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Gravidez de risco: saiba mais sobre essa condição

O termo “gravidez de risco” não é o mais adequado. Afinal, toda gestação traz determinados riscos tanto para a mulher quanto para o bebê. A diferença, então, é relacionada à probabilidade que esses riscos ocorram.

A maioria das gestações traz um risco habitual (“baixo”) de complicações materno-fetais. Devido a algumas características e condições médicas, as gestações podem ser consideradas de alto risco. Esses riscos abrangem qualquer processo de comprometimento da saúde ou o óbito da mãe e/ou do feto.

Por esse motivo, é necessário que sejam tomadas medidas preventivas para reduzir as chances de um desfecho negativo ou minimizar seus efeitos.

Quer saber mais sobre o tema? Acompanhe nosso post!

Por que uma gestação é considerada de alto risco?

São as gestações em que se identificam fatores relacionados a uma maior chance de ocorrerem desfechos negativos, como:

  • Abortamentos;
  • Parto prematuro;
  • Morte neonatal;
  • Morte materna em decorrência de complicações gestacionais ou puerperais;
  • Adoecimento materno ou piora de uma doença de base por causa da gestação;
  • Problemas de desenvolvimento intraútero;
  • Comprometimento orgânico do bebê.

Portanto, de forma geral, um pré-natal de alto risco significa que é necessário um cuidado diferenciado a fim de prevenir uma evolução negativa da gestação e/ou a morbimortalidade materno-fetal.

Esses riscos são descobertos em estudos que acompanham milhares de gestantes e descobrem as relações. Por exemplo, sabe-se que a diabetes gestacional e a pré-eclâmpsia estão relacionadas a partos prematuros.

É muito importante que a mulher entenda o que significa essa classificação tem o objetivo de individualizar os cuidados no pré-natal, e não fazer uma previsão do futuro.

Mesmo em uma gestação de baixo risco, podem ocorrer complicações com diferentes níveis de gravidade.

Da mesma forma, uma gestação de alto risco pode transcorrer sem nenhum desfecho negativo. Justamente, o objetivo de um cuidado mais próximo nesses casos é evitar que eles ocorram.

Quais situações podem levar à classificação de “gravidez de risco”?

Idade materna

Mulheres com menos de 17 anos apresentam uma maior chance de desenvolvimento de complicações devido à imaturidade do sistema reprodutor.

Já as gestações de mulheres com mais de 35 anos apresentam um alto risco devido ao envelhecimento do organismo. Por exemplo, o número de abortamentos e defeitos genéticos do feto aumentam significativamente.

Condições médicas maternas prévias ou atuais

Algumas doenças e síndromes podem aumentar os riscos de uma gestação, como:

  • Hipertensão arterial;
  • Problemas nos pulmões, rins ou coração;
  • Diabetes;
  • Doenças autoimunes, como o Lúpus;
  • Infecções sexualmente transmissíveis (ISTs);
  • Infecções urinárias não tratadas.

Histórico de complicações obstétricas

Eventos em gestações passadas também podem apontar para uma maior probabilidade de desfechos negativos na gravidez atual, como:

  • Abortamentos espontâneos de repetição;
  • Relato de abortamento autoprovocado anteriormente;
  • Doenças gestacionais anteriores;
  • Óbito neonatal prévio.

Doenças gestacionais atuais

Há também doenças que surgem no contexto das gestações devido às suas diversas alterações fisiológicas.

  • Pré-eclâmpsia — aumento da pressão arterial acompanhado pela presença de proteína na urina;
  • Diabetes gestacional — elevação significativa dos níveis de glicose no sangue.

Uma gestação também pode ser considerada de alto risco devido às características de sua evolução exclusivamente. Ou seja, não há nenhum fator materno ou fetal. Esse é o caso, por exemplo, de:

  • Placenta prévia, em que a placenta pode cobrir todo o colo uterino, impedindo a passagem do bebê em um parto natural;
  • Ruptura prematura das membranas uterinas;
  • Alterações no volume ou nas características do líquido amniótico.

Como é o acompanhamento de uma gestação de alto risco?

A principal medida a ser tomada diante da identificação de riscos elevados é a individualização do cuidado. As condutas adotadas dependerão das condições biopsicossociais de cada mulher e cada gestação.

Em geral, a principal medida nas gestações de alto risco é um acompanhamento pré-natal com consultas mais frequentes. Além disso, pode ser indicada a realização de exames complementares diferentes ou em intervalos mais próximos, como:

  • Ultrassonografias no 1º, 2º e 3º trimestre;
  • Ultrassom para medida do comprimento cervical e/ou caracterização morfológica;
  • Triagem genética pré-natal pelo sangue materno;
  • Triagem genética pré-natal pelo líquido amniótico e células da placenta.

Há gestações de alto risco, porém, que podem exigir cuidados mais complexos, como os descritos abaixo:

  • Antecipação do parto com a devida preparação da mulher e do parto para prevenir complicações comuns na prematuridade;
  • Realização de uma cesariana por razões médicas;
  • Internação da gestante;
  • Presença de médicos especialistas na sala de parto;
  • Preparação de uma estrutura hospitalar mais complexa, como reserva de leito de UTI, de bolsas de sangue ou outros suprimentos.

Como prevenir uma gravidez de risco?

Uma das melhores ações para a prevenção de gestações de alto risco é o planejamento da gestação em consultas pré-concepcionais. Nelas, antes de iniciar

  • Suplementação com nutrientes importantes para o desenvolvimento fetal;
  • Melhora dos hábitos de vida;
  • Controle de doenças de base identificada;
  • Aconselhamento genético, entre outras medidas.

Por tudo isso, o diagnóstico de uma gravidez de risco é algo que traz muitas dúvidas e ansiedade nas mulheres. No entanto, é importante que as gestantes entendam que se trata de uma previsão, mas de uma maior probabilidade.

Portanto, gestações de baixo risco podem evoluir para complicações importantes. Da mesma forma, uma gravidez de risco pode evoluir bem, especialmente quando os cuidados adequados são tomados desde cedo.

Quer saber mais sobre o acompanhamento pré-natal de gestações de alto risco? Acompanhe o nosso post!

Eclâmpsia: o que é?

Os cuidados com a saúde da mulher devem ser redobrados durante a gestação. Afinal, seu corpo passa por diversas mudanças. Na maioria das vezes, o corpo da gestante se adapta sem complicações. No entanto, em alguns casos, podem surgir as doenças gestacionais, como a pré-eclâmpsia e a eclâmpsia.

Essas condições estão dentro do grupo das doenças hipertensivas gestacionais, que apresentam um espectro de gravidade. A eclâmpsia é a mais grave de todas elas, apresentando um elevado risco para a saúde da mãe e do bebê. Quer saber mais sobre o tema? Acompanhe nosso post!

Quais são as doenças hipertensivas gestacionais? O que é a eclâmpsia?

A eclâmpsia é a ocorrência de convulsões tônico-clônicas generalizadas ou de coma em mulheres diagnosticadas previamente com uma das seguintes condições:

  • Hipertensão arterial crônica (não é uma doença gestacional, estando presente antes da 20ª semana de idade gestacional;
  • Pré-eclâmpsia, incluindo também um de seus agravamentos, a síndrome HELLP;
  • Hipertensão gestacional. Neste caso, possivelmente a HG é possivelmente um diagnóstico inicial ou temporário para uma paciente que evoluiu para a eclâmpsia antes de ter preenchidos os critérios para a pré-eclâmpsia.

