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HPV: conheça os riscos e veja por que é importante tratar

HPV é um grupo de vírus que infectam as mucosas dos seres humanos, formando diferentes tipos de lesões. Existem mais de 100 tipos de HPV identificados em lesões que acometem a nossa espécie. No entanto, os mais preocupantes são os tipos de HPV que são transmitidos durante as relações sexuais desprotegidas. Alguns deles são oncogênicos, isto é, causam alterações genéticas que predispõem as pessoas a tumores malignos.

A infecção pelo HPV mais preocupante atualmente é aquela que atinge o colo uterino das mulheres. Nessa região, as lesões podem evoluir para um dos cânceres que mais mata esse grupo atualmente. Felizmente, ele pode ser facilmente prevenido quando temos um olhar especial para a prevenção e o diagnóstico precoce das lesões do HPV.

Quer entender melhor esse tema? Confira o nosso post!

Quais são os sintomas das infecções por HPV?

A maioria das lesões por HPV são assintomáticas e não são visíveis ao olho nu. Em outras palavras, você não nota nenhuma manifestação e seu ginecologista também não é capaz de identificar nenhum sinal de alteração ao inspecionar o colo uterino no exame especular. Quando se manifestam, contudo, o principal sintoma é o surgimento de lesões na região acometida.

Existem alguns tipos de HPV benignos, os quais geralmente estão relacionados aos papilomas, um tipo de verruga que acomete as mucosas. Frequentemente, as pacientes relatam que elas se parecem com couve-flor. Em alguns casos, elas causam coceira (prurido) ao passo que, em outros, não provocam nenhum desconforto.

Na maior parte dos casos, essas lesões benignas não sangram facilmente nem liberam secreção em abundância.

No entanto, os HPVs que causam lesões malignas geralmente se manifestam com lesões assintomáticas e microscópicas. Ou seja, demora muitos anos para que você ou seu médico note alguma alteração. Quando isso ocorre, é possível que ela já esteja em estágio mais avançado (uma lesão pré-cancerígena ou um tumor maligno). Com isso, o tratamento é mais complicado e o prognóstico é mais reservado.

Por esse motivo, é muito importante fazer o exame preventivo do colo do útero. Ele é capaz de identificar alterações celulares precocemente, mesmo quando as lesões ainda não estão visíveis. Desse modo, o seu médico poderá fazer um acompanhamento mais próximo da evolução da condição e adotar condutas preventivas, diagnósticas e terapêuticas.

Quais riscos são os associados?

Veja alguns riscos relacionados às lesões por HPV.

Maior risco de infecção por outras doenças sexualmente transmissíveis

As lesões de HPV comprometem as barreiras da pele contra os microrganismos. Com isso, pessoas acometidas apresentam um maior risco de se infectar por infecções sexualmente transmissíveis em relações desprotegidas.

Lesões em bebês

Ainda não há evidências claras de que a infecção por HPV leve a malformações fetais mais extensas. No entanto, gestantes portadoras do vírus HPV podem transmiti-lo para o bebê durante a gestação. Em casos raros, isso pode levar à formação de tumores benignos na laringe do bebê.

Tumores malignos

Existem dois tipos de HPV com capacidade de causar alterações celulares relacionadas a casos de câncer, são os HPVs 16 e o 18. Eles são chamados de oncogênicos, “onco” é uma expressão usada para se referir a tumores malignos e “gênico” significa “formação, origem e início”.

Outros tipos de HPV também podem causar lesões malignas, mas isso ocorre mais raramente. Portanto, os tipos que mais preocupam os médicos são o 16 e o 18 e, por isso, já há vacinas que protegem contra eles.

Na maioria dos casos, há uma regressão espontânea das lesões provocadas por eles. No entanto, como muitas mulheres têm contato com eles, há muitos casos de câncer causados pelo HPV.

Como prevenir as infecções pelo HPV e seus riscos?

A principal via de transmissão é pele a pele durante as relações sexuais. Elas são mais comuns nas relações sexuais anais e vaginais desprotegidas.

Há duas formas principais de prevenção contra o HPV: as vacinas e as camisinhas. A proteção deles se complementa. Então, a pessoa vacina deve continuar utilizando os preservativos nas relações sexuais. Da mesma forma, o uso de camisinha nas relações sexuais não exclui a necessidade de vacinação na idade adequada.

Também é essencial se prevenir contra a principal complicação da infecção pelo HPV, o câncer do colo de útero. A evolução das para a malignidade é lenta, podendo levar até 10 anos.

Porém também podem ocorrer no contato das mãos ou da boca com a região genital, inclusive em relações sexuais desprotegidas. Portanto, as mulheres que já tiveram relações sexuais (heterossexuais, homossexuais ou bissexuais) precisam passar pelo preventivo, o qual é feito a partir dos 25 anos de idade.

O preventivo é feito pelo papanicolaou (citopatologia), o qual coleta células do colo do útero durante o exame ginecológico especular. O exame é feito periodicamente dentro das recomendações dos órgãos de saúde.

Como é feito o diagnóstico e o tratamento?

No caso de lesões (malignas ou benignas), é necessário aprofundar a investigação com exames complementares, como:

  • Colposcopia;
  • Anuscopia;
  • Biópsias da lesão para análise microscópica.

O tratamento dependerá dos tipos de lesão encontradas. Em geral, ele foca no tratamento das complicações, visto que não há tratamento para a eliminação do vírus em si.

Lesões benignas podem ser tratadas com medicamentos tópicos até o retrocesso. Caso ele não ocorra ou haja lesões múltiplas, a retirada cirúrgica pode ser necessária.

As lesões pré-malignas devem ser abordadas cirurgicamente, o que pode envolver a retirada parcial ou total do colo uterino.

As lesões malignas são tratadas de acordo com o estágio do câncer encontrado. A retirada cirúrgica, a radioterapia e a quimioterapia normalmente fazem parte do plano de tratamento, individualmente ou em associação. No entanto, o mais importante é preveni-las e diagnosticá-las precocemente antes que evoluam para tumores invasivos. Isso envolverá a proteção nas relações sexuais, a vacinação e o exame preventivo do câncer do colo de útero (o Papanicolau, o citopatológico).

Quer saber mais sobre as infecções pelo HPV? Confira nosso texto completo sobre o tema!

SOP: saiba identificar os sintomas

Os ovários são órgãos essenciais para a fertilidade feminina. Afinal, são neles que estão armazenados os gametas femininos, que são popularmente conhecidos como óvulos. Essas células sexuais da mulher, que se unem com os espermatozoides para formar um embrião.

Existem condições médicas que podem acometer os ovários, como a síndrome dos ovários policísticos, a SOP. Assim, podem comprometer as funções reprodutivas da mulher.

A SOP é um distúrbio endócrino-ginecológico. Isso significa que ele envolve tanto uma desregulação dos hormônios do organismo quanto alterações específicas do sistema genital da mulher.

É uma condição muito complexa, cujos mecanismos ainda não foram completamente identificados pela ciência médica. Além disso, ela pode se manifestar de diferentes formas, provocando sintomas diversos. Ao contrário do que muitas pessoas pensam, inclusive, nem sempre a SOP levará aos cistos ovarianos múltiplos à ultrassonografia.

