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Diástase abdominal e gravidez: qual é a relação?

A diástase abdominal é uma condição que afeta a parede abdominal, fazendo com que os músculos abdominais se separem da linha média. Essa condição pode criar uma protuberância visível no abdômen, que pode ser mais perceptível ao se levantar. A diástase abdominal é mais comum em mulheres após a gravidez, pois os músculos abdominais se alongam durante a gravidez e a parede abdominal enfraquece.

O principal sinal da diástase abdominal é uma protuberância no abdômen. Outros sintomas, mais raros, podem incluir uma sensação de peso no abdômen, dor na parte inferior das costas e nas laterais, sensação de instabilidade na pelve e dificuldade para respirar.

O diagnóstico da diástase abdominal geralmente é feito por meio de exame físico e exames de imagem, como ultrassonografia e ressonância magnética. O tratamento da diástase abdominal pode incluir mudanças no estilo de vida, como fisioterapia e exercícios, que ajudam a fortalecer os músculos abdominais e melhorar a postura.

Em alguns casos, a cirurgia também pode ser recomendada, principalmente nos casos em que os músculos abdominais não podem ser fortalecidos de forma não invasiva.

Quer saber mais sobre o tema? Acompanhe!

A diástase abdominal

A diástase abdominal é uma condição que afeta muitas mulheres após a gravidez. Ocorre quando os músculos abdominais se separam, causando uma protuberância visível na linha média do abdômen. Esta condição é causada pelas mudanças físicas que ocorrem durante a gravidez.

Quando uma mulher está grávida, o útero se expande para acomodar um bebê em crescimento. Ao fazê-lo, os músculos abdominais devem se alongar para acomodar o tamanho do útero. Esse alongamento pode fazer com que os músculos abdominais se enfraqueçam e se separem na região da linha alba. A intensidade de separação varia dependendo da anatomia individual, do tamanho do bebê e da duração da gravidez.

Os fatores de risco para a diástase abdominal em gestantes incluem obesidade, gravidez múltipla e idade avançada. Apesar de esses grupos serem os mais afetados, a diástase também pode ocorrer em homens e mulheres que não estão grávidas.

Diagnóstico da diástase abdominal

O diagnóstico de diástase abdominal pode ser feito por meio da palpação durante o exame físico. Caso identifique algum grau de afastamento nessa etapa, o médico coloca os dedos na linha média do abdome e mede o espaço entre cada lado do músculo reto abdominal.

A diástase geralmente pode ser diagnosticada quando houver um espaço maior do que 2,5 cm (duas polpas digitais). Depois disso, ele poderá pedir para que você execute uma série de movimentos para determinar se a lacuna aumenta ou diminui. Essas manobras também são importantes para afastar outros diagnósticos, como a hérnia hiatal, que pode estar presente em mulheres com parede abdominal enfraquecida.

Exames de imagem, como ultrassom ou ressonância magnética, podem ser usados para confirmar o diagnóstico de diástase abdominal. No entanto, eles não são fundamentais para tal.

Tratamento da diástase abdominal

Existem vários tratamentos para a diástase abdominal, é o tipo escolhido depende da gravidade da condição. Em casos leves, tratamentos conservadores, como fisioterapia, exercícios musculares básicos e mudanças no estilo de vida, podem ajudar a reduzir os sintomas e restaurar a força abdominal. Em casos mais graves, a cirurgia pode ser recomendada para corrigir a condição.

Fisioterapia

A fisioterapia pode ajudar as pessoas com diástase abdominal a fortalecer os tecidos conjuntivos e os músculos abdominais enfraquecidos. Isso pode ser feito por meio de uma variedade de exercícios focados nos músculos do core, que abrange a região do abdômen e da lombar.

Eles podem ajudar a reduzir a separação da parede abdominal e prevenir a diástase em futuras gestações. Exemplos de exercícios de core incluem pranchas, flexões, pontes e inclinações pélvicas. Um estudo com 228 mulheres mostrou que os exercícios no período antenatal foram capazes de reduzir em 35% o risco de desenvolvimento de diástase abdominal pós-parto.

Além disso, o fisioterapeuta também pode usar massagens e outras técnicas manuais para reduzir a tensão nos músculos e melhorar sua função.

Cirurgia

A cirurgia normalmente é usada apenas em casos de diástase grave dos músculos retoabdominais, principalmente quando os tratamentos conservadores não foram bem-sucedidos. O procedimento cirúrgico normalmente envolve a reparação do tecido conjuntivo enfraquecido e a plicatura (uma pequena sutura) entre os dois músculos abdominais para ajudá-los a permanecer juntos.

Independentemente do tratamento escolhido, é importante entender que a diástase abdominal leva tempo para ser corrigida, então os resultados não serão perceptíveis da noite para o dia. É importante seguir as instruções do médico ou fisioterapeuta e ser paciente enquanto a condição melhora.

Portanto, a diástase abdominal é uma condição relativamente comum após as gestações. Felizmente, podemos reduzir o seu risco por meio de medidas simples, como a realização de exercícios do core, que também são úteis para o tratamento. Procedimentos invasivos de correção raramente são realizados, dando-se preferência aos tratamentos conservadores em casos leves e moderados.

Quer saber mais sobre a importância da fisioterapia na gestação? Confira este post completo sobre o tema!

Violência obstétrica: o que é?

Violência obstétrica é um termo usado para descrever qualquer forma de violência, abuso ou maus-tratos que uma mulher pode sofrer durante a gravidez, trabalho de parto, parto ou pós-parto. Esse tipo de violência pode ser perpetrado por quaisquer profissionais das equipes de hospitais e maternidades.

Exemplos mais explícitos de violência obstétrica incluem abuso físico, abuso emocional, abuso sexual e a negligência. As consequências da violência obstétrica podem ser graves e duradouras e podem incluir dor física, depressão, transtorno de estresse pós-traumático e até a morte. Além disso, as mulheres que sofrem violência obstétrica durante o pré-natal têm maior probabilidade de ter bebês com baixo peso ao nascer e com atrasos no desenvolvimento.

Para prevenir a violência obstétrica, os profissionais de saúde devem ser treinados no reconhecimento e prevenção do abuso, e as instituições devem ter protocolos para relatar e responder a casos de violência. As mulheres devem ser encorajadas a falar se sentirem que estão sendo desrespeitadas.

Todas essas medidas são garantidas pelas práticas de parto humanizado, o qual busca preservar o protagonismo da gestante, a individualização biopsicossocial e a prática baseada em evidências. Quer saber mais sobre o tema? Acompanhe!

O que é violência obstétrica?

A violência obstétrica é um termo usado para descrever qualquer ação ou atitude que resulte em danos físicos, psicológicos ou emocionais para uma mulher durante sua gravidez. É importante ressaltar que a violência obstétrica não se limita ao abuso físico, podendo incluir qualquer forma de tratamento desrespeitoso, desfavorável ou discriminatório, como:

  • abuso físico, que pode incluir o uso de contenções físicas aos movimentos da gestante, exames vaginais forçados, o uso de fórceps ou de episiotomia sem necessidade e sem consentimento da mulher;
  • abuso emocional, a qual pode envolver insultos verbais, humilhação, intimidação ou piadas a respeito da situação da gestante;
  • negligência, que envolve não fornecer assistência ou informações médicas adequadas.

O que é hoje considerado violência obstétrica?

