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Gestação de alto risco: quando considerar essa situação?

As gestações de alto risco são aquelas em que o médico identifica um ou mais fatores relacionados a uma maior chance de ocorrência de uma complicação. Com isso, é necessário mudar a rotina dos cuidados pré-natais para melhorar o prognóstico de saúde da mãe e do bebê.

Portanto, passar pelo pré-natal de alto risco não significa que algum evento negativo vai ocorrer. Significa que todas as precauções médicas humanizadas, individualizadas e baseadas em evidências serão tomadas para trazer mais segurança materna e fetal. Quer saber mais sobre o tema? Acompanhe este post!

O que é uma gestação de alto risco?

Uma gestação é considerada de alto risco quando ela apresenta fatores que aumentam as chances de alguma complicação para a mãe e/ou o bebê. Em alguns casos, o risco está relacionado a fatores biológicos relacionados a uma maior frequência de:

  • Morte ou adoecimento materno devido à gravidez ou ao parto;
  • Abortamentos;
  • Partos prematuros;
  • Malformação do feto;
  • Óbito fetal antes, durante ou após o parto;
  • Complicações no puerpério, como a depressão pós-parto.

No entanto, não são apenas os fatores físicos que aumentam o risco dessas complicações,

  • Dificuldade para a aceitação;
  • Violência psicológica ou física;
  • Falta de suporte social adequado;
  • Condições financeiras inadequadas;
  • Dificuldade para compreender os cuidados necessários para uma gestação saudável.

Tudo isso pode exigir um acompanhamento mais próximo, intenso e frequente em comparação às gestações habituais. Portanto, recebem a classificação de gestação de “alto risco”.

Quais são os fatores que levam a uma gestação de alto risco?

Diversos fatores podem levar à necessidade de um acompanhamento pré-natal de alto risco. Em alguns casos, a presença de apenas um critério é suficiente para demandar esse cuidado. Em outros, a classificação é devido à associação de dois ou mais fatores.

De qualquer modo, é muito importante que você entenda que a decisão é sempre individualizada para cada mulher e para cada gestação.

Idade materna

Há maior risco de complicações gestacionais nos dois extremos da vida reprodutiva de uma mulher. A gravidez precoce (antes dos 17 anos de idade) traz mais riscos devido à imaturidade do corpo, especialmente do sistema reprodutor feminino.

Por sua vez, após 35 anos de idade, a produção de hormônios sexuais da mulher está reduzida, o que impacta na receptividade do endométrio, por exemplo. Além disso, o envelhecimento dos gametas aumenta o risco de os óvulos apresentarem algum defeito genético. Então, há uma maior chance de ocorrerem abortamentos e malformações congênitas.

Fatores sociais e pessoais

Há também algumas características que estão ligadas a um maior risco para a mulher e a gestação, como:

  • “Altura menor que 1,45 m;
  • Peso pré-gestacional menor que 45 kg e maior que 75 kg (IMC30);
  • Anormalidades estruturais nos órgãos reprodutivos;
  • Situação conjugal insegura;
  • Conflitos familiares;
  • Baixa escolaridade;
  • Dependência de drogas lícitas ou ilícitas;
  • Hábitos de vida – fumo e álcool;
  • Exposição a riscos ocupacionais, como esforço físico, carga horária, rotatividade de horário, exposição a agentes físicos, químicos e biológicos nocivos, estresse”.

Condições médicas pré-existentes

Algumas condições médicas presentes antes da gravidez impactam o prognóstico de uma gestação saudável. As principais são:

  • Hipertensão arterial sistêmica;
  • Doenças pulmonares (pneumopatias), renais (nefropatias) e cardíacas (cardiopatias) que reduzem a capacidade funcional desses órgãos;
  • Diabetes mellitus;
  • Doenças autoimunes, como o lúpus eritematoso sistêmico;
  • Infecções sexualmente transmissíveis, entre outras;
  • Doenças hematológicas;
  • Epilepsia;
  • Neoplasias malignas;
  • Exposição indevida, acidental, ambiental ou ocupacional a fatores teratogênicos, isto é, com capacidade de prejudicar a formação do bebê.

Histórico gestacional

Eventos que ocorreram em gestações prévias também podem ser um sinal de alerta para um cuidado mais próximo com a gestante. Alguns exemplos são a história de:

  • Abortamento de repetição;
  • Morte perinatal explicada e inexplicada;
  • Malformações congênitas;
  • Parto prematuro;
  • Depressão pós-parto;
  • Pré-eclâmpsia ou eclâmpsia;
  • Diabetes gestacional;
  • Cirurgia uterina anterior, incluindo duas ou mais cesáreas;
  • Síndrome hemorrágica ou hipertensiva;
  • Ausência de gestações anteriores (nuliparidade) ou de muitas gestações prévias (grande multiparidade);
  • Intervalo entre gestações menor que dois anos ou maior que cinco anos;
  • Esterilidade ou infertilidade.

Condições médicas que surgem durante a gestação

Mulheres previamente saudáveis podem apresentar algumas complicações ligados ao contexto gestacional. Como vimos, as gestações provocam mudanças significativas no corpo, o que pode levar a um maior risco de comprometimento da saúde.