Quer saber mais sobre essa condição? Confira o nosso post até o final!

O que é a SOP?

Saber os mecanismos da SOP é essencial para compreender os seus sintomas.

A SOP é uma condição endócrino-ginecológica cuja causa específica ainda não foi identificada, apesar de ela ter sido descrita inicialmente em 1935. Isso nos mostra o quanto ela é complexa.

Até agora, temos algumas peças muito importantes desse quebra cabeça, mesmo que ele não seja complexo. Os estudos mostram que as mulheres com a SOP apresentam alterações na regulação hormonal pelo hipotálamo.

Isso leva a alterações nas gonadotrofinas, as quais coordenam a produção dos hormônios da hipófise relacionados à regulação ovariana. Eles são:

O hormônio folículo estimulante (FSH) — os quais estimulam o ovário a recrutar folículos, estruturas que protegem os óvulos e os liberam no meio do ciclo menstrual e que produzem hormônios sexuais;

O hormônio luteinizante — o qual estimula a ovulação e o amadurecimento do endométrio.

Com essas alterações, ocorre uma maior produção de hormônios sexuais masculinos pelo ovário e uma desregulação dos ciclos de estrogênio/progesterona. Consequentemente, alguns folículos não completam a maturação e não liberam o óvulo, permanecendo como um cisto ovariano.

A produção de hormônios sexuais masculinos em excesso faz com que a mulher apresente algumas características tipicamente masculinas, um quadro conhecido como hiperandrogenismo.

Sintomas da SOP

A SOP é caracterizada, portanto, por ciclos ovarianos incompletos (anovulação) e uma produção excessiva de hormônios sexuais masculinos. Isso explica seus sintomas principais:

o hiperandrogenismo pode provocar o hirsutismo (presença de pelos em locais tipicamente dos homens), acne e alopecia com padrão masculino;

Já a anovulação pode se expressar pela oligomenorreia (frequência menstrual anormal com intervalo de mais de 35 dias), amenorreia (interrupção da menstruação), alterações no fluxo menstrual e infertilidade.

Vamos explicar melhor cada um a seguir:

Hirsutismo

O hirsutismo é um sintoma comum na SOP, mas ele pode ser sutil. Em casos leves, manifesta-se apenas como a presença de pelos ligeiramente mais grossos na região da face, pescoço, tronco e abdome.

Em alguns casos, pode ser mais intensa e a mulher apresenta um padrão de pilificação muito semelhante ao de um homem.

Acne

Os hormônios masculinos atuam nas glândulas sebáceas para estimular a produção de secreção. Isso facilita a proliferação bacteriana, provocando a presença de espinhas e cravos na região da face e pescoço (acne).

Alopecia androgênica

É a queda de cabelo com padrão masculino. Ela é mais intensa nas entradas e na coroa da cabeça. Isso ocorre pela ação tóxica do DHT, um hormônio masculino tóxico para os folículos capilares. Com o tratamento adequado, ela pode ser revertida em grande parte.

Anovulação e amenorreia

A anovulação causa os sintomas de oligomenorreia e de amenorreia. Para a menstruação ocorrer, é preciso que os ciclos ovarianos sejam completos. Afinal, ela é resultado dos diferentes tipos de estimulação do endométrio que são feitas pelos hormônios produzidos pelos folículos do ovário, antes e depois da ovulação.

Quando não há ovulação, é como se o endométrio não entendesse quando ele deve se descamar na forma de menstruação.

Em casos mais leves, os ovários conseguem manter um ciclo ovariano completo, mas ele é mais longo. Com isso, ocorre a oligomenorreia. Em quadros mais avançados, não há ovulação em nenhum ciclo. Consequentemente, a mulher entra em amenorreia.

Por fim, sem óvulos liberados durante o período fértil, a mulher com SOP apresenta uma maior dificuldade para engravidar (infertilidade)

Outros sintomas da SOP

A SOP ainda está relacionada com a regulação de hormônios sistêmicos, levando a uma resistência à ação da insulina (o hormônio que coloca açúcar dentro das células). Isso contribui para as alterações ovarianas, mas também tem implicações mais gerais.

O quadro pode levar a níveis mais elevados de glicose no sangue e a sintomas, como a acantose nigricans que é o espessamento e escurecimento da pele na região da base do pescoço, das dobras dos dedos, dos cotovelos e das axilas. Além disso, provoca uma maior predisposição ao ganho de peso e a dificuldades para dormir.

Devido aos sintomas, à infertilidade e às alterações hormonais, as pacientes com SOP apresentam um maior risco de depressão e ansiedade. Por isso, essa condição precisa de um cuidado muito atento e humanizado nas consultas com seu ginecologista.

Quer saber mais sobre a SOP, como ela é diagnosticada e seu tratamento? Confira outro texto sobre o tema!

Qual contraceptivo escolher?

Desde que surgiram, os contraceptivos modernos representaram uma grande mudança na sociedade, permitindo um maior planejamento familiar. Atualmente, as mulheres e os homens podem adotar medidas para a prevenção de gestações e escolher o melhor momento para ter seus filhos. No entanto, a escolha da contracepção deve preferencialmente ser feita com o auxílio de um médico.

Afinal, existem inúmeros métodos disponíveis no mercado, mas cada um deles apresenta indicações e contraindicações específicas. Portanto, a escolha depende de uma avaliação da saúde da paciente com uma anamnese completa e um exame físico cuidadoso.

Quer entender melhor esse tema? Acompanhe o nosso post!

Quais são os tipos de contraceptivos que existem?

Antes de falar sobre contracepção, é muito importante entender que a prevenção de gestações indesejadas não é o único objetivo de ter relações sexuais protegidas. Quando não se conhece bem os parceiros e a sua saúde sexual, é muito importante utilizar um método que previna também as doenças sexualmente transmissíveis, como a sífilis, a clamídia e a gonorreia.

Atualmente, a camisinha é o único método que oferece essa proteção global contra diversas DSTs e as gestações. Nada impede que a camisinha seja utilizada com outros métodos, reforçando ainda mais a contracepção.

A camisinha é considerada um método contraceptivo de barreira. Em outras palavras, ela impede a gravidez ao criar uma barreira física que impede a progressão dos espermatozoides através do sistema reprodutor feminino.

Outros métodos de barreira são:

  • Diafragma;
  • Esponja contraceptiva.

Existem outros tipos de anticoncepcionais, como:

  • Métodos hormonais — utilizam hormônios para prevenir a gravidez. Eles podem ser administrados de diferentes formas, como os implantes subcutâneos e intrauterinos, os adesivos, as injeções, as pílulas de progesterona e o anel contraceptivo vaginal;
  • DIU intrauterino metálico — é um implante com fragmentos de cobre, que libera íons progressivamente e faz com que as características do muco endometrial/cervical se modifiquem, impedindo a passagem dos espermatozoides ejaculados;
  • Métodos cirúrgicos — são técnicas cirúrgicas que interrompem os canais de trânsito dos gametas sexuais.

Como escolher o melhor contraceptivo?

