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Teste de vitalidade fetal: como é feito?

A vitalidade fetal é um indicador do bem-estar do feto ao longo da gestação. Ela se refere à avaliação da condição do feto, considerando parâmetros, como frequência cardíaca e movimento. Deve-se ressaltar que a avaliação da vitalidade fetal não é um teste específico. Na verdade, ela pode envolver diferentes exames, que são indicados de forma individualizada para as características clínicas de cada gestação.

Nesse sentido, uma avaliação simplificada da vitalidade fetal é feita a cada consulta quando seu médico pergunta sobre os movimentos do bebê, quando ele ausculta os batimentos cardíacos fetais e quando ele busca identificar os movimentos fetais durante o exame físico.

Em algumas situações, principalmente em gestações de alto risco ou quando a avaliação acima mostra alguma alteração, pode ser necessária uma avaliação mais extensa da vitalidade fetal. Isso pode envolver a realização de exames, como a ultrassonografia e a cardiotocografia. Quer saber mais sobre o tema? Acompanhe até o final!

O que é o teste da vitalidade fetal?

O teste de vitalidade fetal tem o objetivo de verificar se o feto está ativo e recebendo oxigênio e nutrientes suficientes pela placenta. A ausência de oxigênio faz com que o organismo fetal, especialmente o sistema nervoso, não funcione adequadamente. O teste de vitalidade fetal pode envolver medidas, como: 

 Cardiotocografia (CTG)

A cardiotocografia é uma das técnicas mais empregadas para a avaliação da vitalidade fetal. Nesse exame, sensores externos são posicionados sobre o abdômen da gestante para registrar a frequência cardíaca do feto e as contrações uterinas. O procedimento é indolor e não invasivo. Isso permite a obtenção de um traçado que indica variações na frequência cardíaca fetal em resposta a movimentos e outros estímulos.

Durante o exame, que é feito sob supervisão médica, o profissional pode observar diferentes parâmetros, como:

  • Batimentos cardíacos fetal (BCF). A bradicardia (número baixo de batimentos) é definida como BCF menores do que 110 batimentos por minuto. A taquicardia (número elevado de batimentos) é definida como BCF maiores do que 160 batimentos por minuto;
  • Presença de acelerações transitórias. A presença de acelerações é um indicativo de que o feto está saudável e que o sistema nervoso central está respondendo de forma adequada;
  • Ausência de desacelerações duradouras. Alguns padrões de desaceleração podem sugerir possíveis alterações no bem-estar fetal, demandando uma investigação mais detalhada.

Esses parâmetros são observados por 20 minutos. Caso haja alguma alteração, o exame é estendido por mais 10 minutos.

Monitoramento de movimento fetal

O registro dos movimentos fetais consiste na solicitação para que a gestante registre os movimentos do bebê por um período determinado. Para isso, é utilizado um diário dos movimentos fetais, em que são registradas a quantidade e a intensidade dos movimentos observados.

A contagem dos movimentos serve como um indicativo da vitalidade fetal, uma vez que uma redução significativa nos movimentos pode sinalizar a necessidade de uma investigação mais detalhada. Entretanto, por se tratar de um método sujeito a maiores falhas, ele é recomendado apenas em situações de menor risco.

Perfil Biofísico (PBF)

O perfil biofísico é uma técnica de ultrassonografia para a avaliação da frequência cardíaca e de outros parâmetros, como os movimentos corporais do feto, o tônus muscular e a quantidade de líquido amniótico. Esse exame é particularmente útil em situações em que há suspeita de sofrimento fetal. Contudo, alguns obstetras indicam o exame rotineiramente, independentemente da existência do risco de sofrimento fetal.

Durante o PBF, cada parâmetro avaliado recebe uma pontuação. Ao final do exame, a gestante recebe um escore total. Uma pontuação elevada indica uma boa vitalidade fetal, enquanto pontuações baixas podem sugerir sofrimento fetal. Nesse caso, a gestante pode ser encaminhada para serviços de maior complexidade ou realizar exames mais específicos, como a amniocentese. 

Quando é feito o teste da vitalidade fetal?

A avaliação da vitalidade fetal é feita em cada consulta de pré-natal. Contudo, testes mais específicos para a avaliação da vitalidade fetal são feitos após a identificação de risco ou de sinais de sofrimento fetal.

Contudo, os testes de vitalidade fetal ganham maior relevância a partir da segunda metade das gestações, sobretudo em gestações de alto risco. A partir desse período, a avaliação regular com CTG ou perfil biofísico pode ser feita de forma preventiva para detectar precocemente qualquer sinal de sofrimento fetal.

Além do monitoramento de rotina, o teste de vitalidade fetal pode ser solicitado em situações emergenciais, como:

  • Diminuição dos movimentos percebidos pela gestante;
  • Batimentos cardíacos fetais alterados ou ausência de batimentos cardíacos no exame físico obstétrico.

Além disso, o acompanhamento da vitalidade fetal auxilia na identificação de fatores de risco, como insuficiência placentária, hipóxia fetal ou outras condições que podem comprometer o desenvolvimento do feto.

Portanto, a realização do teste de vitalidade fetal depende de vários fatores, como a idade gestacional, a história obstétrica da paciente e a presença de condições que possam aumentar o risco de complicações. Sua realização é importante para a redução de complicações e para aumentar as chances de um parto bem-sucedido.

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Core abdominal: como fortalecer?

O termo “core abdominal refere-se ao conjunto de músculos que formam a parede do abdômen, incluindo o transverso do abdômen, os oblíquos interno e externo, o reto abdominal e a musculatura do assoalho pélvico. Essa região funciona como estabilizador da coluna vertebral e da pelve, sendo fundamental para a execução de movimentos e para a manutenção da postura.

Na gravidez, surgem alterações biomecânicas e fisiológicas que colocam essa musculatura sobre maior estresse. Por isso, o fortalecimento do core abdominal tem papel importante na adaptação das mudanças corporais, contribuindo para a estabilidade postural, para a execução das atividades diárias e para reduzir complicações pós-gestacionais. Quer saber mais sobre o tema? 

Qual a importância do core abdominal durante a gravidez?

Durante a gestação, o corpo passa por adaptações que podem comprometer a postura e aumentar a demanda sobre a coluna vertebral. Entre essas alterações, estão:

  • Alteração do centro de gravidade: o crescimento do feto aumenta o peso da porção anterior do corpo, exigindo ajustes na postura para manter o equilíbrio. Isso provoca um aumento de carga na colunam levando a alterações fisiológicas na curvatura lombar. Sem uma musculatura forte na região, isso pode elevar a sobrecarga na região, aumentando o risco de dores e desconfortos; 
  • Pressão sobre o assoalho pélvico: o aumento do peso e a expansão do útero podem resultar em estresse sobre os músculos do assoalho pélvico, contribuindo para o surgimento de problemas funcionais, principalmente na função miccional. Fortalecer o core abdominal pode reduzir o risco e o impacto da incontinência urinária durante a gestação.

Dessa forma, um core abdominal fortalecido contribui para a estabilidade da coluna e da pelve, podendo reduzir o risco de dores lombares, melhorar o equilíbrio e facilitar a execução das atividades cotidianas. Além disso, uma musculatura central em boas condições pode colaborar para a prevenção de disfunções do assoalho pélvico e apoiar a realização do parto.

Como fortalecer o core abdominal?