Algumas doenças gestacionais que podem levar ao pré-natal de alto risco são:

  • Pré-eclâmpsia, cuja manifestação mais frequente é o aumento da pressão arterial associado à presença de proteína na urina. Contudo pode ser diagnosticada a partir de outros critérios;
  • Eclâmpsia, que á a ocorrência de convulsões ou coma em pacientes diagnosticadas previamente com algum quadro hipertensivo (inclusive a pré-eclâmpsia);
  • Diabetes gestacional, que é o aumento dos níveis de glicose (um tipo de açúcar no sangue) durante a gravidez.

Outros problemas relacionados à gravidez são:

  • Ganho inadequado de peso da gestante;
  • Trabalho de parto prematuro, que inicia antes da 37ª semana de gravidez;
  • Gravidez múltipla (mais de 1 bebê);
  • Doenças infeciosas durante a gestação atual, como infecções urinárias, doenças do trato respiratório, rubéola e toxoplasmose;
  • Desvio do crescimento uterino (como fetos pequenos ou grandes para a idade gestacional), número de fetos (gestação múltipla) e volume de líquido amniótico (oligodrâmnio ou polidrâmnio);
  • Rompimento prematuro da bolsa;
  • Hemorragias gestacionais;
  • Insuficiência istmocervical;
  • Aloimunização;
  • Óbito fetal.

Portanto, a classificação de uma gestação de alto risco não é uma “profecia” de que a evolução acontecerá de forma negativa. Pelo contrário, em muitos casos, ela significa que alguns cuidados médicos poderão reduzir as chances de uma complicação mais grave e proporcionar um nascimento saudável para a mãe e o bebê.

Quer saber mais sobre esse tema? Confira este artigo!

Amamentação e nutrição materna: qual a relação?

Os principais órgãos de saúde de todo o mundo recomendam a amamentação até 2 ou 3 anos de idade. Quando possível, é muito importante que o leite seja o único alimento consumido pelo bebê nos seus 6 primeiros meses de vida (aleitamento materno exclusivo). A partir dos seis meses até 1 ano, a introdução de novos alimentos pode ser feita progressivamente, de acordo com orientação médica.

Isso traz muitos benefícios para o bebê, reforçando o seu sistema imunológico e um desenvolvimento saudável. Mas qual a relação da alimentação da mãe com a amamentação?

Existe uma relação direta entre esses dois pontos. Afinal, o leite materno é formado a partir dos nutrientes disponíveis no organismo da mulher. Portanto, se a nutrição dela não é adequada, a qualidade do leite fica comprometida. Quer entender melhor? Acompanhe!

Qual a relação da alimentação da mãe com a constituição do leite?

O leite materno é constituído principalmente das seguintes substâncias, que são obtidas a partir da dieta da mãe:

  • Água — é o principal componente do leite, dissolvendo todos os nutrientes essenciais para o bebê. Portanto, se a mulher está desidratada ou não ingere a quantidade de água adequada, haverá uma maior dificuldade para a produção de leite;
  • Proteínas — são os “tijolos” que foram o nosso organismo, auxiliando a estruturar os órgãos e tecidos, além de terem outras funções em todos os sistemas corporais, como o imunológico, e neurológico. Se não há a ingestão de quantidade suficiente de proteínas, o leite não terá a concentração necessária para o crescimento e o desenvolvimento do bebê;
  • Gorduras — existem vários tipos de gorduras, todas elas são essenciais para o crescimento saudável do bebê. Contudo um deles se destaca nas fases iniciais do desenvolvimento, o ômega 3, que está presente em peixes, óleos vegetais saudáveis e outros alimentos. Ele é fundamental para a formação do sistema nervoso;
  • Açúcares — são as moléculas utilizadas como energia pelo nosso corpo. O leite é rico em um tipo de carboidrato chamado de lactose, formado pelas glândulas mamárias a partir de outros açúcares presentes no sangue da mãe;
  • Micronutrientes (sais minerais e vitaminas) — são substâncias com diversas ações no nosso organismo. No leite, o cálcio é especialmente importante, pois será utilizado pelo organismo do bebê para formar os ossos. Como nos primeiros meses e anos de vida, o crescimento é acelerado e o corpo deles precisa de quantidades elevadas de cálcio.

Quais são as recomendações nutricionais para a mulher que está amamentando?

A produção de leite aumenta a necessidade de consumo de nutrientes pelo corpo da mulher. Para as mães com bom estado nutricional, existe a recomendação de que ela consuma 330 a 400 quilocalorias (kcal) em relação às necessidades fora do período de amamentação. Esse cálculo deve feito de forma individualizada, sob auxílio de um médico ou nutricionistas.

Afinal, as necessidades nutricionais variam de acordo com:

  • Sexo;
  • Idade;
  • Altura;
  • Peso atual;
  • Níveis de atividade física;
  • Estado nutricional prévio;
  • Eventos que ocorreram na gestação.

Portanto, uma lactante que pratica atividades físicas precisará consumir uma quantidade maior de energia do que uma sedentária. Da mesma forma, uma paciente com algum tipo de desnutrição ou que perdeu muito sangue durante o parto pode precisar suplementar a ingesta de algum nutriente.

