Dra Cristiane Pacheco | WhatsApp

Amamentação: empedramento do leite, o que fazer?

A amamentação é um dos momentos mais significativos no início da maternidade. Por ser uma fase em que os laços afetivos entre mãe e filho são nutridos, muitas mulheres esperam anseio por esse momento, mas, ao mesmo tempo, podem sentir certo receio. Afinal, os desafios da amamentação são bem conhecidos e algumas dificuldades podem surgir, como o empedramento do leite.

No entanto, com a abordagem e as técnicas adequadas, a amamentação pode se tornar muito mais tranquila. Neste post, vamos explicar alguns aspectos essenciais da amamentação, focando principalmente no empedramento do leite, na sua prevenção e no seu tratamento. Quer saber mais sobre o tema? Acompanhe até o final!

Benefícios da amamentação

Para o bebê, o leite materno oferece uma combinação perfeita de nutrientes, contendo tudo o que o organismo do bebê precisa para se desenvolver de forma saudável. Por exemplo, o leite materno contém ácidos graxos essenciais, como o DHA, importante para o desenvolvimento cerebral.

Alguns estudos já apontaram que a amamentação adequada pode aumentar o coeficiente de inteligência do bebê no futuro. Além disso, ele contém anticorpos maternos, fortalecendo o sistema imunológico do bebê e reduzindo o risco de várias doenças.

Para a mãe, amamentar ajuda:

  • na contracepção;
  • no processo de recuperação pós-parto, auxiliando na involução do útero;
  • na queima de calorias (o que pode facilitar a perda de peso);
  • na prevenção do empedramento do leite e do ingurgitamento mamário.

Algumas pesquisas mostraram que a amamentação pode contribuir para a redução do risco de algumas doenças, como o câncer de mama e ovário. Por fim, não podemos nos esquecer de que a amamentação fortalece o vínculo entre mãe e filho.

Por esses motivos, a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda a amamentação exclusiva até os seis meses de idade. É um alimento tão completo que o bebê não precisa sequer beber água. Depois dessa fase, a introdução de alimentos complementares é necessária, mas é importante continuar a amamentação até os dois anos ou mais.

Desafios da Amamentação

Ainda que a amamentação seja um processo fisiológico natural, isso não a torna isenta de desafios. Muitas mães sentem culpa por causa disso, mas é importante saber que muitos desses desafios são muito comuns. Algumas lactantes enfrentam problemas, como:

  • dor;
  • fissuras no mamilo;
  • o empedramento do leite.

O apoio de profissionais é crucial nesses momentos, devendo-se evitar a automedicação e soluções caseiras sugeridas por fontes sem conhecimento técnico. A educação sobre a amamentação deve estar presente nas consultas de pré-natal e de puerpério. Se você tiver alguma dúvida, não deixe de conversar com seu ginecologista

Empedramento do Leite: o que é?

O empedramento do leite, também conhecido como ingurgitamento mamário, ocorre quando o leite produzido não é ejetado regularmente dos ductos mamários. Com isso, as proteínas presentes no leite se cristalizam e bloqueiam os ductos mamários. Isso pode resultar em mamas doloridas, inchadas e, até mesmo, febre. Existem vários fatores de risco para o empedramento do leite, incluindo:

  • lactação abundante, em que a mãe produz mais leite do que o bebê consome. Nesse caso, a prevenção envolve a drenagem manual do excesso de leite;
  • espaçamento irregular das mamadas ou substituição de mamadas por fórmulas, o que pode alterar a demanda e oferta de leite. Se a mulher não pode amamentar por algum motivo, ela precisa drenar o leite para evitar o empedramento;
  • pega incorreta do bebê, o que pode impedir a drenagem adequada. Vamos explicar melhor a técnica da pega correta a seguir.

Como prevenir o empedramento do leite?

A técnica da trava facilita as mamadas, corrigindo problemas de pega incorreta. Ela envolve os seguintes passos:

  • posicionamento: mantenha o bebê em frente a você, segurando-o com firmeza com um dos braços. Utilize a mão livre para levar o mamilo até o lábio inferior da criança a fim de incentivar a abertura da boca;
  • trava: Procure colocar todo o mamilo acima da língua do bebê. Ao concluir esse passo, a maior parte do mamilo e da aréola deve estar dentro da boca da criança. A trava ocorre quando os lábios superior e inferior do bebê envolvem o mamilo completamente;
  • checagem: a criança deve sugar de forma tranquila e parecer confortável. Se algo parecer errado, ajuste a posição. Introduza delicadamente seu dedo mindinho entre as gengivas da criança para interromper a sucção e retire com cuidado o mamilo de sua boca;
  • ajuste: ajuste a posição do bebê e reinicie o processo até que o mamilo e a aréola estejam inseridos adequadamente.

Além disso, alternar seios é uma medida importante. Por isso, ofereça ambos os seios nas mamadas para evitar que um se torne muito cheio.

O que fazer se o leite empedrar?

Prevenir o empedramento do leite com as técnicas é o passo mais eficaz, mas, ainda assim, ele pode acontecer. Para melhorar o quadro, algumas estratégias incluem:

  • continuação da amamentação: apesar do ingurgitamento, é importante não interromper a amamentação, pois isso pode resultar na formação de mais empedramento do leite;
  • massagem suave: antes da mamada, uma massagem suave pode ajudar a soltar os ductos bloqueados;
  • aplicação de calor: compressas quentes ou um banho morno antes da amamentação podem ajudar na drenagem;
  • consultar um profissional: se os sintomas persistirem ou se complicarem, é fundamental buscar ajuda.

Em alguns casos, o ingurgitamento mamário pode evoluir para uma infecção, o que demanda o uso de antibióticos para a recuperação do quadro.

Portanto, a amamentação é uma jornada que pode ter altos e baixos. Ao final, geralmente, é extremamente gratificante para a mãe. A informação correta e o acompanhamento médico são fundamentais para superar os desafios e desfrutar dos benefícios mútuos que ela proporciona. O empedramento do leite é uma condição comum, mas que pode ser efetivamente tratada e prevenida.

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Ferro na gestação: por que esse é um assunto importante durante a gravidez?

A gestação é um período repleto de mudanças e desafios, e a nutrição adequada é um dos principais pilares para uma gestação saudável. Entre os diversos nutrientes essenciais nesse período, o ferro destaca-se por sua crucial importância para a mãe e o feto.

Ele desempenha um papel vital em diversos processos de adaptação do organismo da mãe e de desenvolvimento do bebê. Assim, a demanda de ferro na gestação aumenta consideravelmente.

A seguir, vamos falar sobre a importância do ferro durante a gravidez, as implicações da sua deficiência e a necessidade de suplementação adequada. Ficou interessada? Acompanhe até o final!

Qual a importância do ferro para a gestação?

Falar sobre a suplementação de ferro na gestação é essencial. Afinal, muitos processos gestacionais importantes precisam desse micronutriente.

Durante uma gestação, há o desenvolvimento de um novo ser dentro do útero. Para crescer, o feto precisa de nutrientes e de oxigênio para liberar energia. A principal célula que transporta o oxigênio são as hemácias (eritrócitos), os tão conhecidos glóbulos vermelhos.

Os glóbulos vermelhos contêm uma substância em seu interior, a hemoglobina. A hemoglobina é formada por proteínas ligadas a um íon de ferro. Sem ferro suficiente, não ocorre a produção adequada de hemácias.

Na gravidez, o número de hemácias que a mulher produz cresce bastante. Afinal, além de oxigênio para o próprio organismo, ela precisará fornecer para o bebê. Como o corpo do feto está em constante desenvolvimento, ele demandará bastante energia. Por isso, o ferro é um nutriente tão importante.

