Dra Cristiane Pacheco | WhatsApp

Ciclo menstrual regular: como calcular o período fértil?

Idealmente, o casal que deseja engravidar deveria entender como calcular o período fértil. Hoje, vamos falar como fazer em pacientes com ciclo menstrual regular. Assim, poderiam programar algumas das suas relações sexuais para os momentos em que há o pico de fertilidade da mulher.

Ao contrário do homem, os gametas femininos não ficam disponíveis continuamente. Eles são liberados intermitentemente em dias próximos ao meio do ciclo menstrual, então há momentos do mês em que a mulher está no pico da fertilidade.

Após a puberdade, a mulher passa por diversas alterações fisiológicas, as quais preparam o corpo da mulher para abrigar gestações. Ciclicamente, são liberados hormônios que estimulam os ovários. Esses órgãos contêm os folículos ovarianos, — cada um deles armazena um óvulo em seu interior.

A partir da primeira menstruação, vários folículos vão crescer a cada ciclo menstrual. No entanto, apenas um deles completa o desenvolvimento e se rompe para liberar o óvulo nas tubas uterinas, onde ocorre a fecundação. Assim, as fases menstruais são divididas em três: a folicular, a ovulatória e a lútea (após a ovulação).

O óvulo sobrevive por aproximadamente 24 horas. Por sua vez, os espermatozoides podem levar até 72 horas para encontrar os gametas. Portanto, o período fértil também abrange alguns dias anteriores e posteriores à ovulação.

Vamos ensinar você a calcular o período fértil de ciclos regulares a seguir. Ficou interessada? Acompanhe!

O que é período fértil?

O período fértil pode ser definido como o intervalo do ciclo menstrual em que as chances de fecundação são maiores. A fertilização da mulher é cíclica e depende da ovulação, que é uma das três fases do ciclo ovariano:

Fase folicular

Começa com o primeiro dia de sangramento menstrual e se prolonga até o décimo terceiro. Nessa etapa, a hipófise libera o hormônio folículo-estimulante. Ele atua sobre os folículos ovarianos, que são cavidades em forma de saco, preenchidas por um líquido e pelo óvulo. Contudo a fertilização, não ocorre no ovário, mas nas tubas uterinas. Portanto, os folículos precisam se romper para liberar os óvulos.

Diversos folículos crescem a cada ciclo, mas apenas um deles se destaca no desenvolvimento e passa a inibir o crescimento dos demais. Enquanto isso, o estrogênio atua no endométrio, fazendo com que ele se torne mais espesso. Isso é fundamental para a implantação do embrião (nidação).

Fase ovulatória

Após estímulos do FSH e o hormônio luteinizante, o folículo dominante se rompe e libera o óvulo. Em média, isso acontece no décimo quarto dia do ciclo, mas há variação no caso de ciclos menos regulares.

O óvulo é, então, captado pelas tubas uterinas, onde sobreviverá por aproximadamente 24 a 36 horas. Se for fecundado por um espermatozoide, haverá a formação de um embrião.

Fase lútea

Depois da ovulação, as células remanescentes do folículo se transformam e se tornam o corpo lúteo. Essa estrutura passa a secretar níveis mais elevados de progesterona, um hormônio fundamental para a função do endométrio nas fases iniciais da gestação.

O que é ciclo menstrual regular?

É aquele cuja periodicidade varia muito pouco. Por exemplo, a mulher sempre menstrua a cada 28 dias, sendo raríssima a mudança de data. Em média, cada ciclo dura aproximadamente 28 dias. Se ele apresenta menos de 26 dias e mais de 35, também há uma alteração na regularidade menstrual.

A irregularidade acontece, por exemplo, quando a paciente tem um ciclo de 30 dias em um mês, 27 no outro, 29 em outro. Isso torna difícil a previsão do período fértil.

Como calcular o período fértil em ciclos menstruais regulares e por que isso é importante?

Há diversas formas de calcular o período fértil é feito da seguinte forma. Normalmente, elas levam em consideração as seguintes informações:

  • O espermatozoide pode sobreviver de 3 a 5 dias no organismo da mulher;
  • Por sua vez, o tempo de vida do óvulo é menor, cerca de 1 a 3 dias.

Diante disso, podemos utilizar várias fórmulas para estimar o período fértil. Algumas delas podem ser bastante complicadas e dependem que você conheça alguns conceitos mais complexos.

Por isso, para mulheres férteis com menstruação regular, podemos usar uma fórmula mais simples:

  • Você deve anotar o primeiro dia da sua menstruação;
  • A menstruação geralmente acontece após 14 dias dessa data;
  • Depois disso, subtraia três a cinco dias desse período;
  • Por fim, acrescente mais um dia.

Portanto, temos 6 dias em que a fertilidade feminina é maior. 3 a 5 antes da data estimada para a ovulação e 1 dia depois. Se sua menstruação veio no dia primeiro, o período fértil é de 11 a 16 daquele mês. Durante essa fase, há uma maior chance de que os espermatozoides liberados consigam encontrar um óvulo e fertilizá-lo.

Para complementar as informações do calendário, você pode observar algumas dicas que o corpo dá durante o período ovulatório, como:

  • O corrimento vaginal passa a ser mais espesso e elástico, lembrando a textura de uma clara de ovo;
  • Sensibilidade e inchaço leve nas mamas, principalmente ao toque;
  • Temperatura corporal, que diminui antes da ovulação e aumenta logo depois dela;
  • Cólicas leves devido ao estímulo hormonal aumentado;
  • Aumento da libido, uma reação natural do corpo para estimular a busca de relações sexuais pela mulher.

As tentativas de engravidar no período fértil tendem a ser muito mais bem-sucedidas. Afinal, os gametas femininos não estão disponíveis constantemente. Por esse motivo, é preciso entender quando estão disponíveis ser fecundados pelos espermatozoides. Por isso, é muito importante entender o ciclo menstrual regular e como prever a data da ovulação dentro dele.

Quer saber mais sobre o tema? Confira este artigo institucional!

Endometriose: o que é? Saiba mais sobre a doença

O sistema reprodutor feminino é composto por diversos órgãos e estruturas, como a vagina o útero, as tubas uterinas, os ovários, entre outros. Todos eles podem ser acometidos por alguma condição médica que prejudica a sua funcionalidade. Hoje, vamos dar destaque a uma doença que compromete a função uterina, a endometriose.

O útero é um órgão com três camadas de tecidos: o endométrio, o miométrio e o perimétrio. A endometriose surge quando há a presença de glândulas e estroma endometriais em regiões fora do útero. Ela pode acometer, por exemplo, os ligamentos uterossacros, as tubas uterinas, os ovários, o peritônio, as vias urinárias e o intestino.

Com isso, surge um processo inflamatório crônico, que pode causar disfunções em diversos órgãos pélvicos, mesmo distantes da lesão. Apesar de os implantes não atingirem diretamente o útero, a inflamação causada por eles faz com que o endométrio normal fique menos receptivo aos espermatozoides e ao embrião.

Quer entender melhor o tema? Acompanhe o nosso post!

O que é a endometriose?

A endometriose é uma doença mais prevalente e incidente em mulheres que ainda estão no seu período reprodutivo. Portanto, os casos da doença são mais frequentes em mulheres após a primeira menstruação (menarca) e a menopausa. Contudo, apesar de os casos serem mais incomuns, ela pode acometer mulheres antes da puberdade e depois da pós-menopausa.