Exercícios de fortalecimento da parede abdominal

Os exercícios de fortalecimento da parede abdominal para gestantes devem ser realizados sob orientação de um profissional experiente em fisioterapia para gestantes. Afinal, não são os mesmos exercícios abdominais indicados em academias. 

Por exemplo, nas academias, há um foco em exercícios concêntricos, em que os músculos se contraem e encurtam devido ao movimento das articulações. Na gestação, há preferência por exercícios isométricos, em que a contração é feita sem que as articulações se movimentem.

Esses exercícios frequentemente são associados a técnicas de respiração diafragmática. Nelas, você se concentra na expansão do abdômen durante a inspiração e na contração leve durante a expiração. A prática, então, é repetida por alguns ciclos.

Exercícios de Kegel

Os exercícios de Kegel consistem em contrações repetidas dos músculos do assoalho pélvico, os quais sustentam a bexiga, o útero e o intestino. Essa prática é recomendada tanto para mulheres não gestantes quanto para gestantes. Afinal, eles contribuem para a manutenção da função muscular da região pélvica e podem prevenir complicações associadas à fraqueza desses músculos.

O primeiro passo para realizá-los é entender quais são os músculos do assoalho pélvico. Como esses músculos não são mobilizados ativamente na maior parte do dia, muitas pessoas não sabem identificá-los. Uma técnica interessante nesse sentido é interromper o fluxo urinário durante a micção. 

Os músculos que você contrai para interromper a micção são os músculos do assoalho pélvico. Contudo, essa prática não deve ser utilizada como exercício habitual, mas apenas como método de identificação. Ou seja, uma vez que você tenha aprendido a identificar, você não precisa mais fazer essa atividade.

Depois de aprender quais são os músculos do assoalho pélvico, você pode realizar alguns exercícios específicos da seguinte forma:

  • Execução da contração: contraia os músculos do assoalho pélvico e mantenha a contração por aproximadamente 3 a 5 segundos. Em seguida, relaxe os músculos pelo mesmo período. Você deve focar na contração apenas dos músculos do assoalho pélvico, evitando tensionar os músculos abdominais, glúteos ou coxas;
  • Repetição e frequência: inicie com séries de 10 repetições, realizando de 3 a 4 séries ao longo do dia. A progressão deve ser gradual, aumentando o tempo de contração e o número de repetições conforme a evolução do fortalecimento muscular.

Os exercícios de Kegel devem ser sempre ensinados por um profissional de saúde, principalmente durante a gestação. Eles podem ser feitos em diferentes posições, como sentada, deitada ou em pé.

Benefícios do fortalecimento do core abdominal

Entre os benefícios do fortalecimento do assoalho pélvico, estão:

  • Redução de dores lombares: ao distribuir as cargas sobre a coluna, os exercícios podem reduzir a incidência de dores na região lombar, comuns no período gestacional;
  • Melhora na função do assoalho pélvico: O fortalecimento dos músculos do assoalho pélvico melhora o suporte dos órgãos pélvicos e pode prevenir problemas relacionados à função desses músculos;
  • Preparação para o parto: uma musculatura central bem condicionada pode facilitar a execução de manobras e técnicas durante o trabalho de parto, facilitando esse processo;
  • Melhor recuperação pós-parto: a manutenção do tônus muscular no core e no assoalho pélvico pode contribuir para uma recuperação pós-parto mais eficiente, auxiliando na retomada das atividades diárias e na reabilitação.

Portanto, o fortalecimento do core abdominal durante a gravidez é uma medida simples, mas que traz diversos benefícios na gestação, no parto e no pós-parto. No entanto, é fundamental que esses exercícios sejam feitos sob orientação de um obstetra ou de um fisioterapeuta com especializado em fisioterapia pélvica para gestantes.

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Parto induzido: como é feito? Há riscos?

O parto normal é geralmente um processo natural pelo qual o corpo de uma gestante expulsa o bebê após o período de gestação. Ele pode ocorrer de forma espontânea, com o início do trabalho de parto marcado por contrações regulares e pela dilatação do colo do útero, permitindo que o bebê seja expulso pelo canal vaginal. 

Em alguns casos, contudo, pode ser necessário o parto induzido para garantir a saúde e segurança tanto da mãe quanto do bebê. Por exemplo, a indução pode ser recomendada quando a gestação ultrapassa as 41 semanas, quando o trabalho de parto é prolongado, quando há sinais de complicações, como eclâmpsia ou em situações em que o líquido amniótico está reduzido (oligodrâmnio). 

O processo de indução é realizado utilizando medicamentos ou técnicas que estimulam as contrações uterinas e ajudam na dilatação do colo do útero. Quer saber mais sobre ela? Acompanhe até o final!

Como é feito o parto induzido?

As fases do parto induzido podem ser divididas em duas fases principais: a preparação do colo do útero e a estimulação das contrações.

Preparação do colo do útero

Nesta fase, o objetivo é amadurecer e dilatar o colo. Se o colo do útero ainda não estiver maduro (amolecido e dilatado), é necessário utilizar métodos para promover essa maturação. Isso pode incluir:

  • o uso de prostaglandinas sintéticas, medicamentos que ajudam a amolecer o colo do útero. A utilização de prostaglandinas é contraindicada em casos, como alergia às prostaglandinas, histórico de cesarianas anteriores, cirurgias uterinas importantes ou placenta prévia;
  • a inserção de um cateter de Foley, que é um balão que, quando inflado, pressiona o colo do útero e promove a dilatação.

Estimulação das contrações

Uma vez que o colo do útero está preparado, a próxima etapa é estimular as contrações uterinas. Isso pode ser feito com a administração de ocitocina, um hormônio que induz as contrações. A ocitocina é geralmente administrada por via intravenosa em doses progressivas à medida que a paciente não responde à dose anterior.

A amniotomia é frequentemente combinada com o uso de ocitocina para intensificar as contrações uterinas. Portanto, é um procedimento utilizado para induzir o trabalho de parto quando o colo do útero já apresenta algum grau de dilatação e afinamento. Ela consiste na ruptura artificial das membranas amnióticas, utilizando um instrumento esterilizado para liberar o líquido amniótico. Contudo, é contraindicada em situações, como placenta prévia ou infecções uterinas.

Após a indução bem-sucedida das contrações, espera-se que a gestante entre na fase de trabalho de parto ativo. Durante esta fase, as contrações tornam-se mais regulares, intensas e frequentes, levando à dilatação completa do colo do útero (cerca de 10 centímetros) e à expulsão do bebê pelo canal vaginal.

Durante todo o processo, a equipe obstétrica monitora cuidadosamente o progresso do trabalho de parto, o bem-estar da mãe e do bebê com um partograma. Caso necessário, eles realizarão intervenções conforme necessário para garantir um parto seguro.

Em alguns casos, a indução pode não ser bem-sucedida, exigindo a consideração de outras opções, como a cesariana. No entanto, quando realizada de forma adequada e monitorada, o parto induzido é geralmente eficaz e preferível, pois apresenta um perfil de risco mais favorável do que a cesariana.

Riscos do parto induzido

Nenhuma intervenção médica é isenta de riscos. Por isso, é importante compreender quais são os riscos relacionados com cada técnica que explicamos acima:

 Administração de prostaglandinas

As prostaglandinas podem apresentar riscos, como:

  • Hiperestimulação uterina: contrações excessivamente fortes ou frequentes que podem comprometer o fluxo sanguíneo para o bebê, levando a sofrimento fetal;
  • Ruptura uterina: é o rompimento da parede uterina, sendo mais frequente mulheres com histórico de cesariana ou cirurgia uterina.