Na consulta médica de planejamento familiar, o ginecologista vai seguir os seguintes passos:

  • Conhecê-la melhor, criando uma relação de respeito e empatia;
  • Entender se você já tem alguma preferência por algum método e se já teve efeitos colaterais com alguma medicação anteriormente;
  • Explicar que a escolha de um método contraceptivo envolve diversos fatores e que a tomada de decisão é sempre compartilhada com você. Para isso, ele falará sobre as principais opções, seus benefícios e seus riscos;
  • Conversar um pouco sobre seu comportamento no dia a dia. A escolha do método contraceptivo depende, por exemplo, da capacidade de cada paciente de aderir ao tratamento.

Ele vai buscar entender alguns pontos da sua saúde geral que importantes para a escolha da contracepção, como:

  • História pregressa ou familiar de algum distúrbio da coagulação, de tromboembolismos e acidentes vasculares cerebrais;
  • Uso de outras medicações;
  • Comorbidades ginecológicas;
  • Passado reprodutivo e obstétrico.

Comportamento

Esse é um ponto muito importante para a escolha de um método de contracepção. Algumas mulheres têm muita dificuldade em tomar medicações regularmente, — relatam esquecimentos frequentes de doses.

Nesses casos, os métodos com ação prolongada são mais indicados. Esse é o caso de:

  • dispositivos uterinos, que têm ação de 3 a 10 anos, sem necessidade de reaplicação;
  • implantes subcutâneos, que são colocados sob a pele e liberam uma quantidade pequena de hormônios inibidores. Eles podem durar até 5 anos;
  • injeções hormonais, que são aplicadas a cada mês ou trimestre.

O comportamento sexual também influencia a escolha. Caso a mulher não tenha um parceiro fixo no qual confie, a camisinha deve ser sempre utilizada em associação aos outros métodos contraceptivos. Afinal, ela é a única capaz de evitar doenças sexualmente transmissíveis.

Histórico de saúde

Como dissemos, existem determinadas condições médicas que levam à contraindicação de determinados métodos. Por exemplo, em pacientes com risco mais elevado de eventos tromboembólicos, alguns medicamentos hormonais devem ser evitados, pois aumentam o risco de formação de coágulos.

Da mesma forma, podemos aproveitar o efeito de determinado fármaco anticoncepcional para ajudar no tratamento de uma doença concomitante. Por exemplo, tem-se visto um benefício significativo no uso de DIU Mirena em pacientes com endometriose. Então, caso tenha essa condição e não deseje engravidar em curto prazo, essa medicação traria um benefício duplo.

Histórico obstétrico e reprodutivo

Os métodos cirúrgicos, por lei, somente podem ser empregados caso o indivíduo tenha 2 filhos vivos atualmente ou mais de 25 anos. Então, isso serve tanto para o homem (vasectomia) quanto para a mulher (laqueadura).

Portanto, a escolha de um contraceptivo é complexa e deve preferencialmente ser acompanhada por um médico experiente. Dessa forma, garantimos uma avaliação completa da sua saúde e dos seus objetivos reprodutivos. Isso pode prevenir complicações, falhas e efeitos adversos que eventualmente surgem no processo.

Quer saber mais sobre os contraceptivos e quais podem ser utilizados por cada paciente? Confira este texto sobre o tema!

Vacinação da gestante

A vacinação da gestante é muito importante e não pode ser abandonada durante a gestação, embora haja particularidades. Portanto, elas somente devem ser tomadas sob orientação médica dentro do acompanhamento de pré-natal.

Afinal, existem alguns tipos de vacina que são contraindicadas durante a gestação. Da mesma forma, há imunizantes que são prioritários para esse grupo.

Quer entender melhor? Acompanhe nosso post!

Segurança da vacinação da gestante

Para compreender a segurança da vacinação durante a gestação, é muito importante que você saiba quais são os tipos de vacina, que são:

  • Inativadas — são vacinas com microrganismos mortos ou fragmentos deles. Elas têm a capacidade de serem reconhecidos pelo sistema imunológico, mesmo que não contenham nenhum patógeno vivo;
  • Vacinas com o microrganismo vivo enfraquecido (atenuado) — são vacinas produzidas com microrganismos ainda vivos, mas eles passam por diversos processos que reduzem bastante a capacidade de se multiplicar. Com isso, em pessoas saudáveis, eles são combatidos com eficácia pelo sistema imunológico com nenhum risco de causar infecção. No entanto, como as mulheres grávidas ficam com a imunidade alterada e o feto ainda está em formação, esse tipo de vacina não é segura para elas.

Portanto, as vacinas inativas testadas em gestantes são muito seguras para elas e não oferecem nenhum risco adicional. Pelo contrário, protegem a mãe e o bebê contra infecções muito comuns e que estão relacionadas a complicações graves.

As vacinas podem afetar o feto?

Como explicamos, apenas as vacinas de microrganismo vivo atenuado são uma preocupação maior. Nos demais casos, é importante saber se a segurança da vacina foi avaliada em gestantes durante os estudos de desenvolvimento do imunizante. Essa é uma informação que seu médico conhece.

As vacinas consideradas seguras nas pesquisas não causam nenhuma complicação grave para a mãe e o feto. Na realidade, o risco é muito maior se elas não forem tomadas. Afinal, haverá uma vulnerabilidade do seu organismo e do bebê contra infecções que trazem consequências severas.

Recentemente, criou-se um mito popular de que as vacinas podem causar autismo em crianças. No entanto, dezenas de estudos sérios já foram feitos em todo o mundo. Eles não apontaram nenhuma associação das vacinas com um maior risco de autismo.

As pesquisas que mostram uma associação com autismo geralmente não apresentam uma qualidade técnica adequada. Então, suas conclusões não podem ser levadas em consideração. Em relação às vacinas indicadas para as gestantes, uma absoluta maioria da comunidade de ginecologistas e obstetras as considera extremamente seguras para a mãe e o feto em curto, médio e longo prazos.

Vacinação na gestação

As vacinas da gestante são aquelas que foram testadas nesse grupo e não apresentam vírus vivo atenuado. Além disso, é muito importante vacinar a gestante apenas para condições que são uma preocupação significativa para a saúde da mãe e do bebê (antes e depois do nascimento). Elas são:

  • Tríplice bacteriana (dTPa ou dT) para todas as gestantes;
  • Hepatite B em três doses para gestantes não vacinadas ou suscetíveis. A hepatite B é uma doença muito prevalente no ambiente hospitalar e gora dele, pois é provocada por um vírus muito resistente;
  • Influenza em dose única anual. Apesar de geralmente leve em pessoas saudáveis, a gripe por influenza está associada a complicações gestacionais, como abortamento e nascimento prematuro.

A tríplice bacteriana protege contra três doenças muito perigosas para a gestação:

  • Coqueluche, que é uma das principais causas de morte neonatal e em bebês até 6 meses de idade;
  • Tétano. Essa doença já foi uma das principais causas de morte neonatal. A bactéria pode estar presente no ambiente, em instrumentos cirúrgicos e em diversos locais que a mãe e o bebê têm contato durantes e após o parto. Ela tem levada letalidade;
  • Difteria, uma doença relacionada a casos de obstrução respiratória grave, levando frequentemente o bebê ao óbito.