Portanto, podemos dizer que a eclâmpsia como o estágio conclusivo e mais grave dentro do amplo espectro das doenças hipertensivas na gestação. Ela evidencia um comprometimento orgânico significativo da mulher.

O que é a pré-eclâmpsia?

Em pacientes sem hipertensão arterial prévia, a pré-eclâmpsia é definida como:

  • hipertensão que surge após as 20 semanas de gestação;
  • proteinúria, isto é, níveis elevados de proteína na urina.

Em casos de doença trofoblástica gestacional ou hidropsia fetal, porém, a pré-eclâmpsia pode ser diagnosticada com o aumento dos níveis pressóricos antes de 20 semanas.

Ademais, na ausência de proteínas na urina, pode ser feito o diagnóstico presuntivo da pré-eclâmpsia quando a hipertensão é acompanhada de:

  • cefaleia;
  • distúrbios visuais;
  • dor abdominal;
  • plaquetopenia;
  • aumento de enzimas hepáticas.

Em pacientes com hipertensão arterial crônica, a pré-eclâmpsia pode ser diagnosticada diante da elevação significativa em relação aos níveis pressóricos prévios ou evidência de proteinúria após a 20ª semana.

Pré-eclâmpsia grave

A classificação da gravidade da pré-eclâmpsia também é muito importante para o seu diagnóstico. Pelas recomendações do Ministério da Saúde, a pré-eclâmpsia é grave quando houver uma ou mais das seguintes alterações:

  • “Pressão arterial diastólica igual/maior que 110 mmHg;
  • Proteinúria igual/maior que 2,0g em 24 horas ou 2+ em fita urinária;
  • Oligúria (menor que 500ml/dia, ou 25ml/hora);
  • Níveis séricos de creatinina maiores que 1,2mg/dL;
  • Sinais de encefalopatia hipertensiva (cefaleia e distúrbios visuais);
  • Dor epigástrica ou no hipocôndrio direito;
  • Evidência clínica e/ou laboratorial de coagulopatias;
  • Plaquetopenia (<100.000/mm3);
  • Aumento de enzimas hepáticas (AST ou TGO, ALT ou TGP, DHL) e de bilirrubinas;
  • Presença de esquizócitos em esfregaço de sangue periférico;

Outros sinais que podem sugerir o diagnóstico são:

  • Acidente vascular cerebral;
  • Sinais de insuficiência cardíaca ou cianose;
  • Presença de RCIU (restrição de crescimento intrauterino) e/ou oligohidrâmnio.

O que leva à eclâmpsia?

Ao contrário do que muitas gestantes acreditam, a pré-eclâmpsia grave não é sinônimo de eclâmpsia. São duas condições diferentes! A principal característica da eclâmpsia são as convulsões do tipo tônico-clônicas, que não estão presentes na pré-eclâmpsia nem leve nem grave.

De acordo com as definições do Manual Técnico da Gestação de Alto Risco, a eclâmpsia se caracteriza por:

  • “presença de convulsões tônico-clônicas generalizadas ou coma em mulher com qualquer quadro hipertensivo, não causadas por epilepsia ou qualquer outra doença convulsiva. Pode ocorrer na gravidez, no parto e no puerpério imediato”.

Essa definição é importante para desfazer alguns mitos sobre a eclâmpsia:

  • A paciente não precisa ter pré-eclâmpsia para que desenvolva a eclâmpsia. A condição pode estar relacionada a outros distúrbios hipertensivos, como a hipertensão gestacional e hipertensão arterial crônica;
  • A eclâmpsia pode ocorrer mesmo depois do parto, no puerpério imediato (1º ao 10º dia pós-parto).

Pródomos da eclâmpsia

A eclâmpsia geralmente é antecedida por alguns sinais e sintomas (pródromos) em pacientes diagnosticadas previamente com distúrbios hipertensivos, como:

  • Dor de cabeça (cefaleia) persistente, geralmente frontal ou occipital, ou em trovoadas;
  • Alterações visuais variadas, como escotomas, perda de visão, embaçamento, diplopia, defeitos no campo visual e fotofobia;
  • Dor na região estomacal ou no quadrante superior direito do abdômen;
  • Por esse motivo, a ocorrência de alguma dessas manifestações nesse grupo de gestantes é considerada uma urgência obstétrica.

Em aproximadamente um quarto dos casos, porém, as crises convulsivas não são antecedidas por nenhum sintoma. Pelo motivo acima, a identificação da pré-eclâmpsia e de distúrbios hipertensivos é um passo muito importante para a prevenção da eclâmpsia e das suas complicações.

Eclâmpsia e o parto

A eclâmpsia é uma condição de extrema gravidade, trazendo elevado risco de morte materna. Por esse motivo, independentemente da idade gestacional, a antecipação do parto é uma conduta muito importante. Seus preparativos devem ser realizados após a estabilização da gestante.

De acordo com as recomendações do Ministério da Saúde, deve-se dar preferência à realização do parto normal. A cesariana está indicada especialmente em situações de:

  • instabilidade clínica que contraindique ou impossibilite a realização de esforços extenuantes;
  • previsão de um trabalho de parto prolongado ou que não pode ser efetuada em um período razoável de também.

A técnica de indução dependerá da idade gestacional, de forma individualizada. Todo o processo deve seguir os princípios do parto humanizado.

O acompanhamento pré-natal adequado é a medida mais importante para a prevenção da eclâmpsia. Além de serem tomadas condutas para a estabilização das doenças hipertensivas, os exames realizados rotineiramente permitem o diagnóstico precoce. Diante da evidência de agravamento dessas condições, é possível iniciar uma monitorização mais próxima da gestante, inclusive em ambiente hospitalar.

Quer saber mais sobre a pré-eclâmpsia, seu diagnóstico e tratamento? Confira nosso artigo completo sobre o assunto!

Plano de parto: resgatando os sentidos do nascer

O parto é um momento muito especial na vida da mulher. Portanto, ele deve ser sempre pensado para oferecer a melhor experiência para ela. Para isso, a humanização de toda a assistência ao parto é essencial, sendo o plano de parto um instrumento muito importante para garantir esse objetivo.

Esse documento é construído com a sua participação, — em um processo em que você conhece mais sobre o parto e suas possibilidades. Por si só, portanto, a confecção do plano de parto é uma experiência muito rica para a mulher.

Quer saber mais sobre o tema? Acompanhe nosso post!

O que é o plano de parto?

O plano de parto é um documento que a mulher elabora junto com o médico que acompanha a sua gestação e com o obstetra que realizará o parto.

Portanto, idealmente, o plano de parto pode ser construído durante o pré-natal da gestante. Nesse acompanhamento, o profissional buscará identificar as características suas e da sua gestação, buscando a individualização biopsicossocial da assistência médica.

A comunicação é um ponto importante do processo, a partir da qual você conhecerá as possibilidades de parto individualizadas à sua gestação e entenderá o que acontece com o seu corpo durante desde o início do trabalho de parto.

Você é convidada a assumir o protagonismo do seu parto, a refletir calmamente sobre cada opção e terá a autonomia para tomar muitas decisões sobre o parto.

Com isso, o plano de parto tem muitas informações seja um momento principalmente seu, unindo segurança técnica e afetividade, como:

  • As características da mulher, do feto e da gestação;
  • O seu contexto cultural, social e familiar;
  • As suas emoções, perspectivas e expectativas em relação ao parto.

Um dos principais objetivos do plano de parto é a humanização desse momento. Ao longo dos anos, a medicina se tornou mais presente no parto. Isso teve resultados muito positivos, como a redução das complicações e da taxa de mortalidade materno-fetal.