Causas da endometriose

Essa característica da doença ajudou a ciência a identificar uma de suas causas. A endometriose é uma doença estrogênio-dependente. O corpo libera diferentes tipos de estrogênio, o hormônio feminino. A mais potente é o estradiol, o qual é produzido em quantidades significativas apenas quando a mulher está na idade fértil (que se inicia com a menarca e termina com menopausa).

Essa substância tem a capacidade de fazer com que as células se multipliquem com maior velocidade. O excesso de exposição ao estrogênio pode desencadear doenças estrogênio-dependentes, como a endometriose.

Uma forma de contrabalançar a ação do estrogênio é a exposição à progesterona. Esse hormônio estimula a diferenciação das células, impedindo que elas acumulem mutações genéticas que podem levar à proliferação desordenada.

Por esse motivo, os principais fatores de risco para essa condição são aqueles que aumenta o tempo de exposição ao estrogênio sem o contrabalanceamento da progesterona, como:

Os fatores de proteção são aqueles que aumentam o tempo de exposição à progesterona, como a amamentação e as gestações. Algumas mulheres com endometriose apresentam uma remissão duradoura da doença após uma gravidez.

Como a endometriose funciona?

A endometriose é uma doença inflamatória crônica que se inicia devido à presença de células de tecido endometrial em locais fora do útero.

Doença inflamatória — são doenças cujos sinais, sintomas e complicações surgem em decorrência da agressão de algumas células de defesa do nosso organismo. Elas liberam substâncias no local, causando a dilatação dos vasos sanguíneos e uma agressão aos tecidos. Além disso, ela aumenta a sensibilidade à dor na região afetada.

Como não consegue diferenciar entre células saudáveis e as células da lesão, uma inflamação persistente pode causar uma disfunção nos tecidos, que, à medida que permanece, traz mais complicações.

No endométrio, a inflamação pode levar à redução da receptividade do tecido ao embrião. Assim, ele tem dificuldades para se implantar e a mulher poderá ter dificuldades para engravidar.

Crônica — é uma doença que tende a persistir por um período mais prolongado e geralmente não tem perspectiva de cura. Contudo ela tem controle. Por isso, em vez de falar de cura, dizemos que ela entra em remissão. Ou seja, depois de controlada, ela pode retornar. Em algumas mulheres, a doença não se manifesta nunca mais após o tratamento. Em outras, porém, ela retorna e é necessário reiniciar as medidas de controle sintomático.

Tecido ectópico — é um termo utilizado para dizer que um tecido foi identificado fora do seu local habitual. No caso das células endometriais, elas devem ficar restritas à cavidade do útero. Quando elas invadem o miométrio, a camada intermediária do útero, desencadeiam uma doença chamada de adenomiose. Caso elas se instalem em estruturas fora do útero, surge a endometriose.

Consequências da endometriose

A endometriose pode causar os seguintes sintomas:

  • Dor pélvica crônica;
  • Dismenorreia (cólicas menstruais);
  • Dificuldade para engravidar (a infertilidade);
  • Dor nas relações sexuais;
  • Disfunções urinárias cíclicas (durante ou pouco antes da menstruação);
  • Disfunções intestinais cíclicas.

Caso não seja tratada, a condição pode trazer complicações mais graves. A principal delas são as aderências, que podem ser intrauterinas ou pélvicas. Devido ao processo inflamatório crônico, o corpo tenta cicatrizar as agressões com a estimulação da proliferação de tecidos e a deposição de colágeno. Isso pode levar à formação de fibras que se aderem aos tecidos e se tornam mais rígidas com o passar do tempo.

Assim, podem causar a obstrução da cavidade do útero ou das tubas uterinas. Na cavidade pélvica, as aderências podem levar a compressões, que podem evoluir para obstruções externas e alterações na morfologia do útero. Tudo isso aumenta o risco de infertilidade e de dores pélvicas.

Portanto, a endometriose é uma doença complexa, que está relacionada a diversas complicações. Felizmente, avançamos muito em relação ao controle da doença, melhorando a qualidade de vida das mulheres afetadas. Muitas delas, hoje, conseguem engravidar tanto espontaneamente quanto pela reprodução assistida.

Quer saber mais sobre essa doença e sua relação com as gestações? Confira nosso artigo institucional sobre o tema!

Sangramento uterino anormal: causas

A menstruação é o sangramento que ocorre no início de um ciclo menstrual devido à descamação de androgênios. Ela ocorre ao final do ciclo devido à queda dos níveis de estrogênio e progesterona para manter o endométrio mais espesso. A menstruação normal dura de 3 a 7 dias dentro de ciclos de 26 a 35 dias. Alterações na duração, na quantidade e no intervalo dos sangramentos são consideradas formas de sangramento uterino anormal.

O SUA acomete até 25% das mulheres em idade reprodutiva, representando uma das queixas mais frequentes em consultórios. Em alguns casos, impacta significativamente a qualidade de vida, trazendo repercussões físicas, emocionais, sexuais, profissionais e afetivas.

Quer saber mais sobre o tema? Acompanhe!

O que é o SUA?

Os ciclos menstruais podem variar bastante. Nem todos os ciclos de uma mesma mulher serão iguais entre si. Da mesma forma, há muita variação de uma mulher para outra. Nesse sentido, existem variações normais, — pequenas, que não estão relacionadas a processos patológicos.

Em outras casos, há uma alteração mais significativa, como:

  • Sangramento após a menopausa;
  • Pequenos escapes de sangue no período entre as menstruações;
  • Aumento ou diminuição do volume do fluxo menstrual;
  • Prolongamento do período de sangramento menstrual, entre outras possibilidades.

Quais são as causas de sangramento uterino anormal?

Como explicado anteriormente, o SUA não é uma doença ou um sintoma específico. Ele abrange uma série de alterações menstruais, as quais podem estar relacionadas a diversas condições ginecológicas.

Por isso, é muito importante entender as afecções médicas que podem causá-lo. Para facilitar o diagnóstico pelos profissionais, a Federação Internacional de Ginecologia e Obstetrícia (FIGO) criou o acrônimo PALM-COIEN, que resume as condições que mais frequentemente levam ao SUA.

A primeira parte do acrônimo (PALM) indica as causas estruturais (anatômicas e morfológicas) desse sintoma:

  • P —pólipos;
  • A — adenomiose;
  • L — leiomioma;
  • M — malignidade.

A segunda parte, por sua vez, descreve as demais causas, como:

  • C — Coagulopatia;
  • O — Ovulatória;
  • E — Endometrial;
  • I — Iatrogênica, isto é, relacionado a intervenções médicas (uso de medicações, dispositivos uterinos, entre outras possibilidades);
  • N — Não classificado de outra forma.

No entanto, é muito importante que você entenda que o sangramento uterino anormal pode estar relacionado a mais de uma das condições acima. É comum que ele seja multifatorial (desencadeado por distúrbios comórbidos).

Pólipos endometriais

Os pólipos uterinos são uma das principais causas de sangramento, pois acometem entre 7% e 20% das mulheres. Eles são lesões geralmente benignas que se originam de proliferações endometriais bem localizadas, que podem ser únicas ou múltiplas.

Apesar de a maioria dos pólipos serem assintomáticos, a alta prevalência na população faz com que seja diagnosticado em entre 7% e 34% das mulheres com SUA.

Eles podem se manifestar, como o sangramento com as seguintes características:

  • entre os períodos menstruais;
  • após a menopausa;
  • que provoca aumento do fluxo menstrual;
  • que ocorre após as relações sexuais.