O calendário de vacinação na gestação é muito complexo e depende da avaliação de diversas variáveis, como a identificação da idade gestacional. Por isso, é muito importante que você procure um médico para o acompanhamento pré-natal, o qual indicará quais vacinas tomar e em qual momento da gravidez elas precisarão ser aplicadas.

As vacinas contraindicadas para as gestantes são aquelas fabricadas com microrganismo vivo atenuado. As principais são:

  • Tríplice viral;
  • BCG;
  • HPV;
  • Varicela;
  • Dengue.

Há vacinas que devem ser aplicadas em situações excepcionais, como surtos, epidemias e exposição conhecida. Nesse grupo, enquadram-se as vacinas contra:

  • Pneumococos;
  • Haemophilus influenzae;
  • Meningococos;
  • Hepatite A;
  • Febre amarela;
  • Poliomielite;
  • Raiva.

Como os anticorpos da mãe são transmitidos pela placenta e pelo leite materno, eles protegem o bebê durante vários meses após o nascimento. Então, uma mãe vacinada durante a gestação está cuidando do seu filho antes, durante e depois do parto. Portanto, a vacinação da gestante é uma medida de amor e cuidado.

Quer saber mais sobre o puerpério, o período pós-parto? Confira nosso texto completo sobre esse tema!

Placenta prévia: o que é?

A placenta é a principal estrutura de conexão do organismo do feto com o corpo da mãe. Nesse local, ocorrem as principais trocas entre eles, fazendo com que o oxigênio e os nutrientes cheguem adequadamente ao bebê.

Ela ainda tem a importante função de ser um filtro contra diversos resíduos e substâncias que podem comprometer o desenvolvimento fetal. Existem condições que podem afetar essa estrutura, como a placenta prévia, trazendo cuidados adicionais para o acompanhamento de uma gravidez.

Quer entender melhor? Acompanhe o nosso post até o final!

O que é a placenta e sua função?

A placenta começa a se formar nas primeiras semanas de gestação. Nos primeiros dias após a formação do feto, suas células começam a se multiplicar e se diferenciar. Com isso, surge uma camada chamada de trofoblasto, que evoluirá para formar a placenta, o saco vitelino e outros anexos embrionários importantes para a evolução da gestação.

Quando o embrião chega ao útero, as células originadas dessa camada começam a se infiltrar no endométrio, a camada de revestimento da cavidade uterina. A partir disso, o processo de formação da placenta se inicia:

  • Na segunda semana após a fertilização, o trofoblasto começa a se diferenciar ainda mais e formar vilosidades, pequenas saliências, no endométrio rico em vasos sanguíneos;
  • Na terceira semana, essas vilosidades se conectam com os vasos sanguíneos do endométrio para fazer essa ponte entre a circulação sanguínea da mãe e com a do bebê.

Assim, surge a placenta, que é essencial para o desenvolvimento adequado da gestação. Geralmente, ela se implanta na parte superior ou lateral do útero e se conecta ao bebê, que está envolto pelo líquido amniótico abrigado dentro do saco embrionário. A placenta se conecta ao bebê pelo cordão umbilical, onde estão vasos que levam sangue para dentro e para fora do feto.

No entanto, pode ocorrer diversos tipos de defeitos de implantação. Um dos mais comuns e preocupantes é a placenta prévia, que ocorre quando essa estrutura se forma total ou parcialmente na superfície do colo uterino.

O que é o colo do útero, onde fica e sua função?

O colo uterino é uma estrutura de transição do útero para a vagina. Ele é uma continuidade da parede uterina, mas apresenta funções específicas. Por meio do canal cervical, ele faz a conexão a parte superior e a inferior do sistema reprodutor feminina.

Através do canal cervical, passa a menstruação da mulher a cada ciclo. Além disso, durante o trabalho de parto, o colo uterino se dilata para a passagem do bebê. Por isso, quando a placenta cobre essa região, ocorrem complicações para o parto e para a gestação como um todo.

O que é placenta prévia?

A placenta prévia pode ser dividida em três formas principais:

  • Marginal, em que a placenta está próxima ao colo uterino, mas não cobre o seu orifício interno;
  • Parcial — há uma obstrução parcial dessa abertura do colo uterino;
  • Total — há uma obstrução completa da abertura do colo uterino, sendo a forma mais complicada da placenta prévia.

Causas de placenta prévia

A ciência médica ainda não identificou completamente os mecanismos de formação de uma placenta prévia. Contudo acredita-se que o principal fator sejam as alterações na fisiologia e na dinâmica uterina. Com isso, não há:

  • uma sinalização adequada para as células do feto de onde elas devem se implantar;
  • uma movimentação uterina inadequada, o que faz com que as fases de desenvolvimento embrionário não estejam adequadamente sincronizadas com a movimentação do feto dentro do útero;
  • falha da vascularização da placenta nas regiões de crescimento normal, o que faz com que o embrião se implante no colo uterino.

Isso ocorre principalmente diante dos seguintes fatores de risco:

  • Anormalidades uterinas;
  • Mulheres com múltiplas gestações anteriores;
  • Presença de cicatrizes uterinas provocadas por cirurgias, incluindo a cesariana. Esse é um dos motivos que o parto cesariano deve ser evitado quando não há uma indicação médica que o justifique;
  • Gemelaridade, a gravidez múltipla;
  • Placenta prévia em uma gravidez anterior;
  • Mulheres acima dos 35 anos;
  • Hábitos como tabagismo e alcoolismo, os quais comprometem a saúde vascular da mulher.

Consequências da placenta prévia

A principal complicação da placenta prévia é a hemorragia gestacional, isto é, o sangramento anormal através do colo do útero. Ele é visualizado na vagina e leva a muita ansiedade nas mulheres, pois é associado popularmente com os abortamentos.

Em geral, o sangramento da placenta prévia ocorre no último semestre de gestação. Por esse motivo, está associado a partos prematuros e complicações mais tardias. No entanto, pode ocorrer precocemente e levar ao abortamento (expulsão ou morte do feto antes da vigésima quarta semana de gestação.

O principal tratamento para a placenta prévia é o repouso absoluto da gestante. Com o tempo, a placenta poderá se deslocar e adotar uma localização mais saudável para a gravidez. Mesmo que isso não ocorra, o repouso ajuda a prevenir as complicações. Além disso, o pré-natal será mais próximo, com consultas mais frequentes e realização de exames adicionais.

Quando o sangramento ocorre, o seu gerenciamento dependerá do volume de sangue, das características da gestação, da saúde materno-fetal. Inevitavelmente, a persistência da placenta prévia demanda a realização de uma cesariana.

As medidas buscarão adiá-la para um momento que seja mais saudável para a mãe e o bebê (depois da 36ª semana). Diante de um sangramento intenso, a transfusão de sangue poderá ser necessária. Porém, quando há hemorragias intensas persistentes, a principal conduta é a cesariana de urgência, independentemente da idade gestacional.

Quer saber mais sobre a placenta prévia? Acompanhe nosso texto especial sobre o tema!