A violência obstétrica é uma forma de violência de gênero e uma violação dos direitos humanos. É um problema importante em muitos países e pode ter sérias consequências físicas e psicológicas para a mulher envolvida. É importante trabalhar ativamente para reconhecer e prevenir a violência obstétrica e garantir que todas as mulheres grávidas tenham acesso a cuidados maternos seguros, respeitosos e de qualidade.

Exemplos de violência obstétrica podem incluir:

  • a recusa de realizar uma epidural para controle da dor quando esse for o desejo da gestante;
  • realizar uma cesariana ou um procedimento invasivo sem necessidade nos casos em que a mulher expressou o desejo por um parto natural;
  • ignorar o direito da mulher ao consentimento informado para a realização de procedimentos invasivos;
  • ferir a autonomia da paciente sobre o seu corpo;
  • atrasar o atendimento médico necessário;
  • deixar de fornecer nutrição e repouso adequados à mulher;
  • fazer com que a mulher sinta que não está no controle de seus próprios cuidados;
  • praticar abuso verbal ou menosprezo.

Como prevenir a violência obstétrica?

Veja algumas dicas para evitar a violência obstétrica:

Informação

A educação do paciente é essencial na prevenção da violência obstétrica. As pacientes devem ser informadas sobre seus direitos e ensinadas a confiar em seu próprio julgamento e estar cientes de quaisquer sinais potenciais de abuso.

Os pacientes também devem estar familiarizados com as leis e regulamentos em vigor para protegê-los e estar cientes dos recursos legais que podem acessar, se necessário. Um bom médico dará todas essas informações ao longo do pré-natal.

Além disso, as pacientes devem ser educadas sobre os benefícios de ter uma equipe de parto de apoio e um ambiente de parto seguro e confortável. Por fim, as pacientes devem ser informadas sobre seu direito de expressar quaisquer questões ou preocupações que tenham e a importância de falar quando algo parecer errado ou desconfortável.

Plano de parto

O plano de parto é uma ferramenta essencial na prevenção da violência obstétrica, pois ajuda a garantir que sejam prestados os cuidados adequados e que os direitos e desejos da mãe sejam respeitados. Também é importante lembrar que o plano de parto deve ser flexível e pode ser modificado para atender às suas necessidades em qualquer momento durante o trabalho de parto.

A seguir, um resumo básico dos componentes a serem incluídos em um plano de parto:

  • introdução: Uma breve introdução sobre a mãe e o plano de parto;
  • cenário do parto: Onde a mãe planeja dar à luz e qualquer desejo em relação à ambientação;
  • controle da dor: Que método de controle da dor, se houver, a mãe usará durante o trabalho de parto e o parto;
  • parto: que tipo de acompanhamento e/ou intervenções, se houver, a mãe gostaria de receber durante o trabalho de parto e parto;
  • pós-parto: Que tipo de cuidado pós-parto é desejado;
  • pessoas de apoio: quem terá permissão para ficar com a parturiente durante o trabalho de parto;
  • consentimento: Assinaturas da mãe e do médico para garantir formalizar essa espécie de contrato por ambas as partes.

O parto humanizado é uma parte importante do processo de parto, permitindo que a mãe tenha mais controle sobre o processo de parto, tenha uma experiência mais positiva e que os profissionais de saúde prestem o melhor atendimento possível à mãe e ao bebê. Baseado no tripé de autonomia da mulher, individualização do parto e da prática baseada em evidências, ele jamais deve ser negligenciado, pois, além desses benefícios, previne a violência obstétrica e outras intercorrências durante a gestação.

Quer saber mais sobre o parto humanizado e sua importância? Confira nosso artigo sobre o tema!

Ultrassom do segundo trimestre para medição do colo uterino

O colo do útero é um órgão localizado entre a vagina e o útero, conectando esses dois órgãos femininos. Ele mede cerca de 2 a 4 cm de comprimento fora das gestações. Ele é constituído de tecido conjuntivo e músculo liso, que são cobertos por células de revestimento (epitélio) e células glandulares.

Durante o segundo trimestre das gestações, a medição do colo uterino é um indicador importante para avaliar o risco de parto prematuro. Quer entender melhor o tema? Acompanhe!

O que é o colo uterino?

O colo uterino pode ser dividido em 2 partes principais:

  • Endocérvice — ele reveste o canal que conecta a vagina ao útero (canal endocervical), sendo formado por células secretoras de muco;
  • Ectocérvice — é a parte externa do colo do útero, localizando-se no fundo da vagina. Células escamosas revestem a ectocérvice e a vagina. Elas são planas e finas, parecendo escamas de peixe ao microscópio.

Durante uma gravidez, o colo uterino passa por diversas transformações. Próximo ao final da gestação, seu comprimento diminui e seu orifício dilata. No entanto, ele também pode encurtar precocemente, o que aumenta o risco de trabalho de parto prematuro.

Em outras palavras, o colo curto aumenta as chances de que o trabalho de parto comece entre 24 semanas e 36 semanas e 6 dias de gravidez.

Funções do colo uterino

Durante a gravidez, a principal função do colo do útero é sustentar o peso do feto e da bolsa amniótica a fim de mantê-los dentro do útero. Para isso, durante a maior parte da gestação, os músculos lisos desse órgão estão fortemente contraídos. Além disso, o órgão se torna mais espesso e endurecido.

À medida que o momento do parto se aproxima, o colo do útero amolece, encurta e dilata, preparando-se para a saída do feto. Essas modificações são uma das primeiras evidências que seu obstetra terá para identificar que o momento do parto está próximo.

Em algumas mulheres, no entanto, o amadurecimento cervical pode acontecer precocemente (ainda no segundo trimestre) e levar a abortamentos ou partos prematuros.

Ultrassonografia do segundo semestre

No primeiro trimestre de gestação, a principal preocupação é a avaliação da morfologia do bebê para avaliar malformações congênitas. Já no segundo trimestre, à medida que o bebê cresce e a gestação avança, passamos também a investigar fatores que podem levar a um parto prematuro. Nesse sentido, a medida da espessura do colo uterino pela ultrassonografia transvaginal é fundamental.

Ela permite o diagnóstico de condições que acometem até 8% das gestantes: uma possível incompetência istmocervical e o colo curto. Na literatura médica, já está bem estabelecido que esses dois fatores estão relacionados a uma maior chance de partos após 20 a 24 semanas de idade gestacional.

A ultrassonografia transvaginal é o método mais preciso para a medição do colo uterino. Ela é feita com a introdução de uma “sonda” fina na vagina com a paciente em posição ginecológica. Entre as suas vantagens em relação ao ultrassom abdominal, estão:

  • pode avaliar precisamente outros fatores cervicais, como o posicionamento;
  • maior sensibilidade para avaliar se a paciente tem um colo curto. Em outras palavras, ele tem uma maior capacidade de identificar o colo curto em pacientes que realmente tem a condição.

A Sociedade de Medicina Materno-Fetal (SMFM), por exemplo, recomenda medir comprimento cervical tanto em pacientes de alto quanto de baixo risco. A principal finalidade desse exame é a prevenção de parto prematuro, que é mais comum em mulheres com colo curto (comprimento menor do que 25 milímetros, que equivalem a 2,5 centímetros.

A medição do comprimento cervical ao longo do pré-natal é feita com a ultrassonografia transvaginal (USTV). Apesar de ser importante para grande parte das gestantes, ela é fundamental para pacientes com história de parto prematuro espontâneo em uma gravidez anterior. Afinal, essa complicação pode ter ocorrido devido a uma predisposição.

No entanto, existem alguns casos em que a medida do colo uterino pode ser contraindicada, como:

  • pacientes com cerclagem cervical;
  • presença de gestação múltipla;
  • placenta prévia.