Outras recomendações mais específicas são:

  • Se a mulher for vegetariana ou vegana, a quantidade de alguns micronutrientes (ácido fólico e ferro) pode não ser suficiente. Então, nesses casos, pode ser indicada a suplementação com polivitamínicos;
  • Mulheres com problemas nutricionais e algumas doenças podem também necessitar de suplementação, que deve sempre ser prescrita por um médico;
  • A mulher deve enriquecer a dieta com alguns alimentos que contêm maiores níveis de nutrientes essenciais para os primeiros anos de desenvolvimento do bebê, mais laticínios, ovos, proteínas animais (especialmente animais marinhos de boa origem), leguminosas, entre outros.

Restrições alimentares

As mães devem estar atentas aos alimentos com cafeína, como:

  • Café;
  • Alguns tipos de chá e refrigerantes;
  • Bebidas energéticas;
  • Chocolate.

Quando consumida em quantidade moderada, esses alimentos não provocam nenhum problema no bebê. O excesso de cafeína, porém, está relacionado com maior irritabilidade, dificuldade para dormir, confusão mental e nervosismo no bebê.

Qual a importância da amamentação para o bebê?

Na primeira semana de amamentação, o leite materno apresenta algumas características diferentes. Ele é mais amarelado, espesso e é liberado em menor quantidade. Isso se deve a uma maior concentração de gorduras e minerais que são importantes para o sistema imunológico do bebê, bem como anticorpos maternos. Além de prover todos os nutrientes necessários, o colostro dá um reforço intenso à imunidade do lactente.

Depois disso, o leite materno ganha as características habituais, como a cor branca e uma espessura mais fina. Mesmo assim, ele continua a fornecer anticorpos e outros elementos para o reforço imunológico e atende a todas as necessidades nutricionais dos bebês de até 6 a 12 meses de vida. Além disso, traz outros benefícios, como:

  • Redução do risco de doenças respiratórias, alergias, diabetes e alguns tipos de câncer;
  • Durante o contato corpo a corpo na amamentação, o organismo do bebê libera substâncias que dão uma maior sensação de segurança para ele. Na mulher, há também o estímulo neuroendócrino que fortalece o vínculo com a cria;
  • Alguns estudos apontam que a amamentação também está associada a coeficientes de inteligência (QI) mais elevados e um neurodesenvolvimento mais saudável.

Qual tempo de amamentação ideal?

Amamentação materna exclusiva por 6 meses de vida (180 dias). Entre 6 meses e 2 anos de vida ou mais, a amamentação pode ser complementada com outros alimentos. A introdução precoce de alimentos complementares está associada a prejuízos para a saúde do bebê, como:

  • Episódios de diarreia mais frequentes;
  • Maior risco de hospitalização por doenças respiratórias;
  • Risco de desnutrição elevado;
  • Menor duração do aleitamento materno como um todo.

No aleitamento materno exclusivo, é necessário que o bebê receba suplementos com ferro a partir do 4º mês. A dose do suplemento será reduzida à medida que sejam inseridos alimentos ricos nesse sal mineral em sua dieta, o que geralmente ocorre a partir de um ano de idade.

Muitas pessoas pensam que o aleitamento materno deixa de ser importante após o bebê completar 6 meses ou 12 meses de vida. Mas isso é um erro! Diversos estudos mostram que as crianças que não eram amamentadas até o final do segundo ano de vida tinham 2 vezes mais chances de morrer por uma doença infecciosa.

Em outras palavras, as crianças amentadas por mais tempo são mais protegidas contra infecções graves. Inclusive, alguns estudos vêm mostrando que os anticorpos de mulheres vacinadas contra a Covid-19 podem ser transmitidos no leite materno, podendo proteger os bebês contra essa doença.

Sempre que a mulher puder oferecer a amamentação, é importante que ela considere mantê-la pelos períodos indicados acima. As fórmulas podem ser indicadas quando a mulher tiver alguma contraindicação ou impossibilidade de amamentar. Afinal, apesar de conterem todos os nutrientes necessários para a formação do corpo do bebê, as fórmulas não apresentam outras substâncias que trazem benefícios para ele, como os anticorpos que ajudam na proteção contra infecções.

Quer saber mais sobre outros benefícios da amamentação para a mãe e o bebê? Confira nosso artigo sobre o tema!

Fisioterapia pélvica: o que é e quando pode ser feita?

Atualmente, existem muitos recursos para ajudar as mulheres a passarem pela gravidez com o maior bem-estar possível. É natural que muitas mudanças ocorram e sintomas surjam, porém é possível minimizá-los com medidas preventivas e terapêuticas, como a fisioterapia pélvica.

Ela consiste em melhorar o condicionamento das estruturas do assoalho pélvica, que se torna mais alongado e fraco devido às alterações gestacionais normais. Quer saber mais sobre o tema? Acompanhe o nosso post!

O que é fisioterapia pélvica?

A fisioterapia pélvica é um tratamento altamente individualizado para cada mulher, abordando suas características e suas queixas em um plano terapêutico personalizado.

O programa terapêutico tem o objetivo de fortalecer a musculatura pélvica e o tecido conjuntivo do local, podendo incluir:

  • Treinamento muscular — exercícios rítmicos e repetitivos com a finalidade de fortalecer as fibras musculares e os ligamentos pélvicos;
  • Biofeedback — equipamentos que mede as respostas fisiológicas do corpo e oferecem feedbacks para treinar a paciente a controlar suas funções orgânicas melhor;
  • Estimulação elétrica — são correntes elétricas de baixa intensidade para estimular o fortalecimento muscular.