Mioma e gestação: existem riscos?

Os miomas são uma das doenças ginecológicas mais comuns entre as mulheres. Eles são encontrados em até 70% das pacientes ao longo da vida, geralmente sendo assintomáticos e não trazendo nenhuma consequência mais grave. Contudo existem alguns tipos de miomas relacionados a um maior risco de abortamentos, partos prematuros e outras complicações gestacionais.

Eles são lesões bem prevalentes em mulheres na idade fértil, pois são estrogênio dependentes. Em outras palavras, um dos principais fatores de sua formação e crescimento é a exposição ao principal hormônio feminino, um tipo de estrogênio chamado de estradiol.

Quer entender melhor a relação dos miomas com a gestação? Confira nosso post!

O que são miomas?

Os miomas se originam de células musculares localizadas em uma camada do útero chamada de miométrio. Você se lembra que o útero é formado por três camadas:

  • Endométrio — é o revestimento da cavidade uterina, formado por células que crescem sob o estímulo do estrogênio e se maturam sob a ação da progesterona. É no endométrio que o embrião se implanta e cria estruturas (vasos sanguíneos da placenta) para sobreviver durante a gestação;
  • Miométrio — é a camada intermediária, a parede do útero, sendo formada por células musculares e tecido de sustentação. As células musculares têm a capacidade de se contrair gerando os movimentos do útero importantes para o trabalho de parto. As cólicas menstruais e a dor do parto ocorrem devido à contração do miométrio;
  • Perimétrio — o perimétrio tem duas camadas, a serosa e adventícia. A serosa é a que está colada ao útero, protegendo-o contra o atrito com outros órgãos e facilitando sua movimentação.

Quando provocam sintomas, os miomas estão associados a quadros leves de sangramento uterino anormal e dismenorreia (dor menstrual). A principal complicação dessas lesões é a infertilidade, que ocorre predominantemente em um tipo de miomas, o submucoso.

Mesmo assim, grande parte das mulheres são capazes de engravidar com os miomas. No entanto, em alguns casos, pode haver um aumento do risco de complicações gestacionais, do abortamento ao parto prematuro.

Como é o desenvolvimento da gestação em mulheres com miomas?

A maioria das gestantes não terá nenhuma complicação grave devido à presença dos miomas durante a gravidez. Alguns sintomas poderão ser um pouco mais intensos e frequentes nelas, como as dores.

Além disso, é muito importante entender que os efeitos dos miomas sobre as gestações dependem das características das lesões da mulher. Nesse sentido, os pontos mais importantes são:

  • Volume;
  • Número;
  • Localização (tipo de mioma).

Vamos falar sobre cada um deles a seguir.

Volume

O volume dos miomas tem uma influência significativa, independentemente do local onde eles estão. Os estudos mostram que ele é o principal fator relacionado a maior frequência de complicações gestacionais:

  • Quanto maior a lesão, maior a frequência de dores uterinas durante a gestação;
  • Um tamanho maior do que 3 a 4 centímetro de diâmetro está associado ao aumento de risco de abortamentos, problemas placentários, restrição ao crescimento fetal, hemorragias gestacionais e parto prematuro.

Número de lesões

O número de lesões também está associado a complicações, como o início do trabalho de parto precocemente e o nascimento prematuro. Em relação a outros riscos, ainda não há evidências tão robustas, mas eles podem estar também relacionados com abortamentos de repetição e hemorragias gestacionais.

Localização das lesões

Os miomas podem ser agrupados em três tipos de acordo com a sua localização em relação às camadas do útero:

  • Miomas submucosos — apesar de ainda se originarem do tecido miometrial, os submucosos crescem pressionando o endométrio, a camada de revestimento da cavidade uterina. É nela que o embrião se implanta. Por isso, esse é o tipo de mioma mais associado a complicações gestacionais, provocando um aumento do risco de abortamentos, partos prematuros, descolamento da placenta e hemorragia por parto. Felizmente, são os tipos mais raros;
  • Miomas intramurais — são os miomas mais comuns. Eles crescem em predominantemente dentro dos limites do miométrio. Sua relação com complicações gestacionais ocorre quando crescem excessivamente (mais de 3 a 4 centímetros). Assim, com o crescimento uterino durante a gravidez, eles passam a ter uma maior influência sobre o endométrio e o feto em formação. Os miomas intramurais também podem prejudicar as gestações quando estão em maior número. Afinal, o miométrio é o local onde se originam as contrações uterinas. As lesões podem comprometer a qualidade e a quantidade dos movimentos do útero e provocar partos prematuros, como vimos anteriormente;
  • Miomas subserosos — como todos os miomas, ele se origina do miométrio. Contudo seu crescimento é mais expressivo em direção à camada externa do útero, a serosa. Como crescem fora do útero, tendem a crescer mais, pois não são restritos pelo espaço e pela pressão do miométrio.

Assim, podem aumentar a frequência de sintomas comuns nas gestações, como inchaço abdominal, incontinência urinária devido à compressão da bexiga ou constipação intestinal devido à obstrução externa das alças do cólon.

Geralmente, não interferem nas gestações e na fertilidade, exceto quando atingem tamanhos significativos (diâmetro maior do que 4 centímetros).

Para evitar as complicações na gestação e no parto, tem se indicado a retirada dos miomas anteriormente às tentativas de engravidar. Contudo essa decisão é sempre individualizada a cada caso e compartilhada com a mulher, — dentro dos princípios da humanização do parto. A cesariana é indicada em situações excepcionais, como a apresentação inadequada e a falha de progressão do parto. Portanto, mesmo em pacientes com miomas, deve-se preferir o parto normal.

Quer saber mais sobre os miomas uterinos? Confira o nosso texto sobre o tema!

Quando o sangramento uterino é anormal?

As mulheres têm muitas dúvidas relacionadas à menstruação e precisam realmente ficar atentas. Contudo uma maior atenção com o próprio corpo não deve ser transformada em ansiedade. Afinal, existem muitas variações no ciclo menstrual de uma mesma pessoa, além de as diferenças individuais serem comuns.

Portanto, comparações com períodos anteriores ou com outras mulheres devem ser feitas com muito cuidado. Por isso, é muito importante entender o que é um sangramento uterino anormal.

Antigamente, havia vários termos para se referir a alterações na menstruação, como hipermenorreia (sangramento aumentado), hipomenorreia (diminuído) e diversos outros. Nos últimos anos, percebeu-se que esses conceitos são pouco exatos.

Afinal, as doenças ginecológicas podem se expressar de diferentes formas. Então, é melhor que os médicos e as pacientes sejam capazes de identificar quais são as características de um sangramento uterino anormal, — em qualquer idade e nas suas mais diversas manifestações. Quer entender melhor o tema? Acompanhe o nosso post!

O que é o sangramento uterino anormal?

Um sangramento uterino anormal é todo aquele que foge do padrão médio habitual. Nem sempre isso vai significar uma doença, mas a investigação é importante para excluí-las.