No entanto, não é apenas isso que aumenta a necessidade de ferro. O feto precisará também produzir suas próprias hemácias e vários outros tecidos que precisam desse sal mineral tão importante. Em especial, o desenvolvimento da placenta precisa de ferro para ocorrer adequadamente. A placenta é o anexo embrionário responsável por intermediar as trocas entre a circulação da mãe e a do feto.

O que acontece durante a gestação que pode reduzir o ferro no organismo?

Como vimos acima, diversos processos fundamentais precisam de ferro para ocorrer. Isso leva ao consumo das reservas de ferro que a mãe acumulou ao longo da vida. Estima-se que a perda de ferro na gestação e na lactação seja de 1000mg. Nesse sentido, a suplementação de ferro é necessária tanto para mulheres saudáveis quanto para mulheres com anemia ferropriva. Isso ajuda a evitar complicações durante o parto, como a anemia materna.

Em especial, a suplementação de ferro é crítica em casos de anemia crônica grave, que está associada a complicações gestacionais, como:

  • redução do volume de líquido amniótico;
  • alterações significativas na cardiotocografia;
  • risco aumentado de partos prematuros, abortamentos e baixo peso ao nascer.

Como é feita a suplementação com ferro?

A suplementação de ferro é uma medida fundamental no contexto do pré-natal, que incluiu várias outras condutas preventivas para a saúde da mãe e do feto. Nas consultas de pré-natal, o médico também poderá:

  • perguntar sobre sua saúde e suas preocupações;
  • fazer um exame físico detalhado;
  • coletar dados biométricos importantes para avaliar a evolução da gestação;
  • requisitar exames preventivos;
  • tratar queixas e doenças que podem surgir durante a gestação.

É preciso que a suplementação com ferro seja indicada pelo médico que faz seu pré-natal. um médico por alguns motivos:

  • a suplementação deve ser baseada nas necessidades individuais de cada mulher, como alimentação (pacientes veganas podem precisar de suplementação adicional);
  • é fundamental realizar um hemograma, que envolve a contagem das hemácias e a dosagem da hemoglobina, para identificar quadros de anemia;
  • existem diversos tipos de suplementos de ferro. Nem sempre a dose do suplemento corresponde à dose de ferro elementar. Por exemplo, 120 mg de sulfato ferro não corresponde à 120 mg de ferro elementar;
  • há orientações importantes sobre a forma que o medicamento deve ser consumido. Por exemplo, alguns alimentos reduzem a absorção de ferro enquanto outros podem potencializá-la;
  • o consumo excessivo do suplemento também pode trazer problemas.

Em mulheres sem anemia, a suplementação é feita com 120 mg de ferro elementar em conjunto com a suplementação com ácido fólico. Em mulheres com anemia, a suplementação por ferro é feita em um esquema diferente de acordo com os resultados do hemograma, podendo envolver a aplicação de ferro por via intramuscular em casos mais graves. Após a administração dos suplementos, serão feitos hemogramas periódicos para avaliar a resposta ao tratamento. Isso pode ajudar o médico a otimizar a dose até que a paciente esteja com níveis adequados de hemoglobina.

Garantir uma gestação saudável é fundamental para o bem-estar tanto da mãe quanto do bebê, e a suplementação adequada de ferro é uma ferramenta importante nesse processo. Como vimos, o ferro é essencial para diversas funções, desde a produção de hemácias até a formação da placenta.

Portanto, a orientação médica adequada quanto à suplementação de ferro na gestação busca assegurar um desenvolvimento fetal mais saudável e prevenir complicações para a mãe durante e após o parto. A gestação é um momento único e delicado, e a atenção à nutrição é uma forma de garantir um começo de vida saudável para o novo ser que está a caminho.

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Fissura durante a amamentação: o que fazer?

Amamentar é uma das experiências mais ricas e desafiadoras na vida de muitas mães. Esse momento íntimo entre mãe e filho é essencial para a saúde e desenvolvimento do recém-nascido. Afinal, o leite materno é o alimento mais completo para um bebê, sendo recomendada a amamentação exclusiva até os 6 meses de idade. A amamentação também traz benefícios para a mãe: ela queima calorias e pode auxiliar na contracepção.

Entretanto, apesar de ser um ato natural, a amamentação não é isenta de desafios e pode trazer consigo algumas complicações para a mãe, entre elas, as fissuras mamárias. Este texto busca esclarecer o que são fissuras mamárias, suas causas, como preveni-las e o que fazer caso apareçam. Ficou interessada? Acompanhe!

O que são fissuras mamárias?

No período da amamentação, podem ocorrer traumas na região das mamas, como:

  • fissuras;
  • erosões;
  • escoriações;
  • dilacerações.

Dentre eles, o mais comum é a fissura, um problema que causa bastante desconforto para as gestantes. Uma fissura geralmente tem a aparência de um corte ou de uma fenda, que pode ter pequenas ramificações.

É um local onde a camada superficial da pele se rompeu, deixando exposta a derme, uma camada da pele que apresenta diversas terminações nervosas. Por esse motivo, o quadro de fissura pode ser muito doloroso.

As fissuras podem ocorrer por diversos motivos. Os mais comuns são a pega e o posicionamento incorretos do bebê. Também é mais comum quando:

  • os peitos estão mais cheios;
  • a lactante tem o bico do peito invertido ou pseudoinvertido;
  • a lactante coloca o dedo indicador sobre a aréola durante a mamada.

Caso a paciente utilize bombas para tirar leite, o uso incorreto do equipamento também pode causar fissuras. Em casos menos comuns, as fissuras podem ser causadas por infecções, como a monilíase.

Como prevenir as fissuras mamárias durante a amamentação?

A principal maneira de evitar fissuras é seguir as recomendações para a amamentação, como:

  • esteja atento aos sinais de fome do bebê, como movimentos em direção das mãos em direção à boca, movimentos do corpo em direção às mamas, movimentos bucais ou sons de sucção. Amamente sempre que ele demonstrar fome, o que pode ser de 8 a 12 vezes em um período de 24 horas;
  • evite esperar até o bebê chorar para alimentá-lo, pois isso indica muita fome. Com isso, os movimentos de sucção poderão ser mais vigorosos, predispondo às fissuras mamárias;
  • permita que o bebê mame com calma, geralmente entre 10 e 20 minutos em cada mama.

Durante a amamentação, mantenha-se relaxada e apoie confortavelmente todas as partes do seu corpo. Afinal, além de a amamentação ser também um momento seu, isso facilita a produção e a liberação de leite. Verifique sempre seus pés, pernas, lombar, braços e pescoço estão bem apoiados. Descobrir uma posição confortável tanto para você quanto para o bebê envolve algumas experimentações. Você pode tentar:

  • segurar a cabeça do bebê na dobra do cotovelo com o corpo virado para você;
  • segurar o bebê como uma bola de futebol, apoiando sua cabeça e pescoço na mão;
  • para amamentações noturnas, deitar é uma possibilidade. Use travesseiros para conforto e aproxime o bebê, levando o mamilo à boca dele.

Além do posicionamento, a pega também é muito importante. Uma boa pega pode ser garantida a partir da técnica da trava.

Técnica da trava

A técnica da trava é uma das melhores medidas para evitar o surgimento de fissuras. Isso facilita que ele tenha leite suficiente e que a língua dele não fique atritando com os mamilos. Os passos para da técnica da trava são simples e envolvem:

  • posicionamento: posicione o bebê à sua frente, segurando-o firmemente com um dos braços. Com a mão que ficou livre, coloque o mamilo no lábio inferior do bebê para estimular o reflexo de abertura da boca;
  • trava: Tente inserir o mamilo todo acima da língua do bebê. No final dessa etapa, todo o mamilo e grande parte da aréola devem permanecer dentro da boca. A trava é o momento em que os lábios superior e inferior do bebê ficam ao redor do mamilo;
  • verificação: o bebê deve mamar em um ritmo suave e aparentar estar confortável. Caso contrário, é preciso corrigir. Para isso, passe seu mindinho suavemente entre as gengivas dele. Isso irá interromper a sucção. Remova cuidadosamente o mamilo da boca do bebê;
  • reposicionamento: Reposicione o bebê e tente novamente a pega, garantindo que o mamilo e a aréola sejam inseridos corretamente.