Tradicionalmente, esse tratamento era indicado para mulheres com queixas de incontinência urinária ou fecal persistente, dor miofascial, entre outras.

No entanto, nos últimos anos, percebeu-se que as técnicas podem ser utilizadas durante a gestação e no pós-parto, atuando tanto no tratamento quanto na prevenção de sintomas. Múltiplos estudos mostraram a eficácia dessa abordagem, que é recomendada nos melhores protocolos clínicos.

Fisioterapia pélvica na gestação

O corpo da mulher passa por diversas alterações hormonais e anatômicas durante as gestações. Algumas delas, associadas ao peso exercido pelo útero sobre o assoalho pélvico, enfraquecem os músculos da região. Com isso, podem surgir complicações que permanecem, até mesmo, no pós-parto.

Para prevenir ou tratar as queixas, a fisioterapia pélvica está indicada e pode ser realizada com segurança durante a gravidez. Os exercícios são escolhidos de acordo com a idade gestacional geralmente iniciados durante o segundo trimestre.

Esse momento é ideal, pois há uma redução do risco de perdas gestacionais, além de uma melhora na disposição da gestante, — com menos enjoos e sonolência.

Os principais objetivos da fisioterapia pélvica são:

  • a preparação do assoalho pélvico para o parto, o que reduz o risco de complicações pélvicas, como a incontinência urinária, dor crônica e até lacerações;
  • prevenir e minimizar os problemas da gestação, como a perda miccional involuntária, a urgência urinária, a dor lombar e o aumento da pressão pélvica.

Quanto antes a fisioterapia é iniciada, melhores são as chances de um resultado satisfatório. Afinal, é possível obter um melhor condicionamento da musculatura e prepará-la para o crescimento do peso que o útero exerce na pelve à medida que o bebê se desenvolve.

Nas semanas próximas ao parto, o foco dos exercícios será o alongamento dos músculos da pelve e do quadril, um fenômeno natural e frequente no pós-parto. Para isso, utiliza-se a massagem perineal.

 Benefícios da fisioterapia na gestação

  • Facilitação do parto — tornar a pelve mais adaptável ao tamanho da cabeça do bebê a fim de facilitar o encaixe e a evolução pelo canal de parto;
  • Redução do risco de realização de uma episiotomia e de outros procedimentos invasivos de assistência ao parto — tendo em vista o benefício anterior, pode-se evitar a necessidade de uma episiotomia, corte na região do períneo para facilitar a passagem do bebê. Esse procedimento invasivo torna a recuperação pós-parto mais complexa e longa;
  • Redução das dores do parto — por melhorar a funcionalidade da musculatura pélvica, a fisioterapia pode ajudar a reduzir as dores do trabalho de parto e da passagem do bebê pelo canal vaginal;
  • Ajudar a melhorar a postura e a circulação, o que reduz o edema na região;
  • Melhorar o condicionamento respiratório e treina a respiração da gestante para o parto;
  • Treinar a mulher para o direcionamento correto da força que ela precisa realizar durante o parto.

Com isso, é possível reduzir o risco de desenvolvimento de disfunções mais expressivas no pós-parto, como:

  • Incontinência urinária;
  • Dor nas relações sexuais, a dispareunia;
  • Vaginismo, isto é, espasmos na região da vagina;
  • Incontinência fecal;
  • Constipação;
  • Diástase abdominal (afastamento dos músculos abdominais);
  • Micção noturna (noctúria);
  • Inflamação da bexiga (cistite);
  • Dor pélvica crônica.

Fisioterapia pélvica pós-parto

O puerpério é o período que abrange as primeiras semanas (ou meses, de acordo com algumas sociedades médicas) após o parto. Ele pode ser acompanhado de diversas queixas, independentemente do tipo de parto que foi realizado. A dor e o inchaço local são as mais frequentes, podendo ser adequadamente minimizadas com a fisioterapia pós-parto

Como vimos, a fisioterapia é uma forma de prevenção e tratamento de muitos sintomas relacionados com a gestação. Assim, o trabalho de redução de risco de complicações pós-parto pode começar durante a gravidez. Ele também poderá ser iniciado ou continuado no após o nascimento do bebê.

Os objetivos e benefícios serão muito semelhantes àqueles que falamos acima. Em todo o caso, o melhor momento para iniciar a fisioterapia é indicado pelo seu obstetra, o qual conhece as suas características e as de sua gestação.

A fisioterapia pós-parto está indicada especialmente para as mulheres que passaram pela episiotomia, uma incisão feita na região do períneo para ampliar o canal de parto. Esse grupo tem maiores dificuldades de recuperação pós-parto. O tratamento também está indicado para quem teve outras abordagens invasivas para o parto.

Outro grupo com maior vulnerabilidade a disfunções pélvicas são as pacientes com múltiplas gestações. Afinal, elas passaram repetidamente por um maior estresse das estruturas do assoalho pélvico e do períneo, como um todo.