Entretanto houve também alguns efeitos negativos devido ao excesso da intervenção médica no parto. Então, seu significado como um momento da mulher pode se perder, tornando-o um procedimento médico objetivo com pouca atenção à importância subjetiva para as pessoas.

Por isso, foi criado o conceito de parto humanizado, que preconiza:

  • O protagonismo da mulher — a gestante é convidada a expressar seus desejos em relação ao parto desde o pré-natal, compreendendo o que pode ocorrer a cada momento. Assim, ela tem autonomia para decidir, por exemplo, sobre o tipo de parto e a ambientação da sala, desde que as escolhas não tragam riscos para a ela e o bebê;
  • Individualidade biopsicossocial — respeito ao corpo, à mente e ao contexto da gestante;
  • Medicina baseada em evidências — você conhecerá as técnicas de assistência ao parto com eficácia reconhecida e as suas indicações, assim como os riscos e os benefícios individualizados ao seu caso.

O que a mulher pode pedir?

A mulher tem uma autonomia muito ampla no parto humanizado, mas é preciso entender que o bem-estar dela e do bebê estão acima de tudo. Nesse sentido, alguns procedimentos imprevistos no plano podem ser realizados para garantir esse objetivo.

Escolhendo o tipo de parto

Por exemplo, o parto normal pode ser executado com diferentes técnicas e formas:

  • na água;
  • de cócoras;
  • em pé;
  • tipo Leboyer, o qual é realizado preferencialmente fora de centros cirúrgicos em um ambiente com pouca luz e silencioso.

O parto normal também pode ser:

  • Natural — nessa modalidade, não há a intervenção médica nos fenômenos fisiológicos e anatômicos do parto, como procedimentos invasivos e administração de medicações. Contudo há ainda a assistência médica, que monitorará a evolução do parto e da saúde da mãe/bebê. Em caso de complicação, o parto natural pode ser convertido em parto;
  • Com intervenções médicas — você pode programar no seu parto algumas medidas interventivas, como a aplicação de analgésicos e anestésicos para reduzir a dor do trabalho.

Da mesma forma, você pode expressar se deseja que alguns procedimentos sejam reservados apenas para situações de necessidade clínica. Por exemplo, a episiotomia é um procedimento com algumas indicações técnicas, mas não apresenta benefícios se empregada indiscriminadamente.

Ações para que o parto seja um momento da gestante com seu bebê e sua família

Também, você poderá pedir determinadas medidas que deixam o momento do parto mais pessoal e afetivo, como:

  • espelho para ver o nascimento do seu bebê;
  • seu parceiro cortar o cordão umbilical;
  • contato imediato, pele a pele, com o bebê após o parto.

Essas medidas fortalecem o vínculo e resgatam também os sentidos originais do parto, que é principalmente o início de uma relação especial entre pessoas.

Ambientação do parto: estimulando os cinco sentidos

O objetivo da ambientação é estimular os sentidos da gestante para que o momento do parto se torne mais tranquilizante, afetuoso, pessoal e humano. Nesse sentido, você pode requerer:

  • Músicas suaves ou elaborar uma playlist pessoal para ser tocada na sala;
  • Itens que estimulam o tato e a motricidade, como as bolas de nascimento, os pufes e as cadeiras de parto;
  • Registro do evento por fotos ou vídeos;
  • Infusão de essências suaves.

Depois de finalizado, o seu plano de parto é revisado pelo obstetra que fará o parto e pactuado com o estabelecimento de saúde, no caso de partos hospitalares. Além disso, é importante saber que os partos são eventos muito dinâmicos. Portanto, no dia do parto, podem ocorrer imprevisibilidades que exigem alterações no plano. Então, deve-se manter certa flexibilidade.

Quer saber mais sobre o plano de parto? Confira nosso texto completo sobre o tema!

Como e quando é feita a versão cefálica externa (VCE)?

Para que o parto normal transcorra bem, o bebê precisa estar posicionado adequadamente para que passe pelo canal de parto. Ou seja, ele deve estar com sua cabeça voltada para o canal vaginal, a chamada posição cefálica. Quando isso não ocorre e a mulher reúne condições para um parto normal, existe uma manobra manual que pode corrigir o posicionamento e permitir um parto normal. É a versão cefálica externa (VCE).

Os registros históricos mostram que a versão cefálica é utilizada há muitos séculos, porém, a técnica foi abandonada à medida que as cesarianas se tornaram mais comuns.

Atualmente, porém, os estudos vêm mostrando tanto os riscos trazidos pelas cesarianas sem razão médica quanto a segurança da VCE. Então, o valor da VCE está cada vez mais sendo reconhecido. Quer entender melhor esse tema? Acompanhe!

Por que a versão cefálica externa pode ser necessária?

A versão cefálica externa é uma manobra realizada com o objetivo de viabilizar a realização de partos normais quando a apresentação do bebê é o principal empecilho.

Nos últimos anos, várias evidências científicas mostraram que o excesso de cesarianas sem justificativa clínica pode expor as mulheres a complicações.

Por ser um procedimento cirúrgico, as cesarianas apresentam um maior risco de complicações para a mãe e o bebê. Da mesma forma, foram identificados diversos benefícios do parto normal, que podem ser vistos neste post.

Portanto, a VCE vem ganhando espaço por ser um procedimento muito seguro com o objetivo de:

  • Viabilizar um parto normal quando a posição é o único empecilho para a sua realização;
  • Aumentar a proporção de fetos em apresentação cefálica no momento do nascimento;
  • Evitar que um parto normal seja convertido em cesariana, um procedimento cirúrgico com maior risco do que os nascimentos vaginais assistidos pela VCE.

Nesse sentido, a eficácia da VCE é medida principalmente pelos seguintes desfechos:

  • A taxa de sucesso geral da VCE em evitar cesarianas foi de 49% a 58%;
  • Quando a versão cefálica é realizada, 97% dos fetos permanecem em posição cefálica até o nascimento. Desses 97%, 86% dos partos são feitos pela via vaginal. Nos outros 14%, a cesariana precisou ser realizada.

De forma geral, o procedimento é de muito baixo risco quando realizado em situações em que não há contraindicações importantes.

Quando a versão cefálica externa pode ser realizada?

Idealmente, a versão cefálica externa é realizada entre a 36ª e a 38ª semana de gestação. Entretanto, em algumas situações, pode ser realizada inclusive durante o trabalho de parto desde que não tenha ocorrido a ruptura das membranas ou da bolsa amniótica.

Fatores preditores de sucesso

Alguns fatores aumentam as chances de seu sucesso, como:

  • Bebês em apresentação transversa;
  • Gestantes negras;
  • Experiência do obstetra com a VCE;
  • Placenta posterior;
  • Índice de líquido amniótico (ILA) maior ou igual a 10.

Contraindicações

Quaisquer contraindicações absolutas ao parto normal são impeditivas da realização da VCE, visto que o objetivo do procedimento é evitar um parto cesariano. Já nas contraindicações relativas, é necessário individualizar a decisão de acordo com cada gestação.

Outras contraindicações mais específicas à VCE são:

  • Evidência de hipóxia fetal (privação de oxigênio para o feto) aguda ou crônica;
  • Instabilidade clínica materna;
  • Rupturas de membranas com dilatação cervical devido ao risco de prolapso do cordão umbilical. Essa complicação grave ocorre quando o cordão umbilical desliza pelo colo do útero antes do nascimento, o que reduz o fluxo de sangue da mãe para o feto;
  • Oligodrâmnio acentuado, isto é, uma quantidade deficiente de líquido amniótico. Isso reduz o espaço de movimentação do corpo do feto e aumenta o risco de traumas durante a VCE;
  • Restrição ao crescimento fetal;
  • Malformações fetais;
  • Anomalias e disfunções uterinas;
  • Cicatrizes uterinas pélvicas;
  • Cabeça fetal hiperextendida;
  • Placenta descolada.