Repita o processo algumas vezes, se necessário. É melhor garantir uma pega correta do que insistir na amamentação com uma pega inadequada. Isso facilita o surgimento das fissuras e dificulta que fissuras antigas se cicatrizem.

O que fazer se perceber as fissuras?

Em geral, não se recomenda a interrupção da amamentação devido às fissuras. Quando há dor muito intensa devido ao quadro, pode-se indicar a suspensão da amamentação na mama afetada.

Como o peito cheio de leite é um fator que contribui para a manutenção das fissuras, a extração do leite deve ser feita mesmo quando a amamentação estiver interrompida naquela mama. Além disso, seu ginecologista-obstetra orientará você sobre a pega e o posicionamento adequados, que são as medidas que explicamos durante a prevenção.

Em relação à lesão, é fundamental evitar a automedicação. Não utilize nenhuma receita caseira ou medicação (como pomadas) sem indicação médica. Isso pode piorar o quadro, visto que a região está bastante sensibilizada, além de poder causar problemas para o bebê. Em alguns casos, seu médico poderá indicar pomadas à base de lanolina, o que pode contribuir para a analgesia (controle da dor) e a cicatrização da lesão.

Portanto, a amamentação é uma jornada repleta de aprendizados e desafios. As fissuras mamárias são um dos obstáculos que algumas mães podem enfrentar. No entanto, com a orientação correta e os cuidados adequados, é possível superar esse desafio e continuar a proporcionar ao bebê todos os benefícios do leite materno. Ao sinal de qualquer desconforto ou anormalidade, é fundamental buscar orientação médica para garantir o bem-estar seu e do bebê.

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Primeira consulta com o ginecologista: qual a idade ideal?

A primeira menstruação de uma menina pode ser um momento de bastante ansiedade dos pais e da própria adolescente. Isso faz com que surja a dúvida: quando é o momento certo para a primeira consulta com ginecologista?

Afinal, marca o início da transição da infância para a idade adulta. Para os cuidadores, um dos maiores medos está relacionado a explicar para a adolescente sobre o início da vida sexual e reprodutiva. Na perspectiva da adolescente, os anseios geralmente envolvem as mudanças que ocorrem no próprio corpo.

Por vários motivos culturais, os pais e os responsáveis podem sentir dificuldades em abordar esses temas delicados. Assim, veem a necessidade de uma consulta da paciente com um ginecologista. No entanto, nem sempre isso é necessário.

É muito importante que os cuidadores se preparem para conversar sobre os assuntos da adolescência, criando um vínculo de abertura e confiança que faz uma diferença muito positiva para adolescência. Em alguns casos, dúvidas pontuais podem ser sanadas com o pediatra que acompanha a jovem.

A ginecologia pode entrar quando há aspectos mais desafiadores, como disfunções menstruais. Quer entender qual é a idade certa para a primeira consulta ginecológica na adolescência? Confira nosso artigo até o final!

O que muda na adolescência?

A adolescência é um período de muitas mudanças no corpo. Essas alterações começam quando um sistema em nosso corpo, chamado eixo hipotálamo-hipófise-ovariano, volta a funcionar (depois de ter ficado “adormecido” durante a infância). Esse sistema faz com que o corpo começa a estimular os folículos ovarianos a produzir hormônios sexuais ativos, como o estradiol (um tipo de estrogênio) e a progesterona.

Graças ao estrogênio, o corpo da menina começa a crescer mais rápido e a apresentar sinais de que está se tornando de uma mulher. Alguns desses sinais incluem o crescimento dos seios (telarca) e o aparecimento de pelos nas axilas e na região íntima (pubarca).

Em geral, o primeiro sinal é o crescimento dos seios, seguido pelo crescimento de pelos na região íntima cerca de seis meses a um ano depois. No entanto, em algumas meninas, os pelos na região íntima podem aparecer antes do crescimento dos seios. Cerca de 2 anos após a telarca ou a pubarca, a menina tem sua primeira menstruação (menarca).

Sinais da puberdade feminina

A evolução da puberdade é avaliada pelos critérios de Tanner:

  • Tanner I – é o estágio da infância, em que o tecido mamário não se desenvolveu e praticamente não há pelos pubianos visíveis;
  • Tanner II – o botão mamário começa a se desenvolver. A aréola fica mais larga, e a papila (que está no centro da aréola) começa a se elevar. Pelos finos começam a aparecer pontualmente na região dos grandes lábios;
  • Tanner III – as mamas começam a crescer, mas ainda não há uma distinção significativa entre o contorno da aréola e o resto das mamas. Na parte de cima da região pubiana, começam a surgir pelos mais grossos e escuros;
  • Tanner IV – a aréola se projeta na superfície da mama. Os pelos pubianos se espalham, mas ainda não cobrem a raiz das coxas;
  • Tanner V – no fim da puberdade, a papila se projeta além da aréola e o contorno da aréola se destaca em relação ao resto da mama. Agora, os pelos pubianos atingem a raiz das coxas.

O que muda para que a mulher precise passar a ir ao ginecologista?

A adolescência é um período de mudanças significativas, que inclui não apenas aspectos físicos, mas também emocionais e psicossociais. Sobretudo, talvez o ponto mais delicado dessa fase seja a perspectiva do início da vida sexual, que ainda é um tabu para muitos pais e responsáveis.

A transição dos cuidados pediátricos para os cuidados ginecológicos nem sempre é necessária. Em muitos casos, o pediatra está preparado para acompanhar a adolescente nas questões ginecológica. A transição somente é necessária à medida que surgem questões específicas, as quais demandam acompanhamento especializado.

Qual a idade ideal é para a primeira consulta com o ginecologista?

Nesse sentido, não há idade certa para iniciar as consultas ginecológicas. Ao contrário do que muitos pais e responsáveis pensam, a primeira consulta ginecológica para uma adolescente não está estritamente atrelada à idade ou ao início da menstruação. Na verdade, a primeira consulta ao ginecologista deve ocorrer nas seguintes situações:

Além disso, a consulta ginecológica pode ocorrer quando a própria adolescente expressar o desejo de conversar com um profissional para tirar dúvidas a respeito da saúde ginecológica ou do início da vida sexual.

Ou seja, embora os cuidadores acreditem que a menarca (primeira menstruação) seja o indicador para a necessidade de uma consulta ginecológica, a consulta é realmente necessária apenas em situações específicas relacionadas a problemas ou dificuldades que a adolescente possa enfrentar após o início da puberdade.

Quando a transição é necessária, recomenda-se que a primeira consulta com o ginecologista ocorra em paralelo com as consultas pediátricas, permitindo uma transição suave e facilitando a formação de uma nova relação médico paciente.

É fundamental que o pediatra e o ginecologista mantenham contato para coordenar o cuidado da adolescência. Durante essa fase, a paciente será incentivada a se envolver ativamente em sua própria saúde, o que inclui entender seu próprio corpo para ser uma protagonista em seu próprio cuidado.

Quer saber mais sobre a ginecologia na adolescência e seu papel? Confira este artigo bem completo sobre o tema!

Os desafios da amamentação: mastite e ducto entupido

As complicações relacionadas à amamentação requerem atenção especial das mulheres e dos ginecologistas. Por exemplo, os ductos entupidos e a mastite são duas condições que, muitas vezes, estão inter-relacionadas e afetam uma parte significativa das lactantes.