Inserção do cateter de Foley

O cateter de Foley pode ter complicações, como:

  • Desconforto ou dor: durante a inserção ou permanência do cateter;
  • Infecção local: infecções cervicais ou uterinas, pois o instrumento pode carregar microrganismos para dentro do colo e da cavidade uterina;
  • Sangramento vaginal: pequenos traumas no colo uterino podem causar sangramentos leves, especialmente se o colo estiver muito rígido.

Uso da ocitocina

A ocitocina é frequentemente usada para intensificar contrações uterinas, mas também apresenta riscos, como:

  • Hiperestimulação uterina: assim como as prostaglandinas, pode causar contrações excessivas, resultando em sofrimento fetal ou ruptura uterina;
  • Hipertonia uterina: contrações contínuas sem períodos de descanso entre elas, prejudicando a oxigenação fetal. Também pode ocorrer a fadiga do miométrio.

Amniotomia

A amniotomia também tem riscos associados:

  • Prolapso do cordão umbilical: quando o cordão desliza antes da apresentação fetal, o que pode comprometer o fluxo placentário;
  • Infecção uterina: isso ocorre principalmente quando o intervalo entre a amniotomia e o parto é prolongado;
  • Contrações dolorosas: o rompimento das membranas pode intensificar as contrações, causando desconforto para a mulher.

Felizmente, o parto induzido é frequentemente bem-sucedido e não traz complicações significativas. Para isso, ela precisa ser bem indicada após uma avaliação individualizada da paciente. O procedimento de indução deve ser realizado sob monitoramento adequado da saúde materna e do bem-estar fetal.

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Mastite: como tratar?

A mastite é uma inflamação das mamas que é geralmente causada por uma infecção bacteriana, como o Staphylococcus aureus. Isso pode ocorrer quando os microrganismos entram no tecido mamário através de fissuras ou rachaduras nos mamilos. Também pode acontecer devido a um acúmulo de leite nos ductos mamários, conhecido como ingurgitamento. 

Os sintomas incluem dor, vermelhidão, inchaço na mama, febre e mal-estar. O tratamento pode envolver esvaziar a mama com frequência, compressas quentes e, em casos de infecção bacteriana, o uso de antibióticos. Quando não tratada, a mastite pode evoluir para complicações como abscessos mamários.

Durante a amamentação, o risco de mastite aumenta devido a vários fatores, como a dificuldade de o bebê realizar uma pega adequada, que pode causar lesões nos mamilos e abrir portas para infecções. Além disso, o esvaziamento incompleto da mama pode levar ao acúmulo de leite nos ductos, favorecendo a proliferação de bactérias e o desenvolvimento de inflamações. 

Nesse sentido, cuidados, como garantir uma boa técnica de amamentação e investigar rapidamente qualquer desconforto, podem reduzir significativamente esse risco. Quer saber mais sobre o tratamento e a prevenção da mastite? Acompanhe até o final!

Sintomas da Mastite

Os principais sintomas da mastite são:

  • Dor nas mamas;
  • Vermelhidão;
  • Inchaço na mama;
  • Febre;
  • Mal-estar.

O diagnóstico da mastite é geralmente feito com base nos sintomas clínicos apresentados pela paciente. Além disso, seu médico coletará a sua história clínica e obstétrica, além de realizar um exame físico detalhado das mamas. Na maior parte dos casos, a avaliação clínica será suficiente para iniciar o tratamento. 

Em alguns casos, porém, pode ser necessário realizar exames laboratoriais, como a cultura do leite materno, para identificar a espécie da bactéria e determinar o tratamento mais adequado. Isso é mais comum quando não há resposta ao tratamento inicial ou quando as infecções são recorrentes.

Tratamento da mastite

O melhor tratamento para a mastite durante a amamentação é garantir a técnica correta de amamentação. Para uma boa técnica de amamentação, é importante que a mãe e o bebê estejam confortáveis e bem-posicionados. 

A mãe deve segurar o bebê de forma que o corpo dele esteja alinhado com o dela, e a cabeça do bebê deve estar ligeiramente inclinada para trás. O bebê deve abocanhar não apenas o mamilo, mas também uma boa parte da aréola, formando um vácuo adequado que facilita a sucção e evita traumas nos mamilos.

A técnica da pega correta envolve os seguintes passos:

  • Posicionamento da mãe e do bebê: a mãe deve estar sentada ou deitada em uma posição confortável. Então, ela deve posicionar o bebê de frente para ela, com a barriga do bebê tocando a barriga dela;
  • Segurar a mama corretamente: a mãe deve formar um “C” com a mão livre, posicionando os dedos abaixo da aréola e o polegar acima. Isso ajuda a guiar o mamilo e a aréola para a boca do bebê;
  • Estimular o reflexo de busca: tocar levemente o lábio superior do bebê com o mamilo, até que ele abra bem a boca;
  • Abocanhar a aréola: quando o bebê abrir bem a boca, a mãe deve rapidamente aproximá-lo da mama, garantindo que a boca dele cubra não apenas o mamilo, mas também uma grande parte da aréola;
  • Verificar a sucção: observar se o bebê está sugando de forma suave e confortável. A mãe não deve sentir dor. Se houver dor, pode ser um sinal de que a pega não está correta e deve ser ajustada;
  • Retirar o bebê da mama: Se for necessário retirar o bebê da mama, a mãe deve evitar puxar diretamente, para não causar dor ou lesões. Em vez disso, ela deve inserir delicadamente o dedo mindinho no canto da boca do bebê e, então, afastar o bebê;
  • A técnica da pega correta ajuda a garantir que o bebê consiga mamar de forma eficiente e confortável, além de prevenir problemas como mastite, fissuras nos mamilos e baixa produção de leite.

Tratamento da mastite

Além da técnica correta de amamentação, o tratamento da mastite durante a amamentação pode incluir outras medidas importantes para aliviar os sintomas e promover a cura. Entre as principais abordagens estão:

  • Compressas: aplicar compressas quentes nas mamas pode ajudar a estimular o fluxo de leite, aliviar a dor e reduzir o inchaço e a inflamação;
  • Analgésicos e anti-inflamatórios: medicamentos para dor ser recomendados pelo médico para aliviar a dor e a inflamação. É fundamental somente tomar medicações indicadas por um médico, pois nem todas as medicações são seguras para uso durante a amamentação;
  • Antibióticos: em casos de mastite bacteriana, especialmente quando há sintomas importantes ou persistentes, o médico pode prescrever antibióticos para tratar a infecção.

Manter a amamentação regular é fundamental, mesmo durante episódios de mastite, pois a interrupção da amamentação pode agravar a condição. Se necessário, a mãe pode utilizar uma bomba de extração para garantir que o leite continue a ser removido de forma eficaz.

Portanto, a técnica correta de amamentação é importante não apenas para a nutrição e bem-estar do bebê, mas também para a saúde da mãe. Uma pega adequada pode ajudar a prevenir a mastite. Caso a mastite se instale, felizmente há tratamentos eficazes, os quais devem ser indicados por um médico.

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Sangramento durante a gestação: é normal? Quando procurar um médico?