A medida do comprimento cervical pelo ultrassom pode mostrar que o comprimento do colo do útero é:

  • menor do que 2,5 centímetros (25 mm). Com isso, pode ser necessária uma intervenção médica, como a aplicação de progesterona na vagina ou a cerclagem (um procedimento invasivo) e dependendo da idade gestacional pode se utilizar um pessário também;
  • menor que 29 milímetros, mas maior que 25 milímetros. Assim seu médico pode recomendar ultrassonografias mais frequentes para monitorar o comprimento cervical;
  • maior do que 3,0 centímetros, que é o tamanho de colo normal.

Em gestações múltiplas, contudo, a medida do comprimento cervical não é o melhor indicador de maior risco de parto prematuro. Nesse caso, o melhor critério é a dilatação do canal cervical maior do que 1,0 centímetro.

Tratamento

A aplicação de progesterona vagina é uma intervenção menos invasiva, mas eficaz em diversos casos de colo curto. Os estudos mostram que ela reduz o risco de parto prematuro em pacientes que preenchem todos os seguintes critérios:

  • assintomáticas;
  • gravidez única (um único feto);
  • gestação sem complicações atualmente;
  • sem história prévia de perdas gestacionais no segundo trimestre;
  • comprimento cervical menor ou igual a 25 milímetros.

A cerclagem, que é a aplicação de suturas para fechar mecanicamente o colo uterino, é indicada quando a paciente tem colo curto, associado a um dos seguintes critérios:

  • história de perda gestacional espontânea no segundo trimestre;
  • história de cerclagem prévia;
  • dilatação cervical perceptível no exame físico do pré-natal do segundo trimestre;
  • dilatação cervical maior do que 1,0 centímetros em gestações múltiplas.

Portanto, em um pré-natal humanizado, fazemos uma avaliação individualizada dos indicadores que podem mostrar uma potencial evolução desfavorável da gestação, inclusive a medição do colo uterino.

A partir disso, podemos indicar intervenções baseadas em evidências científicas a fim de reduzir esse risco. Em cada etapa, você será informada sobre tudo o que está acontecendo e participará de cada decisão, mantendo seu protagonismo durante todo o processo.

Quer saber mais sobre os exames realizados em cada trimestre de gestação? Confira este artigo completo sobre o tema!

Ocitocina no parto normal: conheça os detalhes

O trabalho de parto geralmente ocorre em quatro estágios (latente, ativa, expulsiva e dequitação), cada um com seu próprio conjunto de eventos físicos, hormonais e emocionais. A ocitocina é um hormônio que desempenha um papel essencial nesse processo.

Durante o trabalho de parto, quando o feto (geralmente a cabeça) pressiona o colo do útero, são enviados sinais neurais ao cérebro. Isso estimula a liberação de ocitocina pela hipófise, uma glândula conectada ao sistema nervoso central. Então, esse hormônio estimula as contrações do útero, intensificando e acelerando as contrações uterinas.

Quer saber mais sobre o tema? Acompanhe nosso post!

O que é ocitocina?

A ocitocina é um hormônio, ou seja, uma substância que age como moléculas mensageiras circulando pela corrente sanguínea para enviar instruções aos órgãos, músculos e outros tecidos do corpo. Esses sinais permitem que seu corpo saiba quais ações tomar e quando fazê-las.

No caso da ocitocina, ela regula componentes essenciais dos sistemas reprodutores feminino e masculino, como trabalho de parto e lactação e certos comportamentos humanos. Por esse motivo, as formas sintéticas da ocitocina podem ser utilizadas para a indução do trabalho de parto.

Funções da ocitocina

A ocitocina tem duas funções principais no corpo:

  • estimular a contração do útero durante o trabalho de parto;
  • ajudar na liberação de leite materno, fazendo com que as glândulas dos seios se contraiam para ejetar o leite.

Além disso, a ocitocina estimula a produção de prostaglandinas, outro grupo de hormônios que promovem o trabalho de parto e tornam as contrações ainda mais poderosas. Em partos bem-sucedidos, essa coordenação hormonal é fundamental para que o trabalho de parto progrida além do nascimento do bebê.

Apesar de outras funções da ocitocina não serem bem estabelecidas. Acredita-se que ela tem uma grande influência em muitos comportamentos humanos, como:

  • aumentar a excitação sexual;
  • gerar sentimentos de confiança;
  • auxiliar na formação de fortes laços entre pais e filhos.

Indução do parto normal com ocitocina

A ocitocina é o método mais utilizado para induzir o parto normal quando a gestante tem um colo favorável e a gestação é viável. Quando o caso não preenche esses dois requisitos, podemos utilizar outros métodos de indução do trabalho.

Por exemplo, em partos com colo desfavorável, entretanto, preferimos a utilização das prostaglandinas. No entanto, caso as prostaglandinas não estejam disponíveis ou haja contraindicação a seu uso, a ocitocina pode ser empregada como alternativa.

A ocitocina é comumente administrada por via endovenosa lentamente. Durante o período de infusão, monitoramos a resposta uterina e a frequência cardíaca fetal. Além disso, o médico estará todo o tempo atento ao parto para evitar complicações. Veja, a seguir, algumas das indicações da ocitocina para a indução do parto.

Ruptura prematura de membranas

A ruptura prematura de membranas (PROM) a termo é a ruptura de membranas corioamnióticas (“bolsa”) que ocorre antes do início do trabalho de parto, mas depois de 37 semanas de gestação. Está presente em até 8% dos partos a termo. Apesar de geralmente não causar nenhuma complicação grave, deve ser manejada com cuidado, pois pode levar à corioamnionite e ao prolapso do cordão umbilical.

O diagnóstico não exige nenhum exame, sendo feito com base nos sinais e sintomas que você relata ao médico. Em geral, os mais comuns são o escape e o acúmulo de um líquido claro na vagina da mulher. Alguns testes bioquímicos, realizados com tiras reagentes, podem ser feitos para ajudar no diagnóstico.

Depois disso, realizamos uma avaliação, que inclui:

  • uma ultrassonografia transvaginal para identificar a apresentação fetal;
  • avaliação das condições fetais, como a frequência cardíaca;
  • avaliação materna com medição da pressão arterial, exame especular e monitoramento da atividade uterina (tocografia).

Os estudos mostram que ruptura prematura de membranas a termo é uma das condições com melhores evidências de benefício de indução do parto com ocitocina. Em geral, os estudos sobre parto nos mostram que esperar o processo natural do parto traz mais benefícios do que a intervenção médica.

Se a apresentação do bebê estiver favorável, seu médico pode intervir precocemente com a indução do parto pela ocitocina. O ideal é que isso ocorra dentro de 24 horas após a ruptura. Isso pode ser melhor do que aguardar a evolução do trabalho de parto espontaneamente, principalmente no caso de você estar colonizada por bactérias relacionadas a infecções maternofetais pós-parto.

Distocia

Distocia é um termo médico usado para descrever o trabalho de parto difícil ou prolongado. Pode ser causada por uma variedade de fatores, incluindo:

  • tamanho ou posição fetal desfavoráveis;
  • insuficiência das contrações uterinas;
  • colo uterino com dilatação inadequada.

Pacientes com distocia associada a sinais de esgotamento materno ou sofrimento fetal podem precisar da ocitocina para fornecer uma ajuda adicional durante o trabalho de parto. Isso pode evitar, por exemplo, a conversão de um parto normal em cesariana.