Adenomiose

É a invasão do miométrio por células do endométrio. Isso provoca um estado inflamatório nessa importante camada do útero. Assim, pode surgir diversos sintomas, como o fluxo menstrual aumentado, o sangramento após a menopausa e após as relações sexuais.

Leiomioma

São tumores benignos que surgem quando as células musculares do endométrio se proliferam excessivamente. Eles podem crescer em direção à cavidade do útero ou à cavidade pélvica. Quanto mais ele penetrar na camada endometrial, maior a chance de o sangramento uterino anormal se desenvolver.

Afinal, a presença da lesão causa uma reação inflamatória no endométrio normal, fazendo com que ele se torne mais vascularizado. Então, a paciente pode manifestar aumento do fluxo menstrual e entre os períodos menstruais.

Malignidade

São os tumores malignos do endométrio, que são um tipo menos comum de câncer ginecológico. Ainda assim, eles precisam ser acompanhados com bastante atenção. Eles ocorrem quando as células endometriais se multiplicam excessivamente e começam a invadir os demais tecidos sem nenhum controle.

Coagulopatias

O endométrio é um órgão muito vascularizado. Dessa forma, quando a paciente tem algum distúrbio que facilita a coagulação, ela pode apresentar um sangramento mais intenso ou duradouro em comparação a mulheres saudáveis.

Ovulatória

São os problemas causados pelas disfunções nos ciclos dos folículos ovarianos, geralmente devido a condições hormonais. A síndrome dos ovários policísticos é uma das principais causas de SUA ovulatório. Ela é causada pelo excesso de hormônios masculinos, os quais impedem que os folículos cheguem ao estágio final de maturação.

Endometrial

São outras condições de origem do endométrio, mas que não se enquadram nas categorias anteriores.

Iatrogênica

São as intervenções médicas relacionadas ao SUA,

  • DIU de cobre;
  • Anticoagulantes;
  • Vasodilatadores sistêmicos, entre outros.

Não classificados anteriormente

Apesar de as condições anteriores abrangerem grande parte das causas de SUA, existem etiologias para o sangramento uterino anormal.

O diagnóstico das causas de sangramento uterino anormal é feito com a avaliação clínica de um médico, que pode ser complementada por exames de laboratório e de imagem. Nem sempre as causas serão diagnosticadas com os primeiros exames requisitados. Em alguns casos, o processo de investigação pode ser mais extenso. O tratamento dependerá da condição de base, mas, se nenhuma for encontrada, o uso de medicações antiestrogênicas e de progestágenos vêm sendo recomendado.

Quer saber mais sobre o sangramento uterino anormal, seu diagnóstico e tratamento? Confira nosso artigo institucional!

SOP: saiba o que é

Os ovários são órgãos importantes para o organismo das mulheres como um todo. Eles apresentam duas funções principais: a reprodutiva e a endócrina. Afinal, eles armazenam os folículos ovarianos, que armazenam os óvulos (gametas sexuais femininos).

Em volta dos óvulos, existem também células com capacidade de produzir hormônios, como o estrogênio e a progesterona. Eles atuam em diversos órgãos e tecidos para regular as atividades deles. Na síndrome dos ovários policísticos (SOP), há um comprometimento da função ovariana normal.

Alguns folículos ovarianos, a partir do início da vida fértil na puberdade, começam a se desenvolver periodicamente. Cada ciclo menstrual geralmente significa que alguns folículos se desenvolveram, um deles se tornou dominante e amadureceu até liberar um óvulo nas tubas uterinas.

Na SOP, algumas disfunções endócrinas fazem com que os folículos tenham dificuldade em completar seus ciclos devido ao excesso de hormônios masculino. Consequentemente, não há a liberação de óvulos (ovulação) em alguns ciclos, comprometendo a capacidade reprodutiva da mulher. Também surgem sintomas devido ao estímulo dos androgênios sobre as outras células do corpo.

Quer saber mais sobre o tema? Confira nosso post!

O que é a SOP?

A SOP é uma síndrome. Isso significa que ela é caracterizada como um conjunto de sinais e sintomas com um padrão determinado. Portanto, a SOP é definida como a presença de 2 dois seguintes critérios em uma paciente:

  • Distúrbios ovulatórios. Eles podem se manifestar como oligovulação (ovulação pouco frequente ou irregular) ou como anovulação (ausência de ovulação);
  • Hiperandrogenismo (excesso de hormônios masculinos), que pode ser identificada por alterações físicas (acne excessiva, hirsutismo ou calvície com padrão masculino) ou por exames laboratoriais que dosam os androgênios;
  • Ovários com aparência policística, isto é, presença de 12 ou mais folículos com diâmetro de 2 a 9 milímetros ou volume ovariano maior do que 10 centímetros cúbicos em exames de imagem (geralmente, ultrassonografia transvaginal).

Com essa definição, podemos desfazer um equívoco comum em relação a essa condição. Apesar de seu nome, a SOP pode ser diagnosticada em pacientes com ovários sem morfologia policística. Nessa situação, o médico provavelmente identificou distúrbios ovulatórios e evidências de hiperandrogenismo.

Causas da SOP

A SOP é um distúrbio endócrino muito complexo, tanto que, até hoje, a ciência médica não desvendou todos os seus mecanismos patológicos. Temos algumas peças importantes desse quebra cabeça e, por isso, conseguimos tratar os sintomas dessa condição crônica, que não tem cura.

O que sabemos atualmente é que ela é uma condição relacionada ao excesso de androgênios, os hormônios masculinos. Com isso, o equilíbrio dos hormônios sexuais femininos fica comprometido. Essa disfunção terá um impacto nos ovários e no organismo como um todo.

Assim, os folículos têm dificuldade de completar seu desenvolvimento. Em alguns ciclos menstruais, alguns deles não amadurecem a ponto de se romperem e liberarem os óvulos. É o que chamamos tecnicamente de anovulação, que se manifesta principalmente como amenorreia (ausência de menstruação)

O excesso de androgênios também vai repercutir em outras células do corpo sensíveis a esse hormônio. Desse modo, surgem outros sintomas da SOP, como o hirsutismo (crescimento de pelos com padrão masculino.

Associado a isso, as mulheres acometidas podem também sofrer com a resistência à ação da insulina. Esse hormônio estimula o transporte de açúcar (glicose) do sangue para o interior das células. Quando sua ação é insuficiente, podemos identificar um excesso dos níveis de açúcar em alguns exames de sangue específicos.

Sintomas da SOP

Veja alguns sintomas que podem estar presentes nas mulheres com SOP:

  • Sangramento uterino anormal com menstruação com duração acima de 35 dias ou irregularidade entre os ciclos. Consideramos um indicativo de SOP a paciente ter menos de 9 menstruações ao longo do ano (oligomenorreia) ou ficar meses sem menstruar (amenorreia);
  • Infertilidade devido à anovulação;
  • Hirsutismo;
  • Obesidade;
  • Queda de cabelo com padrão feminino;
  • Acne e oleosidade em excesso.

Diagnóstico e tratamento

O diagnóstico pode ser feito exclusivamente com base nos sinais e sintomas da paciente. No entanto, em diversos casos, ele precisa ser complementado por exames de sangue e/ou imagem.

O tratamento da SOP não tem o objetivo de curar a paciente, mas de controlar os seus sintomas. Para os sinais clínicos, podemos administrar anticoncepcionais orais e hormônios de ação antiestrogênica. Com isso, há uma melhora da queda de cabelo, do hirsutismo e da acne.