Qualquer sangramento durante a gestação, por menor que seja, causa muita preocupação, não é mesmo? Sim, qualquer sangramento gestacional deve ser levado a sério. Contudo, isso não significa que você deve automaticamente pensar no pior, pois a maioria dos sangramentos é benigna (não causam complicações graves).

Ainda assim, um sangramento gestacional também não é algo que pode ser subestimado. Afinal, a gravidez é um período delicado e podem ocorrer complicações graves, mesmo em sangramentos aparentemente leves. Quer saber mais sobre o sangramento durante a gestação? Acompanhe até o final!

Sangramento na primeira metade da gestação: quando é normal?

No primeiro trimestre, pequenos sangramentos durante a gestação, os chamados “spotting, são muitocomuns. Eles acontecem em cerca de em até 50% dasgestações. Cerca de metade desses sangramentos são benignos e são causados por:

Sangramento de implantação: quando o óvulo fertilizado se fixa na parede do útero, você pode notar um pouco de sangramento leve. É um sinal discreto de que a gravidez começou. Trata-se de um corrimento rosado ou de uma pequena mancha de sangue que são liberados durante um ou dois dias. Ocorre cerca de 6 a 12 dias após a ovulação. Com isso, pode ser confundido com uma menstruação muito leve;
Sensibilidade cervical: durante a gravidez, mudanças hormonais aumentam o fluxo sanguíneo para o colo do útero. Atividades como relações sexuais ou, até mesmo, um exame ginecológico de rotina podem desencadear pequenos sangramentos. Esse tipo de sangramento durante a gestação é breve, não é intenso e geralmente não provoca dor;
Hemorragias subcoriônicas: pequenos derramamentos de sangue entre a placenta e o útero também podem causar sangramentos sem afetar diretamente o desenvolvimento do bebê.

Sangramento na primeira metade da gestação: o que não é normal?

Embora o spotting leve geralmente não seja motivo de preocupação no primeiro trimestre, há momentos em que um sangramento sinaliza uma complicação gestacional, como:

Abortamentos

O abortamento ocorre quando há expulsão do feto e dos produtos da concepção, como a placenta. Os principais sinais incluem sangramento vaginal leve a moderado. Geralmente, é acompanhado de dor abdominal tipo cólica. Os sintomas tendem a diminuir após a expulsão dos produtos da concepção.

Abortamento infectado

Ocorre quando há infecção dos produtos da concepção no útero, geralmente após um abortamento incompleto. Suas características incluem sangramento vaginal com odor fétido, febre, dor abdominal intensa e sensibilidade pélvica. É uma condição potencialmente grave que requer intervenção médica urgente com antibióticos e retirada dos produtos da concepção.

Gravidez ectópica

O embrião se implanta fora da cavidade uterina, mais comumente nas tubas uterinas. Se a gravidez ectópica não for interrompida, pode ser uma emergência médica. Sinais e sintomas mais comuns incluem sangramento vaginal leve, geralmente irregular e associado a dor pélvica. Dores intensas e aumento rápido do volume abdominal são sinais de alerta.

Mola Hidatiforme

É uma forma de doença trofoblástica gestacional caracterizada pelo crescimento anormal do tecido que origina os anexos embrionários. Resulta de embriões com anormalidades cromossômicas graves. Causa sangramento vaginal intermitente (“vai e volta”), que pode ser acompanhado pela expulsão de tecido “em cacho de uva”. Além disso, a paciente pode ter enjoosmais graves, hipertensão grave agudamente e aumento uterino desproporcional à idade gestacional.

Segunda metade da gestação: quando o sangramento é normal ou anormal?

Ainda é comum que haja sangramentos durante a gestação que são normais, geralmente devido à fragilidade do colo do útero ou à presença de pólipos uterinos. Contudo, diferentemente do primeiro trimestre, os sangramentos da segunda metade da gestação (a partir da 20ª semana) geralmente precisam de avaliação emergencial, pois podem colocar em risco tanto a mãe quanto o bebê.

Afinal, nessa fase, sangramentos normais ainda acontecem, mas se tornam menos frequentes. Assim, quando ocorrem, podem ser sinais de condições que exigem atenção imediata.

O que é um sangramento anormal na segunda metade da gestação?

Nesse sentido, é importante lembrar que não existe associação entre a quantidade do sangramento durante a gestação e a gravidade do quadro. Existem algumas condições em que o sangramento pode ser de pequeno volume, mas as complicações serem graves (se não tratadas):

Placenta prévia: ocorre quando a placenta está implantada total ou parcialmente sobre o segmento inferior do útero, cobrindo o orifício interno do colo uterino. O sangramento vaginal é leve e indolor, geralmente de início súbito, com sangue vermelho vivo, mas pode ser precipitado por atividade física ou relações sexuais;
Rompimento de vasa prévia: a vasa prévia ocorre quando os vasos sanguíneos fetais atravessam as membranas próximas ao orifício interno do colo uterino. Com isso, os vasos estão em maior risco de rompimento. O sangramento vaginal é vermelho vivo, sendo originado do organismo fetal. Por isso, é uma complicação grave, mesmo quando o volume de sangue perdido é pequeno.

Outras causas anormais de sangramento durante a gestação na segunda metade de gestação são:

Descolamento prematuro da placenta: é a separação da placenta antes do nascimento do feto. Trata-se de uma emergência obstétrica grave. O sangramento vaginal escuro é escuro e associado a dor abdominal intensa e rigidez uterina;
Rotura uterina: é uma complicação obstétrica grave, mais comum em mulheres com múltiplas cicatrizes uterinas prévias (como de cesarianas ou miomectomias). Resulta em uma dor abdominal súbita e intensa seguida de sangramento vaginal. O volume de sangue eliminado pela vagina pode ser mínimo ou ausente. Contudo, a hemorragia interna é quase sempre muito grave. Se não tratada com rapidez, pode levar ao óbito materno.

Portanto, nenhum sangramento durante a gestaçãodeve ser considerado completamente “normal” antes de uma avaliação médica. Entretanto, os sangramentos não precisam ser um motivo de pânico.

Quando ele ocorre, é importante que você busque seu obstetra para que ele oriente as medidas necessárias. Caso não consiga falar com ele rapidamente, não deixe de buscar um serviço de urgência obstétrica para investigar o sangramento.

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Líquido amniótico baixo durante a gestação: riscos e o que fazer

Diversos parâmetros da gestação são avaliados durante o pré-natal. Durante o acompanhamento obstétrico da gestação, realizamos avaliações médicas periódicas e exames para identificar fatores de risco para complicações gestacionais. 

Para isso, por exemplo, solicitamos testes para diagnóstico de infecções sexualmente transmissíveis, de infecção urinária, de infecções relacionadas a malformações fetais, de anemia, de diabetes mellitus, de sofrimento fetal e de problemas nos anexos embrionários.

Entre essas avaliações, está a avaliação da quantidade de líquido amniótico na bolsa gestacional, que é feita pela ultrassonografia obstétrica. Isso é fundamental, pois líquido amniótico excessivo (polidrâmnio) e líquido amniótico baixo (oligodrâmnio) podem causar complicações, como ruptura uterina e sofrimento fetal, respectivamente.

Além disso, alterações no líquido amniótico podem ser um sinal indireto de outras complicações gestacionais. Por exemplo, o polidrâmnio pode ser consequência de diabetes gestacional, enquanto o oligodrâmnio pode ser um sinal de uma síndrome cromossômica fetal, como a Síndrome de Down. Neste post, vamos falar sobre níveis baixos de líquido amniótico (oligodrâmnio). Ficou interessada? Acompanhe até o final!