Ambas podem causar desconforto, dor e preocupação, podendo até mesmo interferir na decisão de continuar amamentando. Com isso, além de interferirem na amamentação, podem levar a uma resistência emocional ou sofrimento psíquico da mulher ao amamentar.

Quer saber mais sobre essas condições, como preveni-las, diagnosticá-las e tratá-las para que a amamentação seja mais prazerosa? Confira nosso artigo sobre o tema!

Ducto entupido – tudo sobre a condição: o que é, sintomas, diagnóstico e tratamento

O entupimento dos ductos lactíferos ocorre quando há um bloqueio à saída do leite das mamas. Como a produção de leite continua mesmo sem a sua liberação, isso faz com que as mamas inchem e se inflamem.

Causas e fatores de risco

Um ducto entupido pode ocorrer devido a fatores, como:

  • Compressão externa nas mamas, como o uso de sutiãs muito apertados;
  • Pouca frequência de mamadas, o que dificulta a drenagem do leite;
  • Produção elevada de leite.

Esses processos podem levar a formação de cristais de leite, os quais impactam nos ductos lactíferos e causam a sua obstrução.

Sintomas

Os sintomas mais comuns são:

  • Dor ou sensibilidade na área afetada da mama, que pode aumentar durante ou logo após a amamentação;
  • Formação de nódulos mamários, que são geralmente móveis e superficiais;
  • Rigidez, vermelhidão, calor e inchaço da mama na região do ducto obstruído;
  • Redução do volume de leite liberado pelas mamas;
  • Interrupção do fluxo de leite durante as mamadas.

Diagnóstico

O diagnóstico é clínico, isto é, feito a partir dos sinais e sintomas da paciente. Exames de imagem das mamas somente são necessários quando as medidas terapêuticas não funcionam e os sintomas persistem.

Tratamento

O principal tratamento é a própria amamentação. Para facilitar a desobstrução, recomenda-se que a criança mame em posições variadas. Com isso, o próprio fluxo do leite dissolve os cristais formados.

Se os sintomas persistirem ou se a condição piorar, isso pode indicar uma infecção associada, a mastite. A mastite é mais grave e pode ser acompanhada por sintomas como febre, calafrios e mal-estar.

Mastite – tudo sobre a condição: o que é, sintomas, diagnóstico e tratamento;

A mastite é a inflamação do tecido mamário, geralmente em decorrência de um processo infeccioso. Em geral, acontece mais tardiamente. Ou seja, é mais comum a partir da terceira semana de gestação, sendo infrequentemente nas duas primeiras semanas.

Causas e fatores de risco

Os principais microrganismos associados à mastite são o Staphylococcus aureus ou Staphylococcus epidermidis. Eles estão presentes na flora da pele de muitas pacientes sem causar nenhum sintoma. Quando invadem o tecido mamário, podem se proliferar exageradamente e causar inflamação mais intensa.

Os principais fatores de risco para a mastite são

  • Os traumas mamilares;
  • O ducto entupido;
  • O uso de bombas tira-leite e conchas para os seios.

Sintomas

Os principais sintomas são:

  • Dificuldade para amamentar;
  • Eritema cutâneo, isto é, vermelhidão localizada na mama afetada;
  • Edema (inchaço) da mama afetada;
  • Dor, sensibilidade ou desconforto aumentado na mama;
  • Calor local (a superfície mama afetada torna-se mais quente do que o restante do corpo);
  • Febre, calafrios e mal-estar;
  • Náuseas e vômitos;
  • Linfadenopatia axilar, ou seja, aumento dos linfonodos na região axilar do lado afetado;
  • Drenagem purulenta: em alguns casos, pode ocorrer secreção purulenta pelo mamilo.

A identificação precoce da mastite é muito importante para evitar complicações, como o abscesso mamário, cujo principal sinal é a presença de um nódulo, que pode se tornar palpável na região da inflamação. Por isso, se algum desses sinais ou sintomas estiver presente, é importante procurar atendimento médico.

Diagnóstico

O diagnóstico da mastite é clínico com base no histórico do paciente e no exame físico. Durante a consulta, o médico avaliará os sintomas apresentados, como dor mamária e presença de febre. O exame físico da mama pode revelar áreas de inchaço, vermelhidão e sensibilidade, e, em alguns casos, pode ser palpada uma massa inflamatória. O médico também verificará a presença de linfadenopatia axilar.

Em situações em que há suspeita de abscesso mamário, exames de imagem, como ultrassonografia, podem ser utilizados. Culturas de leite também podem ser coletadas em casos recorrentes ou quando a resposta ao tratamento inicial é insatisfatória. A cultura com antibiograma tem o objetivo de identificar o agente infeccioso para que a antibioticoterapia seja feita com os medicamentos mais eficazes para o perfil da infecção da paciente.

Tratamento

O tratamento inicialmente é feito sem a identificação do agente causador. Para isso, utilizam-se antibióticos geralmente eficazes para a maioria dos casos de infecção causados pelo Staphylococcus aureus ou pelo Staphylococcus epidermidis. Além disso, são indicados analgésicos e anti-inflamatórios seguros durante a amamentação.

Caso não haja uma resposta boa ao tratamento, pode ser realizada a cultura com antibiograma para alterar os antibióticos utilizado na terapia. Casa haja formação de abscesso, ele deve ser drenado cirurgicamente.

Por fim, é importante ressaltar que o melhor tratamento para o ducto entupido e a mastite é a prevenção. Você e seu ginecologista devem estar atentos sempre que houver dor na pega. As dificuldades para amamentar não devem ser subestimadas.

Quer saber mais sobre a amamentação, seus desafios e como superá-los? Confira este artigo bem interessante sobre o tema!

O que é HPV?

HPV é uma abreviação para papilomavírus humano, um grupo de microrganismos com capacidade de infectar a nossa pele e as nossas mucosas (que revestem a garganta, o colo do útero e o ânus, por exemplo). Esses vírus recebem muita atenção, pois alguns tipos de HPV podem aumentar as chances de uma pessoa desenvolver câncer em algumas regiões do corpo.

Dentre eles, o que causa maior preocupação atualmente é o câncer do colo do útero. Cerca de 85% dos tumores malignos nessa localidade são causados pelos tipos 16 e 18 de HPV. Com a prevenção e o diagnóstico precoce, o número de casos pode diminuir substancialmente.

As infecções genitais pelos HPV são consideradas infecções sexualmente transmissíveis. Ou seja, os microrganismos podem ser transmitidos durante as relações sexuais, principalmente quando feitas sem a proteção de um preservativo. Antigamente, as ISTs eram chamadas de doenças sexualmente transmissíveis (DSTs).

Esse termo vem sendo abandonado, pois as pessoas associam doenças a manifestação de sintomas (como dor, coceira ou sangramento) e sinais (como verrugas genitais). Contudo, a maioria das infecções sexualmente transmissíveis são assintomáticas. Em outras palavras, as pessoas portam e podem transmitir os microrganismos mesmo sem ter nenhum sintoma. Quer saber mais sobre o HPV, uma das principais infecções sexualmente transmissíveis atualmente? Confira nosso post até final!

O que é HPV?

O HPV, ou papilomavírus humano, é um dos vírus sexualmente transmissíveis mais comuns. Há mais de 200 variantes desse vírus. Desse total, aproximadamente 40 podem infectar a área genital e ao redor do ânus. Desses 40, cerca de 12 têm a capacidade de causar tipos invasivos de câncer. O câncer mais pesquisado que está ligado ao HPV é o câncer de colo do útero.