As técnicas têm o objetivo de:

  • Fortalecer os músculos da pelve, do quadril e da coluna lombar que foram alongados durante a gestação. Assim, pode-se reduzir sintomas de dor e desconforto postural;
  • Fortalecer e promover o controle voluntário da musculatura do períneo para evitar alterações urinárias e fecais.

Até pouco tempo, a maioria das mulheres com esses tipos de queixa eram encaminhadas para a perineoplastia. Contudo, como todo procedimento invasivo, ela apresenta riscos mais elevados de complicações.

Então, ele deve ser feito dentro das indicações em que os estudos mostraram benefícios maiores do que os riscos. Nos demais casos, a fisioterapia pélvica apresenta ótimos resultados, além de ser um tratamento coadjuvante importante para situações mais complexas.

Quer saber mais sobre a fisioterapia pélvica no pós-parto? Confira nosso artigo completo sobre o tema!

Anticoncepcional: quais são os métodos contraceptivos e qual sua eficácia?

Os métodos contraceptivos, conhecidos popularmente como anticoncepcionais, são um importante auxílio para o planejamento familiar das mulheres. No entanto, muitas delas não conhecem as diversas opções disponíveis. Elas vão desde as populares pílulas hormonais até a implantação de dispositivos e a laqueadura.

A escolha por um desses métodos deve ser feita tendo em vista as características de cada mulher e o que elas almejam como método, mediante anamnese e exame clínico em consulta médica. Então, serão avaliados os riscos e os benefícios individualizados das alternativas para uma tomada de decisão compartilhada. Quer entender melhor? Acompanhe!

Anticoncepcional: quais métodos disponíveis?

Métodos hormonais

Os métodos hormonais podem ser administrados de diferentes formas:

  • Orais;
  • Injetáveis;
  • Implantes subcutâneos;
  • Percutâneos;

As pílulas anticoncepcionais são o método contraceptivo mais utilizado pelas mulheres. Por isso, é muito importante saber como elas funcionam.

Eles agem ao:

  • Inibir a ovulação;
  • Tornar o muco do colo uterino mais espesso;
  • Reduzir a receptividade do endométrio a um eventual embrião formado;
  • Modificar a funcionalidade das células que revestem as tubas uterinas, dificultando o transporte de gametas e embriões.

Eles podem ser classificados em:

  • Isolados — utiliza-se apenas um tipo de hormônio como princípio ativo. Por estar menos relacionados a efeitos colaterais mais graves, os análogos da progesterona são os mais utilizados. Elas são uma excelente opção para as mulheres que não podem utilizar medicamentos com estrogênio em sua composição;
  • Combinados — são usados mais de um tipo de hormônio para a composição da pílula. Geralmente, são compostas por um progestágeno e de um estrogênio, cuja dosagem pode variar.

As pílulas combinadas de baixa dosagem de estrogênio geralmente são as mais indicadas como primeira opção para a contracepção hormonal oral. No entanto, a escolha é sempre individualizada de acordo com o perfil de cada mulher, tendo em vista os riscos de saúde, os objetivos dela, doenças pré-existentes, entre outros fatores.

As pílulas hormonais podem vir em cartelas:

  • Com intervalo — a paciente toma as pílulas por 21 ou 22 (só existe uma marca com formulação de 22 e pausa de 6 dias), então faz uma pausa de aproximadamente 7 dias até começar o uso de outra cartela;
  • Sem intervalo — cada cartela vem com 28 comprimidos e não há pausa entre elas. Ou seja, assim que uma acaba, a mulher deve iniciar a próxima. Podem ser todos os comprimidos hormonais, portanto nesses casos a mulher não menstruará, ou com comprimidos inativos, apenas para paciente não se perder em pausas e nesse tipo de cartela, ainda que uso sem pausa, a mulher vai menstruar.

Dispositivos intrauterinos

Hormonais — utilizam baixas doses de progestágenos, que são liberados progressivamente enquanto o dispositivo está na cavidade uterina. Tem a mesma ação dos medicamentos hormonais progestágenos.

Não hormonais — São feitos com componentes metálicos (principalmente o cobre), que causam uma inflamação no ambiente intrauterino. Com isso, há alterações no muco cervical e no endométrio, o que dificulta os processos de transporte dos gametas e a fertilização.

O prazo de validade do DIU varia de acordo com o fabricante, podendo ser de 2 a 10 anos. Durante esse tempo, ele será efetivo para a contracepção, devendo ser trocado antes que “vença”. Não é necessário ter um período de descanso entre os DIUs.

Métodos de barreira

Os métodos de barreira são aqueles que impedem a contracepção ao criar uma barreira física para a passagem dos espermatozoides durante as relações sexuais. Dentre eles, destacam-se as camisinhas feminina e masculina — chamadas tecnicamente de condom. Elas apresentam várias vantagens, como:

  • São o único capaz de prevenir o HIV, as infecções sexualmente transmissíveis mais graves e evitar a gravidez simultaneamente;
  • Não exigem um acompanhamento médico especializado para uso;
  • Estão disponíveis em farmácias e são distribuídas gratuitamente em diversos locais sem que a pessoa precise passar por um atendente.

