadamente o dedo mindinho no canto da boca do bebê e, então, afastar o bebê;
  • A técnica da pega correta ajuda a garantir que o bebê consiga mamar de forma eficiente e confortável, além de prevenir problemas como mastite, fissuras nos mamilos e baixa produção de leite.

Tratamento da mastite

Além da técnica correta de amamentação, o tratamento da mastite durante a amamentação pode incluir outras medidas importantes para aliviar os sintomas e promover a cura. Entre as principais abordagens estão:

  • Compressas: aplicar compressas quentes nas mamas pode ajudar a estimular o fluxo de leite, aliviar a dor e reduzir o inchaço e a inflamação;
  • Analgésicos e anti-inflamatórios: medicamentos para dor ser recomendados pelo médico para aliviar a dor e a inflamação. É fundamental somente tomar medicações indicadas por um médico, pois nem todas as medicações são seguras para uso durante a amamentação;
  • Antibióticos: em casos de mastite bacteriana, especialmente quando há sintomas importantes ou persistentes, o médico pode prescrever antibióticos para tratar a infecção.

Manter a amamentação regular é fundamental, mesmo durante episódios de mastite, pois a interrupção da amamentação pode agravar a condição. Se necessário, a mãe pode utilizar uma bomba de extração para garantir que o leite continue a ser removido de forma eficaz.

Portanto, a técnica correta de amamentação é importante não apenas para a nutrição e bem-estar do bebê, mas também para a saúde da mãe. Uma pega adequada pode ajudar a prevenir a mastite. Caso a mastite se instale, felizmente há tratamentos eficazes, os quais devem ser indicados por um médico.

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Sangramento durante a gestação: é normal? Quando procurar um médico?

Qualquer sangramento durante a gestação, por menor que seja, causa muita preocupação, não é mesmo? Sim, qualquer sangramento gestacional deve ser levado a sério. Contudo, isso não significa que você deve automaticamente pensar no pior, pois a maioria dos sangramentos é benigna (não causam complicações graves).

Ainda assim, um sangramento gestacional também não é algo que pode ser subestimado. Afinal, a gravidez é um período delicado e podem ocorrer complicações graves, mesmo em sangramentos aparentemente leves. Quer saber mais sobre o sangramento durante a gestação? Acompanhe até o final!

Sangramento na primeira metade da gestação: quando é normal?

No primeiro trimestre, pequenos sangramentos durante a gestação, os chamados “spotting, são muitocomuns. Eles acontecem em cerca de em até 50% dasgestações. Cerca de metade desses sangramentos são benignos e são causados por:

Sangramento de implantação: quando o óvulo fertilizado se fixa na parede do útero, você pode notar um pouco de sangramento leve. É um sinal discreto de que a gravidez começou. Trata-se de um corrimento rosado ou de uma pequena mancha de sangue que são liberados durante um ou dois dias. Ocorre cerca de 6 a 12 dias após a ovulação. Com isso, pode ser confundido com uma menstruação muito leve;
Sensibilidade cervical: durante a gravidez, mudanças hormonais aumentam o fluxo sanguíneo para o colo do útero. Atividades como relações sexuais ou, até mesmo, um exame ginecológico de rotina podem desencadear pequenos sangramentos. Esse tipo de sangramento durante a gestação é breve, não é intenso e geralmente não provoca dor;
Hemorragias subcoriônicas: pequenos derramamentos de sangue entre a placenta e o útero também podem causar sangramentos sem afetar diretamente o desenvolvimento do bebê.

Sangramento na primeira metade da gestação: o que não é normal?

Embora o spotting leve geralmente não seja motivo de preocupação no primeiro trimestre, há momentos em que um sangramento sinaliza uma complicação gestacional, como:

Abortamentos

O abortamento ocorre quando há expulsão do feto e dos produtos da concepção, como a placenta. Os principais sinais incluem sangramento vaginal leve a moderado. Geralmente, é acompanhado de dor abdominal tipo cólica. Os sintomas tendem a diminuir após a expulsão dos produtos da concepção.

Abortamento infectado

Ocorre quando há infecção dos produtos da concepção no útero, geralmente após um abortamento incompleto. Suas características incluem sangramento vaginal com odor fétido, febre, dor abdominal intensa e sensibilidade pélvica. É uma condição potencialmente grave que requer intervenção médica urgente com antibióticos e retirada dos produtos da concepção.