As chances de sucesso da VCE são menores quando:

  • Nuliparidade;
  • Obesidade;
  • Espinha fetal localizada posteriormente;
  • Músculos abdominais maternos firmes;
  • Apresentação pélvica persistente (ou seja, apresentação pélvica confirmada durante cada exame de ultrassom do meio da gestação em diante);
  • Membranas rompidas;
  • Útero tenso;
  • Cabeça fetal não palpável;
  • Espessura miometrial mais fina.

Em casos mais raros, um cordão umbilical mais curto também diminui as chances de sucesso.

Como ela é feita?

O primeiro passo é a realização de uma ultrassonografia para avaliar o posicionamento do feto e da placenta, assim como avaliar o volume de líquido amniótico, a anatomia uterina e fetal. Com isso, podem ser identificadas eventuais contraindicações e fatores que reduzem as chances de sucesso da VCE.

Para tornar o procedimento mais seguro, o procedimento é preferencialmente realizado por volta da 36ª semana de gestação. Nessa fase, o feto já apresenta um bom tônus muscular e há um menor risco de retorno para posições não cefálicas após a manobra.

Dentro dos princípios do parto humanizado, a VCE é sempre realizada com o consentimento da gestante. Ela é informada sobre os riscos e benefícios da VCE, além dos passos da manobra.

Muitas mulheres realizam o procedimento sem que seja necessária a administração de medicações antes ou durante o procedimento. Contudo pode ser necessário utilizar inibidores das contrações uterinas para facilitar a manobra em alguns casos.

Em geral, as pacientes relatam apenas uma dor moderada e tolerável durante a realização da VCE. Analgésicos orais e venosos podem ser utilizados para amenizar esse sintoma. Alguns obstetras recomendam ainda a utilização de anestesia peridural para o procedimento.

A manobra é feita com a gestante deitada de costas. Pela parede abdominal, é feito um movimento rotacional: pelve fetal é elevada e deslocada lateralmente por uma mão do obstetra, enquanto a cabeça é manipulada pela outra mão no sentido oposto.

A VCE pode ser repetida até o limite de seis tentativas de acordo com as principais recomendações atuais. Em geral, como vimos, em grande parte dos casos, ela é bem-sucedida dentro desse limite e o feto atinge a posição cefálica antes do parto.

Quer entender melhor a VCE e como ela é executada? Então, confira nosso artigo completo sobre o tema!

Fórceps: veja as indicações e contraindicações

Existem muitas dúvidas entre as gestantes e, em suas pesquisas sobre o parto, elas podem encontrar informações equivocadas sobre o fórceps. É essencial esclarecê-las, pois esse instrumento é muito importante em determinados casos e pode salvar vidas e evitar complicações para a mãe e o bebê.

Todos os procedimentos médicos carregam intrinsecamente algum risco de complicação. Por isso, eles não podem ser utilizados indiscriminadamente, devendo ser reservados para situações em que os benefícios que eles proporcionam são maiores do que os riscos.

O fórceps é um instrumento cirúrgico com uma aparência semelhante a uma pinça de salada em formato de colher. Sua forma foi pensada para minimizar as chances de lesão no bebê e na mãe, durante a sua passagem pelo canal de parto.

Ele é empregado para facilitar a saída do bebê, especialmente nos partos por via vaginal, em situações que, por condições maternas ou fetais, o bebê precisa ser guiado para fora do canal de parto.

Nesse sentido, a mulher não deve temer o fórceps quando ele é utilizado dentro das indicações adequadas. Quer entender melhor? Acompanhe o nosso post!

O que é o fórceps?

O fórceps é um instrumento cirúrgico utilizado para a assistência a partos. De forma geral, podemos dizer que ele é indicado nas seguintes situações de dificuldade de evolução do parto:

  1. Quando há sinais de risco de comprometimento do organismo do feto. O principal indicador utilizado na sala e parto para o sofrimento fetal agudo é a queda do batimento cardíaco do bebê;
  2. Esgotamento da força materna para o parto durante a passagem do bebê pelo canal vaginal.

Como dissemos, ele se parece com uma pinça de salada. No parto normal, ele é inserido através do canal vaginal da mulher. Sua forma foi pensada para que haja uma melhor adaptação à anatomia da região a fim de evitar lesões maiores.

O uso do fórceps deve ser feito com a mulher sob anestesia, em ambiente hospitalar. Em algumas situações, pode ser preciso um procedimento adicional, a episiotomia, que é a incisão efetuada na região do períneo (área muscular entre a vagina e o ânus) para ampliar a o canal de parto.

Sua inserção ocorre no período entre as contrações. Então, ele deve posicionado adequadamente na cabeça do bebê, que será pinçada delicadamente para auxiliar o seu trajeto durante o parto. Na técnica correta, não há uso de força excessiva sobre o bebê.

Quais são as indicações do fórceps?

O fórceps é indicado em situações, como:

Dificuldade de empurrar o bebê adequadamente o bebê

A força para a expulsão do bebê é conhecida tecnicamente como empuxo. Quando a mulher não é capaz de fazer empuxo suficiente para a progressão do bebê através do canal de parto, o fórceps pode ser utilizado para guiá-lo e evitar o sofrimento fetal prolongado.

Trabalho de parto prolongado

Há situações em que o empuxo é suficiente e a mulher empurra o bebê de forma adequada. Contudo não há progressão significativa por um período. Seria um período expulsivo prolongado.

Problemas de saúde materna

Em algumas condições clínicas da mãe, o uso excessivo de força pode fazer com que suas doenças de base se agravem ou desencadeiem complicações. Esse é o caso de algumas doenças cardíacas e de níveis elevados de pressão arterial. Nesse sentido, é mais seguro fazer um parto assistido à fórceps.

Alterações no batimento cardíaco fetal

Durante todo o tipo de parto, os batimentos cardíacos do bebê são monitorados com bastante atenção. Por isso, mesmo quando o bebê está posicionado adequadamente e a mãe apresenta condições para o parto, o sofrimento fetal pode levar à indicação da assistência ao parto pelo fórceps.

Dificuldades de desprendimento do canal vaginal

Em alguns casos, há uma dificuldade para o desprendimento espontâneo do feto para fora do canal vaginal. Essa é outra situação em que a assistência do fórceps reduz o risco de evolução negativa.

Quando o fórceps é contraindicado?

Há também algumas situações que trazem contraindicações ao uso do fórceps, pois seu uso traria maiores riscos para a mãe e o bebê. Os principais são:

  • Doenças fetais neurológicas ou osteomusculares que afetam a força óssea, como a osteogênese imperfeita;
  • Mãe ou bebê apresentam distúrbios hemorrágicos, como a hemofilia;
  • A progressão do feto através do canal de parto é insuficiente (a cabeça ainda não ultrapassou o ponto médio);
  • Dificuldade ou impossibilidade de identificar a posição da cabeça do bebê;
  • Feto apresenta seus braços ou ombros à frente da cabeça no canal de parto;
  • Há evidência de desproporção cefalopélvica. Por exemplo, nos casos de fetos macrossômicos (acima de 4 kg) ou diâmetros reduzidos da bacia materna, mesmo quando o bebê tem dimensões normais.