Mais de 80% das pessoas sexualmente ativas provavelmente se contaminará com ele em algum ponto de sua vida. Contudo, na maioria das vezes, quem contrai o vírus não sente nada e o organismo elimina a infecção em pouco tempo.

Os papilomavírus podem ser agrupados em duas categorias de acordo com o risco de câncer:

  • Tipos de baixo risco, que podem causar verrugas na pele e verrugas genitais. Essas verrugas são geralmente benignas e não estão associadas ao desenvolvimento de câncer;
  • Tipos de alto risco (também chamados de oncogênicos), que estão associados a certos tipos de câncer, como o câncer do colo do útero, ânus, orofaringe e pênis. Os tipos 16 e 18 são os mais oncogênicos e são responsáveis por cerca de 70% dos casos de câncer do colo do útero. Além deles, são considerados de “alto risco” os tipos 31, 33, 35, 39, 45, 51, 52, 56, 58, 59 e 66.

Como ocorre a transmissão do HPV?

O vírus HPV é transmitido pelo contato pele a pele. Em outras palavras, a infecção pode ocorrer quando a superfície corporal de uma pessoa infectada entra em contato com a superfície corporal de um indivíduo saudável. Geralmente, isso ocorre no contato sexual, no qual há um contato físico prolongado entre as pessoas.

Ao contrário do que algumas pessoas pensam, não é o sêmen que transmite o HPV. Por isso, a proteção com camisinha é capaz de reduzir em 60% a chances de transmissão, mas não a elimina totalmente. Afinal, a camisinha não cobre toda a genitália. Nesse sentido, medidas, como a vacinação, são fundamentais para reduzir ainda mais as chances de uma infecção pelo HPV.

Menos comum, a transmissão pode ainda ocorrer por fômites (toalhas e roupas íntimas) ou por via vertical (transmissão da mãe para o bebê durante o parto).

Quais as consequências de não rastrear e tratar as infecções pelo HPV?

Os estudos mostram que cerca de 7% a 8% dos tumores malignos humanos sejam causados pelo HPV. Com isso, eles se tornam um dos principais fatores de risco de câncer, estando relacionado com:

  • Quase todos os casos de câncer do colo de útero;
  • 93% dos cânceres anais;
  • 64% dos cânceres vaginais;
  • 50% dos cânceres de vulva;
  • 40% dos cânceres penianos;
  • 60% dos cânceres de garganta.

Sintomas do HPV

A maioria das infecções pelo HPV será assintomática. A pessoa infectada não manifestará nenhum sintoma ou sinal perceptível. No entanto, as alterações causadas pelo HPV podem ser identificadas com a visualização das células infectadas em um microscópio. Por isso, o exame preventivo é fundamental.

Quando sintomática, a infecção pelo HPV pode causar:

  • Verrugas de diferentes tamanhos;
  • Coceira ou desconforto local;
  • Vermelhidão;
  • Pequenos sangramentos.

Diagnóstico das lesões de HPV

A presença do HPV pode ser diagnosticada com exames de biologia molecular para identificar a presença do material genético do vírus nos tecidos. No entanto, esse não é o exame mais indicado na maior parte dos casos.

O teste mais importante é a citopatologia do colo uterino (Papanicolaou), que envolve a coleta de células durante exame ginecológico periódico. Essas células são analisadas no microscópio e classificadas de acordo com o grau de alteração:

  • lesões de baixo grau, que são modificações mais sutis e leves;
  • lesões de alto grau, as quais são mais significativas e consideradas pré-cancerosas.

Quando alguma dessas lesões é identificada, a paciente pode receber as seguintes indicações:

  • Realizar a citopatologia em um período mais curto;
  • Ser encaminhada para a realização de colposcopia (exame confirmatório de um possível tumor).

A escolha dependerá do tipo de célula, do grau da lesão e da idade da paciente.

Tratamento do HPV

O tratamento dependerá do tipo das características da lesão pode envolver:

  • Conduta expectante, acompanhamento periódico da lesão para verificar sua evolução;
  • Imunomodulação;
  • Retirada da parte afetada do colo do útero, quando o tumor ainda está local;
  • Retirada total do colo do útero nos casos de tumores localmente invasivos;
  • Uma cirurgia mais extensa, radioterapia e quimioterapia podem ser necessárias em casos mais avançados.

Na maior parte dos casos, contudo, as pacientes recebem a indicação da conduta expectante.

Portanto, mesmo com uma grande parcela das mulheres infectadas não manifestando sintomas, não se pode subestimar o impacto do HPV. A vacinação, o diagnóstico precoce e a educação sobre o tema são fundamentais para reduzir a prevalência do vírus e minimizar suas consequências mais graves, como o câncer.

Quer saber mais sobre esse vírus que preocupa tanto os médicos? Confira nosso artigo completo sobre o tema!

O que é saco gestacional?

A gravidez é um período repleto de descobertas e novas experiências para a gestante. Com isso, surgem também uma série de termos médicos que, muitas vezes, são desconhecidos para a maioria das mulheres.

Entre esses termos, está “saco gestacional”, que se destaca como uma das primeiras estruturas gestacionais que a paciente vai ouvir falar. Afinal, a sua visualização pela ultrassonografia é frequentemente utilizada para confirmar uma gravidez uterina.

Neste texto, vamos mergulhar no universo do saco gestacional, compreendendo sua formação, função e sua relação com outras estruturas vitais durante a gravidez. Ficou interessada? Acompanhe até o final!

O que é o saco gestacional?

O saco gestacional vai ser um dos primeiros termos técnicos que a gestante ouvirá durante o acompanhamento da gravidez. Afinal, a confirmação do diagnóstico de uma gestação normal geralmente ocorre com a identificação do saco gestacional em uma mulher com níveis elevados de beta-hCG.

O saco gestacional é a primeira estrutura embrionária que pode ser visualizada na ultrassonografia. Caracteriza-se como uma estrutura parecida com uma bolsa preenchida por líquido. Sua visualização auxilia no diagnóstico de uma gestação. Ele começa aparecer entre a metade da quarta semana e o final da quinta semana de idade gestacional. Ou seja, o saco gestacional pode ser visualizado após três a quatro semanas depois de você ter ovulado.

Nessas primeiras semanas, ele aparece na ultrassonografia com um diâmetro de 2 a 4 centímetros. O tamanho do saco gestacional pode medido para auxiliar na estimativa da idade gestacional. Portanto, é muito pequeno, então é fundamental que a ultrassonografia seja feita por um profissional experiente em exames de imagem obstétricos.

Quais as funções do saco gestacional?

O saco gestacional inicialmente é uma camada de células preenchidas por um pouco de líquido. Com o tempo, surgem novas estruturas dentro do saco embrionário. Como os termos utilizados para descrevê-las são muito parecidos, as pacientes podem ficar confusas com a linguagem técnica empregada pelos médicos e pelos exames de ultrassonografia.

A primeira estrutura que se desenvolve dentro do saco gestacional é a o saco vitelino, que surge por volta da sexta semana. Enquanto isso, outro saco começa a se desenvolver mais rapidamente: o saco amniótico.

Por volta da décima semana de gravidez, o saco amniótico já cresceu tão significativamente que passa a ocupar a maior parte do espaço dentro do saco gestacional. Nesse estágio, o termo “saco gestacional” é comumente substituído por “saco amniótico”.

A partir desse momento, podemos dizer que o saco gestacional tem a função de abrigar o sistema amniótico, que é formado pelas membranas ovulares (âmnio e córion) e pelo líquido amniótico. Com isso, essas estruturas têm as importantes funções de:

  • proteger o feto contra impactos;
  • facilitar crescimento fetal intrauterino e a movimentação do bebê.