Gravidez ectópica

O embrião se implanta fora da cavidade uterina, mais comumente nas tubas uterinas. Se a gravidez ectópica não for interrompida, pode ser uma emergência médica. Sinais e sintomas mais comuns incluem sangramento vaginal leve, geralmente irregular e associado a dor pélvica. Dores intensas e aumento rápido do volume abdominal são sinais de alerta.

Mola Hidatiforme

É uma forma de doença trofoblástica gestacional caracterizada pelo crescimento anormal do tecido que origina os anexos embrionários. Resulta de embriões com anormalidades cromossômicas graves. Causa sangramento vaginal intermitente (“vai e volta”), que pode ser acompanhado pela expulsão de tecido “em cacho de uva”. Além disso, a paciente pode ter enjoosmais graves, hipertensão grave agudamente e aumento uterino desproporcional à idade gestacional.

Segunda metade da gestação: quando o sangramento é normal ou anormal?

Ainda é comum que haja sangramentos durante a gestação que são normais, geralmente devido à fragilidade do colo do útero ou à presença de pólipos uterinos. Contudo, diferentemente do primeiro trimestre, os sangramentos da segunda metade da gestação (a partir da 20ª semana) geralmente precisam de avaliação emergencial, pois podem colocar em risco tanto a mãe quanto o bebê.

Afinal, nessa fase, sangramentos normais ainda acontecem, mas se tornam menos frequentes. Assim, quando ocorrem, podem ser sinais de condições que exigem atenção imediata.

O que é um sangramento anormal na segunda metade da gestação?

Nesse sentido, é importante lembrar que não existe associação entre a quantidade do sangramento durante a gestação e a gravidade do quadro. Existem algumas condições em que o sangramento pode ser de pequeno volume, mas as complicações serem graves (se não tratadas):

Placenta prévia: ocorre quando a placenta está implantada total ou parcialmente sobre o segmento inferior do útero, cobrindo o orifício interno do colo uterino. O sangramento vaginal é leve e indolor, geralmente de início súbito, com sangue vermelho vivo, mas pode ser precipitado por atividade física ou relações sexuais;
Rompimento de vasa prévia: a vasa prévia ocorre quando os vasos sanguíneos fetais atravessam as membranas próximas ao orifício interno do colo uterino. Com isso, os vasos estão em maior risco de rompimento. O sangramento vaginal é vermelho vivo, sendo originado do organismo fetal. Por isso, é uma complicação grave, mesmo quando o volume de sangue perdido é pequeno.

Outras causas anormais de sangramento durante a gestação na segunda metade de gestação são:

Descolamento prematuro da placenta: é a separação da placenta antes do nascimento do feto. Trata-se de uma emergência obstétrica grave. O sangramento vaginal escuro é escuro e associado a dor abdominal intensa e rigidez uterina;
Rotura uterina: é uma complicação obstétrica grave, mais comum em mulheres com múltiplas cicatrizes uterinas prévias (como de cesarianas ou miomectomias). Resulta em uma dor abdominal súbita e intensa seguida de sangramento vaginal. O volume de sangue eliminado pela vagina pode ser mínimo ou ausente. Contudo, a hemorragia interna é quase sempre muito grave. Se não tratada com rapidez, pode levar ao óbito materno.

Portanto, nenhum sangramento durante a gestaçãodeve ser considerado completamente “normal” antes de uma avaliação médica. Entretanto, os sangramentos não precisam ser um motivo de pânico.

Quando ele ocorre, é importante que você busque seu obstetra para que ele oriente as medidas necessárias. Caso não consiga falar com ele rapidamente, não deixe de buscar um serviço de urgência obstétrica para investigar o sangramento.

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Líquido amniótico baixo durante a gestação: riscos e o que fazer

Diversos parâmetros da gestação são avaliados durante o pré-natal. Durante o acompanhamento obstétrico da gestação, realizamos avaliações médicas periódicas e exames para identificar fatores de risco para complicações gestacionais. 

Para isso, por exemplo, solicitamos testes para diagnóstico de infecções sexualmente transmissíveis, de infecção urinária, de infecções relacionadas a malformações fetais, de anemia, de diabetes mellitus, de sofrimento fetal e de problemas nos anexos embrionários.