O que é líquido amniótico, como ele se forma e função?

Durante a gestação, o feto permanece envolto por uma substância, o líquido amniótico. No primeiro trimestre de gestação, ele é formado principalmente por água, íons e moléculas, oriundas do âmnio, dos vasos placentários superficiais e pela pele do feto. A partir do segundo semestre, a urina do feto também será uma fonte importante de líquido amniótico, ao passo que ele perde menos líquidos por meio da pele. 

O líquido amniótico apresenta as seguintes funções:

  • Ajuda a manter uma temperatura adequada dentro do útero;
  • Protege contra traumas físicos;
  • Permite que o feto cresça e se movimente livremente, sem que tônus uterino cause deformações anatômicas e prejudique o desenvolvimento musculoesquelético;
  • Previne a compressão do cordão umbilical;
  • Contribui para o desenvolvimento e maturação dos pulmões e do sistema gastrointestinal.

Como acompanhar no pré-natal?

A principal forma de acompanhar o líquido amniótico é pela ultrassonografia obstétrica, que permite uma estimativa de seu volume e de sua consistência. Essa avaliação ultrassonográfica é feita rotineiramente em cada trimestre de gestação, independentemente de sinais e sintomas.

Em alguns casos, a alteração pode ser sintomática, com a paciente relatando menor movimentação do feto e perda de líquido amniótico pela vagina. Além disso, há sinais clínicos de oligodrâmnio, que podem ser percebidos por seu obstetra no exame físico feito em cada consulta de pré-natal, como:

  • Volume uterino pequeno para a idade gestacional, que pode ser causada também por outros fatores, como a restrição do crescimento fetal;
  • Palpação de partes do corpo do feto durante a avaliação do útero. 

O que é líquido amniótico baixo?

Líquido amniótico baixo se refere a uma quantidade insuficiente de líquido amniótico que causa riscos para a saúde maternofetal. É avaliado pela ultrassonografia a partir de parâmetros medidos para cada semana de idade gestacional. 

Para entender os riscos de um líquido amniótico baixo, é importante compreender que a regulação da quantidade de líquido amniótico é feita por diversos mecanismos, como:

  • Deglutição e excreção fetal: à medida que a gestação evolui, o feto deglute (“toma”) um volume cada vez maior de líquido amniótico. Ao final do terceiro trimestre, estima-se que ele reabsorva 750 mL de líquido amniótico todos os dias. Esse líquido é absorvido no sistema gastrointestinal. Depois disso, passa para a corrente sanguínea e é “filtrado” nos rins, onde se torna urina. Essa urina é liberada no próprio líquido amniótico em um volume de até 1 litro no terceiro trimestre;
  • Secreção pulmonar: após sua formação, os pulmões dos fetos produzem um líquido, cuja produção pode ultrapassar 350 mL nas últimas semanas de gestação. Parte desse líquido, é deglutida e liberada pela urina;
  • Absorção placentária: a concentração de substâncias dissolvidas no líquido amniótico é menor do que a concentração de substâncias dissolvidas no sangue da mãe e do feto. Isso faz com que os vasos da superfície placentária absorvam uma quantidade significativa de água do líquido amniótico com a evolução da gestação. 

Líquido amniótico baixo pode ocorrer devido a falhas em qualquer um dos mecanismos acima. 

Riscos de líquido amniótico baixo e o que pode ser feito?

Os riscos de líquido amniótico baixo dependem da idade gestacional:

  • Primeiro trimestre: maior risco de abortamento. É feito um acompanhamento mais próximo da gestante com consultas e ultrassonografias seriadas. Além disso, educamos sobre os sinais de abortamento para que ela busque um serviço de urgência obstétrica nessa situação;
  • Segundo trimestre: níveis ligeiramente mais baixos geralmente não causam complicações, sendo acompanhados com ultrassonografias periódicas até a estabilização do quadro. Casos de oligodrâmnio acentuado aumentam o risco de morte fetal ou óbito neonatal. Em situações de líquido amniótico persistentemente ou gravemente baixo, é fundamental identificar as possíveis causas do problema. A conduta dependerá da causa;
  • Terceiro trimestre: níveis baixos de líquido amniótico aumentam o risco de parto prematuro, de compressão do cordão umbilical, de insuficiência uteroplacentária, de malformações fetais e de aspiração de mecônio. Além disso, causa complicações no parto e no pós-parto, como necessidade de cesariana ou de indução do parto, baixo peso ao nascer, sofrimento neonatal medido pelo Apgar e necessidade de internação do bebê em UTI neonatal.

Além de aumentar o risco de complicações, um líquido amniótico baixo pode ser sinal de problemas de saúde da mãe e do feto: 

  • Disfunções placentárias causadas por doenças hipertensivas, por doenças renais, por trombofilia, descolamento ou trombose da placenta;
  • Anomalias congênitas, como malformações de órgãos e anomalias cromossômicas, que comprometem os sistemas pulmonar, gastrointestinal ou excretor. Em particular, malformações nos rins e nas vias urinárias estão entre as causas mais comuns de oligodrâmnio;
  • Desidratação materna;
  • Restrição do crescimento fetal;
  • Infecções ou ruptura nas membranas fetais.

Além do acompanhamento frequente do bem-estar fetal, da identificação e da correção das causas (quando possíveis), o tratamento do líquido amniótico pode envolver a hidratação materna e a antecipação do parto, se necessários. Portanto, é fundamental realizar o pré-natal de forma adequada para receber um diagnóstico precoce e um tratamento individualizado para minimizar os riscos.

Quer saber mais sobre os exames realizados em cada trimestre do pré-natal? Toque aqui!

ISTs na gestação: quais são os cuidados que precisamos ter?

As infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) oferecem diversos riscos em todas as fases da gestação, desde o planejamento até o pós-parto. Nas fases iniciais da gestação, algumas ISTs podem causar malformações fetais. 

À medida que a gestação evolui, algumas também podem predispor a abortamentos, a partos prematuros e a complicações gestacionais (como ruptura prematura das membranas). No parto e no pós-parto, podem ser transmitidas para o feto, causando problemas que podem se tornar crônicos.

Essas questões afetam tanto mulheres que contraíram a doença antes da gestação quanto depois. Por isso, é fundamental falar sobre a prevenção das ISTs durante a gestação. Afinal, como não há mais risco de engravidar, algumas mulheres podem negligenciar a importância do uso de preservativos e realizar relações sexuais desprotegidas. No entanto, essa é uma medida fundamental para uma gestação saudável.

O que são ISTs?

Infecções sexualmente transmissíveis, as ISTs, são condições causadas por microrganismos (como vírus, bactérias e fungos), que se caracterizam pelo fato de poderem ser transmitidas durante as relações sexuais orais, genitais e anais. A transmissão pode ocorrer por:

  • Contato com fluidos sexuais (sêmen e corrimento vaginal);
  • Contato pele a pele;
  • Contaminação por solução de continuidade devido a lesões visíveis ou microscópicas que ocorrem durante a relação sexual.

Com isso, os preservativos (camisinhas) são o único método de prevenção. 