Em mulheres com queixa de infertilidade, tem sido utilizado medicamentos que reduzem a resistência à insulina. Eles podem ajudar a regular a ovulação. Caso o tratamento não seja eficaz, as técnicas de reprodução assistida podem ser utilizadas.

Alguns estudos vêm apontando que as mulheres com SOP apresentam um maior risco de eventos adversos durante a gravidez e o parto, independentemente de terem engravidado naturalmente ou por reprodução assistida. Uma explicação para isso é a resistência à insulina, que pode levar ao aumento dos níveis de glicose no sangue. Com um acompanhamento obstétrico humanizado, contudo, acolhemos a mulher com SOP e elaboramos um plano terapêutico individualizado para a redução de riscos.

Quer saber mais sobre a SOP e por que ela causa infertilidade nas mulheres? Confira nosso artigo sobre o tema!

Pólipo endometrial: conheça melhor os sintomas

O útero é um órgão do sistema reprodutor feminino, sendo responsável por sustentar o desenvolvimento do feto desde o início de uma gestação até o nascimento. Ele tem formato de pera invertida e é constituído de três camadas principais (da mais interna à mais externa): o endométrio, o miométrio e o perimétrio.

O endométrio reveste a cavidade uterina, tendo uma função essencial para a fertilidade e a manutenção de uma gravidez. Nele, podem surgir algumas lesões, como o pólipo endometrial, que podem causar sintomas e complicações.

O ciclo menstrual normal de uma mulher começa quando o endométrio descama (menstruação) após ter sido estimulado no ciclo anterior. Ao final do sangramento, essa camada começa a se proliferar novamente devido ao estímulo do estrogênio.

Depois da ovulação, o ovário passa a produzir mais progesterona, um hormônio que promove ainda mais o espessamento e a secreção do endométrio, preparando para uma gestação.

Os pólipos endometriais benignos são lesões estrogênio-dependentes, isto é, surgem e se desenvolvem quando os níveis de estrogênio estão mais altos.

Quer saber mais sobre o tema? Acompanhe o nosso post!

O que é um pólipo endometrial?

Os pólipos endometriais surgem devido ao crescimento excessivo de células endometriais. Geralmente, são completamente benignos. Em casos raros, podem evoluir para lesões malignas. Ou seja, muitas mulheres podem ser diagnosticadas com eles ao longo da vida, mas pouquíssimas desenvolverão o câncer endometrial.

Eles podem ser classificados em:

  • únicos (apenas uma lesão dentro da cavidade) ou múltiplos;
  • sésseis (com bordas aderidas ao endométrio) ou pedunculares (o corpo da lesão fica preso por uma haste fina de tecido).

No entanto, por menor que esse risco seja, não podemos subestimá-los. Por isso, o acompanhamento periódico da condição com um ginecologista é essencial

Sintomas dos pólipos endometriais

Na maioria das vezes, os pólipos são assintomáticos. Em outras palavras, as mulheres não apresentam sintomas ou complicações da doença. Portanto, as lesões geralmente são descobertas na investigação de outras condições ginecológicas ou no acompanhamento de rotina da saúde da mulher.

Nas mulheres sintomáticas, os principais sintomas são alguma forma de sangramento uterino anormal, como:

  • fluxo menstrual aumentado;
  • sangramento entre os períodos menstruais;
  • sangramentos após as relações sexuais;
  • sangramento no pós-menopausa.

Como os pólipos são uma lesão muito prevalente entre as mulheres, eles são diagnosticados em 7% a 34% das mulheres com queixa de sangramento uterino anormal. Além disso, as lesões podem causar a dismenorreia (cólicas antes e durante o período de sangramento menstrual.

Os sintomas geralmente são leves, mas pode também ser desde moderados a incapacitantes. Normalmente, o surgimento e a intensidade das queixas estão relacionados ao tamanho das lesões e à extensão do endométrio acometidos pelos pólipos.

Além disso, algumas pacientes podem apresentar infertilidade ou abortamentos de repetição relacionados aos pólipos uterinos. Essa dificuldade para engravidar se deve:

  • tanto à obstrução que eles podem causar na cavidade uterina, impedindo que os espermatozoides atinjam as tubas uterinas. Em alguns casos, os pólipos podem levar à formação de aderências intrauterinas, aumentando as chances de obstrução;
  • quanto à redução da receptividade endometrial, que dificulta a implantação do embrião no endométrio e o desenvolvimento da placenta.

Tanto os sangramentos quanto os problemas reprodutivos são explicados principalmente pelo processo inflamatório causado pela lesão. As células do sistema imunológico têm dificuldade em distinguir o tecido endometrial normal dos pólipos uterinos, causando uma inflamação mais generalizada.

Portanto, na presença dos sintomas acima, é muito importante procurar um médico para iniciar uma investigação de possíveis doenças ginecológicas. Caso os pólipos sejam identificados, pode ser necessário biopsiá-los ou acompanhá-los periodicamente com exames de imagem. Assim, evitamos consequências sérias, como a infertilidade grave e tumores endometriais malignos em estágio mais avançado.

O diagnóstico e tratamento dos pólipos uterinos

O diagnóstico dos pólipos geralmente é feito acidentalmente por meio de ultrassonografias de rotina em pacientes assintomáticas. No entanto, pode decorrer de uma investigação de queixas feitas ao médico.

Quando uma mulher apresenta queixas de sangramento uterino anormal ou de infertilidade, o primeiro exame solicitado é a ultrassonografia transvaginal. Afinal, ela apresenta uma boa capacidade de identificar diversas lesões uterinas associadas ao sangramento uterino anormal. Entre as doenças que podem ser identificadas, está o pólipo endometrial.

Quando houver o diagnóstico de imagem desse tipo de lesão, dois caminhos são possíveis:

  • aprofundar a investigação pela vídeo-histeroscopia diagnóstica, permitindo as biópsias para investigação anatomopatológica das lesões;
  • manter o acompanhamento da paciente com avaliações clínicas e ultrassonografias periódicas a fim de identificar o comportamento da lesão e abordá-la se houver alguma alteração preocupante.

O primeiro caminho tem sido considerado o padrão ouro para a confirmação do diagnóstico, sendo uma técnica minimamente invasiva que pode ser feita em ambiente ambulatorial. No entanto, em casos de baixo risco, pode-se adotar o segundo desde que a paciente tenha a segurança de que será capaz de ir às consultas periódicas.

O tratamento pode envolver esse acompanhamento periódico, a administração de medicações para reduzir o sangramento uterino anormal ou a retirada das lesões, principalmente nos casos de infertilidade.

Dentro da ginecologia humanizada, as decisões são feitas de forma compartilhada entre você e o seu médico. Portanto, o plano terapêutico para o pólipo endometrial é sempre individualizado a cada caso, cabendo à mulher o protagonismo das decisões sobre a própria saúde.

Quer saber mais sobre os pólipos endometriais? Não deixe de ler nosso artigo sobre o tema!

Endometriose: veja quais são os possíveis sintomas

A endometriose é o implante de células típicas do tecido endometrial em órgãos e estruturas que estão fora do útero. Geralmente, as lesões se implantam nos órgãos da cavidade pélvica (ovários, tubas uterinas, bexiga, entre outros).