Entre essas avaliações, está a avaliação da quantidade de líquido amniótico na bolsa gestacional, que é feita pela ultrassonografia obstétrica. Isso é fundamental, pois líquido amniótico excessivo (polidrâmnio) e líquido amniótico baixo (oligodrâmnio) podem causar complicações, como ruptura uterina e sofrimento fetal, respectivamente.

Além disso, alterações no líquido amniótico podem ser um sinal indireto de outras complicações gestacionais. Por exemplo, o polidrâmnio pode ser consequência de diabetes gestacional, enquanto o oligodrâmnio pode ser um sinal de uma síndrome cromossômica fetal, como a Síndrome de Down. Neste post, vamos falar sobre níveis baixos de líquido amniótico (oligodrâmnio). Ficou interessada? Acompanhe até o final!

O que é líquido amniótico, como ele se forma e função?

Durante a gestação, o feto permanece envolto por uma substância, o líquido amniótico. No primeiro trimestre de gestação, ele é formado principalmente por água, íons e moléculas, oriundas do âmnio, dos vasos placentários superficiais e pela pele do feto. A partir do segundo semestre, a urina do feto também será uma fonte importante de líquido amniótico, ao passo que ele perde menos líquidos por meio da pele. 

O líquido amniótico apresenta as seguintes funções:

  • Ajuda a manter uma temperatura adequada dentro do útero;
  • Protege contra traumas físicos;
  • Permite que o feto cresça e se movimente livremente, sem que tônus uterino cause deformações anatômicas e prejudique o desenvolvimento musculoesquelético;
  • Previne a compressão do cordão umbilical;
  • Contribui para o desenvolvimento e maturação dos pulmões e do sistema gastrointestinal.

Como acompanhar no pré-natal?

A principal forma de acompanhar o líquido amniótico é pela ultrassonografia obstétrica, que permite uma estimativa de seu volume e de sua consistência. Essa avaliação ultrassonográfica é feita rotineiramente em cada trimestre de gestação, independentemente de sinais e sintomas.

Em alguns casos, a alteração pode ser sintomática, com a paciente relatando menor movimentação do feto e perda de líquido amniótico pela vagina. Além disso, há sinais clínicos de oligodrâmnio, que podem ser percebidos por seu obstetra no exame físico feito em cada consulta de pré-natal, como:

  • Volume uterino pequeno para a idade gestacional, que pode ser causada também por outros fatores, como a restrição do crescimento fetal;
  • Palpação de partes do corpo do feto durante a avaliação do útero. 

O que é líquido amniótico baixo?

Líquido amniótico baixo se refere a uma quantidade insuficiente de líquido amniótico que causa riscos para a saúde maternofetal. É avaliado pela ultrassonografia a partir de parâmetros medidos para cada semana de idade gestacional. 

Para entender os riscos de um líquido amniótico baixo, é importante compreender que a regulação da quantidade de líquido amniótico é feita por diversos mecanismos, como:

  • Deglutição e excreção fetal: à medida que a gestação evolui, o feto deglute (“toma”) um volume cada vez maior de líquido amniótico. Ao final do terceiro trimestre, estima-se que ele reabsorva 750 mL de líquido amniótico todos os dias. Esse líquido é absorvido no sistema gastrointestinal. Depois disso, passa para a corrente sanguínea e é “filtrado” nos rins, onde se torna urina. Essa urina é liberada no próprio líquido amniótico em um volume de até 1 litro no terceiro trimestre;
  • Secreção pulmonar: após sua formação, os pulmões dos fetos produzem um líquido, cuja produção pode ultrapassar 350 mL nas últimas semanas de gestação. Parte desse líquido, é deglutida e liberada pela urina;
  • Absorção placentária: a concentração de substâncias dissolvidas no líquido amniótico é menor do que a concentração de substâncias dissolvidas no sangue da mãe e do feto. Isso faz com que os vasos da superfície placentária absorvam uma quantidade significativa de água do líquido amniótico com a evolução da gestação. 

Líquido amniótico baixo pode ocorrer devido a falhas em qualquer um dos mecanismos acima. 

Riscos de líquido amniótico baixo e o que pode ser feito?