Outros métodos de barreira são:

  • Diafragma — são uma espécie de capuz flexível feito de látex ou silicone. São inseridos dentro da vagina para recobrir o colo uterino, desse modo impedem que os espermatozoides avancem para a cavidade uterina. A própria mulher o colocará anteriormente às relações sexuais. É muito importante que sejam colocados da forma indicada, pois a eficácia depende do uso correto, rotineiro e consistente (em todas as relações sexuais);
  • Esponja contraceptiva — também é inserida na vagina para cobrir o colo do útero, impedindo a entrada de espermatozoides.

Métodos comportamentais

A tabelinha é utilizada por muitas mulheres para evitar uma gravidez, mas não se trata de um método contraceptivo propriamente dito. Afinal, sua eficácia é baixa e não é tão confiável para esse objetivo.

Métodos cirúrgicos

A laqueadura, — “ligadura das trompas” —, é um método contraceptivo potencialmente irreversível. Por isso, é considerada uma técnica de esterilização.

Anticoncepção de emergência

Trata-se da administração de anticoncepcionais orais em doses mais altas após uma relação sexual desprotegida. Ela pode ser utilizada quando a mulher não está em uso de nenhum outro método contraceptivo eficaz.

Eficácia dos anticoncepcionais

 Taxa de falha com uso regular e corretoTaxa de falha com uso regular
Implantes0,050,05
Vasectomia0,10,15
Esterilização feminina0,50,5
DIU com cobre0,60,8
DIU com levonorgestrel0,20,2
Injetáveis mensais0,053
Injetáveis só de progestogênio0,33
Anticoncepcionais orais combinados0,38
Pílulas orais só de progestogênio0,38
Adesivo combinado0,38
Anel vaginal combinado0,38
Preservativos masculinos215
Diafragmas com espermicida616
Preservativos femininos521
Espermicidas1829
Nenhum método8585

 

A escolha do método anticoncepcional é feita de forma individualizada, tendo em vista os desejos da paciente e os riscos/benefícios de cada caso. O seu médico vai ajudá-la a entender como cada um funciona e oferecer todo o suporte para a sua decisão.

Quer saber mais sobre os contraceptivos e seu uso? Confira nosso artigo sobre o tema!

Depressão pós-parto: o que é e por que acontece?

A depressão pós-parto é caracterizada pela presença de sintomas depressivos que surgem ou se intensificam no primeiro ano após o parto. O diagnóstico da depressão pós-parto é clínico, isto é, feito com base nos sintomas da paciente. Ou seja, não é necessário nenhum exame complementar, como dosagens hormonais, para confirmar esta condição.

Ela acontece devido às diversas mudanças no organismo da mulher no pós-parto, pelos desafios da maternidade, por problemas pessoais/sociais, entre vários outros motivos. Quer saber mais sobre o tema? Acompanhe!

O que é depressão pós-parto?

Brevemente, a depressão pós-parto pode ser definida como a persistência de sintomas depressivos após 45 dias após o nascimento do bebê.

O diagnóstico da depressão pós-parto

Os critérios usados para o diagnóstico são os mesmos da depressão em geral, sendo necessário que, ao menos, 5 deles estejam presentes:

  • Humor deprimido na maior parte do dia (emoções como tristeza, vazio emocional, desesperança e culpa);
  • Interesse diminuído ou abolido em atividades que davam prazer;
  • Perda de peso sem dieta e acima daquela esperada no estágio puerperal;
  • Insônia ou excesso de sono quase todos os dias. Esse sintoma deve ser avaliado com cuidado, pois mães podem ser acordadas frequentemente durante a noite e tem cansaço;
  • Agitação ou retardo psicomotor;
  • Fadiga ou perda de energia durante grande parte do dia;
  • Sensação de inutilidade, preocupação ou culta excessiva;
  • Dificuldade de concentrar;
  • Pensamentos recorrentes de morte, que vão além do medo de morrer.

Algumas pesquisas científicas mostram que o início dos sintomas da depressão pós-parto ocorre:

  • Em 20% das mulheres — antes da gestação;
  • 38% — durante a gestação;
  • 42% — após o parto.

Mulheres com um quadro depressivo anterior podem ser diagnosticadas com a depressão pós-parto quando há uma persistência dele no pós-parto. Afinal, a presença desses sintomas pode desencadear dificuldade no cuidado próprio e do bebê, o que demanda um acompanhamento médico com um olhar nesse desafio.

Em relação à depressão que se inicia após o parto, ela ocorre principalmente nos primeiros meses após o nascimento do bebê:

  • 54% no primeiro mês;
  • 40% em 2 a 4 meses;
  • 6% em 5 a 12 meses.

Depressão pós-parto e baby blues

Nem todo humor rebaixado no pós-parto significa depressão pós-parto. Há alterações que são relativamente normais. Os estudos mostram que diversas mudanças hormonais ocorrem no corpo da mulher no pós-parto. Isso tem um impacto nos neurotransmissores responsáveis pela sensação de alegria, bem-estar, medo, entre outras emoções.

Até 90% das mulheres relatam algum dos seguintes sintomas nesse período:

  • Choro inexplicável;
  • Irritabilidade;
  • Tristeza;
  • Inquietação;
  • Dificuldades para dormir.

Somado a isso, ela ainda enfrenta a adaptação aos desafios explicados anteriormente. Portanto, o puerpério é naturalmente um momento em que a mulher pode se sentir frágil e insegura.