O endométrio normal é o tecido que reveste a cavidade uterina. É nele que o embrião se implanta no início da gestação. Caso não haja uma gestação, ele se descama na forma da menstruação, a qual ocorre ciclicamente nas mulheres a cada 26 a 35 dias. Como veremos, isso também nos ajuda a compreender o funcionamento dos sintomas da endometriose.

Quer saber mais sobre o tema? Acompanhe o nosso post!

O que é endometriose?

A endometriose é uma doença inflamatória crônica. Em outras palavras, seus sintomas e complicações se devem principalmente à inflamação persistente que ocorre nos órgãos afetados.

Essa reação imunológica é desencadeada pela presença de glândulas e estroma endometriais fora da cavidade uterina. Com isso, o corpo inicia uma tentativa de eliminá-lo para não prejudicar as funções normais do organismo.

Em grande parte dos casos, esse tecido fora do lugar (ectópico) se implanta na região pélvica, em estruturas, como:

  • ovários;
  • tubas uterinas;
  • bexiga;
  • intestino;
  • ligamentos uterossacros.

Sintomas da endometriose

A endometriose é uma doença cujo quadro clínico é muito variável de paciente para paciente. Há mulheres completamente assintomáticas e que descobrem as lesões acidentalmente quando realizam alguma cirurgia pélvica, como a cesariana. Por sua vez, há muitas pessoas que apresentam diversas queixas e, em alguns casos, elas são incapacitantes.

Um quadro assintomático, porém, não significa ausência de complicações. Por exemplo, a endometriose está ligada à infertilidade. Frequentemente, as pacientes somente começam a investigar a presença da doença quando não obtém sucesso após diversas tentativas de engravidar. Isso pode acontecer mesmo quando a paciente não notou nenhuma alteração nos últimos anos, — não sentiu dor nem nenhuma disfunção urinária/intestinal. Ou seja, a infertilidade foi um sintoma oculto por muitos anos.

Os estudos mostram que os principais sintomas da endometriose são:

  • dor pélvica crônica;
  • dismenorreia;
  • dificuldade para engravidar.

Dependendo da localização da lesão, ainda podem surgir outras manifestações, como:

  • dor nas relações sexuais;
  • disfunção urinária cíclica (dor ou dificuldade para micção), a qual surge ou se intensifica no período menstrual;
  • disfunção intestinal cíclica (dor ou dificuldade para evacuar), com a mesma característica de periodicidade do sintoma anterior.

Vamos explicar cada uma delas a seguir!

Dor pélvica crônica

É a dor não relacionada ao ciclo menstrual que permanece por mais de seis meses. Ela pode variar de intensidade, indo de um leve desconforto até quadros incapacitantes. Isso ocorre, pois a presença de lesões de endometriose promove um estado inflamatório contínuo nos locais afetados. Uma das consequências da inflamação é a maior sensibilização para a dor.

Dismenorreia

Ela pode se expressar como cólicas intensas antes e durante o período menstrual. Ela pode ser também uma dor intermitente que piora ao longo do dia. No entanto, está sempre relacionada ao período de sangramento menstrual.

Esse sintoma acontece, pois o endométrio ectópico reage às variações hormonais, de forma semelhante ao tecido normal da cavidade uterina. Pouco antes do período de sangramento, o corpo produz baixas quantidades de progesterona e estrogênio. Consequentemente, isso leva o sistema imunológico a atacar o tecido endometrial para estimular a sua descamação.

Esse processo inflamatório, contudo, provoca a sensibilização dos locais afetados pelas lesões da endometriose. Consequentemente, as cólicas menstruais se tornam mais intensas.

Infertilidade

A inflamação também provoca um efeito negativo no endométrio normal. Com isso, esse tecido fica mais hostil aos espermatozoides e ao embrião. Portanto, a mulher pode enfrentar não apenas uma maior dificuldade para engravidar quanto ter um maior risco de perdas gestacionais (abortamentos e óbito fetal).

Dor nas relações sexuais

A penetração causa uma pressão sobre os órgãos pélvicos, os quais estão mais predispostos à dor devido à inflamação. Na endometriose, geralmente ocorre a dispareunia de penetração profunda em vez da dor no início do canal vaginal.

Disfunção urinária cíclica

Esse sintoma está relacionado à endometriose com acometimento das vias urinárias. Devido à intensificação da inflamação durante o período de sangramento menstrual, ele é normalmente cíclico.

Disfunção intestinal cíclica

É mais comum no acometimento do reto, do intestino grosso ou do íleo. Também pode ocorrer a presença de sangue nas fezes. O fenômeno da ciclicidade também acontece aqui pelos mesmos motivos das disfunções urinárias.

O diagnóstico da endometriose

O diagnóstico definitivo da endometriose exige a retirada da lesão pela videolaparoscopia e avaliação histopatológica. Contudo, por ser um procedimento mais invasivo, ele não é realizado de rotina.

Assim, o tratamento pode iniciar a partir do diagnóstico presuntivo (alta probabilidade da doença) com base nos sinais e sintomas, assim como nas alterações em exames de imagem (ultrassonografia pélvica ou ressonância magnética).

Tratamento da endometriose

O tratamento da endometriose dependerá dos objetivos da paciente:

  • se ela estiver assintomática, não desejar uma gestação ou não tiver infertilidade, pode ser feito apenas o acompanhamento clínico periódico;
  • se houver desejo de engravidar, mas a infertilidade estiver presente, a reprodução assistida e/ou a cirurgia de retirada das lesões pode ser feita;
  • nos casos de dor em mulheres sem desejo de engravidar em curto e médio prazos, a terapia com anti-inflamatórios e medicamentos hormonais é possível.

Por fim, é muito importante ressaltar a importância do acompanhamento dos sintomas da endometriose. A doença pode, inclusive, estar relacionada a complicações gestacionais em diversos momentos da gravidez. No parto humanizado, é feito acompanhamento criterioso da condição durante o pré-natal para reduzir riscos para a gestante e o bebê.

Quer saber mais sobre a endometriose e como ela surge? Confira este artigo institucional que temos sobre o tema!

PTGI: saiba identificar os sintomas

Você já ouviu falar das patologias do trato genital inferior, as PGTI? São doenças que acometem o colo uterino, a vagina e a vulva, — a porção inferior do sistema reprodutor feminino. Elas são agrupadas dentro da PGTI, pois apresentam um quadro clínico e causas semelhantes.

Possivelmente, você já deve ter ouvido falar sobre HPT, tumores malignos, tumores benignos e outras lesões na vulva, na vagina e no colo uterino. Então, todas essas condições nada mais são do que PGTI. Elas geralmente estão relacionadas a infecções pelo papilomavírus humano (HPV), que é transmitido sexualmente, principalmente quando as relações sexuais são feitas sem proteção.

O HPV infecta as células do trato genital inferior e provoca alterações celulares que levam a diversos tipos de lesões. As mais benignas, as verrugas genitais parecidas com uma couve-flor, podem causar bastante desconforto nas mulheres.

Por sua vez, há também tipos de HPV que desencadeiam microlesões pré-malignas, que não são visíveis a olho nu, mas podem aumentar o risco de desenvolvimento de câncer do colo de útero. Por esse motivo, as mulheres precisam realizar o Papanicolaou periodicamente para a prevenção dessa condição mais grave.

Quer saber mais sobre as PGTI e quais são os seus sintomas? Confira nosso post!

O que é o PTGI?

As PTGI são lesões que podem se transformar em câncer nas estruturas do trato genital inferior, geralmente causadas pelos tipos oncogênicos do HPV.