Algumas diferenciações importantes

Saco gestacional e saco vitelino

O saco gestacional é uma estrutura cheia de líquido que se forma dentro do útero e serve para proteger e acomodar o embrião em desenvolvimento. É a primeira estrutura a ser visualizada em um ultrassom durante o início da gravidez.

Já o saco vitelino é uma pequena bolsa redonda que se encontra dentro do saco gestacional, formando-se entre a quinta e a sexta semana de gestação. Com isso, em geral, é cronologicamente a segunda estrutura a ser diferenciada pela ultrassonografia.

O saco vitelino é, portanto, uma estrutura interna do saco gestacional. Ele desempenha um papel crucial nas primeiras semanas de gravidez, fornecendo nutrientes para o embrião. Conforme a gravidez progride, a placenta assume a função de nutrir o feto. Assim, o saco vitelino desaparece por volta da 10ª semana de gestação. O saco gestacional, por sua vez, permanece e passa a ser formado pelas membranas embrionárias.

Saco gestacional e placenta

O saco gestacional e a placenta são duas estruturas distintas, mas fundamentais para o desenvolvimento o feto durante a gravidez. Como vimos, o saco gestacional é uma estrutura fluida que se forma nas primeiras semanas após a fecundação. Ele começa a surgir quando o embrião é bem-sucedido em se implantar na cavidade uterina.

Por outro lado, a placenta é um órgão altamente vascularizado que começa a se desenvolver um pouco depois do saco gestacional, por volta da 10ª semana de gestação. Sua principal função é ser a interface entre a mãe e o feto, permitindo a troca de nutrientes e oxigênio do sangue materno para o feto, bem como a eliminação de resíduos metabólicos do feto para o sangue materno. A placenta também produz hormônios essenciais que ajudam a manter a gravidez.

Portanto, o saco gestacional é o ambiente em que o feto se desenvolve, já a placenta atua como um suporte nutricional e hormonal durante a maior parte da gravidez.

Dentre as diversas estruturas que surgem e evoluem durante este período, o saco gestacional assume uma posição de destaque por ser uma das primeiras a serem identificadas e por abrigar o embrião nas semanas iniciais. Seu papel, junto com o saco vitelino e a placenta, é fundamental para garantir o ambiente adequado para o desenvolvimento saudável do feto. Cada uma dessas estruturas possui uma função específica, mostrando a complexidade e beleza do processo gestacional.

Quer saber mais sobre a rotina de pré-natal e os exames que são realizados em cada trimestre? Não deixe de ler este post sobre o tema!

Cesarianas sucessivas: riscos

Com a evolução da medicina, diferentes formas de parto surgiram. De um lado, por exemplo, temos o parto natural, que é feito sem nenhuma intervenção medicamentosa ou cirúrgica no processo. Do outro, temos a cesariana, um parto cirúrgico feito com um corte na pelve e no útero da mulher.

Nos últimos anos, centenas de estudos científicos têm mostrado que, na maioria dos casos, o um parto mais natural é a opção mais benéfica para a mãe e o bebê. Apesar disso, devido a riscos materno-fetais, pode ser necessário intervir para acelerar o parto normal (parto induzido) ou, mesmo, criar um canal de parto artificial com uma incisão pélvica (a cesariana).

No entanto, uma questão muito importante tem se tornado uma preocupação na obstetrícia: o aumento das cesarianas sem indicação. Muitas mulheres optam pelas cesarianas eletivas, pois não são informadas dos riscos que esse tipo de procedimento traz.

Por esse motivo, este post vai explicar quais são as complicações que cesarianas sucessivas podem trazer. Ficou interessada? Acompanhe!

O que é cesariana?

A cesariana é uma técnica cirúrgica que revolucionou a medicina, permitindo que médicos pudesse salvar a vida de muitas mães e bebês em situações em que o parto vaginal não é seguro. Ela é feita com uma incisão na região da pelve e no útero com a gestante sob anestesia regional.

Indicações da cesariana

Embora a cesariana seja segura, ela tem seus próprios riscos e requer um tempo de recuperação mais longo do que um parto vaginal. É por isso que a decisão de realizar uma cesariana deve ser tomada em consulta com um obstetra, levando em consideração os riscos para a saúde da mãe e do bebê. Quando os benefícios superam os riscos (dentro das evidências científicas atuais aplicadas a cada caso individualmente), a cesariana é um procedimento fundamental.

Atualmente, as indicações mais bem consolidadas da cesariana são:

  • Falha na progressão do trabalho de parto normal;
  • Feto em situação transversa;
  • Pacientes com cicatriz uterina longitudinal ou na região do fundo do útero;
  • Herpes genital ativo;
  • Placenta prévia;
  • Prolapso de cordão;
  • Desproporção da cabeça do feto com o canal de parto vaginal;
  • Vasa prévia;
  • Gestações gemelares monoamnióticas;
  • Placenta acreta.

Esses são apenas alguns exemplos de casos em que a cesariana pode ser necessária. Já as seguintes indicações são mais relativas e dependem de uma avaliação caso a caso:

  • Feto com mais de 4500 gramas (macrossomia fetal);
  • Descolamento prematuro da placenta;
  • Vaginismo (contrações vaginais involuntárias intensas);
  • História de duas ou mais cesarianas anteriormente;
  • HIV+ com carga viral baixa;
  • Distocia;
  • Apresentação pélvica;
  • Apresentação fetal defletida;
  • Sofrimento fetal persistente durante o parto normal;
  • Falha na indução do parto vaginal, entre outras.

Cesarianas sucessivas

Cesarianas sucessivas ocorrem quando a paciente já passou por uma cesariana previamente. Elas geralmente trazem maiores riscos para as gestantes. Por isso, devem ser avaliadas com cuidado.

Além disso, existe um mito de que pacientes que já passaram por uma cesariana prévia estão contraindicadas ao parto normal. Sempre que as condições de cada gestação permitirem, é importante tentar um parto vaginal para evitar as complicações das cesarianas sucessivas.

Em outras palavras, se você já teve uma cesariana, é possível realizar:

  • Uma nova cesariana;
  • Tentar um parto normal.

A escolha deve considerar as condições de cada gestação. Por exemplo, se houver alguma contraindicação significativa ao parto normal, a cesariana será a melhor opção. Além disso, é muito importante que a decisão médica seja tomada junto com a gestante, após o profissional ter explicado os riscos e benefícios.

Riscos de cesarianas sucessivas

A seguir, está uma tabela adaptada de um artigo que avaliou a frequência de algumas complicações de acordo com o número de gestações:

 123 4 ou mais
Lesão da bexiga0,09%0,06%0,23%0,81%
Lesão intestinal0,13%0,09%0,18%0,85%
Ruptura do útero0,43%0,61%3,71%4,34%
Transfusão de sangue4,05%1,58%2,23%5,35%
Admissão na UTI1,99%0,59%0,63%1,95%
Histerectomia cesariana0,69%0,43%0,91%2,49%
Placenta acreta0,56%0,36%0,67%2,57%
Placenta prévia6,41%1,35%1,22%2,87%
Adesões graves0,83%7,27%20,00%15,15%

 

Da tabela, podemos extrair algumas informações muito importantes:

  • A frequência de lesão na bexiga aumenta mais de 2 vezes na terceira cesariana e em 9 vezes a partir da quarta;
  • A frequência de aderências é cerca de 9 vezes maior em mulheres que realizaram a segunda cesariana. É 24 vezes maior na terceira cesariana;
  • Realizar 4 ou mais cesarianas geralmente traz um risco muito maior à saúde das mulheres. Para evitar essa situação, seu médico pode recomendar uma laqueadura durante o parto da terceira gestação.

Em alguns casos, a frequência cai com um maior número de cesarianas, mas isso não significa que o risco reduziu. Isso possivelmente se deve às características das populações de cada estudo. Então, se você já fez uma cesariana, prefira realizar um parto normal em futuras gestações caso não haja nenhuma contraindicação.