Os riscos de líquido amniótico baixo dependem da idade gestacional:

  • Primeiro trimestre: maior risco de abortamento. É feito um acompanhamento mais próximo da gestante com consultas e ultrassonografias seriadas. Além disso, educamos sobre os sinais de abortamento para que ela busque um serviço de urgência obstétrica nessa situação;
  • Segundo trimestre: níveis ligeiramente mais baixos geralmente não causam complicações, sendo acompanhados com ultrassonografias periódicas até a estabilização do quadro. Casos de oligodrâmnio acentuado aumentam o risco de morte fetal ou óbito neonatal. Em situações de líquido amniótico persistentemente ou gravemente baixo, é fundamental identificar as possíveis causas do problema. A conduta dependerá da causa;
  • Terceiro trimestre: níveis baixos de líquido amniótico aumentam o risco de parto prematuro, de compressão do cordão umbilical, de insuficiência uteroplacentária, de malformações fetais e de aspiração de mecônio. Além disso, causa complicações no parto e no pós-parto, como necessidade de cesariana ou de indução do parto, baixo peso ao nascer, sofrimento neonatal medido pelo Apgar e necessidade de internação do bebê em UTI neonatal.

Além de aumentar o risco de complicações, um líquido amniótico baixo pode ser sinal de problemas de saúde da mãe e do feto: 

  • Disfunções placentárias causadas por doenças hipertensivas, por doenças renais, por trombofilia, descolamento ou trombose da placenta;
  • Anomalias congênitas, como malformações de órgãos e anomalias cromossômicas, que comprometem os sistemas pulmonar, gastrointestinal ou excretor. Em particular, malformações nos rins e nas vias urinárias estão entre as causas mais comuns de oligodrâmnio;
  • Desidratação materna;
  • Restrição do crescimento fetal;
  • Infecções ou ruptura nas membranas fetais.

Além do acompanhamento frequente do bem-estar fetal, da identificação e da correção das causas (quando possíveis), o tratamento do líquido amniótico pode envolver a hidratação materna e a antecipação do parto, se necessários. Portanto, é fundamental realizar o pré-natal de forma adequada para receber um diagnóstico precoce e um tratamento individualizado para minimizar os riscos.

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ISTs na gestação: quais são os cuidados que precisamos ter?

As infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) oferecem diversos riscos em todas as fases da gestação, desde o planejamento até o pós-parto. Nas fases iniciais da gestação, algumas ISTs podem causar malformações fetais. 

À medida que a gestação evolui, algumas também podem predispor a abortamentos, a partos prematuros e a complicações gestacionais (como ruptura prematura das membranas). No parto e no pós-parto, podem ser transmitidas para o feto, causando problemas que podem se tornar crônicos.

Essas questões afetam tanto mulheres que contraíram a doença antes da gestação quanto depois. Por isso, é fundamental falar sobre a prevenção das ISTs durante a gestação. Afinal, como não há mais risco de engravidar, algumas mulheres podem negligenciar a importância do uso de preservativos e realizar relações sexuais desprotegidas. No entanto, essa é uma medida fundamental para uma gestação saudável.

O que são ISTs?

Infecções sexualmente transmissíveis, as ISTs, são condições causadas por microrganismos (como vírus, bactérias e fungos), que se caracterizam pelo fato de poderem ser transmitidas durante as relações sexuais orais, genitais e anais. A transmissão pode ocorrer por:

  • Contato com fluidos sexuais (sêmen e corrimento vaginal);
  • Contato pele a pele;
  • Contaminação por solução de continuidade devido a lesões visíveis ou microscópicas que ocorrem durante a relação sexual.

Com isso, os preservativos (camisinhas) são o único método de prevenção. 

As ISTs podem causar quadros sintomáticos ou assintomáticos. Ou seja, a pessoa está infectada pelo microrganismo, mas não sabe. Entretanto, mesmo assim, esses microrganismos podem causar danos silenciosos nos órgãos maternos e fetais.

Quais ISTs oferecem mais risco durante a gestação?

A seguir, você poderá entender a transmissão, as complicações e o tratamento das principais ISTs que podem prejudicar as gestações:

Sífilis

É uma infecção causada por uma bactéria, sendo transmitida pelo contato com fluidos e com a pele contaminada. A sífilis pode permanecer pouco sintomática ou assintomática por vários anos. Na gestação, a espiroqueta pode conseguir passar pela placenta e infectar o bebê, mesmo nesses casos. 

A transmissão congênita aumenta o risco de complicações, como abortamento espontâneo, natimortalidade e parto prematuro. Além disso, quando adquirida antes ou no primeiro trimestre de gestação, ela pode causar a síndrome da sífilis congênita no feto, que é caracterizada por deformações ósseas, surdez e problemas neurológicos.