O HPV é um grupo de vírus com mais de 100 tipos que infectam a pele e as mucosas dos seres humanos. A maioria deles causa lesões benignas, como as verrugas. Contudo, existem alguns que são capazes de alterar bastante o DNA das nossas células, o que pode levar ao surgimento de lesões mais sérias, as displasias, que apresentam um comportamento disfuncional.

Normalmente, as lesões têm uma evolução lenta. Ou seja, elas começam com alterações pouco significativas e com baixo potencial de transformação em câncer, — é a displasia de baixo grau.

Por sua vez, à medida que não são tratadas e se modificam ao longo do tempo no colo do útero, podem evoluir para displasias de alto grau (lesões pré-malignas). Da mesma forma, quando não são tratadas, essas lesões podem evoluir para um tumor maligno do colo do útero, o câncer.

O câncer causado pelo HPV geralmente começa nas regiões mais superficiais do colo. Quando ele não invade uma região mais profunda chamada de “camada basal”, sua retirada traz um prognóstico excelente, com altas chances de cura. Contudo, se ultrapassar a camada basal, ele adquire um comportamento mais agressivo e é mais difícil de tratar. Por isso, o exame preventivo também é importante para o diagnóstico precoce.

Sintomas das PGTI: quais são?

Um dos pontos mais importantes sobre as PGTI é que elas geralmente são assintomáticas nos estágios iniciais. Em outras palavras, quando apenas são displasias ou carcinomas in situ, a mulher tende a não manifestar nenhuma queixa ou alteração visível. Com isso, elas podem ter a falsa sensação de que está tudo bem com a saúde ginecológica.

No entanto, à medida que avança, a lesão maligna invade outras estruturas ao seu redor e pode ainda provocar metástases. Nessa situação, começam a se tornar mais sintomáticos com manifestações, como:

  • Sangramento vaginal no período entre as menstruações;
  • Dor pélvica;
  • Dor (dispareunia) ou sangramento (sinusorragia) durante as relações sexuais;
  • Sangramento vaginal após a menopausa;
  • Sangramento entre os períodos menstruais, usualmente em pequeno volume (spotting);
  • Emagrecimento;
  • Sangramento uterino anormal;
  • Corrimento vaginal anormal (aguado, com sangue visível ou odor intenso);
  • Náuseas, vômitos e perda de apetite;
  • Massa abdominal palpável;
  • Úlceras vaginais e vulvares que não cicatrizam, mas apresentam um crescimento constante (que pode ser lento ou rápido).

Essas alterações podem surgir ainda nos estágios pré-malignos, mas isso é mais incomum.

Neoplasia intraepitelial cervical

A NIC é a displasia cervical, isto é, alterações teciduais que ainda não se transformaram em câncer. Contudo elas apresentam um alto potencial de evoluírem caso não sejam tratadas adequadamente.

Ela pode ser assintomática por vários meses ou anos, sendo causada principalmente pela infecção pelo HPV. Na maioria dos casos, permanece completamente assintomática por vários meses e anos.

É mais comumente identificada em mulheres entre 25 e 35 anos, que coincide com a idade fértil da mulher e um período de maior atividade sexual (em geral). Apesar de raramente sintomática, pode se expressar com:

  • Um pequeno escape de sangue no período intermenstrual;
  • Dor ou sangramento nas relações sexuais com penetração;
  • Dor pélvica devido ao processo inflamatório que o corpo pode montar para eliminar a lesão.

Neoplasia intraepitelial vulvar (NIV)

São lesões pré-malignas que acometem a pele da vulva, uma estrutura que abrange o púbis, os grandes e pequenos lábios, o clitóris e o períneo. Para ser considerada NIV, a displasia precisa ser de alto grau. Ela pode apresentar dois tipos, a NIV usual e a NIV diferenciada.

A NIV usual geralmente está associada a infecções por HPV, sendo geralmente assintomática, como nos demais casos. Por sua vez, a diferenciada está relacionada a doenças prévias não relacionadas ao HPV, como o líquen escleroso, cujo principal sintoma é o surgimento de manchas brancas e finas na região genital externa.

O câncer da vulva se manifesta, como:

  • Alterações na coloração da pele da vulva (regiões brancas, rosas, cinzas ou marrom-escuras);
  • Espessamento da localizado da pele da vulva;
  • Lesões que se assemelham a uma verruga;
  • Fissuras ou úlceras na vulva;
  • Sensação de comichão ou queimação.

Neoplasia intraepitelial vaginal

A NIVA pode ser classificada em leve, moderada ou grave à medida que acumula alterações que podem evoluir para o câncer vaginal. Esse tipo de tumor é mais raro e normalmente ocorre em pacientes com histórico positivo para NIC e NIV. É mais comum em mulheres entre 40 e 60 anos, apesar de ocorrer em qualquer idade.

Também pode ser assintomático na maior parte do seu curso na maioria das pacientes. Como sintomas, a mulher poderá apresentar:

  • Um pequeno escape de sangue no período intermenstrual;
  • Dor ou sangramento nas relações sexuais;
  • Dor pélvica devido ao processo inflamatório que o corpo pode montar para eliminar a lesão.

O tratamento envolve o acompanhamento e a retirada das lesões. Os métodos dependem do estágio em que a PGTI se encontra. Caso evoluam para o câncer, a quimioterapia e a radioterapia podem ser necessárias.

No entanto, a mensagem mais importante é a da prevenção! Com o exame ginecológico e o Papanicolaou periódicos, é possível evitar a evolução para tumores malignos. Essas medidas devem ser feitas independentemente dos sintomas, — de acordo com a orientação do seu médico.

Quer saber mais sobre a PGTI? Confira nosso post sobre o tema!

Spinning babies e a gestação: como a técnica pode facilitar o nascimento?

A gestação muda a mulher, tanto física como psicologicamente. Com isso, podem surgir pontos de vulnerabilidade que se expressam até mesmo durante o processo de nascimento do bebê. Por isso, o parto humanizado é tão importante, pois traz o acolhimento que a mulher necessita, assim como as técnicas mais seguras para evitar complicações futuras tanto para a mãe quanto para seu filho. Uma delas é o spinning babies, um método que facilita o trabalho de parto.

Há muitas técnicas e recursos para minimizar os problemas durante a gestação e o parto. Algumas delas, porém, deveriam ser reservadas para situações excepcionais, — para os momentos em que há risco para a mãe e para o bebê. Esse é o caso dos procedimentos mais invasivos como a assistência ao parto normal com a episiotomia e a cesariana. Nos partos de baixo risco, que são a grande maioria, é importante adotar medidas menos invasivas. Afinal, elas apresentam um risco de complicações muito menores

Esse é o caso do spinning babies, em que a mulher realiza uma sequência de exercícios com o objetivo de facilitar o alinhamento uterino e a liberação da pelve. Com isso, aumentam-se as chances de o bebê adotar uma posição adequada para o parto normal e a passagem dele pela pelve ser mais tranquila. A prática pode ser iniciada tão logo na 24ª semana de gestação com periodicidade diária ou semana — com a assistência de uma doula, fisioterapeuta pélvica, do companheiro e/ou de outros entes queridos da mulher.

Quer saber mais sobre ele? Acompanhe nosso post!

O que é spinning babies?