Riscos para o bebê

De acordo com o estudo, as cesarianas sucessivas não aumentam a frequência de complicações neonatais.

A cesariana é uma ferramenta médica vital importante. Quando indicada adequadamente, pode salvar vidas tanto de mães quanto de bebês. No entanto, é importante reconhecer que cada cesariana sucessiva aumenta os riscos para a saúde das mulheres, como hemorragias, lesões a órgãos próximos e aderências pélvicas.

Quer saber mais sobre as cesarianas e como ela é feita? Confira nosso artigo completo sobre o tema!

Laqueadura tubária: conheça a nova lei

A decisão de não ter mais filhos é complexa e pode ser motivada por inúmeros fatores pessoais e de saúde. Uma das opções disponíveis para mulheres que escolhem um método contraceptivo permanente é a laqueadura tubária.

Esse procedimento é um assunto polêmico, principalmente devido à exigência de consentimento do parceiro que a antiga lei previa. Considerava-se que isso poderia ser um obstáculo para os direitos reprodutivos femininos. Com o novo texto da lei, essa exigência foi retirada. Atualmente, a decisão é individual, apesar de ainda haver algumas regras importantes.

Quer entender o que é exatamente este procedimento? Como é realizado? E quais as recentes mudanças na legislação sobre o tema? Neste post, abordaremos as novas diretrizes estabelecidas pela lei de planejamento familiar, a fim de esclarecer todas essas questões para você. Ficou interessada? Acompanhe até o final!

O que é a laqueadura tubária?

A laqueadura tubária é um método de esterilização cirúrgica. Em outras palavras, é um método contraceptivo permanente, potencialmente irreversível, realizado em pacientes que não desejam mais nenhuma gestação. As cirurgias para revertê-la não garantem o retorno da fertilidade.

A laqueadura tem o objetivo de interromper a permeabilidade tubária, ou seja, impedir que os espermatozoides se encontrem com o óvulo nas tubas uterinos. Com isso, não há fecundação.

  • Laparotômica: é a laqueadura feita com uma cirurgia aberta. É feito um corte de aproximadamente 3 centímetros na região acima do púbis;
  • Laparoscópica: é uma técnica minimamente invasiva, feita com alguns cortes de menos de um centímetro. Depois disso, insufla-se o abdômen com gás carbônico e o procedimento é feito por vídeo.

Nessas cirurgias, há diferentes formas de interromper a permeabilidade das tubas. Uma opção é a colocação de clipes ou anéis que obstruem mecanicamente as tubas uterinas. Outra modalidade envolve a retirada de parcial ou total das tubas uterinas. A primeira opção é de mais fácil reversão, enquanto a segunda é geralmente mais efetiva.

Quais as indicações da laqueadura?

Em geral, a laqueadura está indicada para mulheres com convicção de que não desejam uma gestação no futuro. Além disso, precisa preencher os seguintes pré-requisitos para realizar a laqueadura:

  • Ter mais de 21 anos OU ter dois ou mais filhos vivos;
  • Apresentar plena capacidade civil;
  • Passar por aconselhamento por equipe multidisciplinar.

Ela também é indicada para casos em que há risco à vida e à saúde da mulher ou de um futuro bebê. Nessa situação é preciso apresentar laudo assinado por dois médicos. Veja algumas situações em que isso pode ocorrer:

  • Pacientes com transtornos genéticos hereditários graves;
  • Pacientes que passaram por múltiplas cesarianas previamente;
  • Pacientes com histórico de múltiplas gestações tubárias.

No momento de optar pela laqueadura, é importante refletir bastante sobre a escolha. Os estudos mostram que, em média, 14,7% das pacientes se arrependem do procedimento. A taxa chega a 20,3% em mulheres que realizaram a cirurgia antes dos 30 anos.

Lembre-se de que há métodos muito eficazes de longo prazo, como os implantes intrauterinos. Eles oferecem eficácia superior a 99% e proteção por 5 anos ou mais. Se você já tiver amadurecido sua decisão e cumpra os pré-requisitos, a laqueadura é um direito seu.

Quais regras da laqueadura mudam e quais permanecem com a nova lei de planejamento familiar?

Aqui estão as mudanças significativas que a nova lei trouxe para as mulheres que desejam fazer laqueadura:

  • Idade mínima para a esterilização: Na lei antiga, a esterilização voluntária só era permitida para homens e mulheres maiores de 25 anos de idade ou, pelo menos, com dois filhos vivos. A nova lei reduz essa idade mínima para 21 anos;
  • Esterilização durante o parto: a antiga lei proibia a esterilização cirúrgica em mulher durante os períodos de parto ou aborto, exceto em casos de comprovada necessidade, como nas mulheres que passaram cesarianas sucessivas anteriores. A nova lei, por outro lado, permite a esterilização cirúrgica em mulher durante o parto se for respeitado um prazo mínimo de 60 dias entre a manifestação da vontade e o parto, além de observadas as devidas condições médicas;
  • Consentimento conjugal: a antiga lei estabelecia que, na vigência de sociedade conjugal, a esterilização dependia do consentimento expresso do cônjuge. Essa exigência foi revogada pela nova lei, o que significa que o consentimento do cônjuge não é mais necessário para que um indivíduo passe por uma esterilização.

Essas são as principais alterações trazidas pela nova lei. As demais partes dela permaneceram as mesmas. Por exemplo, a esterilização também pode ocorrer se houver risco para a vida ou saúde da mulher ou do futuro conceito, confirmado por dois médicos.

A pessoa precisa expressar sua vontade de maneira clara e escrita, após ser informada sobre os riscos da cirurgia, efeitos colaterais, dificuldades de reversão e opções de contracepção reversíveis.

Manifestações de vontade expressas sob influência de álcool, drogas, estados emocionais alterados ou incapacidade mental temporária ou permanente não serão consideradas válidas. A laqueadura somente pode ser feita após 60 dias do termo de consentimento, permitindo que a pessoa reflita sobre o procedimento e possa modificar sua decisão.

Portanto, a decisão de realizar uma laqueadura tubária é extremamente pessoal e exige uma reflexão cuidadosa sobre as consequências a longo prazo. Embora seja um método contraceptivo altamente eficaz e seguro, é importante lembrar que a sua reversão pode ser difícil.

Por isso, é imprescindível discutir todas as opções de contracepção com seu ginecologista antes de tomar uma decisão.

Quer saber mais sobre os contraceptivos e como escolher o melhor método para você? Confira este artigo completo sobre o tema!

Indução do parto: conheça as técnicas

O parto normal geralmente não precisa de indução. Na grande maioria dos casos, ele começa e termina por conta própria quando o corpo da mãe e o bebê estão prontos. Para isso, a partir das últimas semanas da gestação, o corpo da mulher se modifica gradativamente. Por exemplo, o colo se afina e o útero inicia contrações de treinamento.

Por isso, o ideal é sempre permitir que o parto siga o ritmo natural, mas há situações em que isso pode trazer riscos para a mãe e para o bebê. Assim, a indução do parto pode ser necessária. Quer saber mais sobre o tema? Acompanhe até o final!

Como é a evolução do parto normal?