Dentro das indicações corretas e fora das contraindicações acima, o parto assistido pelo fórceps traz benefícios superiores aos riscos para a mãe e o bebê. Nessas situações, é um procedimento que salva vidas.

Por esse motivo, quando há um risco para a vida do bebê, seu uso está acima do desejo da mãe. Quando utilizado indiscriminadamente, por sua vez, pode ser visto como uma violência obstétrica. Por esse motivo, é essencial que o médico siga os princípios do parto humanizado!

Quer saber mais sobre o fórceps e como ele é utilizado dentro dos paradigmas do parto humanizado? Confira este post sobre o tema!

Distocia e parto: qual a relação?

A distocia do parto (parto lento ou preso) é o trabalho de parto anormalmente prolongado, o que pode ocorrer devido a diferentes fatores.

Para que essa complicação obstétrica seja diagnosticada, é preciso que ela ocorra na primeira ou na segunda fase do trabalho de parto, isto é, entre o início da contração até o processo de passagem do feto pelo canal após a dilatação completa do colo.

A distocia é a principal causa de conversão de um parto normal em parto prematuro.

Em um cenário ideal, em que evitamos as cesarianas eletivas sem indicação médica, a distocia seria a principal justificativa para as cesarianas em geral, representando cerca de um terço.

Esse é o cenário de países que conseguiram reduzir a taxa de partos cirúrgicos. Quer saber mais sobre o que é a distocia e seu tratamento? Confira este texto!

As fases do parto e sua relação com a distocia

Fase latente

A fase latente pode durar várias horas. Nela, iniciam-se as contrações, as quais são fundamentais para a condução do bebê até o canal de parto. Elas apresentam uma mudança de comportamento ao longo do parto, o que auxilia na diferenciação das fases e no diagnóstico da distocia.

No período de latência, elas estão ainda irregulares. Contudo a gestante relata que já incomodam mais do que as cólicas habituais da gestação e estão ficando progressivamente mais coordenadas.

Já a dilatação do colo pode estar com até 3 ou 4 cm, ocorrendo em tempo variável para cada gestação. Com isso, pode acontecer também a perda do tampão mucoso.

Apesar de poder ser muito longa, a não evolução da fase latente para a ativa associada à redução da vitalidade podem indicar a distocia.

Fase ativa

Esse é o início do trabalho de parto propriamente dito, com contrações cada vez mais fortes e próximas. Normalmente, ocorrem 3 a 4 contrações fortes regularmente, a cada 10 min. Nessa situação, espera-se uma dilatação cervical superior a 6 centímetros. Caso contrário, acende-se o alerta para o risco ou a ocorrência de distocia.

Período expulsivo

Nessa fase, o colo uterino deve estar com aproximadamente 10 cm de dilatação, enquanto as contrações uterinas estão cada vez mais vigorosas. Então, os reflexos da parturiente a levam aplicar cada vez mais força na região pélvica para estimular a expulsão do bebê.

É nesse período que as pacientes relatam o pico da dor do parto, com contrações mais dolorosas e sensação de queimação no períneo, o que indica o início da saída do bebê. A duração da expulsão é variável de mulher para a mulher, podendo demorar alguns minutos ou mesmo diversas horas.

Quando a mulher está próxima da exaustão ou o bebê está com os batimentos cardíacos fora dos limites da normalidade, a distocia pode ser diagnosticada.

Fase da dequitação

É a fase após a expulsão completa do feto. Nela, o útero da mulher expulsa os anexos embrionários, como a placenta e a bolsa amniótica vazia. Portanto, não está relacionada com a distocia.

O que é a distocia?

A distocia é o trabalho de parto com uma duração ou evolução anormal, que pode ser dividida em quatro tipos principais:

  • Dificuldades da passagem devido à arquitetura pélvica da mãe;
  • Dimensões do bebê ou problemas na apresentação e na posição fetal;
  • Contração uterina insuficiente ou resistência cervical;
  • Associação de condições maternas e fetais.

Por isso, durante o parto é feito o partograma, em que acompanhamos periodicamente os seguintes fatores de evolução:

  • A frequência e força das contrações uterinas;
  • A dilatação do colo uterino;
  • Posição fetal.

Durante o trabalho de parto, em parte, as posições e atitudes do feto são determinadas pelas características da pelve da mãe. Para o parto, avaliamos principalmente a entrada, a pélvis média e a saída. Entre essas estruturas está o arcabouço ósseo, que limita o canal de parto. Em dimensões, a abertura da pelve ideal para o parto deve ser superior aos seguintes valores:

  • Parede anterior da sínfise púbica: 5 cm;
  • Parede posterior mede aproximadamente 10 cm.

Dimensões menores do que essas se relacionam com um trabalho de parto mais difícil, que possivelmente evoluirá para a distocia.

Durante o processo de evolução do trabalho, com a acomodação óssea, ocorre uma dilatação progressiva do canal de parto para permitir a passagem de todo o corpo bebê. Se isso não acontecer, mesmo mulheres com uma pelve ginecológica podem sofrer com a distocia.

Além dos ossos, outras estruturas do sistema reprodutor feminino podem levar a um parto mais difícil:

  • Miomas uterinos são as massas pélvicas mais comuns associadas à distocia, podendo obstruir o canal de parto ou levar à má apresentação fetal. Isso é mais comum em miomas volumosos (> 4 a 5 centímetros);
  • Massas ovarianas volumosas;
  • Distensão da bexiga;
  • Excesso de tecido adiposo;
  • Estreitamento do colo uterino (estenose cervical).

Em relação ao feto, o risco de distocia aumenta quando o peso é maior do que 4 a 4,5 quilos e ele não evolui para a apresentação cefálica (com a cabeça voltada para o canal de parto).

A identificação da distocia é feita com o monitoramento adequado do parto e a assistência médica humanizada. A partir disso, em decisão compartilhada com a gestante, o parto normal poderá ter sua evolução induzida ou ser convertido em parto cesariano.

Quer saber mais sobre a distocia e seus tipos? Confira nosso texto sobre o tema!

Parto humanizado: como respeitar os 5 sentidos humanos

O parto é uma das experiências mais complexas pelas quais as mulheres podem passar. Por isso, ele deve ser visto em sua integralidade, observando os fatores físicos, psicológicos e emocionais da gestante. No parto humanizado, a mulher é vista como a grande protagonista. Isso demanda o respeito aos seus 5 sentidos, buscando fazer com que o parto seja uma experiência memorável e positiva.

Afinal, a gestante merece todos os cuidados nesse processo tão delicado, em que suas vulnerabilidades ficam expostas. Então, dentro desse paradigma, o parto é visto como uma experiência humana e individual.

Quer saber mais sobre o tema? Acompanhe o nosso post!

O que é o parto humanizado?

O parto humanizado é um conceito que deve estar presente em qualquer tipo de parto, seja ele normal seja uma cesariana. Afinal, esse conceito não diz respeito às técnicas que serão empregadas, mas às condutas que são adotadas pelo médico e pela equipe de saúde.

Seu principal objetivo é centrar os cuidados dos profissionais nas pessoas que estão sobre sua assistência. Portanto, eles são incentivados a prestar bastante atenção à gestante em toda a sua complexidade para garantir o melhor para a sua saúde, bem-estar e a qualidade de vida.