Outras situações

Após uma avaliação individualizada, outras situações podem levar ao uso da ocitocina, como:

  • Gravidez pós-termo;
  • Pré-eclâmpsia, eclâmpsia, síndrome HELLP, hipertensão gestacional, hipertensão crônica;
  • Diabetes gestacional;
  • Restrição do crescimento fetal;
  • Corioamnionite;
  • Oligoidrâmnio;
  • Colestase da gravidez;
  • Aloimunização com anemia fetal;
  • Gravidez de gêmeos.

Portanto, o trabalho de parto deve ser induzido com ocitocina apenas em situações em que os benefícios superem os riscos de aguardar a evolução natural do processo. Em partos não complicados, sugere-se que as mulheres evitem a indução do parto sem necessidade médica. Afinal, isso aumenta as chances de prolongamento do trabalho de parto e de uma cesariana.

Quer saber mais sobre o parto induzido? Confira nosso artigo completo sobre o tema!

Incontinência urinária durante a gestação: saiba se é normal e o que fazer

A incontinência urinária é a perda involuntária de urina. Pessoas com essa condição têm dificuldade em controlar a bexiga e/ou vontade intensa de ir ao banheiro. Por exemplo, você pode ter perdas de urina entre as idas ao banheiro, sentir urgência em ir ao banheiro com frequência e ter uma sensação desesperada de precisar ir o tempo todo.

Isso pode resultar de vários motivos, como a gravidez, complicações do parto ou simplesmente o passar dos anos. Hoje, vamos focar na incontinência urinária durante a gestação e explicar um pouco o que acontece no pós-parto. Quer saber mais sobre o tema? Acompanhe!

É normal incontinência urinária durante a gestação? O que acontece?

Sim! A incontinência urinária é um dos sintomas mais comuns ao longo de toda a gestação, podendo acometer entre 30% e 46% das grávidas. Ela pode se iniciar logo no primeiro e segundo trimestre, pois a gestação altera os níveis de alguns hormônios que controlam a quantidade de urina que o rim produz.

No entanto, ela é muito mais comum no terceiro semestre, podendo ser relatada por até 65% das mulheres. Isso se deve principalmente ao aumento do peso do feto e do volume uterino. Isso leva a uma maior pressão sobre a bexiga, órgão que armazena a urina, diminuindo o controle voluntário que você tem sobre ela.

O tipo mais comum nessa fase da gestação é a incontinência urinária de estresse, que é caracterizada pelo escape de urina durante atividades que aumentam a pressão abdominal. Isso faz com que o útero comprima a bexiga, levando à liberação de um pequeno volume desse líquido.

Os estudos mostram que esse tipo de incontinência pode acometer cerca de 37% das mulheres nas últimas semanas de gestação. Em casos leves, acontece apenas quando a paciente faz um esforço mais intenso, como subir uma escada.

Em outros casos, ocorre com ações simples, como tossir, espirrar ou dar uma gargalhada. Isso pode trazer constrangimento para a paciente, mas é importante entender que é uma manifestação comum da gestação. Não significa a existência de nenhuma anormalidade.

A incontinência de urgência é outro tipo de incontinência bem comum em gestantes no terceiro trimestre, sendo caracterizada por episódios de vontade urgente de ir ao banheiro. Muitas vezes, a perda de urina ocorre antes de chegar ao vaso sanitário. Isso acontece devido ao menor espaço disponível para a bexiga expandir à medida que chega mais urina. Quando ela atinge a sua capacidade atual, ela envia um sinal para o cérebro, provocando a vontade de urinar.

Outras manifestações urinárias da gestação

Na gestação outras manifestações urinárias, semelhantes à incontinência, podem ocorrer. Entre as mais comuns, estão:

  • a noctúria, que é a vontade de urinar durante a noite, mesmo depois de já ter ido para cama. Cerca de 66% das gestantes experimentam esse sintoma no terceiro trimestre;
  • o aumento da frequência urinária, que acomete aproximadamente 59% a 81% das pacientes.

Essas duas condições também estão relacionadas ao aumento do útero, que reduz o espaço disponível na bexiga, e à pressão do feto sobre esse órgão.

Fatores de risco

Há alguns fatores que podem estar relacionados com um maior risco de incontinência urinária nas gestações, como:

  • idade materna maior do que 35 anos;
  • índice de massa corporal elevado;
  • história familiar de incontinência urinária.

O que pode ser feito para minimizar a incontinência urinária durante a gestação?

O tratamento da incontinência urinária durante a gestação se concentra no fortalecimento dos músculos do assoalho pélvico por meio da fisioterapia pélvica. Nela, são feitos exercícios que envolvem contrair e relaxar os músculos da região para fortalecê-los e devem ser feitos de forma supervisionada, sob orientação de um médico ou fisioterapeuta experiente no acompanhamento de gestantes.

Uma vantagem importante desses benefícios é a possibilidade de realizá-los preventivamente. Em outras palavras, se você tiver risco de desenvolver incontinência urinária durante a gestação, poderá realizar o fortalecimento do assoalho pélvico antes mesmo dos sintomas começarem. Os seus benefícios podem se estender até 12 meses após o parto, reduzindo também a incontinência no pós-parto.

Durante as gestações, as medicações para incontinência urinária são geralmente contraindicadas. No entanto, em casos graves, essa e outras intervenções podem ser avaliadas individualmente por seu médico.

A incontinência urinária no pós-parto

A incontinência urinária pode se manter no pós-parto devido a lesões nos músculos do assoalho pélvico e outras causas. Por esse motivo, a paciente deve manter os exercícios de fisioterapia pélvica desde o puerpério até um ano de gravidez.

Também é importante desfazer alguns mitos sobre a incontinência urinária após o parto. Apesar de ser mais comum nos partos normais, a condição também pode ocorrer em cesarianas. Há uma crença de que a cesariana elimina o risco de incontinência urinária, mas isso é um mito.

Além disso, há também uma noção de que as cesarianas devem ser indicadas para reduzir o risco de incontinência urinária crônica em pacientes predispostas. Contudo, as evidências científicas atuais não mostram um benefício claro de fazer uma cesariana nesse caso.

Portanto, no pré-natal e no parto humanizado, acolhemos todas as queixas da gestante para que ela tenha a melhor experiência possível com a gravidez. Isso inclui cuidar de condições incômodas, como a incontinência urinária durante a gestação. Nós a trataremos com os tratamentos mais eficazes (baseados em estudos científicos sérios) e evitaremos realizar procedimentos desnecessários, os quais podem trazer mais complicações do que benefícios.

Quer saber mais sobre a fisioterapia pélvica durante a gestação? Confira nosso artigo sobre o tema!

Incompetência istmocervical: o que é? Pode afetar a gestação?

O colo uterino é a estrutura que contém o canal que liga o útero à vagina, sendo fundamental para a manutenção das gestações à medida que elas evoluem. Sua parede é formada por músculo liso e tecido conjuntivo, que dão ao colo a capacidade de se contrair e se dilatar.

Nas fases iniciais da gestação, o colo está rígido e fortemente contraído para evitar a saída do feto. No segundo trimestre, ele tem um formato de tubo com mais de 3 centímetros e está minimamente dilatado. À medida que o parto se aproxima, no terceiro trimestre, ele passa por mudanças, tornando-se mole e curto, além de se dilatar.

A incompetência istmocervical é uma condição na qual o colo uterino tem dificuldade de manter a gestação no segundo trimestre devido a fatores estruturais. Em outras palavras, as suas fibras do tecido conjuntivo e de músculo liso estão mais fracas.