Para isso, podem ser utilizados os seguintes parâmetros:

  • Idade da mulher — sangramentos na infância e no pós-menopausa merecem uma atenção maior;
  • Volume — que pode estar aumentado ou reduzido;
  • Momento — sangramento no período entre as menstruações (spotting) ou durante as relações sexuais;
  • Intervalo — aumento ou redução do intervalo entre as menstruações;
  • Duração do período de sangramento — que pode aumentar em algumas situações patológicas;
  • Aparência —aumento da presença de grumos ou coágulos no sangramento;
  • Regularidade — os ciclos geralmente ocorrem sempre dentro de um mesmo intervalo ou variam pouco. Uma maior variação entre os ciclos pode ser vista como anormal. Por exemplo, a mulher menstrual com trinta dias e, depois disso, fica 3 meses sem menstruar. Se esse padrão se repete ao longo do tempo, esse sintoma merece uma investigação.

Portanto, o sangramento uterino anormal pode ocorrer em qualquer idade. Porém é preciso individualizar para cada grupo ou mulher. Por exemplo, nos primeiros anos após a menarca e nos anos anteriores à menstruação, a irregularidade é normal.

Quando podemos considerar um sangramento uterino anormal?

Essa é uma questão complexa. Afinal, é muito difícil distinguir o que é um volume aumentado, por exemplo. Em geral, adota-se como normalidade uma perda sanguínea de 5ml a 80ml por ciclo, mas isso é muito difícil de medir no dia a dia.

Também não há um consenso estabelecido sobre:

  • A duração de um ciclo. Algumas fontes apontam um intervalo mínimo de 24 a 28 dias e máximo de 35 a 38 dias. Outras estabelecem critérios mais frouxos ou rígidos;
  • Da mesma forma, a duração do sangramento também não é um consenso. Em geral, adota-se um corte de 7 a 9 dias como normalidade.

No entanto, em uma parcela importante dos casos, existem mulheres saudáveis com valores fora dessas curvas. Por sua vez, algumas formas de SUA são mais fáceis de identificar, como o spotting e o sangramento durante as relações sexuais.

Então, a avaliação clínica do SUA é essencial e o autodiagnóstico deve ser evitado. O médico buscará analisar cada quadro em relação à comorbidades, uso de medicações, histórico obstétrico e outros dados clínicos importantes.

Além disso, a presença de outros sinais e sintomas é um indicativo de que uma alteração menstrual pode estar ligada a condições ginecológicas. As manifestações mais comuns associada ao SUA são:

  • Dismenorreia — dor menstrual, especialmente quando ela conta com características não habituais;
  • Dor pélvica crônica — dor persistente e não cíclica na região da pelve;
  • Dispareunia — dor durante as relações sexuais;
  • Infertilidade — dificuldade persistente para engravidar;
  • Hirsutismo — Presença de pelos em localizações incomuns para a mulher.

Além disso, a investigação do SUA geralmente é feita com alguns exames médicos, como a ultrassonografia transvaginal e o hemograma.

Em alguns casos, a paciente não apresenta nenhum sintoma, além do SUA. No entanto, ao realizar exames rotineiros, como o hemograma, ela recebe o diagnóstico de anemia. Uma das principais causas de anemia em mulheres é o sangramento uterino anormal.

Causas de sangramento uterino anormal

A Federação Internacional de Ginecologistas e Obstetras criou um acrônimo para ajudar na identificação das principais doenças relacionadas ao sangramento uterino anormal. É o PALM-COIEN:

  • PALM — A primeira parte descreve questões estruturais;
  • COEI abrange condições não estruturais, como as causas hormonais;
  • N é uma categoria guarda-chuva para os casos que não podem ser classificados nos quadros anteriores.

Veja agora o que significa cada letra:

  • P — Pólipo;
  • A — Adenomiose;
  • L — Leiomioma (miomas uterinos);
  • M — Malignas;
  • C — Coagulopatia;
  • O — Ovulatória (como a síndrome dos ovários policísticos);
  • E — Endometrial;
  • I — Iatrogênica (causas relacionadas a intervenções médicas, como uso de medicamentos, incluindo anticoagulantes, ou tratamento clínicos que podem resultar em SUA);
  • N — Não classificado de outra forma.

Dessas, os pólipos, a adenomiose, os miomas uterinos e as causas ovulatórias representam grande parte dos diagnósticos finais do SUA.

A mulher deve procurar um médico sempre que notar ou se preocupar com as alterações das características menstruais. Afinal, as consultas não têm apenas o objetivo de diagnosticar doenças, mas também para tranquilizar e tirar dúvidas. Alguns tipos de sangramento uterino anormal também são mais preocupantes, como aqueles que ocorrem em mulheres no pós-menopausa, os quais podem estar relacionados a neoplasias.

Quer saber mais sobre o sangramento uterino anormal? Confira nosso artigo institucional sobre o tema!

Endometriose e gravidez: riscos e cuidados

A endometriose é uma doença inflamatória crônica, desencadeada pelo implante de glândulas e estroma do endométrio fora do útero. Com isso, podem surgir sintomas e complicações que impactam significativamente a qualidade de vida da mulher, como a infertilidade, a dor pélvica crônica e a dismenorreia (dor menstrual).

A dificuldade para engravidar é uma queixa presente em uma parcela significativa das pacientes com endometriose. Os estudos mostram que cerca de um terço das pacientes com queixa de infertilidade são diagnosticadas posteriormente com endometriose.

Além disso, outras pesquisas mostraram que pode haver uma relação da endometriose com complicações gestacionais, como o abortamento de repetição. Devido a esse impacto na função reprodutiva, a endometriose pode influenciar seus planos de maternidade.

Por isso, é muito importante conhecer melhor a doença. Ficou interessada? Acompanhe nosso post até o final!

Endometriose e dificuldades de engravidar (infertilidade)

A infertilidade é caracterizada pela dificuldade de um casal engravidar pela fertilização natural (relações sexuais no período fértil da mulher) por 1 a 2 anos. Esse período pode ser abreviado para seis meses caso a mulher já tenha mais de 35 anos.

É muito importante entender que a infertilidade não é causada apenas pela mulher. Existe esse estigma. Contudo, as estatísticas mostram que os casos de infertilidade em casais são proporcionalmente semelhantes em ambos os sexos.

Na maior parte das situações, a dificuldade para engravidar ocorre devido a fatores presentes tanto no homem quanto na mulher. Em outros casos, sequer são identificados fatores em algum dos membros do casal, — é a infertilidade sem causa aparente.

Dentro dos casos de infertilidade feminina, de 30% a 50% deles podem estar relacionados à endometriose. Essa doença pode causar um estado inflamatório permanente na região da pelve. Na tentativa de eliminar células endometriais fora do útero, o corpo envia células de defesa que buscam destruir o tecido ectópico. Entretanto, esse ataque não distingue tecidos saudáveis dos implantes de endometriose.