É uma série de exercícios para trabalhar a região pélvica e movimentar o bebê para que as melhores condições de parto sejam obtidas. Vejam alguns deles a seguir:

Rebozo

É uma técnica milenar originada no México, em que se utiliza um xale longo para ajudar o bebê a se encaixar na pelve da mãe. Ela também pode ser utilizada para estimular o trabalho de parto. Ela promove um relaxamento muscular, que traz mais flexibilidade aos músculos que atuam na região pélvica. Além disso, ela tem um efeito analgésico importante, aliviando as dores da contração uterina.

Inversão inclinada para frente

O objetivo desse exercício é estimular o bebê a se movimentar dentro do útero para adotar a posição mais adequada para o parto. Ele é feito com a mulher em joelhos em uma poltrona ou sofá. Os antebraços devem ficar apoiados sobre o chão e a cabeça bem relaxada. Isso ajuda no relaxamento e no alinhamento dos músculos pélvicos importantes para a evolução do trabalho de parto.

Liberação lateral

É um alongamento que busca trazer mais flexibilidade para os músculos da pelve e do períneo, ampliando o canal pélvico temporariamente. O efeito pode durar entre 1 e 4 horas, podendo ser repetido sempre que necessário.

Quando realizados durante a gravidez, preparam a pelve para o trabalho e reduzem as chances de precisarmos realizar manobras manuais para girar o bebê durante o parto normal.

Como o spinning babies pode ajudar no nascimento?

No processo normal de evolução da gestação, o bebê vai mudando de posição dentro do útero à medida que o momento do parto se aproxima. Caso tudo ocorra bem, ele vai se encaixar progressivamente na pelve, curvando-se para frente e com a cabeça em direção à vagina. Ao final, espera-se que ele esteja na apresentação cefálica (também conhecida como vértice) próximo à data provável do parto.

Essa é a posição em que a progressão do bebê durante o parto natural é mais fácil e com menor risco de complicações. Então, o objetivo do spinning babies é proporcionar melhores condições para que o bebê esteja na seguinte posição intrauterina:

  • Cabeça voltada para a direção do canal da vagina (apresentação de vértice ou cefálica);
  • Virado para trás em relação ao abdômen da mãe;
  • Rosto e corpo com uma maior angulação à direita ou à esquerda;
  • Pescoço flexionado (curvado para a frente do corpo do bebê e queixo recolhido para dentro);
  • Braços flexionados sobre o próprio peito.

Com essa posição, o corpo do bebê assume um formato semelhante ao de um projétil (“bala”) de revólver. Essa é a forma mais propícia para facilitar a passagem pelo canal vaginal.

Quais podem ser as dificuldades no parto que o spinning babies pode ajudar?

Ao ampliar o canal de parto vaginal e liberar a musculatura da região pélvica, a técnica facilita a progressão do parto. Com isso, pode ter inclusive efeitos analgésicos. A técnica também evita que o bebê adote apresentações anormais, como:

  • Apresentação defletida;
  • Apresentação pélvica;
  • Apresentação de face;
  • Apresentação de testa;
  • Posição transversa.

Spinning babies, parto normal e cesariana

Os maiores benefícios do spinning babies é evitar que problemas na evolução do parto ou no posicionamento do bebê tornem necessárias a cesariana ou as intervenções invasivas no parto normal. Isso é importante para evitar as diversas complicações que podem ocorrer quando esses procedimentos são realizados. Portanto, devem ser reservados para situações em que os benefícios superam os riscos de executá-los.

O spinning babies tem sido cada vez mais utilizado, pois é uma das ferramentas que nos auxiliam a oferecer um parto humanizado para as gestantes. Isso significa que estamos individualizando as medidas médicas para as individualidades biopsicossociais dela, tornando-a protagonista da sua gestação e adotando as melhores práticas baseadas em evidências científicas.

Quer saber mais sobre o spinning babies? Confira nosso post sobre o tema!

DIP: veja quais podem ser os sintomas

A doença inflamatória pélvica é mais conhecida por sua sigla, DIP. Resumidamente, podemos defini-la como a inflamação nos órgãos reprodutores da mulher, como o útero, as tubas uterinas e os ovários. Geralmente, ela surge quando uma bactéria consegue ultrapassar o canal vaginal e se proliferar nas estruturas genitais superiores. No entanto, ela pode também ser causada por outros agentes, apesar de isso ser incomum.

A doença recebeu esse nome devido à localização e ao quadro clínico que provoca. A inflamação é uma resposta do sistema imunológico contra fenômenos que o corpo considera uma ameaça, como uma infecção.

No entanto, apesar de nos proteger, a inflamação pode sair de controle, levando a complicações e sintomas duradouros. Nos órgãos genitais femininos, isso desencadeia o quadro conhecido como a DIP, o qual provoca sintomas de dor, infertilidade, sangramento uterino anormal, entre outros.

Quer saber mais sobre ela? Acompanhe o nosso post!

O que é a DIP?

A DIP geralmente se inicia quando um microrganismo consegue infectar e se proliferar nos órgãos e tecidos do útero, das tubas uterinas e do ovário.

No entanto, na maioria dos casos, a infecção não se inicia nesses locais. Ela ocorre primeiramente na vagina, geralmente com alguma bactéria causadora de infecções sexualmente transmissíveis, as ISTs. Na DIP, as mais frequentes são a gonorreia e a clamídia.

Além disso, também podem ser causadas por infecções vaginais não transmissíveis sexualmente, como as vaginoses bacterianas. Nesses casos, a principal causa costuma ser a alteração da flora vaginal. Esses microrganismos podem passar para os órgãos mais internos do sistema reprodutor feminino através do colo uterino ou da corrente sanguínea.

A infecção também pode ser levada durante processos interventivos na cavidade uterina, como a inserção de dispositivo intrauterino, a realização de procedimentos endoscópicos (como a histeroscopia e de cirurgias pélvicas.

Quais são os sintomas da DIP?

Os processos inflamatórios levam a seguintes manifestações:

  • Calor — uma sensação de aquecimento na região afetada ou, mesmo, a febre;
  • Edema — é o inchaço provocado pela dilatação dos vasos sanguíneos no local afetado. Isso faz com que o líquido do sangue passe para o espaço entre as células e aumento o volume;
  • Rubor — a região fica mais avermelhada (hiperemiada) devido ao inchaço dos vasos sanguíneos;
  • Dor — a inflamação causa agressões aos tecidos, além de deixar o nosso sistema nervoso mais sensível ao sinal de dor;
  • Perda de função — a região inflamada perde parte de sua capacidade de executar as funções que ela é responsável no organismo. Por exemplo, o endométrio inflamado não recepciona o embrião adequadamente, levando à infertilidade.

Isso está diretamente relacionado aos sintomas e às complicações:

Dor abdominal baixa

Ela pode variar de desde um desconforto até uma manifestação grave ou incapacitante. Em geral, até que a doença seja tratada, ela evolui para um quadro crônico. Há pacientes que chegam aos consultórios com relatos de vários meses ou, até mesmo, anos de desconforto abdominal sem investigação.

Dor e sangramento durante as relações sexuais

Esse também é um sintoma muito frequente. Nas relações sexuais, há uma maior pressão sobre a pelve, o que pode desencadear a dor. Quando há uma vaginose associada, a dor pode se iniciar logo no início da penetração.

Como o colo do útero pode ficar mais fragilizado devido ao edema da inflamação e seus vasos estão mais inchados, ele sangra mais facilmente.