Para isso, o parto humanizado tem três pilares:

Protagonismo da mulher — os desejos da mulher sobre todos os aspectos do nascimento. Nesse sentido, ela tem autonomia para tomar decisões desde que isso não ponha em risco a sua saúde e a do bebê. Quando possível, ela poderá escolher o tipo de parto (natural, normal assistido, cesariano), o local do nascimento, uso de anestesia, ambientação do local de nascimento e cuidados pós-natais;

Individualidade biopsicossocial — além de receber os melhores cuidados para identificar as características biológicas de cada parto, há também muita atenção às emoções, sensações, crenças, pensamentos, cultura e ao contexto social da mulher. Por exemplo, deve-se respeitar a opção religiosa e as restrições impostas por diferentes crenças;

Medicina baseada em evidências — o médico utiliza, de forma consciente e crítica, as melhores e mais atuais evidências científicas. Elas são individualizadas caso a caso, respeitando a individualidade de cada gestação, além dos valores e das preferências da paciente,

O plano de parto e a autonomia da gestante

O plano de parto é um documento construído ao longo do seu pré-natal em que você expressas seus desejos ao obstetra e à equipe que realizará o seu parto.

  • Informações básicas sobre você e a gestação;
  • O acompanhante desejado;
  • Preferências do parto;
  • Ambientação do local de parto;
  • Medidas de alívio da dor;
  • Especificidades religiosas, culturais ou sociais;
  • Alimentação e cuidados com o bebê após o nascimento.

Por lei, o obstetra deve respeitar plano de parto da gestante, pois a mulher tem autonomia para decidir sobre o próprio parto. Contudo, quando houver risco para a gestante e para o bebê, ele pode adotar medidas que não estão no plano de parto ou que divergem dele.

Os cinco sentidos no parto

A partir dos cinco sentidos, o corpo libera neurotransmissores e hormônios que afetam suas emoções. Por exemplo,

  • Um cheiro agradável ou uma música que traz boas memórias fazem com que sejam liberadas substâncias, como a dopamina e a serotonina, as quais trazem a sensação de satisfação e felicidade;
  • Por sua vez, as sensações negativas estimulam a liberação de cortisol, o qual pode aumentar a predisposição da mulher a sentir dor.

As emoções negativas, por sua vez, podem gerar memórias desagradáveis para a mulher. Então, o parto passa a ser visto como um momento ruim em vez de ser uma experiência muito satisfatória, como relatam muitas mulheres.

Por isso, no parto humanizado, nós buscamos respeitar todos os cinco sentidos

Visão

Fotos familiares e a visualização de um acompanhante fazem com que a mulher se sinta mais acolhida durante o parto. Além disso, trazem um tom mais afetivo, tornando-o mais um momento da mulher e menos um procedimento técnico “objetivo”.

Audição

Da mesma forma, a audição traz uma maior familiaridade para o momento:

  • Ouvir músicas que relaxam ou trazem memórias positivas;
  • Escutar a voz do acompanhante;
  • Perceber um tom de acolhimento e de tranquilidade nas falas da equipe de assistência.

Paladar

O paladar, apesar de não ser estimulado diretamente durante o estágio final do parto, pode ser estimulado. Nos momentos iniciais do trabalho de parto, a mulher pode se alimentar com comidas leves. Durante sua hospedagem pós-parto na maternidade, a mulher deve se alimentar bem.

Olfato

Na ambientação da sala do parto, você pode requisitar a infusão de essências e outros odores que lhe trazem sensações positivas. Outro ponto importante é o contato da mãe com o bebê o mais precoce quando possível. A troca de odores entre eles faz com que o vínculo seja fortalecido.

Tato

O tato está relacionado com a sensação de dor. No parto humanizado, são adotadas diversas medidas para a redução de dor durante e após o parto. Essas podem ser naturais ou farmacológicas (anestesia).

O objetivo do médico, no parto humanizado, é buscar não apenas um nascimento saudável para a mãe e o bebê, mas também o acolhimento, a satisfação da mulher e o fortalecimento do vínculo afetivo entre eles. Os cinco sentidos do corpo são fundamentais para esses objetivos, pois desencadeiam a liberação de neurotransmissores e hormônios relacionados às emoções.

Quer saber mais sobre o parto humanizado e como ele é feito? Confira este post sobre o tema!

Episiotomia no parto normal: quando pode ser realizada?

O parto normal acontece através do canal vaginal, o qual está relacionado a diversas estruturas. A abertura vaginal é o local final de saída do bebê, devendo se alargar para a sua passagem. A episiotomia é um corte feito no períneo, região entre o ânus e a vagina, com a finalidade de facilitar a dilatação do canal de parto.

No Brasil, ela vinha sendo realizada de forma rotineira, fora de indicações médicas, em um cenário de verdadeira violência obstétrica. Isso expunha as mulheres a diversas complicações, como as incontinências urinária e fecal. Hoje em dia, é recomendada em apenas algumas situações. Quer entender melhor? Acompanhe o nosso texto!

O que é a episiotomia?

Por se tratar de um corte que atravessa diversas camadas da pele, é um procedimento doloroso. Portanto, o primeiro passo, é a anestesia do local, mesmo que a gestante já tenha recebido outra medida de analgesia.

Depois disso, é feita uma incisão na região do períneo a partir de uma das duas técnicas a seguir:

  • Incisão na linha média, a qual é feita verticalmente seguindo o eixo que divide o corpo em direito e esquerdo. É a mais simples de ser reparada, mas traz maiores riscos de lesão da região anal;
  • Incisão mediolateral, que é feita em um ângulo de aproximadamente 50º em relação à linha média. Apesar de ser mais difícil de reparar e ser mais dolorosa, ela traz mais proteção contra uma lesão crônica na região anal.

Por que a episiotomia pode ser realizada?

A episiotomia, — vamos enfatizar bastante esse ponto —, é uma técnica invasiva de assistência ao parto normal. Portanto, está sujeita a determinados riscos. Ela pode ser realizada nos contextos em que os benefícios para a mãe e o bebê superam esses riscos.

Bebês acima de 4 quilogramas

O peso fetal é um fator determinante para a evolução do parto. Acima de quatro quilogramas, considera-se que eles são portadores de macrossomia, o alto peso. Essa condição é mais comum em bebês de gestantes que tiveram diabetes gestacional.

Com isso, durante a passagem pelo canal de parto normal, o feto poderia causar lesões graves na região do períneo. Esses danos estruturais poderiam provocar, por exemplo:

  • O comprometimento do assoalho pélvico, trazendo o risco de desenvolvimento de incontinência urinária na mulher;
  • incapacitação parcial ou total do esfíncter anal, um músculo muito importante para o controle da defecação. Dessa forma, a parturiente pode desenvolver incontinência fecal.

Essas complicações também podem ocorrer na episiotomia. Entretanto, por se tratar de um corte feito com todos os cuidados médicos, o risco é muito menor do que aquele relacionado à ausência de intervenção (lacerações de terceiro e quarto graus). Portanto, é um cenário em que os benefícios superam os riscos.

Distócia do ombro

Essa é uma situação em que o uso da episiotomia é controverso. Afinal, trata-se de um prolongamento do parto devido a um problema da parte óssea, e não das partes moles que são cortadas durante a episiotomia.

Mesmo assim, considera-se uma situação em que o procedimento está, sim, indicado. No entanto, dentro dos princípios do parto humanizado, a decisão deve ser compartilhada com a gestante pelo médico, depois de ele a informar a respeito das limitações.

Frequência cardíaca do bebê alterada

Tanto a frequência cardíaca alta quanto a baixa estão relacionadas a um pior prognóstico de saúde para o bebê, indicando sofrimento fetal. Por esse motivo, a episiotomia deve ser realizada para acelerar o parto e permitir uma avaliação mais ágil da saúde neonatal, além de reduzir o risco de eventos negativos, como o óbito fetal.