Com isso, surgem mecanismos que podem levar à infertilidade:

  • O estado inflamatório prolongado faz com que o endométrio normal (na cavidade uterina) se torne menos receptivo aos espermatozoides e ao embrião;
  • Ele também altera a dinâmica funcional dos órgãos reprodutivos, reduzindo o potencial de fertilidade;
  • Ele também pode atingir o ovário, levando a uma redução precoce e progressiva da reserva ovariana;
  • Por fim, à medida que a doença não é tratada, o corpo inicia um processo de cicatrização intenso, substituindo tecidos funcionais por fibras colágenas. Assim, começam a se formar aderências que obstruem e comprometem os órgãos internos do sistema reprodutor feminino. Com o envelhecimento das aderências, elas se tornam mais rígidas e prejudicam ainda mais a fertilidade, além de ficarem mais difíceis de tratar.

Classificação da endometriose

Portanto, a endometriose compromete a fertilidade de forma multifatoriais por meio de disfunções estruturais e fisiológicas.

Atualmente, a principal classificação da endometriose leva em consideração o seu potencial na redução da fertilidade feminina. Ela foi feita pela Associação Americana de Medicina Reprodutiva:

  • Estágio I, endometriose mínima: implantes isolados e sem aderências significativas;
  • Estágio II, endometriose leve: implantes superficiais, menores do que 5 cm e sem aderências significativas;
  • Estágio III, endometriose moderada: presença de endometriomas, de múltiplos implantes, além de aderências nas tubas uterinas e ovários mais evidentes;
  • Estágio IV, endometriose grave: múltiplos implantes, superficiais e profundos, endometriomas, além de aderências densas e firmes.

Endometriose e gestação

Recentemente, diversos estudos sobre a relação da endometriose com complicações gestacionais foram analisados. Eles encontraram que a doença pode estar associada a um maior risco de:

Em alguns estudos, foram apontados ainda uma maior chance de gestações ectópicas, especialmente nas tubas uterinas. Contudo as evidências atuais descartam uma influência da endometriose no desenvolvimento de hipertensão gestacional e pré-eclâmpsia.

Endometriose no parto e pós-parto.

A endometriose também parece estar associada a alguns desfechos negativos no parto e no pós-parto, aumentando o risco de:

  • Partos cesarianos;
  • Recém-nascidos pequenos para a idade gestacional.

Como já explicamos em outros artigos, os partos cesarianos devem ser reservados para situações excepcionais. Afinal, eles trazem um maior risco de complicações durante e após o parto, além de não terem alguns benefícios importantes dos partos normais. Então, o aumento do risco de um parto cesariano deve ser visto como uma complicação.

Recém-nascidos pequenos para a idade gestacional também são uma preocupação importante. Eles estão mais vulneráveis à hipotermia neonatal, à morte súbita, a problemas do neurodesenvolvimento e a infecções.

Portanto, devido a essa relação da endometriose com a infertilidade e as complicações gestacionais, é preciso ter um novo olhar para a condição e o impacto que ela pode ter na vida reprodutiva de uma mulher.

Apesar de a reprodução assistida ajudar a melhorar o prognóstico reprodutivo nesses casos, ainda há outras complicações que podem surgir nas mulheres que conseguem engravidar. Um acompanhamento obstétrico humanizado, — e, portanto, individualizado —, no pré-natal, no parto e no pós-parto é essencial para essas mulheres.

Quer saber mais sobre a endometriose e seu tratamento? Confira este nosso artigo sobre o tema!

Quando a adolescente deve ir ao ginecologista?

Quando a adolescente deve ir ao ginecologista? — Essa é uma pergunta muito comum entre responsáveis que procuram o auxílio de um médico para entender como deve ser feito o cuidado com as meninas em transição para a idade fértil. Esse questionamento também é uma busca frequente das próprias adolescentes no Google e nas redes sociais, por exemplo.

Essa pergunta ser feita atualmente já é um bom sinal, pois mostra uma preocupação em ver o início da idade fértil como uma questão de saúde. Antigamente, havia muito estigma com as consultas ginecológicas em pacientes jovens. Por isso, ao contrário do que ocorre em outros países, ainda não está tão enraizado na nossa cultura a importância do acompanhamento ginecológico de adolescentes.

Muitos médicos ouvem dos responsáveis que há um receio em iniciar precocemente essa medida, pois acreditam que poderiam desencadear um início precoce da vida sexual das adolescentes. No entanto, essa visão é baseada em um preconceito que não se baseia em nenhuma evidência. Até hoje, nenhum estudo demonstrou essa relação.

Pelo contrário, o que algumas pesquisas indicam é que as consultas para aconselhamento e acompanhamento das adolescentes podem reduzir o risco de gestações precoces e de infecções sexualmente transmissíveis. Por exemplo, a vacinação contra o HPV deve preferencialmente ser completada antes do início da vida sexual, protegendo a adolescente contra as consequências de uma infecção.

Quer saber mais sobre o tema e entender por que é tão importante abandonar o preconceito das consultas ginecológicas das adolescentes? Acompanhe nosso post!

Quando é feita a transição da pediatria para a ginecologia?

Primeiramente, é importante enfatizar que não é feita uma transição completa. A ginecologia é uma especialidade que cuida da saúde da mulher, com foco especial nas condições relacionadas ao sexo. Por sua vez, a pediatria cuida de outras questões importantes, como a puericultura e o acompanhamento de doenças sistêmicas.

Então, em grande parte dos casos, a adolescente será acompanhada pelos médicos das duas especialidades. À medida que o organismo da mulher amadurece, o acompanhamento da pediatria é substituído pela clínica médica do adulto. Na fase de transição, existe também o hebiatra, que cuida das questões ligadas à adolescência especificamente. Mesmo nesses casos, o ginecologista também acompanha a mulher.

Quando a adolescente deve ir ao ginecologista?

Essa é uma dúvida muito comum entre os pais e responsáveis. É muito importante entender que não existe uma idade ou um marco que indique essa necessidade. Nesse sentido, é essencial que a decisão seja individualizada. Em muitos casos, o pediatra pode ser um parceiro importante para ajudar na decisão.

A adolescência é a transição entre a infância e a idade adulta. O principal marco da transição para essa fase é a primeira menstruação, a menarca, ocorrendo geralmente entre os 12 e os 16 anos de idade.

Essa faixa etária é uma média com base no que é mais comum na população. Entretanto a puberdade pode se iniciar precocemente ou, mesmo, tardiamente. No entanto, diversas mudanças físicas podem ocorrer antes, na pré-puberdade, entre os 8 e 9 anos (em geral). Por exemplo, o crescimento dos brotos mamários que precedem a menarca, indicando o início do processo de maturação da função reprodutiva da mulher.

A menarca define o início dos ciclos menstruais, nos quais ocorrem a ovulação, que determina a fertilidade. Inicialmente, na adolescência, os ciclos menstruais ainda são irregulares. Portanto, nem todos os meses levam os ovários a liberar um óvulo para ser fecundado.

Mesmo assim, já é possível engravidar. A gravidez na adolescência deve ser uma preocupação importante, visto que pode trazer riscos físicos e sociais para a mulher em formação. Por isso, o aconselhamento de planejamento familiar é importante, podendo ser conduzido por um ginecologista.

Muitas vezes, os responsáveis definem a primeira menstruação como um indicador da necessidade de consultar um ginecologista. Contudo, não há uma regra que determine o momento ideal da primeira consulta ao ginecologista. A consulta especializada poderá ocorrerá se:

  • a menstruação tiver alguma anormalidade;
  • o desenvolvimento da maturidade sexual prejudicar a qualidade de vida da adolescente;
  • ele vier acompanhada de alguma outra dificuldade.