Escape de sangue pela vagina no período entre as menstruações

Pelo mesmo motivo, podem ocorrer pequenas lesões espontâneas no colo do útero. Com isso, ocorre um escape de um pequeno volume de sangue no período intermenstrual.

Dor durante a micção

Como a inflamação pode se estender a toda a pelve, a mulher pode sentir mais dor durante o ato de urinar.

Corrimento vaginal anormal com odor intenso

As bactérias que causam a infecção podem produzir gases que provocam um odor forte. Dependendo do tipo de microrganismo, surge um odor fétido parecido com o de peixe podre.

Febre, calafrios, náuseas e vômitos

Nos casos agudos da DIP, também ocorrem os sintomas clássicos de uma infecção, como a febre, os calafrios, as náuseas e os vômitos.

Complicações da DIP

Durante o curso da infecção, ocorre o comprometimento da função do:

  • Endométrio — o tecido se torna mais hostil aos espermatozoides e ao embrião, comprometendo a implantação e o início da gestação;
  • Tubas uterinas — o fluxo no interior das tubas uterinas se altera, dificultando os processos reprodutivas e gestacionais.

Caso a doença não seja tratada, poderá levar à formação de aderências uterinas, que são cicatrizes que se fixam nas paredes dos órgãos. Elas obstruem os canais e interferem na liberação dos óvulos, no transporte do embrião através da tuba uterina e na chegada dele na região certa do endométrio.

Com tudo isso, surgem as seguintes complicações:

  • Infertilidade;
  • Maior risco de gestação ectópica;
  • Abscesso tubo-ovariano (formação de uma bolsa de pus).

O diagnóstico da DIP é predominantemente clínico com a anamnese e o exame físico realizados por um médico. Ele se baseará nos sinais e sintomas e, então, poderá requisitar exames complementares (testes de urina e de sangue, ultrassonografia pélvica, entre outros). O tratamento é focado inicialmente em eliminar a infecção. Outras intervenções poderão ser feitas conforme complicações forem identificadas.

Quer saber mais sobre a DIP, seu diagnóstico e tratamento? Leia outro texto interessante sobre o tema!

Mioma: o que é?

Muitas pacientes chegam com dúvidas sobre os miomas. Afinal, eles são uma das condições ginecológicas mais comuns ao longo da vida de uma mulher. Cerca de 70% delas apresentarão esse diagnóstico ao longo da vida, mas a maioria dos casos será assintomático.

Os miomas são tumores benignos que se formam na parede uterina, mais especificamente na camada intermediária do útero, o miométrio. Eles surgem de células musculares presentes nesse órgão, as quais têm a função de promover as contrações uterinas, dar sustentação e elasticidade, que são necessárias para as funções reprodutivas.

Essas lesões são mais comuns em mulheres na idade fértil, podendo ser múltiplas ou únicas. O tamanho também é bastante variável, assim como a região em que eles crescem. Apesar de todos os miomas se originarem do miométrio, eles podem crescer e ocupar predominantemente outras camadas.

Isso tem um impacto tanto nos sintomas quanto nas complicações que a condição pode levar. Por exemplo, quando crescem em direção à cavidade uterina, eles estão mais relacionados à infertilidade e ao sangramento uterino anormal. Quando ocupam se desenvolvem acima da subserosa, podem levar a manifestações urinárias e intestinais.

Quer saber mais sobre o tema? Acompanhe nosso post!

Como o útero é formado?

O útero é formado por três camadas:

  • Endométrio — é a camada mais interna, revestindo a cavidade uterina. O endométrio apresenta subcamadas (mucosa e submucosa). É nele que o embrião se implanta para iniciar a gestação, sendo responsável por auxiliar na nutrição do bebê;
  • Miométrio — é a camada intermediária e a mais grossa do útero, é a que dá forma ao órgão. Ela é composta por diferentes tipos de células. Uma delas são as células de músculo liso, as quais respondem aos hormônios sexuais para provocar contrações uterinas. Cada lesão se forma quando uma célula de músculo liso começa a se proliferar excessivamente por uma maior sensibilidade ao estímulo do estrogênio, o principal hormônio sexual feminino;
  • Perimétrio — o perimétrio é a camada mais externa, sendo dividido também em duas subcamadas, a serosa e a adventícia. Elas produzem uma secreção lubrificante que protege o útero contra lesões por atrito. A serosa fica conectada diretamente ao útero.

Essa explicação é muito importante para entender os tipos de miomas. As principais classificações nesse sentido consideram justamente o volume que as lesões ocupam em outras camadas uterinas. Afinal, isso pode levar a diferentes manifestações da doença.

O que são miomas?

Tecnicamente, dizemos que os miomas são lesões monoclonais de células de músculo liso do miométrio. Em outras palavras, elas surgem de uma única célula de músculo liso do endométrio que começa a se multiplicar excessivamente.

Os miomas podem ser classificados de diferentes formas. A mais fácil de compreender os divide em três tipos principais:

Miomas submucosos, que ocupam total ou parcialmente a submucosa, a camada mais interna do endométrio. À medida que esse tipo de lesão cresce, ela passa a ocupar a cavidade uterina e levar a complicações endometriais que comprometem a fertilidade da mulher. Elas obstruem a passagem dos espermatozoides e dificultam a implantação do embrião. Também podem causar inflamações locais, as quais desencadeiam o sangramento uterino anormal;

Miomas intramurais, os quais crescem predominantemente dentro dos limites do miométrio. Quando crescem excessivamente (mais do que 4 centímetros de diâmetro), podem causar uma distorção da cavidade do útero e, assim, levar à redução da fertilidade, a um maior risco de abortamentos e nascimentos prematuros. Também estão relacionados ao SUA (sangramento uterino anormal) e a cólicas intensas.

Miomas subserosos, que tendem a crescer mais do que os outros tipos de miomas, pois não sofrem restrição da pressão intrauterina e intramural. Com isso, podem ocupar um grande volume dentro da pelve, aumentando as chances de incontinência ou obstrução do intestino e da bexiga.

Por que ele pode se formar?

As causas exatas dos miomas ainda permanecem desconhecidas na ciência médica. No entanto, temos pistas muito relevantes sobre como a doença se desenvolve.

Até 70% das mulheres são diagnosticadas com os miomas ao longo da vida. Na maioria dos casos, são lesões únicas, com pequeno diâmetro e assintomáticas. Isso indica que a condição se deve a mutações genéticas adquiridas ao longo da vida sem nenhuma razão específica.

Como há mulheres que apresentam diversas lesões, sabemos que há também alguma predisposição genética hereditária em alguns casos.

Em ambos os casos, os e são provocados pela ação do estrogênio, o qual tem uma capacidade maior de causar mutações no material genético celular. Isso também é visto em outras doenças ginecológicas, como os pólipos uterinos e a endometriose.

Essas alterações genéticas provocam um crescimento descontrolado e uma maior sensibilidade dessas células à ação do estrogênio. Por isso, quando os níveis desse hormônio caem na menopausa, as lesões se estabilizam e podem ter seu volume reduzido.

Os miomas são geralmente diagnosticados com a ultrassonografia pélvica. O tratamento dependerá dos objetivos da mulher e seus sintomas. Em casos de infertilidade, a cirurgia de retirada da lesão pode ser indicada, assim como a reprodução assistida. Quando a mulher não tem desejo de engravidar, outras possibilidades incluem a terapia de bloqueio da ação do estrogênio com contraceptivos.

Quer saber mais sobre os miomas e como eles podem ser tratados? Leia outro texto sobre o tema!