Posições anormais do bebê

Durante o trabalho de parto, o feto deve adotar a posição cefálica para o nascimento, isto é, sua cabeça deve estar voltada para o canal de parto. Posições pélvicas (sentado) e transversais (deitado) dificultam a passagem através do canal de parto.

Uma técnica não invasiva, a versão cefálica externa pode ser tentada antes de um procedimento mais invasivo. Em caso de insucesso, contraindicação ou de distócia mesmo após a versão, a episiotomia pode ser indicada.

Uso de fórceps

O fórceps é uma espécie de pinça especializada que é posicionada na cabeça do bebê para ajudá-lo a se guiar no canal vaginal durante o parto. Devido às suas dimensões e ao risco de laceração, além de ser geralmente empregado em um parto já complicado, a episiotomia pode também ser realizada juntamente à inserção do fórceps no canal vaginal da gestante.

A episiotomia é obrigatória no parto normal?

Não! Pelo contrário, ela deve ser a exceção. Na medicina, a indicação de procedimentos médicos deve sempre levar em consideração os respectivos riscos e os benefícios.

A maioria das gestações e dos partos apresenta uma evolução normal, sem complicações. Ou seja, quando realizada fora das indicações acima, os riscos da episiotomia são maiores do que qualquer benefício.

Então, a gestante está sendo sujeita a um procedimento, quando seu parto evoluiria normalmente. Um parto mais ágil não é justificativa para submetê-la a uma técnica que traz riscos das seguintes complicações:

  • Infecções;
  • Incontinência urinária e/ou fecal;
  • Cicatrizes e queloides;
  • Traumas psíquicos, entre outras possibilidades.

Dentro das indicações, é claro, ela é benéfica. Afinal, as complicações de não intervir seriam maiores do que a de realizar a episiotomia.

Seguindo os princípios do parto humanizado, sabe-se que as intervenções médicas devem ser feitas quando houver evidências científicas claras sobre seus benefícios (medicina baseada em evidências).

Mesmo nesses casos, a gestante deve ser informada sobre as características da episiotomia e fazer parte da decisão (protagonismo da gestante). Contudo, caso estejam presentes determinadas contraindicações, o médico deve avaliar a possibilidade de empregar outras intervenções para garantir um bom resultado no parto (individualização biopsicossocial).

Quer sobre mais sobre a episiotomia e como ela é feita? Confira nosso texto sobre o tema!

Parto induzido: indicações e contraindicações

Três eventos são importantes para que o trabalho de parto ocorra adequadamente: contrações uterinas, dilatação do colo e descida do bebê. De acordo com as condições, o parto induzido pode ser feito a partir de:

  • Amadurecimento do colo do útero: técnicas e medicamentos específicos estimulam o amadurecimento cervical, como as prostaglandinas (dilatação farmacológica) e a inserção de um cateter com um balão com solução salina (dilatação mecânica);
  • Ruptura da bolsa amniótica: a amniotomia é a abertura artificial na bolsa amniótica a fim de facilitar o trabalho. Contudo deve ser feita apenas se o bebê estiver em posição de parto e em um momento em que a dilatação do colo uterino está avançada;
  • Estímulo das contrações uterinas: para isso, aplica-se uma versão sintética da ocitocina, hormônio que provoca a contração uterina e a dilatação do colo. Pode ser utilizada quando o trabalho de parto já foi iniciado.

Em todos os casos, os sinais vitais (como a frequência cardíaca) do bebê são constantemente checados para verificar o estado de saúde fetal. Quer saber mais sobre as suas indicações? Confira o nosso post!

Quando o parto induzido pode ser indicado?

Gestação pós-termo

Após 42 semanas ou mais, a gestação passa a ser um risco para a mãe e o bebê. Com o crescimento do feto e o esgotamento dos recursos do organismo da mulher, a placenta perde a capacidade de proporcionar a oxigenação e a nutrição adequadas.

Ruptura de membranas prematura

Considera-se prematura a ruptura da bolsa amniótica antes de o trabalho de parto se iniciar. Isso torna o ambiente uterino inviável para o feto se muitas horas de rotura e sem evolução de trabalho, sendo necessário induzir as contrações uterinas e a dilatação do colo para que ocorra a expulsão. Consideramos também nas seguintes situações:

  • Se idade gestacional for maior que 34 semanas;
  • Em qualquer período da gravidez quando houver sinais de infecção ou comprometimento fetal.

Corioamnionite

A corioamnionite é a infecção dos anexos que auxiliam no suporte à vida fetal, como membranas fetais (âmnio e córion) e a placenta. Geralmente é resultante de uma infecção bacteriana concomitante.

A infecção traz diversos riscos de complicações obstétricas, como:

  • Aumento do risco de sepse materna ou neonatal no pós-parto;
  • Infecções adquiridas dentro do útero;
  • Outros problemas de desenvolvimento fetal e neonatal.

Restrição do crescimento fetal

Ao longo da gestação, o peso fetal é acompanhado periodicamente, pois esse é um dos principais parâmetros para avaliar se o ambiente intrauterino ou o feto estão saudáveis.

Um peso do bebê fetal menor do que o recomendado para a idade gestacional é, portanto, um sinal de alguma alteração clínica. Caso ele esteja muito abaixo do esperado e não apresente sinais de recuperação ao longo do acompanhamento pré-natal, a indução do parto pode ser indicada.

Oligo-hidrâmnio

O líquido amniótico tem uma função muito importante, protegendo o bebê contra impactos físicos e a pressão exercida pela musculatura uterina.

Uma baixa produção de líquido amniótico (oligo-hidrâmnio) pode colocar o feto em risco. Além disso, frequentemente é consequência de alguma alteração fetal potencialmente grave que precisa ser investigada e tratada fora do útero o quanto antes.

Gestações de alto risco

Em muitos casos de gestações de alto risco, o prolongamento da gestação coloca a saúde da mãe e do bebê em risco. Por esse motivo, o parto pode programado para antes de serem completadas as 37 semanas de idade gestacional.

O momento escolhido tem como base um período em que os riscos para bebê são menores. Alguns exemplos de condições relacionadas ao alto risco e indicação de indução do parto são:

  • Diabetes gestacional: surgimento da diabetes durante a gravidez. A doença aumenta o risco de peso fetal elevado (macrossomia), situação em que o parto deve ser induzido;
  • Distúrbios da pressão alta: hipertensão prévia descompensada, pré-eclâmpsia e eclampsia são condições de risco de morte materna.

Óbito fetal

Quando o bebê falece dentro do útero, o parto pode ser induzido para evitar a execução de uma cesariana na mãe. Contudo, se o parto normal for contraindicado, ela é necessária.

Como a indução do parto é feita e quais os seus riscos?

Os principais riscos do parto induzido são:

  • Falha na indução e conversão para cesariana;
  • Baixa frequência cardíaca do feto;
  • Infecções pós-parto;
  • Ruptura uterina;
  • Hemorragia pós-parto.

Parto induzido: quando ele é contraindicado?

Nas seguintes situações a indução do parto está contraindicada:

  • Cicatriz de cesariana mediana: não podem passar pela indução com o uso de prostaglandina;
  • Placenta prévia;
  • Infecção genital ativa por herpes;
  • Posição fetal inadequada;
  • Prolapso do cordão umbilical.

Além disso, nas últimas décadas, o importante avanço da medicina trouxe grandes benefícios para a obstetrícia. Contudo também trouxe alguns excessos que precisam ser corrigidos, o que levou à necessidade do parto humanizado.