Depressão pós-parto e baby blues

No entanto, na maior parte dos casos, esses sintomas não são patológicos. É o chamado baby blues, que é uma resposta às mudanças físicas pós-parto e aos desafios dos cuidados com o bebê. Os sintomas são mais leves e a mulher nota uma melhora gradual durante o puerpério. O baby blues dura, no máximo, 30 a 45 dias.

Contudo estima-se que, pelo menos, 9% das mulheres evoluam para um quadro de depressão pós-parto. Para identificá-la no dia a dia, ela ou pessoas próximas podem notar as seguintes alterações:

  • Humor deprimido ou alterações graves;
  • Choro excessivo;
  • Dificuldades em cuidar e se relacionar com o bebê;
  • Afastamento do parceiro, de amigos e familiares;
  • Alterações nos hábitos alimentares;
  • Dificuldades para dormir;
  • Fadiga e perda de energia;
  • Perda de interesse em atividades antes prazerosas;
  • Irritabilidade e raiva intensas;
  • Insegurança diante da maternidade;
  • Falta de esperança;
  • Sentimentos como inutilidade, vergonha, culpa ou inadequação;
  • Dificuldades de concentração;
  • Dificuldades em tomar decisões;
  • Falta de clareza;
  • Inquietação;
  • Ansiedade mais severa e ataques de pânico;
  • Pensamentos autodestrutivos ou de prejudicar o bebê;
  • Pensamentos recorrentes de morte ou suicídio.

Por que a depressão pós-parto pode acontecer?

A depressão pós-parto surge devido a múltiplos fatores tanto orgânicos quanto emocionais. Ainda não há uma explicação definitiva sobre os mecanismos que levam a depressão pós-parto. Veja alguns fatores orgânicos relacionados à condição:

  • Genética — pode haver uma relação de alguns genes com a predisposição ao desenvolvimento da depressão pós-parto;
  • Mudanças hormonais — os níveis sanguíneos de diversos hormônios se modificam no pós-parto. Por exemplo, há uma redução da progesterona e do estrogênio. Também ocorre flutuações nos níveis de cortisol (hormônio do estresse), melatonina (hormônio do sono), ocitocina (hormônio do bem-estar) e da tireoide (hormônios que regulam o metabolismo). Isso deixa as mulheres mais vulneráveis a estados depressivos;
  • Alterações nos neurotransmissores — a dopamina, a norepinefrina e a serotonina são substâncias relacionados à motivação, ao prazer e à alegria. Seus níveis são reduzidos durante o estado depressivo.

Fatores de risco para a depressão pós-parto

  • Histórico de depressão, durante a gravidez ou em outros momentos;
  • Mulheres portadoras de transtorno bipolar;
  • Mulheres que tiveram depressão pós-parto em uma gravidez anterior;
  • Mulheres com histórico pessoal ou familiar de depressão ou de outros transtornos de humor;
  • Eventos estressantes durante a gravidez;
  • Se o bebê tem problemas de saúde ou outras necessidades especiais;
  • Gravidez de múltiplos;
  • Dificuldades para amamentar;
  • Problemas de relacionamento com o parceiro;
  • Falta de apoio;
  • Quando a gravidez não é planejada ou desejada;
  • Problemas financeiros.

O que fazer se perceber sintomas da depressão pós-parto?

É muito importante que a mulher passe pelas consultas de puerpério rotineiras, que são marcadas para as primeiras semanas de pós-parto. Nelas, são feitas algumas perguntas que ajudam a rastrear aquelas com maior vulnerabilidade ao desenvolvimento da depressão pós-parto. Assim, um acompanhamento e um diagnóstico precoce podem ser realizados.

Caso ela perceba os sintomas e não tenha uma consulta marcada, também pode agendar uma avaliação com médica. Preferencialmente, mas não exclusivamente, ela deve ser feita ginecologista/obstétrica que acompanhou o pré-natal ou o parto.

Alguns sintomas, porém, exigem que ela busque um acompanhamento médico com urgência. Afinal, eles são mais graves, além de poderem colocar a mãe e o bebê em risco. Veja alguns exemplos:

  • Confusão e desorientação psicológica;
  • Pensamentos obsessivos sobre o bebê;
  • Alucinações e delírios;
  • Distúrbios do sono;
  • Agitação;
  • Paranoia;
  • Pensamentos suicidas ou de prejudicar o bebê.

Portanto, a depressão pós-parto é um quadro que merece muita atenção da mulher e do ginecologista/obstetra que acompanha o seu puerpério. Para recuperar seu bem-estar, ela precisa de um acolhimento médico humanizado. Além disso, ela precisa ser tratada para evitar complicações que coloquem em risco a si mesma e seu filho.

Quer saber mais sobre a depressão pós-parto e como é feito o acolhimento da puerpera no consultório médico? Confira este post sobre o tema!

O que é doula?

A gravidez, o pré-natal, o parto e o pós-parto são momentos bastante peculiares na vida da mulher. Afinal, muitas mudanças físicas e emocionais ocorrem em pouco tempo. Felizmente, há muitos profissionais para dar o suporte à grávida durante todo esse processo de uma forma mais próxima e afetuosa, — as doulas.

As doulas não substituem a assistência médica de um obstetra e de uma equipe de saúde. Tampouco, estão habilitadas para realizar partos. Contudo prestam um outro tipo de suporte, — mais próximo —, voltado para os desafios da experiência da gestação, do parto e do puerpério.