Assim, ele não consegue manter o colo do útero fechado durante a gravidez, permitindo que o canal se abra precocemente na gestação. Isso pode causar complicações, como o parto prematuro e o aborto espontâneo tardio.

Quer saber mais sobre o tema? Acompanhe nosso post!

O que é incompetência istmocervical?

Tecnicamente, a incompetência istmocervical é “a incapacidade do colo uterino de reter uma gravidez no segundo trimestre na ausência de contrações clínicas, trabalho de parto ou ambos”. Em outras palavras, a condição é diagnosticada quando seu obstetra identifica:

  • dilatação cervical ou colo curto ainda no segundo trimestre de gestação;
  • essas alterações não são acompanhadas de sinais ou sintomas de parto (como contrações uterinas em padrão de parto);
  • ausência de sintomas de infecções e outras condições não estruturais.

Quando a insuficiência cervical se manifesta, os sintomas mais comuns são um desconforto pélvico leve ou o spotting, presença de pequenas manchas de sangue nas roupas íntimas.

Outros sintomas menos comuns são:

  • sensação de pressão na região da pelve;
  • cólicas abdominais leves;
  • alteração nas características e no volume do corrimento vaginal.

Esses sintomas, no entanto, são incomuns. Além disso, estão presentes em diversas outras condições obstétricas. Por esse motivo, o diagnóstico é comumente feito nas ultrassonografias periódicas e nas consultas clínicas de pré-natal — em que o ginecologista realiza um exame físico completo.

Fatores de risco

Em relação aos fatores de risco, é sempre importante lembrar que a existência de um deles não significa que você terá a condição. Na verdade, a maioria das mulheres com fatores de risco não desenvolvem a incompetência istmocervical.

O trauma cervical, por lesionar o tecido conjuntivo, pode aumentar as chances de insuficiência. Ele pode ocorrer em alguns procedimentos invasivos, como:

  • biópsia em cone;
  • qualquer procedimento que requeira dilatação cervical mecânica, como a curetagem;
  • histeroscopia cirúrgica.

Eles podem enfraquecer o tecido conjuntivo cervical e prejudicar a funcionalidade do órgão. Outros fatores estão relacionados ao histórico gestacional, como:

  • parto prematuro anterior, que pode ter ocorrido devido a uma incompetência istmocervical não identificada;
  • ruptura prematura de membranas anterior a 32 semanas de gestação;
  • gravidez anterior com medida do comprimento cervical menor do que 25 mm antes de 27 semanas de gestação;
  • perdas recorrentes de gravidez no segundo trimestre.

Alguns estudos ainda identificaram alguns fatores congênitos, como:

  • anomalias müllerianas;
  • deficiências cervicais de colágeno e elastina, como a síndrome de Ehlers-Danlos.

No entanto, a incompetência istmocervical pode acontecer em mulheres sem nenhum fator de risco conhecido.

Por que e quando a insuficiência cervical é avaliada?

A avaliação da incompetência istmocervical é importante, pois essa condição é um fator de risco para parto prematuro. O diagnóstico pode ser feito com critérios clínicos (história prévia e sintomas atuais), que podem ser associados à realização de uma ultrassonografia transvaginal. Seu médico estará atento a duas informações principais:

  • história de dilatação precoce do colo uterino no segundo trimestre em uma gestação prévia;
  • histórico de trabalho de parto prematuro ou abortamento no segundo semestre de gestação.

No exame físico, o seu médico poderá realizar o toque vaginal para estimar a espessura cervical e o tamanho de uma eventual dilatação. O exame especular também é fundamental, pois permite a inspeção visual para verificar se há abertura do colo. Seu médico pode ainda fazer manobras para estimular a abertura do colo e identificar sinais precoces da condição.

Além disso, a investigação complementar da incompetência istmocervical é feita com a medição do colo nas ultrassonografias de segundo trimestre, que podem trazer as seguintes alterações:

  • em gestações com apenas um feto (única) — comprimento cervical menor do que 2,5 centímetros (25 milímetros) antes das 24 semanas de idade gestacional;
  • em gestações múltiplas (mais de um feto) — dilação maior do que 1,0 centímetro antes das 24 semanas.

Além disso, as alterações ultrassonográficas devem estar associadas à história de perda gestacional entre 14 e 36 semanas em uma gravidez anterior. Portanto, apenas uma ultrassonografia alterada não é suficiente para o diagnóstico. A avaliação clínica é fundamental.

O tratamento para a incompetência istmocervical depende da avaliação de diversos fatores individuais. Em alguns casos, apenas fazemos um acompanhamento mais próximo da gestante. Em outros, podemos indicar intervenções, como a aplicação de progesterona vaginal e a cerclagem (um procedimento pouco invasivo).

Quer saber mais sobre o pré-natal e quais são os exames realizados em cada fase? Confira nosso artigo sobre o tema!

Cordão umbilical: o que é e função?

O cordão umbilical é uma estrutura que atrai bastante a curiosidade dos pais, pois está envolvida em diversos processos do gestação e do parto. Ele tem a forma de cordão que conecta o feto em desenvolvimento à placenta. Entre outras funções, o cordão umbilical transporta sangue rico em oxigênio e nutrientes da placenta para o feto, além de eliminar os produtos tóxicos produzidos pelo metabolismo do bebê.

Quer saber mais sobre o tema? Acompanhe!

O que é cordão umbilical?

O cordão umbilical é a estrutura responsável por conectar a circulação da placenta com a circulação do bebê. Ele contém duas artérias que transportam sangue desoxigenado do feto para a placenta, bem como uma veia que transporta sangue oxigenado da placenta para o feto.

O cordão umbilical é envolto por uma espessa camada de geleia de Wharton, uma substância gelatinosa composta, em grande parte, por matriz extracelular. Essa camada de gelatina serve para proteger o cordão de rupturas e de compressões, fornecendo resistência e elasticidade. Externamente, o cordão umbilical é envolto por uma membrana amniótica protetora.

Ao final da gestação, o cordão umbilical tem normalmente cerca de 2 cm de diâmetro e 50 cm de comprimento, mas pode variar em comprimento de 20 cm a 80 cm.

Os tipos de anormalidades do cordão umbilical podem envolver:

  • Alterações na morfologia e na inserção placentária;
  • Nós e circular de cordão;
  • Número anômalo de vasos;
  • Fluxo sanguíneo insuficiente;
  • Presença de massas císticas e sólidas/complexas.

Dentre elas, a mais comum é a circular de cordão, que pode ocorrer em até 37% das gestações.

Quando se forma o cordão umbilical?

Por volta da 3ª semana do período embriológico, inicia-se a formação do cordão umbilical com a criação do pedículo conector. Na 7ª semana, o cordão umbilical está completo, com o pedículo conector, o ducto vitelino, os vasos umbilicais e a membrana amniótica todos presentes.

Geralmente, o alongamento do cordão umbilical ocorre durante o segundo trimestre. Ao final do processo, em média, ele medirá cerca de 50-60 centímetros de comprimento, com diâmetro de 2 centímetros e até 40 voltas helicoidais.

O cordão não está ligado diretamente ao sistema circulatório da mãe, porém se une à placenta. Isso a troca de materiais entre o sangue materno e o do bebê sem se misturarem diretamente. Essa foi uma forma que a natureza encontrou para proteger o bebê contra eventuais problemas que acometem a mãe, como as infecções.

Quais as funções do cordão umbilical?