O tratamento é feito com penicilina, que é altamente eficaz para combater a sífilis. Contudo, o tratamento não reverte os danos já causados nos órgãos e estruturas da mãe e do bebê.

HIV (Vírus da Imunodeficiência Humana)

A infecção pelo HIV, quando não tratada, leva à síndrome da imunodeficiência adquirida (AIDS), que é potencialmente fatal. É uma infecção que permanece assintomática por vários anos, mas pode ser transmitida para o bebê, especialmente no parto e na amamentação.

A infecção pelo HIV é tratada com terapia antirretroviral, que controla a multiplicação do vírus, mas não cura a infecção. Seu uso durante a gravidez pode reduzir a transmissão congênita para 1% das gestações. Além disso, é preciso que o parto seja uma cesárea e a mulher não pode amamentar, pois o vírus infecta o leite materno.

Hepatite B (HBV)

Trata-se de uma infecção que também é assintomática por muito tempo, mas que pode ser transmitida para o bebê durante o parto. No pós-parto, pode causar comprometimento grave do fígado com complicações, como cirrose e câncer de fígado, que são potencialmente fatais.

O tratamento da mãe é feito com antivirais. Caso seja identificada, o bebê deve receber vacinação imediata e “soro” com anticorpos contra o vírus da hepatite B. 

Herpes genital

Transmitida facilmente pelo contato pele a pele nas relações sexuais, a herpes genital causa lesões bolhosas na região genital. Se a doença estiver ativa durante o parto normal, o bebê pode apresentar herpes neonatal, uma infecção grave que causa danos neurológicos. Com isso, pode levar ao óbito, além de poder provocar déficits cognitivos e motores crônicos nos sobreviventes.

Gonorreia

É uma infecção causada por uma bactéria, sendo geralmente assintomática. Ela oferece os seguintes riscos quando contraída anteriormente ou durante a gestação:

  • Conjuntivite neonatal: quando a infecção é transmitida pelo parto, o bebê pode apresentar um quadro de infecção grave nos olhos, a qual pode resultar em cegueira;
  • Abortamento espontâneo;
  • Parto prematuro;
  • Baixo peso ao nascer.

O tratamento da mãe e do bebê é feito com antibióticos.

Clamídia

Também é uma infecção bacteriana frequentemente assintomática. Ela pode causar a doença inflamatória pélvica e complicações gestacionais, como:

  • Parto prematuro;
  • Baixo peso ao nascer;
  • Além disso, pode ser transmitida ao bebê durante o parto, causando conjuntivite neonatal e pneumonia.

O tratamento também é feito com antibióticos.

Sintomas que merecem atenção especial durante a gestação

Como vimos, a maior parte das ISTs pode ser assintomática durante a gestação. Ou seja, podem causar danos para o bebê sem que você note nenhum sintoma. Por isso, é muito mais importante prevenir do que esperar que algum sintoma chame a atenção da paciente. 

A prevenção é feita primariamente com o uso de preservativos nas relações sexuais. Secundariamente, a prevenção envolve identificar a doença precocemente com a testagem rotineira de ISTs no pré-natal.

Mesmo assim, não deixe de consultar o seu obstetra o quanto antes caso tenha sintomas, como:

  • Nódulos na região genital ou anal, mesmo que eles não sejam dolorosos. A sífilis pode aparecer como um pequeno “caroço” que não causa dor;
  • Bolhas;
  • Corrimento vaginal anormal (com cheiro, consistência ou cor diferente da habitual durante a gestação);
  • Sangramento vaginal durante a gestação.

Diagnóstico e importância do pré-natal

O diagnóstico e o tratamento precoces são fundamentais para evitar diversas complicações. Em geral, o diagnóstico é feito pelos sintomas ou pelo rastreio de rotina. As consequências das ISTs durante a gestação podem ser tão graves que, na rotina de pré-natal, a mulher passa pela testagem de diversas ISTs em todos os trimestres de gestação. 

Ainda que muitas ISTs sejam tratáveis, elas podem comprometer gravemente a saúde do bebê, com sequelas que permanecem por toda vida. Portanto, a prevenção com o uso de preservativos nas relações sexuais é fundamental e não deve ser negligenciada, mesmo que você tenha uma parceria fixa.

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