As ISTs podem causar quadros sintomáticos ou assintomáticos. Ou seja, a pessoa está infectada pelo microrganismo, mas não sabe. Entretanto, mesmo assim, esses microrganismos podem causar danos silenciosos nos órgãos maternos e fetais.

Quais ISTs oferecem mais risco durante a gestação?

A seguir, você poderá entender a transmissão, as complicações e o tratamento das principais ISTs que podem prejudicar as gestações:

Sífilis

É uma infecção causada por uma bactéria, sendo transmitida pelo contato com fluidos e com a pele contaminada. A sífilis pode permanecer pouco sintomática ou assintomática por vários anos. Na gestação, a espiroqueta pode conseguir passar pela placenta e infectar o bebê, mesmo nesses casos. 

A transmissão congênita aumenta o risco de complicações, como abortamento espontâneo, natimortalidade e parto prematuro. Além disso, quando adquirida antes ou no primeiro trimestre de gestação, ela pode causar a síndrome da sífilis congênita no feto, que é caracterizada por deformações ósseas, surdez e problemas neurológicos.

O tratamento é feito com penicilina, que é altamente eficaz para combater a sífilis. Contudo, o tratamento não reverte os danos já causados nos órgãos e estruturas da mãe e do bebê.

HIV (Vírus da Imunodeficiência Humana)

A infecção pelo HIV, quando não tratada, leva à síndrome da imunodeficiência adquirida (AIDS), que é potencialmente fatal. É uma infecção que permanece assintomática por vários anos, mas pode ser transmitida para o bebê, especialmente no parto e na amamentação.

A infecção pelo HIV é tratada com terapia antirretroviral, que controla a multiplicação do vírus, mas não cura a infecção. Seu uso durante a gravidez pode reduzir a transmissão congênita para 1% das gestações. Além disso, é preciso que o parto seja uma cesárea e a mulher não pode amamentar, pois o vírus infecta o leite materno.

Hepatite B (HBV)

Trata-se de uma infecção que também é assintomática por muito tempo, mas que pode ser transmitida para o bebê durante o parto. No pós-parto, pode causar comprometimento grave do fígado com complicações, como cirrose e câncer de fígado, que são potencialmente fatais.

O tratamento da mãe é feito com antivirais. Caso seja identificada, o bebê deve receber vacinação imediata e “soro” com anticorpos contra o vírus da hepatite B. 

Herpes genital

Transmitida facilmente pelo contato pele a pele nas relações sexuais, a herpes genital causa lesões bolhosas na região genital. Se a doença estiver ativa durante o parto normal, o bebê pode apresentar herpes neonatal, uma infecção grave que causa danos neurológicos. Com isso, pode levar ao óbito, além de poder provocar déficits cognitivos e motores crônicos nos sobreviventes.

Gonorreia

É uma infecção causada por uma bactéria, sendo geralmente assintomática. Ela oferece os seguintes riscos quando contraída anteriormente ou durante a gestação:

  • Conjuntivite neonatal: quando a infecção é transmitida pelo parto, o bebê pode apresentar um quadro de infecção grave nos olhos, a qual pode resultar em cegueira;
  • Abortamento espontâneo;
  • Parto prematuro;
  • Baixo peso ao nascer.

O tratamento da mãe e do bebê é feito com antibióticos.

Clamídia

Também é uma infecção bacteriana frequentemente assintomática. Ela pode causar a doença inflamatória pélvica e complicações gestacionais, como:

  • Parto prematuro;
  • Baixo peso ao nascer;
  • Além disso, pode ser transmitida ao bebê durante o parto, causando conjuntivite neonatal e pneumonia.

O tratamento também é feito com antibióticos.

Sintomas que merecem atenção especial durante a gestação

Como vimos, a maior parte das ISTs pode ser assintomática durante a gestação. Ou seja, podem causar danos para o bebê sem que você note nenhum sintoma. Por isso, é muito mais importante prevenir do que esperar que algum sintoma chame a atenção da paciente. 

A prevenção é feita primariamente com o uso de preservativos nas relações sexuais. Secundariamente, a prevenção envolve identificar a doença precocemente com a testagem rotineira de ISTs no pré-natal.

Mesmo assim, não deixe de consultar o seu obstetra o quanto antes caso tenha sintomas, como:

  • Nódulos na região genital ou anal, mesmo que eles não sejam dolorosos. A sífilis pode aparecer como um pequeno “caroço” que não causa dor;
  • Bolhas;
  • Corrimento vaginal anormal (com cheiro, consistência ou cor diferente da habitual durante a gestação);
  • Sangramento vaginal durante a gestação.

Diagnóstico e importância do pré-natal

O diagnóstico e o tratamento precoces são fundamentais para evitar diversas complicações. Em geral, o diagnóstico é feito pelos sintomas ou pelo rastreio de rotina. As consequências das ISTs durante a gestação podem ser tão graves que, na rotina de pré-natal, a mulher passa pela testagem de diversas ISTs em todos os trimestres de gestação. 

Ainda que muitas ISTs sejam tratáveis, elas podem comprometer gravemente a saúde do bebê, com sequelas que permanecem por toda vida. Portanto, a prevenção com o uso de preservativos nas relações sexuais é fundamental e não deve ser negligenciada, mesmo que você tenha uma parceria fixa.

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Puerpério: há diferenças entre parto normal e cesariana?

A escolha do tipo de parto é uma das decisões mais importantes do pré-natal. Na hora de considerar qual a melhor opção, a mulher deve ter as informações necessárias para tomar uma decisão consciente em relação às vantagens e desvantagens de cada tipo de parto, considerando os curto, médio e longo prazos. 

Neste post, vamos falar sobre as diferenças entre a cesariana e o parto normal em relação ao puerpério. Quer saber mais sobre o tema? Acompanhe até o final!

Parto normal

O parto normal é aquele que ocorre pela via vaginal, podendo ser feita de duas formas:

  • Natural: não é feita nenhuma intervenção médica medicamentosa, instrumental ou cirúrgica;
  • Com assistência médica: a assistência médica pode envolver a indução do parto, a aplicação de anestesia para controle de dor e realização de procedimentos obstétricos, como a episiotomia e o uso de fórceps. 

A grande maioria dos trabalhos de parto normais ocorre de forma espontânea, mas, quando há riscos de complicações maternofetais, ele pode ser induzido. A aplicação de anestesia é geralmente uma opção da paciente caso deseje sentir menos dor durante o parto normal, não sendo obrigatória. 

Procedimentos invasivos são reservados para situações específicas, principalmente quando há riscos para a mãe ou para o feto. A realização de intervenções médicas no parto normal tende a aumentar o risco de complicações. 

Cesariana

A cesariana (cesárea) é um parto cirúrgico, feito com uma incisão (corte) na região pélvica da mulher e no útero. Isso cria um canal artificial por onde o bebê pode passar. As cesarianas podem ser:

  • Eletivas: o parto é marcado e agendado conforme a disponibilidade do médico e da paciente;
  • De urgência: feitas quando riscos significativos para a saúde materno-fetal são identificados e é prudente esperar pelo parto normal.  

As cesarianas podem ocorrer antes ou durante o trabalho de parto. 

Há diferenças entre o puerpério após um parto normal e uma cesariana?

Sim, há diferenças importantes entre o puerpério de um parto normal e o puerpério de uma cesariana. Antes de explicar as principais distinções, é importante compreender o mecanismo por que elas ocorrem.