Algumas semanas antes do parto, ocorre um progressivo processo de afinamento e amolecimento do colo do útero. À medida que isso evolui, o útero começa a se contrair de forma mais intensa e regular, “treinando” para as fases ativa e expulsiva do parto. Depois de amadurecer, o colo começa a se dilatar (devendo atingir uma dilatação de mais de 10 centímetros)

Portanto, algumas condições importantes para a evolução normal do parto:

  • Posição fetal: a posição ideal para o bebê é a posição cefálica, o que significa que a cabeça está para baixo em relação à mulher;
  • Idade gestacional: normalmente, o parto ocorre entre 37 e 41 semanas de gestação;
  • Condição de saúde materna: a mãe deve estar hígida para suportar o trabalho de parto. Problemas médicos graves, como pré-eclâmpsia ou diabetes gestacional descontrolada, podem colocar a mãe ou o bebê em risco e exigir a indução do parto;
  • Estado do colo do útero: o colo do útero deve estar maduro, isto é, fino, mole e progressivamente mais dilatado;
  • Contrações regulares e efetivas: elas devem ser fortes e frequentes a fim de permitir a progressão do trabalho de parto;
  • Frequência cardíaca fetal: deve estar entre 110 e 160 batimentos por minutos em ritmo regular.

Em alguns casos, as alterações nesses fatores podem prejudicar a evolução natural do parto ou colocar a saúde materno-fetal em risco. Assim, é necessária a indução do parto.

Quando a indução do trabalho de parto está indicada?

Algumas situações em que a indução pode ser indicada incluem:

  • Doenças hipertensivas durante a gestação;
  • Incompatibilidade RH;
  • Evidências de inflamação dos anexos embrionários (corioamnionite);
  • Ruptura prematura de membranas (rompimento da “bolsa”);
  • Evidência de sofrimento fetal;
  • Gestações após 41 semanas.

Esses são apenas alguns exemplos ilustrativos. Outro caso bem comum é a distocia (evolução desfavorável do trabalho de parto). Quando o médico cogita induzir o parto, uma das avaliações mais importantes será o Índice de Bishop, que avalia a necessidade de intervenções para amadurecer o colo e induzir o parto.

Como seu médico avalia a necessidade de indução do parto?

O Índice de Bishop é uma das ferramentas mais utilizadas para avaliar a indicação da indução do parto e se é necessário o estímulo do amadurecimento cervical. Ele é calculado a partir da soma da pontuação individual de cinco critérios. Quanto maior a pontuação de uma paciente no índice, maiores são as chances de ela ter um parto normal bem-sucedido:

  • Menor ou igual a 6: indica um colo uterino não favorável. Nessa situação, é necessário o amadurecimento do colo anteriormente à indução do parto;
  • 6 e 7: geralmente é indicada a indução sem a necessidade de amadurecimento cervical induzido;
  • Maior ou igual a 8: indica um colo amadurecido com condições favoráveis para o parto normal espontâneo.

A seguir, estão os cinco critérios do Índice de Bishop:

Posição cervical

  • Posterior – 0;
  • Média – 1;
  • Anterior – 2.

Consistência

  • Firme – 0;
  • Moderadamente firme – 1;
  • Macia – 2.

Dilatação cervical

  • Fechado – 0;
  • 1-2 cm – 1;
  • 3-4 cm – 2;
  • Maior do que 5 cm – 3.

Esvaecimento cervical

  • 0 a 30% – 0;
  • 40 a 50% – 1;
  • 60 a 70% – 2;
  • Maior ou igual a 80% – 3.

Altura de apresentação do colo

  • -3 – 0 pontos;
  • -2 – 1 ponto;
  • -1 – 2 pontos;
  • +1, +2 – 3 pontos.

Técnicas de indução do parto

A indução do parto é um procedimento feito de forma bastante individualizada. Primeiramente, avaliamos a maturidade do colo uterino com Índice de Bishop mostrado acima. Se houver necessidade, o primeiro passo é induzir o amadurecimento cervical.

A indução do parto em si é geralmente feita com a ocitocina, a qual aumenta a frequência e a força das contrações uterinas. Quando as características uterinas estão favoráveis, é realizada a amniotomia (caso a bolsa não tenha rompido naturalmente).

Amadurecimento cervical induzido

O amadurecimento do colo pode envolver duas técnicas:

  • Indução mecânica: é feita com uma sonda com um pequeno balão em uma das extremidades. O médico enche esse balão com 30 mililitros de água para dilatar o colo. A indução mecânica está contraindicada para pacientes com placenta baixa, sangramento uterino, ruptura de membranas e cervicite;
  • Misoprostol: é uma prostaglandina aplicada, geralmente a cada 6 horas, por via vaginal. O esquema será mantido até que o colo atinja um Índice de Bishop maior ou igual a 6. Caso essa pontuação não seja obtida com 24 horas, o obstetra deve avaliar o caso. Se não houver contraindicação, pode-se repetir o esquema por mais 24 horas. Quando há falha do esquema após 48 horas, indica-se realizar uma cesariana. O misoprostrol está contraindicado para pacientes com cesariana prévia, pois pode levar à ruptura uterina.

Se o parto evoluir para a fase ativa durante a aplicação do misoprostrol, não é necessária a indução com a ocitocina, salvo algumas exceções bem específicas.

Indução do parto com ocitocina

A ocitocina é um hormônio que desempenha diversas funções, incluindo a de regular as contrações durante o trabalho de parto. A administração de ocitocina sintética é a técnica de indução do parto mais utilizada atualmente devido a seu perfil de segurança e de eficácia. Ela induz o aumento da frequência e da intensidade das contrações uterinas. Isso estimula uma maior dilatação do colo uterino e facilita a expulsão do bebê.

Essa medicação é normalmente administrada, aos poucos, por via intravenosa (IV). Suas doses são cuidadosamente ajustadas a partir dos dados vitais do bebê (como a frequência cardíaca) e das características das contrações da paciente.

Uma das vantagens da indução com a ocitocina é que ela pode ser revertida rapidamente com a interrupção da infusão do medicamento, o que pode ser necessário no caso de complicações. Apesar de muito segura, a técnica também pode ter alguns efeitos colaterais. O mais comum deles é a taquissistolia (mais de 5 contrações a cada 10 minutos), o que pode comprometer a evolução fisiológica do parto e causar estresse para o bebê. Por esse motivo, a indução do parto (como qualquer intervenção médica) deve ser reservada para situações em que é realmente necessária.

Amniotomia

A amniotomia é um procedimento realizado para romper as membranas que envolvem o feto (a famosa “bolsa”) quando elas não se romperam espontaneamente. Com isso, é possível induzir e acelerar o trabalho de parto. Ele somente deve ser feito quando o bebê já está em posição de parto e a dilatação uterina estiver avançada. Além disso, está contraindicado em pacientes com boa evolução do parto normal.

A amniotomia relativamente simples (mas não sem riscos), feita de acordo com os seguintes passos:

  • A mulher é colocada em uma posição deitada ou inclinada;
  • O toque vaginal é realizado para verificar a dilatação do colo do útero e o toque abdominal é feito para identificar a posição da cabeça do bebê;
  • O profissional de saúde insere um instrumento estéril especializado através do canal vaginal e do colo do útero. Ele conta com uma pequena ponta afiada, a qual é usada para fazer um pequeno orifício na bolsa. Assim, o líquido amniótico começa a vazar.

A amniotomia estimula a evolução do parto, pois provoca a liberação de prostaglandinas e outras substâncias que atuam na parede uterina. O procedimento, entretanto, tem seus riscos, como infecções, descolamento prematuro da placenta, a compressão do cordão umbilical e o sofrimento fetal. Por isso, dentro dos paradigmas do parto humanizado, a decisão de realizar uma amniotomia é compartilhada entre a mulher e seu médico, considerando as circunstâncias individuais do parto e as melhores evidências científicas.

Portanto, a indução do parto é um procedimento indicado quando a espera da evolução do parto está desfavorável para a saúde da mãe ou do bebê. Ele não deve ser feito rotineiramente, pois traz riscos importantes. O ideal é sempre deixar o parto ocorrer da forma mais natural (fisiológica) possível.

Quer saber mais sobre o parto induzido e suas indicações? Confira este artigo sobre o tema!