O cordão umbilical fornece três funções principais:

  • Em primeiro lugar, permite um fluxo constante de sangue oxigenado da mãe diretamente para o feto, o que é fundamental para sua sobrevivência, visto que os pulmões do bebê ainda não podem respirar o oxigênio do meio ambiente;
  • Em segundo lugar, transporta nutrientes como carboidratos, proteínas, gorduras, vitaminas e minerais para o feto, uma vez que o feto é incapaz de comer. Assim, precisa obter esses nutrientes por meios normais;
  • Em terceiro lugar, elimina os resíduos tóxicos do metabolismo, transferindo-o para a placenta. Depois disso, ela liberará essas substâncias a circulação da mãe para ser removido por excreção.

O que acontece com o cordão umbilical durante o trabalho de parto?

Em alguns casos, o cordão umbilical pode ficar enrolado ao redor do pescoço do bebê. Isso é chamado de circular de cordão umbilical, que é relativamente comum e ocorre em aproximadamente 1 em cada 3 gestações.

Quando retratam alguma complicação durante o parto, as novelas e os filmes geralmente utilizam a circular de cordão ao redor do pescoço. Isso faz com que muitas mulheres acreditem que o sufocamento pelo cordão umbilical é uma complicação comum. No entanto, a realidade é muito diferente. Apenas em casos raríssimos, a circular de cordão está associada a eventos adversos durante o parto, pois é muito simples de se resolver.

Se a circular de cordão for diagnosticada, não há necessidade de alarme. Na maioria dos casos, o cordão se desenrola por si só à medida que o bebê se move no útero ou durante o trabalho de parto. Mesmo que o cordão permaneça enrolado no pescoço do bebê durante o parto, ele pode ser desenrolado por manobras não-invasivas. A realização de uma cesariana por causa da circular de cordão acontecerá apenas em casos raríssimos, se houver evidências

O que é feito com cordão umbilical após o nascimento?

Após a conclusão do parto, a equipe obstétrica vai colocar dois grampos no cordão umbilical. Então, fará um corte entre eles. Isso é muito importante para evitar hemorragias e infecções que poderiam ocorrer em um corte com as extremidades abertas.

A extremidade do cordão presa ao bebê (corto umbilical) será protegida com um curativo estéril. A parte ligada à placenta será eliminada com a dequitação. Recentemente, alguns pais têm optado por congelar parte do cordão umbilical para preservar células-tronco presentes nele, mas é um procedimento opcional e sem eficácia comprovada atualmente.

Os principais cuidados com o coto umbilical são:

  • Inspecione a área do cordão umbilical diariamente em busca de sinais de infecção ou irritação;
  • Certifique-se de que a área seja mantida seca e limpa o tempo todo;
  • Não coloque cremes, óleos ou loções na área.

O cordão umbilical é uma estrutura fundamental para o desenvolvimento dos bebês. Além disso, é visto com bastante carinho pelas mães, que veem nele o símbolo da união delas com os filhos. O coto umbilical deve ser cuidado com atenção.

Quer saber mais sobre outras decisões importantes durante o processo de parto? Confira nosso artigo sobre o parto humanizado!

Circular de cordão: o que é e quais são os riscos?

A circular de cordão, também chamada de cordão nucal, é uma condição na qual o cordão umbilical fica enrolado ao redor do pescoço do bebê. Isso pode acontecer durante a gravidez ou parto. É uma condição relativamente comum, sendo identificada em cerca de 1 em cada 3 gestações.

Embora a circular de cordão geralmente não seja prejudicial, pode ocasionalmente levar a complicações. Na maioria das vezes, ela é inofensiva e não causará nenhum problema para o bebê. Em alguns casos, no entanto, o cordão pode ficar firmemente enrolado no pescoço do bebê, o que pode cortar o suprimento de oxigênio do bebê e levar a complicações.

Por isso, seu médico provavelmente a acompanhará de perto para certificar-se de que seu bebê esteja saudável e não haja intercorrências durante o parto.

Saiba mais sobre o assunto para entender bem essa situação!

O que é a circular de cordão?

Tipos de circular de cordão umbilical incluem:

  • cordão corporal — quando o cordão umbilical envolve qualquer parte do corpo fetal;
  • cordão nucal — quando o cordão umbilical é enrolado no pescoço do feto, completando 360 graus.

O cordão umbilical pode envolver o corpo do bebê em até 38% das gestações. Um cordão nucal – circular de cordão no pescoço – é relatado no parto em 5-37% das gestações. Além disso, circulares de cordão com mais de duas voltas ao redor do pescoço fetal ocorrem em 4% das gestações. Os principais fatores de risco para essa condição são:

  • Redução do volume de líquido amniótico (oligodrâmnio);
  • Atividade fetal aumentada (quando o feto se movimenta mais durante a gestação);
  • Idade gestacional avançada (as chances de diagnóstico da circular de cordão aumentam conforme a gestação avança).

A circular de cordão tende a se resolver espontaneamente à medida que a gravidez progride ou durante o trabalho de parto. No entanto, em alguns casos, pode persistir.

Diagnóstico da circular de cordão

A menos que haja alguma evidência de problemas fetais, não é recomendado realizar rotineiramente exames com a finalidade exclusiva de diagnóstico pré-natal de uma circular de cordão. No entanto, essa alteração pode acabar sendo diagnosticada acidentalmente no ultrassom do terceiro semestre, representando, na maior parte dos casos, um achado benigno. Então, você não precisará se preocupar.

O diagnóstico da condição pode ser necessário quando há sinais de estresse fetal, principalmente diante de evidências de alterações no ritmo cardíaco do bebê. Nessa situação, seu médico possivelmente vai indicar uma ultrassonografia com doppler colorido ou ultrassom tridimensional para visualizar a seção sagital e transversal do pescoço fetal.

Conduta

Em relação à circular de cordão no corpo do bebê, não há grande preocupações. Se for um cordão nucal, entretanto, a preocupação é maior, pois o cordão umbilical pode comprimir as artérias que levam oxigênio ao cérebro do bebê. No entanto, a compressão acontece apenas em raríssimos casos. Além disso, há evidências substanciais indicando que os cordões nucais não estão ligados a um aumento notável na taxa de quaisquer eventos adversos fetais clinicamente relevantes.

Antes do parto

Em casos raros, se houver uma restrição do crescimento fetal de forma significativa e persistente associada à circular de cordão, podemos considerar a realização de uma cesariana. Por outro lado, o aperto da circular de cordão pode ocorrer devido à descida ou rotação da cabeça fetal. Isso pode levar a reduções na frequência cardíaca fetal (bradicardia fetal). No entanto, elas normalmente são bordadas de maneira semelhante a outros casos de bradicardia fetal.

Durante o parto

Algumas manobras podem ser feitas durante o parto para prevenir complicações devido à circular de cordão:

  • Circulares mais frouxas geralmente podem ser deslocadas sobre a cabeça do feto após a sua cabeça ter saído pelo canal de parto;
  • Nos casos em que o cordão está muito apertado para ser desenrolado na cabeça, pode ser possível movê-lo para os ombros do bebê para diminuir o risco de que ele pressione as artérias do pescoço, que levam o sangue para a cabeça do bebê.

Para realizar a manobra de cambalhota, se a corda estiver muito apertada para deslizar sobre os ombros, flexione a cabeça enquanto os ombros anteriores e posteriores são liberados lentamente enquanto mantém a cabeça do recém-nascido próxima ao períneo. O corpo deve então “dar uma cambalhota” para fora. Assim que o corpo estiver fora, desembrulhe o cordão umbilical e gerencie o bebê como de costume.