O parto normal é um processo fisiológico. Ele é a forma natural do parto. Por isso, nosso corpo apresenta múltiplos mecanismos para se recuperar depois dele. Além disso, o parto normal geralmente resulta em um trauma físico menor.

Por isso, quando parto normal não envolve intervenções mais invasivas (como a episiotomia e o fórceps), a recuperação tende a ser rápida. A maioria das mulheres consegue retornar às atividades habituais em poucos dias. 

Já a cesariana é uma cirurgia e, como tal, ela resulta em um trauma cirúrgico com maiores chances de trazer repercussões negativas para o corpo humano. Afinal, envolve cortes extensos e a manipulação de diversas camadas de tecido do corpo. No processo de cicatrização e recuperação dessas lesões, a paciente pode apresentar complicações pós-operatórias gerais, como infecções do sítio operatório e trombose.

Dor

No parto normal, a dor puerperal mais comum é na região perineal, geralmente sentida como uma queimação. Ela ocorre devido à distensão do assoalho pélvico e dos ligamentos perineais durante a passagem do bebê. Nas cesarianas, a dor é mais comum nas cicatrizes, sendo causada pelo processo inflamatório que antecede a cicatrização das feridas.

Em ambos os partos, a paciente sentirá também cólicas uterinas devido a contrações uterinas que ocorrem para que esse órgão retorne ao tamanho normal. Essa dor tende a ser mais leve em mulheres que passaram pelo parto normal.

Na cesariana, a dor no puerpério pode ser mais intensa e prolongada por causa da inflamação causada pela incisão uterina e pela manipulação cirúrgica dos órgãos pélvicos. Por exemplo, é comum que pacientes com cesariana recente relatem dores desencadeadas por atividades simples, como tossir ou carregar o bebê. 

O desconforto geralmente é passageiro, mas, em casos raros, pode se tornar crônico devido a complicações pós-operatórias de longo prazo, como as aderências pélvicas. 

Amamentação

Alguns estudos mostram que a cesariana pode atrasar o início da amamentação no puerpério, principalmente quando é feita eletivamente. Afinal, ela geralmente é feita sem que o corpo tenha passado pelo trabalho de parto. 

Com isso, não ocorrem diversos eventos hormonais e anatômicos importantes para preparar o corpo para a amamentação após o nascimento. No parto normal, o processo progressivo de preparação do organismo para o nascimento do bebê é facilitado pelos hormônios liberados no trabalho de parto.

Riscos de complicações

As complicações imediatas (nas primeiras horas e dias após o parto) são mais frequentes na cesariana, pois a cirurgia oferece riscos adicionais, como:

  • Infecção das cicatrizes;
  • Infecção na cavidade pélvica;
  • Hemorragias;
  • Abertura de pontos (deiscências);
  • Formação de trombos;
  • Enjoos e dores de cabeça devido à anestesia.

A maior parte das cesarianas evolui com complicações leves, mas sem complicações graves no pós-parto imediato. Além disso, as cesarianas apresentam maiores chances de apresentar complicações em longo prazo, como:

  • Formação de aderências pélvicas;
  • Ruptura uterina (principalmente se a mulher passar por 3 ou mais cesarianas);
  • Infertilidade.  

Por fim, é importante ressaltar que a escolha do tipo de parto é sempre individualizada, considerando as condições de cada gestação e os desejos da paciente. Em alguns casos, o risco de complicações puerperais na cesariana é muito menor do que os riscos de realizar um parto normal. Assim, quando bem indicada, a cesariana é um procedimento que salva vidas e promove a saúde das mulheres.

Contudo, em gestações de baixo risco ou não complicadas, a conveniência e a expectativa de menor dor podem não compensar os riscos adicionais de um procedimento cirúrgico. A dor pode até ser maior durante o parto normal, mas, nas cesarianas, ela tende a durar mais tempo no puerpério. A aparente praticidade inicial das cesarianas pode resultar em complicações que demandam tratamentos médicos longos e custosos.

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Medição do colo do útero durante a gestação: por que é importante?

O colo do útero é uma estrutura que conecta o canal vaginal com a cavidade uterina. Ele é formado pela parte inferior do útero, cuja parede se estreita e forma um tubo muscular. Esse tubo apresenta um canal revestido por células glandulares, que produzem muco. Inferiormente, o colo do útero é revestido pelas células de revestimento presentes no canal vaginal, que são resistentes ao atrito e a danos mecânicos.

Assim, desempenha um papel importante no sistema reprodutor feminino ao controlar o fluxo entre o útero e o ambiente vaginal. O muco produzido por ele atua como uma barreira protetora contra infecções causadas por microrganismos, pois apresenta fatores químicos e físicos que impedem a proliferação e a ascensão de microrganismos para a cavidade uterina. Devido à variação de consistência ao longo do ciclo menstrual, o muco apresenta função contraceptiva fora do período fértil.

O colo do útero é essencial durante a gravidez e o parto. Na gestação, ele se contrai fortemente e permanece fechado, ajudando na manutenção do feto dentro do útero. Já no momento do parto, o colo muda suas características: ele se torna mais fino e frouxo. Isso faz com que ele se dilate progressivamente e permite que o bebê passe pelo canal cervical.

Em alguns casos, porém, o colo do útero pode apresentar disfunções durante a gestação. Por isso, uma das medidas mais importantes do pré-natal é a medida do colo do útero. Quer saber mais sobre a medição do colo do útero? Acompanhe até o final!

Pré-natal e medição do colo do útero

O monitoramento do comprimento do colo uterino durante o pré-natal é uma das medidas utilizadas para avaliar o risco de abortamento tardio e de parto prematuro. Afinal, diversos estudos mostraram que existe uma correlação muito significativa entre o tamanho do colo e as chances desses desfechos.

Ou seja, eles identificaram que havia uma frequência muito maior de parto prematuro no grupo de mulheres com um colo uterino mais curto. O tamanho do colo do útero varia de acordo com a idade gestacional, sendo considerados valores normais:

1º trimestre: colo do útero entre 3,5 e 5 centímetros;
2º e 3º trimestre: colo do útero maior do que 2,5 centímetros.

Atualmente, a ultrassonografia transvaginal é considerada a técnica padrão-ouro para medir o comprimento do colo uterino no contexto do pré-natal. Com a medição cervical ultrassonográfica, seu médico pode identificar se você apresenta maior risco de parto prematuro e implementar intervenções preventivas.

O rastreamento rotineiro do comprimento do colo uterino, especialmente antes de 24 semanas de gestação, está associado a uma redução significativa nos partos prematuros espontâneos. Por exemplo, este estudo feito aqui no Brasil sugere que a medição ultrassonográfica transvaginal do comprimento do colo uterino deve fazer parte dos exames pré-natais de rotina no segundo trimestre.

Com o diagnóstico precoce, intervenções (suplementação de progesterona vaginal ou cerclagem cervical) podem ser indicadas para ajudar a sustentar a gestação até o momento certo para o parto.

O que fazer quando ocorre a medição do colo do útero mostra um encurtamento?