Também pode ser feito caso a própria adolescente expresse querer ir a um ginecologista ou o pediatra indicar que essa consulta pode ser necessária. Caso contrário, não há um motivo real para consultar um ginecologista.

Vínculo ginecologista-adolescente

Um dos motivos para uma adolescente consultar um ginecologista na adolescência é conhecer melhor o próprio corpo e as mudanças pelas quais ele passará no futuro. Afinal, a puberdade envolve muitas mudanças e é importante saber mais sobre os órgãos sexuais externos e internos.

Durante o treinamento do ginecologista, ele aprende também as habilidades necessárias para comunicar e educar as adolescentes sobre isso, além de engajá-las no autocuidado. Tudo é feito com bastante empatia e acolhimento, visto que podem surgir muitas ansiedades nessa fase da vida.

Na primeira consulta, é possível esclarecer diversas dúvidas. Dessa forma, a adolescente pode se preparar para enfrentar esse período de tantas transformações. Portanto, é um vínculo baseado no respeito, na empatia, no acolhimento e na educação em saúde. Depois disso, uma rotina será estabelecida para que a relação médico-paciente seja aprofundada e fortalecida com confiança e respeito. Então, além de saber quando a adolescente deve ir ao ginecologista, é essencial também entender a importância da qualidade desse contato.

Quer saber mais sobre esse e outros temas da ginecologia da adolescência? Confira nosso post sobre quando deve acontecer a primeira consulta com um ginecologista!

Gestação e idade: riscos e cuidados

Gestação e idade: atualmente, passamos por uma transformação cultural em relação à fertilidade das mulheres. Elas progressivamente estão escolhendo gestar em idades cada vez mais avançadas. Há algumas décadas, a situação era oposta: a gravidez precoce, na adolescência, era muito comum.

Ambos os casos, porém, estão relacionados a riscos aumentados de desenvolvimento de complicações antes e após as gestações. Quer entender melhor o tema? Acompanhe o nosso post!

Qual a relação entre gestação e idade?

No Manual da Gestação de Alto Risco, o Ministério da Saúde aponta que, potencialmente, há um risco aumento de complicações nas seguintes faixas etárias:

  • mulheres com menos de 17 anos; ou
  • mais de 35 anos de idade.

No entanto, a relação não é de causa e consequência direta. Na verdade, a maioria das mulheres com gestações nesses extremos de idade são capazes de gerar nascimentos vivos e saudáveis. Portanto, a idade apenas não é um motivo para a classificação de uma gestação de alto risco.

Gestação e idade: riscos e cuidados associados a gestações tardias, depois dos 35 anos

A fertilidade da mulher começa declinar a partir da terceira década de vida. A partir desse corte de idade, existe um aumento progressivo do risco de complicações gestacionais.

Contudo os estudos mostram que mesmo mulher com mais de 45 a 50 anos apresentam gestações geralmente saudáveis. Por isso, sempre quando falamos em risco gestacional e idade materna avançada, é preciso ter bastante cautela. Não existe uma relação causa e consequência.

A gestações em mulheres após os 35 estão sim associadas a riscos aumentado de complicações da gravidez, como:

  • Nas fases iniciais da gestação —aborto espontâneo, gravidez ectópica e anomalias cromossômicas fetais;
  • No desenvolvimento das gestações Anomalias congênitas, diabetes gestacional, placenta prévia e pré-eclâmpsia;
  • No parto, pode haver uma maior chance de evolução para partos cesarianos e partos prematuros;
  • Após o nascimento, pode haver também um leve aumento de risco de mortalidade perinatal.

Contudo alguns desses riscos estão mais ligados às doenças cuja frequência aumenta a partir dessa idade, como a hipertensão arterial e a diabetes mellitus tipos 2. Outros, porém, estão diretamente relacionados à idade, como uma maior chance de bebês com anomalias cromossômicas. Isso ocorre principalmente devido ao envelhecimento dos óvulos.

Mesmo assim, é muito importante que elas melhorem suas condições de saúde com medidas, como:

  • Controle de doenças crônicas que impactam na gestação, como a hipertensão arterial (pressão alta) e a diabetes;
  • Tratamento de infecções no aparelho geniturinário;
  • Imunização;
  • Redução do índice de massa corporal (IMC) caso estejam com obesidade;
  • Cessação de maus hábitos, tais quais o uso de drogas, o tabagismo e o alcoolismo.

Todas essas medidas podem ser orientadas em uma consulta preconcepcional com um ginecologista. Nesse momento, o profissional vai explicar todas as medidas que poderão impactar na sua gestação.

Gestação e idade: riscos e cuidados associados a gestações precoces, antes dos 17 anos

A gestação antes dos 17 anos é conhecida popularmente como gravidez na adolescência. Isso traz riscos muito complexos, pois extrapolam as questões orgânicas apenas. Uma das grandes questões nas gestações precoces é a saúde mental, por exemplo. As adolescentes apresentam um risco aumentado de desenvolver depressão pós-parto.

Há também questões que vão além dos riscos físicos. As adolescentes com filhos têm menor chance de concluir o ensino médio, por exemplo. Alguns estudos apontam que elas podem ser mais vulneráveis à violência por um parceiro.

Os estudos americanos mostram que 15% das gestações diagnosticadas em adolescentes evoluem para abortamentos espontâneos. Além disso, as adolescentes são mais propensas a tentar uma interrupção provocada da gravidez. Assim, podem sofrer lesões graves, intoxicar-se com substâncias ou, em um ponto extremo, suicidarem-se.

As crianças de mães mais novas também parecem ser afetadas, tendo:

  • Maior risco de desenvolvimento de transtornos cognitivos;
  • Maior chance de apresentar problemas escolares;
  • Maior risco de negligência.

Além disso, filhas de gestações precoces apresentam uma maior probabilidade de terem também uma gravidez na adolescência.

O acompanhamento da gestação por um médico pode ajudar a prevenir esses problemas. Afinal, o papel do profissional pode ir muito além de tratar as condições físicas. Está também em acolher a adolescente — sem julgamentos —, abordar todas as questões da gravidez nessa faixa etária e educar para evitar a efetivação dos riscos encontrados.

A idade, por si só, não é um fator que leva a uma gestação de alto risco. No entanto, para identificar ameaças precocemente, é essencial que o pré-natal seja adequado, com consultas periódicas, e que haja um acolhimento completo e empático da mulher com um gravidez em extremos de idade.

Se possível, o processo de aconselhamento da gestação deve ocorrer antes mesmo da fecundação. As consultas pré-concepcionais e de planejamento familiar são um instrumento que a ginecologia e a obstetrícia têm para melhorar o prognóstico da fertilidade da mulher e do desenvolvimento de uma gestação. Lá, ela terá um espaço dela para tirar as dúvidas (inclusive sobre gestação e idade), conversar sobre suas emoções e compreender seu estado de saúde.

Quer mais sobre as gestações de alto risco? Então, confira nosso artigo sobre o assunto!