Caso essas medidas não funcionem, podemos ainda tentar a manobra da cambalhota, em que o médico:

  1. Libera lentamente a frente e a parte de trás dos ombros do bebê enquanto controla o cordão para evitar que ele cause uma compressão no pescoço do feto;
  2. Dobra a cabeça do bebê enquanto os ombros saem, de modo que o rosto do bebê fique voltado para as coxas da mãe;
  3. Mantém a cabeça do bebê perto do períneo enquanto o corpo é retirado “de cambalhotas”.

Por fim, se não houver nenhuma complicação, desenrolamos totalmente o cordão umbilical e mantemos as condutas habituais de um parto.

São raríssimos os casos em que precisamos adotar alguma conduta mais invasiva por cada da circular de cordão exclusivamente. A manobra da cambalhota é muito eficaz. Se ela falhar, contudo, podemos clampear e cortar o cordão para evitar a compressão.

Complicações gestacionais e parto humanizado

O parto humanizado é uma abordagem da obstetrícia que se concentra em proporcionar uma experiência mais positiva, pessoal e natural para a mãe. Essa abordagem normalmente inclui:

  • O protagonismo da gestante na tomada de decisões;
  • A individualização biopsicossocial do acompanhamento médico do pré-natal ao pós-parto;
  • Uso das melhores técnicas baseadas em evidências científicas, buscando evitar complicações de curto a longo prazo para a mãe e o bebê.

Por isso, são utilizadas menos invasivas e mais alinhadas com o processo natural do trabalho de parto em situações como a circular de cordão. Afinal, os estudos mostram que é uma condição que geralmente se resolve espontaneamente ou com manobras simples. Portanto, as abordagens invasivas não devem ser utilizadas indiscriminadamente.

Quer saber mais sobre outras complicações do parto, além da circular de cordão? Confira nosso artigo sobre o tema!

Parto normal: quando mudar para parto cesariana?

A conversão para uma cesariana durante o trabalho de parto normal é uma medida rara e adotada apenas em casos de exceção. Em geral, os estudos mostram que, para a mãe e o bebê, pode ser melhor realizar algumas intervenções no parto vaginal antes de indicar um parto cirúrgico.

Contudo, em algumas situações, a cesariana é inevitável e representa a melhor ação para reduzir o risco de complicações maternofetais. A seguir, vamos explicar detalhadamente como é o trabalho de parto normal e o que pode impossibilitar sua conclusão. Acompanhe!

Quando mudar o parto normal para uma cesariana?

Quando a cesariana é indicada durante o trabalho de parto normal, ela é chamada de cesárea intraparto. Sua principal causa é a distocia, que se refere a dificuldades substanciais na progressão do trabalho de parto.

Apesar de poder acontecer com qualquer gestante, ela é mais comum em mulheres primíparas (as mães de primeira viagem). Outros fatores de risco para a distocia são:

  • Parto induzido;
  • Analgesia epidural;
  • Peso fetal maior do que 4 quilos;
  • Idade materna maior do que 35 anos.

Existem dois indicadores principais de que o trabalho de parto não está evoluindo, como esperado:

  • A dilatação do colo do útero não progride ou não está adequada para aquela fase do parto;
  • Em alguns casos, a dilatação está adequada, mas não há evolução na descida do feto através do canal de parto.

Esses problemas são avaliados em cada fase do parto, como veremos a seguir.

Diante da distocia, o obstetra avaliará criteriosamente os sinais vitais do bebê e da mãe, assim como a dinâmica das contrações uterinas. Caso identifique risco para a saúde de alguns deles, a cesariana será indicada. Entretanto, nem sempre um parto cirúrgico será necessário.

Principais causas de cesariana intraparto

As principais causas de distocia são:

  • Desproporção cefalopélvica, ou seja, o diâmetro do canal pélvico durante o parto é insuficiente para a passagem da cabeça do bebê;
  • Contrações uterinas inadequadas, isto é, o ritmo, a força, a progressão e a direção delas não estão funcionais para uma evolução normal do parto;
  • Apresentação fetal anormal. O ideal é que o bebê esteja com a cabeça “encaixada” na pelve (posição cefálica) antes do início da fase expulsiva do parto. Se ele estiver deitado (transverso) ou sentado (pélvico) sobre a pelve, pode haver dificuldade para o trabalho de parto. Algumas manobras podem ser feitas para corrigir a apresentação, mas, se não for possível, o parto cesariano é indicado;
  • Posição fetal. O bebê em posição cefálica pode estar em duas posições: inverso (face virada para as costas da mãe) ou para frente (face voltada para o abdômen da mãe). A primeira é considerada a ideal, enquanto a segunda pode levar à distocia.

Parto normal: o que o médico avalia para mudá-lo para uma cesariana?

Devido a diferenças individuais de cada trabalho de parto, uma definição exata do que é distocia não é possível. No entanto, em geral, alguns sinais podem levantar um sinal de alerta para o obstetra. Veja

Fase latente

A distocia pode acontecer como uma fase latente prolongada: com duração maior do que 20 horas em mães de primeira viagem ou 14 horas em mulheres que já tiveram outros partos vaginais. Nessa situação, buscamos a indução da fase ativa com medicamentos e procedimentos menos invasivos, mas, se a paciente não responder a essas medidas, a cesariana é indicada.

Fase ativa

Na fase ativa normal, as contrações se tornam mais regulares e fortes e já podemos notar uma dilação do colo entre 4 e 10 centímetros e o apagamento cervical. Por sua vez, um dos sinais de distocia é o atraso na fase ativa também, que pode se caracterizar por:

  • Atraso na descida e na rotação da cabeça fetal;
  • Contrações anárquicas ou insuficientes;
  • Dilatação menor do que 2 centímetros após 4 horas do início da fase ativa.

Antes de indicar uma cesariana, podemos tomar algumas medidas para manter o parto normal. Por exemplo, a aplicação de oxitocina pode ser feita para induzir uma maior dilatação ou melhorar a qualidade das contrações. A cesariana pode ser indicada quando há uma evolução menor do que 2 centímetros após 4 horas da administração da oxitocina.

Além do atraso, pode ocorrer a parada da fase ativa do parto. Ela ocorre quando há dilatação maior ou igual a seis centímetros com ruptura da bolsa associada a um dos seguintes critérios:

  • 4 horas ou mais de contrações adequadas;
  • 6 horas ou mais de contrações inadequadas sem mudanças na dilatação do colo do útero.

A parada na fase ativa pode levar à indicação de uma cesariana, principalmente se houver sinais de sofrimento fetal ou esgotamento materno.

Fase expulsiva

Inicia-se quando a dilatação cervical se completa e tem cerca de 10 centímetros. Existe uma grande variação na duração máxima dessa fase. Por isso, ao contrário do que muitas pacientes pensam, não existe um tempo certo para converter um parto normal em cesariana.

Na fase expulsiva, podemos suspeitar de atraso quando a apresentação, posição ou descida estiverem inadequadas após 1 hora (primíparas) ou meia hora (multíparas) após a dilatação cervical completa.

Em partos sem anestesia epidural, a parada da fase ativa pode ser caracterizada, como:

  • Mais de 3 horas de esforço ativo em mulheres primíparas;
  • Mais de 2 horas de esforço ativo em mulheres multíparas.

No caso de uso de anestesia epidural, acrescentamos mais uma hora em cada um desses prazos.

Portanto, apesar de termos apresentado diversos números, é muito importante que as gestantes entendam que esses números são apenas parâmetros e nem sempre significarão a necessidade de uma cesariana. O parto normal poderá continuar se os sinais vitais do bebê estiverem bons, a parturiente ainda tiver força e houver uma progressão suficiente (apesar de lenta) do trabalho.