Diversas intervenções podem ser indicadas para trataro encurtamento do colo uterino:

Cerclagem Cervical: a cerclagem cervical é uma sutura cirúrgica (“ponto”) feito ao redor do colo uterino para evitar sua dilatação prematura. Em mulheres que já tiveram colo curto em outras gestações, pode ser realizada preventivamente entre 12 e 14 semanas de gestação. Em novos diagnósticos, a cerclagem deve ser feita o quanto antes após o diagnóstico;
Pessário Cervical: o pessário cervical é dispositivo de silicone endovaginal. Ele serve como apoio estrutural ao colo do útero, além de modificar sua posição, a fim de aliviar a pressão uterina. Como não há muitos estudos que comprovem a eficácia do pessário cervical, ele é empregado apenas quando outras intervenções mais seguras são contraindicadas;
Progesterona: a administração de progesterona reduz a atividade uterina e ajuda a manter a integridade cervical. Esse tratamento hormonal, realizadogeralmente com supositórios vaginais, pode ser recomendado para mulheres com colo curto que não podem utilizar a cerclagem cervical. Também é indicado em complemento às intervenções anteriores;
Alterações no Estilo de Vida: além de intervenções médicas, as alterações no estilo de vida são fundamentais. A paciente deve limitar as atividades cotidianas e esportivas que aumentam a pressão abdominal, como levantar cargas mais pesadas.

O que fazer para e nas próximas possíveis gestações?

A cerclagem cervical preventiva é indicada para mulheres com colo curto em gestações prévias, podendo ser realizada entre 12 e 14 semanas de gestação. Isso deve ser feito mesmo que a medição na gestação atual apresente valores normais. Afinal, os estudos mostram uma chance muito elevada de abortamento e de parto prematuro em mulheres com colo curto em gestações anteriores.

Além disso, as medidas de alteração de estilo de vida também continuam indicadas. O papel do uso precoce de progesterona ainda é debatido, mas é uma opção que pode ser discutida com o seu médico.

Portanto, a medição do colo do útero durante o pré-natal é uma medida importante para avaliar o risco de abortamento e de parto prematuro. Com intervenções precoces, é possível reduzir o risco de desfechos negativos e aumentar as chances de um nascimento saudável.

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Como tratar a diástase abdominal depois do parto?

A diástase abdominal é um defeito da parede abdominal caracterizado pela separação do músculo reto abdominal. O reto abdominal é o músculo relacionado à definição muscular do abdômen, o famoso “tanquinho”. Ele apresenta duas faixas de músculos, uma de cada lado do corpo. Essas duas porções laterais do músculo reto abdominal são unidas por uma faixa de tecido conjuntivo (aponeurose), conhecida pelo nome de linha alba.

O reto abdominal, junto com outros músculos abdominais, forma a parede abdominal. Além disso, ele tem como função a flexão do tronco, permitindo que a parte superior do corpo se mova em direção à pelve. Ele também é essencial para estabilizar a coluna, comprimir os órgãos abdominais durante esforços físicos e garantir uma postura adequada e o suporte interno dos órgãos.

Na diástase abdominal, o músculo e a linha alba ficam mais frouxos, aumentando o espaço entre as porções laterais do músculo reto abdominal. A diástase abdominal é comum em mulheres grávidas, visto que a parede abdominal precisa se distender bastante para acomodar o crescimento da barriga. Quer saber mais sobre como tratar a diástase abdominal após uma gestação? Acompanhe nosso post até o final!

Como tratar a diástase abdominal depois do parto?

O plano terapêutico para a diástase abdominal é individualizado de acordo com as características de cada caso, como a gravidade da separação, os aspectos funcionais e os desejos da paciente. Podemos dividir as intervenções terapêuticas para a diástase abdominal em duas categorias:

  • Medidas conservadoras: são tratamentos, como a fisioterapia e a redução do peso, que não envolvem procedimentos invasivos cirúrgicos. São indicadas geralmente para casos leves e moderados;
  • Medidas cirúrgicas: o procedimento mais utilizado é a plicatura do músculo reto abdominal. Nela, realiza-se uma sutura na aponeurose para aproximar as faixas laterais do músculo reto. As medidas cirúrgicas são reservadas para casos graves e para diástases abdominais que não melhoraram significativamente com o tratamento conservador. 

A seguir, vamos detalhar cada uma das medidas que podem ser utilizadas no tratamento da diástase abdominal

Papel da perda de peso na diástase abdominal

O sobrepeso e a obesidade aumentam a pressão abdominal. Com isso, aumentam-se as chances de agravamento da diástase abdominal. Uma ação que contribui para a perda de peso é a amamentação. Contudo, para algumas mulheres, ela não será suficiente para o retorno ao peso normal. Então, outras medidas de perda de peso, como a dieta, podem ser utilizadas sob supervisão médica. 

Fisioterapia e medidas de reabilitação do core abdominal

A fisioterapia para a diástase abdominal vai utilizar diversas intervenções para melhorar os fatores que levam à diástase abdominal:

  • Fortalecimento do “core”: exercícios para força e hipertrofia abdominal podem ajudar a reduzir o tamanho da diástase abdominal e prevenir seu agravamento. Para que essa medida seja mais eficaz, é fundamental trabalhar tanto os músculos superficiais quanto os músculos abdominais profundos, como o transverso abdominal. Ou seja, não é qualquer abdominal que ajuda a aliviar a diástase, visto que a maioria dos programas de abdominais para motivos estéticos aborda principalmente os músculos superficiais;
  • Correção postural: nossa postura influencia na pressão abdominal, aumentando a distensão do músculo reto abdominal. Assim, o fisioterapeuta vai trabalhar para corrigir desvios posturais, como a inclinação anterior da pelve ou a lordose lombar excessiva;
  • Técnicas de respiração diafragmática: na respiração, ocorre a contração e a distensão do músculo reto abdominal. Alguns padrões de respiração podem fazer com que a barriga se projete mais intensamente para a frente. Na fisioterapia, você aprenderá técnicas de respiração diafragmática que reduzem a pressão intra-abdominal e promovem o fortalecimento dos músculos abdominais;
  • Ergonomia: durante nossas atividades cotidianas, podemos fazer movimentos e posturas que aumentam bastante a pressão abdominal. Na fisioterapia, você aprenderá quais atividades devem ser evitadas e como fazer movimentos que não distendem excessivamente os músculos abdominais;
  • Uso de cintas: a fisioterapia também pode indicar cintas que oferecem um suporte adicional para o abdômen e contrabalançam a pressão abdominal. 

Cirurgia de plicatura do reto abdominal

A plicatura dos músculos retos do abdômen é um procedimento de sutura dos músculos retos do abdômen para restaurar sua anatomia normal. Ela diminui a largura da linha alba e reaproxima as faixas do músculo reto abdominal. 

Ela geralmente é realizada por cirurgiões especializados em parede abdominal, cirurgiões ginecológicos ou cirurgiões plásticos. Quando feita por cirurgiões plásticos, ela pode ser associada à abdominoplastia, incluindo a lipoescultura da região abdominal. 

Ela não apresenta apenas resultados estéticos, sendo também eficaz na reabilitação funcional, como a melhora da postura e da estabilidade do core. Contudo, é um procedimento invasivo que apresenta riscos intrínsecos e pode requerer um período significativo de recuperação.

A diástase abdominal é uma condição comum após as gestações. Ela pode prejudicar tanto a funcionalidade quanto a estética do core abdominal. Por isso, merece atenção, principalmente no período pós-gestacional. O tratamento é individualizado para cada caso de acordo com a gravidade do caso e os desejos da paciente. Assim, pode envolver desde medidas conservadoras, como fisioterapia e perda de peso, até intervenções cirúrgicas, como a plicatura do músculo reto abdominal.

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