Gradualmente, o parto foi perdendo o seu significado como um evento fisiológico e afetivo. Processos corporais longos ou dolorosos, como o trabalho de parto, passaram a ser vistos como obstáculos a um parto “eficiente”, devendo ser “acelerados”.

Na crescente medicalização do parto, procedimentos como rompimento artificial da bolsa e a aplicação de indutores do parto, que deveriam ser reservados para situações emergentes, passaram a ser rotina.

Em alguns casos, não se dava sequer a opção para a mulher escolher se os desejavam ou não. Com isso, também surgiu um cenário de violência obstétrica, em que a mulher perde o protagonismo do parto e a autonomia sobre seu próprio corpo.

O médico passa a ser a figura central e, em alguns casos, sua agenda se tornava mais importante do que o significado do parto para a mãe e o bebê. Tudo isso compromete a experimentação sensorial e afetiva essencial do parto.

Portanto, quando o parto induzido não tem nenhum motivo justificado na saúde da mãe e do bebê, ele não deveria ser executado. Afinal, toda intervenção médica tem seus riscos inerentes, devendo ser aplicada quando os benefícios os superam.

Quer saber mais sobre o parto induzido, suas indicações e riscos? Confira nosso texto sobre o tema!

Trabalhando os cinco sentidos no parto

Trabalhando os 5 sentidos no parto, trazemos mais humanização ao momento. Por quê? Uma das funções mais importantes do cérebro é a integração sensorial. A partir de todos os estímulos que ele recebe de todas as regiões do corpo, ele as organiza e elabora uma resposta adaptativa.

Em outras palavras, os nossos cinco sentidos são essenciais para a interpretação que o cérebro faz do mundo e do nosso próprio organismo. Ao trabalhá-los no parto, podemos estimular nosso cérebro a amenizar a sensação de dor, a criar memórias positivas, a reduzir a ansiedade do momento, entre outros pontos.

Esse é um dos motivos, por exemplo, pelos quais as mulheres relatam ter experimentado menos do que esperavam no parto natural (sem analgesia ou anestesia).

  • Sistema de luta e fuga (adrenérgico): está relacionado com os processos do nosso corpo para afastar algo que ele considera ameaçador. Ele está envolvido com uma maior percepção da dor e com a sensação de ansiedade;
  • Sistema de descansar e digerir (colinérgico): está relacionado com os processos de relaxamento;
  • Sistema de recompensa (dopaminérgico): é ativado quando temos a satisfação com algo.

O parto naturalmente ativa o sistema de luta e fuga. Contudo, por meio dos estímulos sensoriais, podemos despertar os outros dois, os quais liberam substâncias que contrabalanceiam o adrenérgico. Por isso, o parto humanizado, independentemente do tipo de parto escolhido, também busca trabalhar os 5 sentidos. Quer saber mais sobre o tema? Acompanhe o nosso post!

O parto humanizado, o plano de parto e os 5 sentidos

Apesar de sermos um dos países líderes em violência obstétrica, temos avançado bastante na humanização do parto e na recuperação do significado original do parto. Por lei, as mulheres devem ter um parto humanizado com direitos, como:

  • Acompanhante de sua escolha em todo o processo do pré-parto, parto e puerpério; tenha liberdade de movimentação;
  • Possa receber métodos não farmacológicos para alívio da dor;
  • Tenha privacidade e a presença constante de um/uma profissional capacitado/a para acompanhar o parto;
  • Escolha sobre a posição que deseja parir;
  • Que seja ela a primeira a ver seu bebê e a pegá-lo;
  • Ainda, que tenha seu medo e sua dor percebidos como legítimos e integrantes do processo.

Todos esses pontos, de certa forma, envolvem o trabalho com algum dos 5 (ou 7) sentidos do parto.

Trabalhando os 5 sentidos no parto

Tato

O tato é a percepção do contato da nossa pele e mucosa com outros objetos, informando nosso cérebro sobre:

  • O calor e o frio;
  • A pressão;
  • O atrito.

Veja algumas medidas do parto humanizado que focam no tato:

  • O toque afetuoso de um acompanhante libera substâncias que reduzem a ansiedade e a sensação de dor no momento;
  • A temperatura adequada e o conforto físico reduzem a percepção do cérebro de que aquele momento é ameaçador;
  • Os banhos em banheira quente causam uma vasodilatação e processos fisiológicos que podem facilitar o trabalho de parto naturalmente;
  • Caso a mulher deseje, pode ser aplicada a analgesia farmacológica para reduzir a dor.

Olfato e paladar

A gestante também pode acrescentar no seu plano de parto a efusão de algumas essências na sala ou trazer seus próprios objetos. Na integração sensorial, podem trazer uma sensação de acolhimento, além de se tornarem futuros gatilhos para memórias afetivas.

Visão

O estímulo visual trazido pela presença de imagens afetivas (como fotografias e o próprio semblante do acompanhante) ajuda a recuperar o sentido do parto como o desenvolvimento de relações humanas.

A iluminação também é importante, visto que determinadas cores e intensidades de luz estão relacionadas ao estímulo do sistema de descanso, enquanto outras estimulam o de luta e fuga.

Audição

Determinados sons, como algumas músicas, têm o poder de desencadear a resposta dos sistemas de descanso e de recompensa. Por isso, eles podem ser incluídos no plano de parto.

Além disso, outro ponto importante é trabalhar o que a gestante ouve da equipe médica. Falas desrespeitosas ou aflitas podem desencadear respostas de luta e fuga.

Por sua vez, quando ela é incluída nas decisões médicas, sabe o que está acontecendo e ouve palavras empáticas, o momento se torna muito menos ansioso. Esse é um dos motivos que torna tão importante a assistência de uma equipe e de um profissional de confiança, um direito no parto humanizado.

O corpo da mãe pós-parto está pronto para reagir rapidamente a qualquer ameaça ao bebê. Nesse sentido, é muito sensível ao choro. Ao ouvi-lo pela primeira vez, vários fenômenos fisiológicos ocorrem para fortalecer o vínculo e estimular a lactação, por exemplo.

Com uma maior atenção ao bebê, o corpo da mulher pode se desconectar inclusive de parte das sensações internas, como a dor.

Propriocepção e equilíbrio

Apesar de não serem tão conhecidos, existem mais dois sentidos importantes:

  • propriocepção: percepção do nosso corpo no espaço e dos nossos movimentos. Esse sentido é uma dos mais importantes para o parto, sendo essencial para que a gestante possa adotar posições e se movimentar de uma forma que facilite a conclusão trabalho;
  • vestibular (equilíbrio): ele está relacionado com o equilíbrio e a sensação de náuseas. Também é trabalhado quando mantemos a livre movimentação da gestante.

O que o bebê sente ao nascer?

As sensações do bebê também são trabalhadas no parto humanizado. Quando sentem o cheio um do outro, a mãe e o bebê estabelecem um vínculo muito poderoso.

A amamentação precoce, com o paladar do leite materno, estimula o organismo do bebê a se adaptar para o aleitamento no peito e evita a rejeição nos primeiros dias.

No pós-parto, o contato pele a pele faz toda a diferença. A transmissão de calor entre a mãe e o bebê ajuda a reduzir o risco de hipotermia (temperaturas corporal baixa) no recém-nascido. Além disso, auxilia no estímulo da lactação materna. Por tudo isso, trabalhando os 5 sentidos no parto, humanizamos esse momento e resgatamos os seus significados originais.

Quer saber mais sobre parto humanizado? Confira nosso texto sobre o tema!