Em última instância, a decisão dependerá da avaliação do obstetra naquele momento e dos desejos da mulher. Afinal, o parto deve ser humanizado: isso inclui a individualização das decisões e o protagonismo da gestante.

Quer saber mais sobre o parto humanizado e sua importância para a mulher? Confira nosso artigo sobre o tema!

Depressão pós-parto: diagnóstico e tratamento

A depressão pós-parto (DPP) é uma forma de depressão que afeta mulheres no período de um ano após o parto. É considerada uma condição preocupante de saúde mental que apresenta sintomas como baixa energia, dificuldades para dormir, perda de interesse em atividades, alterações no apetite e grande tristeza.

Algumas mulheres experimentam formas mais brandas de depressão. Outras, porém, apresentam sintomas depressivos mais intensos, que interferem em suas vidas diárias, fazendo com que tenham dificuldades com tarefas, como cuidar do recém-nascido e amamentar, e até criar vínculos com o bebê.

É importante que qualquer nova mãe reconheça os sinais e sintomas da depressão pós-parto e procure ajuda imediatamente, pois pode causar danos à mãe e ao bebê. Por isso, acompanhe nosso post até o final!

O diagnóstico da depressão pós-parto

O diagnóstico da depressão pós-parto é clínico. Em outras palavras, seu médico não precisará de nenhum exame complementar (de sangue, urina ou imagem, por exemplo) para confirmar que você tem a condição.

Os critérios mais utilizados são baseados no Manual de Diagnóstico de Transtornos Mentais, o DSM-5. Eles são muito confiáveis, pois são baseados em estudos feitos com milhares de gestantes.

De acordo com o DSM-5, a paciente deve apresentar 5 dos seguintes sintomas:

  • humor deprimido;
  • anedonia (interesse ou prazer acentuadamente diminuído em atividades);
  • perda de peso sem dieta/razão clínica ou ganho de peso ou distúrbio do apetite;
  • insônia ou excesso de sono;
  • agitação ou lentidão psicomotoras;
  • fadiga e diminuição da energia;
  • diminuição da capacidade de se concentrar ou tomar decisões;
  • sentimentos de inutilidade ou culpa excessiva ou inadequada;
  • pensamentos recorrentes de morte ou ideação suicida (sem planos). Se ela tiver um plano mais concreto de suicídio, provavelmente ela apresenta um transtorno depressivo maior ou outra desordem.

Além disso, um dos sintomas deve ser obrigatoriamente o humor deprimido ou a anedonia.

Impacto na vida da gestante

Ao contrário do que acontece no baby blues, essas manifestações levam a um sofrimento significativo ou diminuem funcionalidade da mulher em áreas, como:

  • Autocuidado — a paciente passa a negligenciar cuidados básicos de higiene, alimentação e saúde, por exemplo;
  • Cuidados com o bebê — ela tem dificuldades significativas para os cuidados básicos com o bebê (amamentação, higiene e consultas médicas);
  • Sociais — ela pode se isolar do contato com outras pessoais, inclusive de sua parceria;
  • Ocupacionais — no retorno ao trabalho, ela pode apresentar dificuldade para manter uma performance adequada.

Início dos sintomas

Para que a depressão pós-parto seja diagnosticada, ainda é necessário identificar quando os sintomas começaram. Eles devem ter se iniciado ainda durante a gravidez até as primeiras semanas após o parto. Em alguns casos, porém, os sintomas podem se expressar mais tardiamente, mas ainda dentro do primeiro ano após o parto.

Diagnóstico de exclusão

Além disso, antes de diagnosticar a depressão pós-parto, precisamos excluir a possibilidade de outras causas para os sintomas, como:

  • Efeitos colaterais de medicações ou outra doença física (como o hipotireoidismo);
  • Transtornos psicóticos. Se a paciente tiver história de alucinações, sensação de perseguição, afeto embotado e outros sintomas, talvez se trate do agravamento do quadro psicótico em vez da depressão pós-parto. Contudo, as duas condições podem coexistir, então o médico deverá ser bastante criterioso na investigação;
  • Transtorno bipolar. Se a paciente tiver história prévia de um episódio maníaco ou hipomaníaco (caraterizados por euforia, expansividade social, impulsividade e comportamentos de risco, por exemplo), pode se tratar de um transtorno bipolar. Com isso, consideramos que o parto desencadeou um episódio depressivo e não é uma depressão pós-parto.

Tratamento da depressão pós-parto

No Brasil, não há nenhum tratamento específico para a depressão pós-parto. Como veremos, usualmente, os antidepressivos tradicionais são usados para aliviar as mudanças do humor. Eles regulam os níveis de neurotransmissores que se alteram durante a depressão, como a serotonina.

Nos Estados Unidos, contudo, foi aprovado recentemente um medicamento voltado para a depressão pós-parto, a brexanolona. Ela funciona de forma muito distinta em relação aos antidepressivos habituais, pois atua no eixo hormonal do sistema nervoso central. Após o parto, a produção do hormônio alopregnanolona, cujos níveis no corpo podem cair expressivamente após o parto. A brexanolona é uma versão sintética desse hormônio.

O tratamento com antidepressivos

A medicação antidepressiva é geralmente indicada sempre que a paciente é diagnosticada com depressão pós-parto. Preferencialmente, deve ser indicada por um ginecologista ou psiquiatra experiente no tratamento de gestantes. Afinal, é preciso escolher uma opção com mínimo impacto sobre a amamentação, como a sertralina e a paroxetina.

A escolha do tratamento é sempre individualizada e deve se basear em critérios, como:

  • Tratamentos prévios da gestante com antidepressivos. Se possível, escolhemos a medicação com a qual ela teve uma boa resposta anteriormente;
  • Sintomas associados e com maior impacto na qualidade de vida. Cada antidepressivo tem um perfil (alguns induzem o sono e outros são mais efetivos contra a fadiga, por exemplo).

Em todo o caso, é fundamental continuar o tratamento por 6 meses ou mais. Isso reduz o risco de retorno dos sintomas após a interrupção da medicação.

O tratamento psicoterápico

A terapia cognitivo comportamental (um tipo de psicoterapia) é outra medida importante para melhorar o quadro. Ela auxilia a paciente a entender melhor os seus pensamentos e comportamentos, propondo medidas para modificá-los progressivamente. Em casos leves, ela pode ser indicada isoladamente, sem as medicações.

Outras medidas

  • O acompanhamento pré-natal e puerperal ajuda a prevenir e identificar precocemente a depressão pós-parto;
  • Há evidências de que os exercícios aeróbicos leves a moderados ajudem na redução dos sintomas;
  • O apoio psicossocial de familiares e parcerias também podem ajudar a paciente a se recuperar mais rápido.

Prevenção da depressão pós-parto

É muito importante que seu médico faça uma triagem para a depressão pós-parto na fase final do pré-natal e no puerpério. Se a paciente apresenta alto risco de depressão, a terapia preventiva pode ser iniciada mesmo antes do início dos sintomas. Ela envolve o uso de medicações antidepressivas e/ou psicoterapia.

Portanto, a depressão pós-parto é uma condição com um impacto muito grande sobre as mulheres. É um assunto que precisamos sempre abordar e tratar adequadamente, sem estigmas. Afinal, é uma condição muito comum, presente em até 6,5% a 20% dos partos. É causada por fatores hormonais e psicossociais, não sendo culpa da mulher.

Quer saber mais sobre a depressão pós-parto? Confira nosso artigo sobre o tema!