Quer saber mais sobre o tema? Acompanhe o nosso post!

O que é doula?

As doulas são profissionais treinadas para assistir a mulher durante o parto. Sua principal função é garantir uma experiência mais satisfatória, pessoal, saudável e prazerosa no momento do parto.

É muito importante desmistificar algumas inverdades que são ditas em relação às doulas. Há indivíduos que, sem a informação adequada, qualificam as doulas como pessoas despreparadas para estar presentes durante um procedimento médico, como o parto.

Contudo o cenário é o oposto. A grande maioria das doulas são extremamente qualificadas para a função, recebendo capacitação teórico e extenso treinamento prática. Apesar de serem profissionais não médicas, elas são certificadas para o exercício profissional e dominam os princípios da assistência ao parto humanizado.

Na verdade, dentro dos princípios da humanização, o parto não é mais visto apenas como um procedimento médico objetivo e frio. As dimensões afetivas do nascimento vêm sendo recuperadas diante dos malefícios trazidos pelo excesso de medicalização que ocorreu nas últimas décadas.

Nesse sentido, a demanda das gestantes pelas doulas é crescente pelos resultados positivos que elas tiveram ou ouviram falar por suas colegas. Inclusive, há evidências científicas sobre os benefícios da assistência das doulas para toda a família com desfechos positivos na saúde física e emocional.

As doulas e a dos sentidos do nascer

A medicina trouxe muitos avanços para a assistência ao parto, à gestante e ao bebê. Esses benefícios são inequívocos, mas se tornaram excessivos. Com isso, surgiu um excesso de intervenção dos médicos em partos não complicados e a perda do significado subjetivo do nascimento para a mulher e sua família.

Os partos são também momentos de troca de afeto. Antes, durante e depois dele, é importante que se forme um círculo de apoio à gestante, do qual podem participar o parceiro, os amigos, os familiares e até vizinhos dela. Isso é essencial para a gestante.

As doulas são capacitadas para que possam oferecer esse suporte afetivo e emocional em todas as fases da gestação. Entretanto, além disso, apresentam conhecimento técnico para dar suporte a diversos fatores físicos e emocionais presentes antes, durante e depois do parto.

As doulas e o parto humanizado

As doulas têm um papel muito importante para garantir um parto dentro dos princípios da humanização:

  • Protagonismo da mulher — as doulas são treinadas em ações para promover o empoderamento e a participação da mulher em todas as fases do parto. Por exemplo, elas podem mediar a comunicação com a equipe de saúde em momentos de maior vulnerabilidade;
  • Individualização biopsicossocial — elas podem acompanhar as fases finais da gestação e da preparação para o parto, participando na confecção de um plano de parto se a mulher desejar. Elas são capacitadas a compreender as informações técnicas contidas ali e podem ajudar a gestante a fazer valer os seus desejos dentro da individualidade de cada parto;
  • Medicina baseada em evidências — em sua formação, as doulas recebem capacitação teórica sobre as medidas de assistência física e psicológica à gestante durante e após o parto.

Benefícios das doulas

Algumas pesquisas mostram que as doulas aumentam as chances de a gestante ter uma experiência positiva durante o parto. Entre os fatores relacionados a esses resultados, estão relatos de que elas:

  • Nutrem um cuidado gentil e respeitoso pela gestante;
  • Promovem um maior protagonismo para a parturiente;
  • Trazem uma maior sensação nas gestantes de estarem sendo adequadamente informadas;
  • Contribuem para uma maior participação da gestante nas decisões da equipe de saúde.

Em comparação a outras medidas de promoção da satisfação com o parto, esses fatores têm efeito positivo semelhante à analgesia, por exemplo.

As funções da doula

Veja algumas funções que as doulas podem assumir antes, durante e depois do nascimento.

Antes do nascimento

As doulas podem participar da gestação desde as primeiras semanas. Entretanto é mais comum que a acompanhem a partir do sétimo mês de gestação, quando a preparação para o parto se torna mais intensa.

  • Auxiliar no desenvolvimento do plano de parto;
  • Ajudar a gestante a compreender e a seguir as orientações determinadas pelo obstetra;
  • Promover uma maior participação do parceiro, quando for o caso;
  • Dar suporte emocional nessa fase que pode deixar a mulher emocionalmente vulnerável.

Durante o nascimento

  • Suporte físico com técnicas de respiração e relaxamento, auxílio com as manobras para facilitar o trabalho de parto, entre outras medidas;
  • Suporte emocional com técnicas que aliviam alterações no humor e a ansiedade desencadeadas pelos mecanismos hormonais do parto;
  • Suporte ao parceiro e à família ao facilitar a comunicação deles com a gestante;
  • Suporte administrativo ao ajudar a gestante a organizar documentos e exames, por exemplo.

Pós-parto

  • Escuta ativa durante o pós-parto e o puerpério;
  • Educação da puérpera sobre as mudanças emocionais e físicas pós-parto, além de ensinar técnicas para que elas manejem melhor esses desafios;
  • Suporte na amamentação, treinando as mulheres em técnicas de lactação baseadas em evidências científicas;
  • Ajuda para organizar o enxoval e o espaço do bebê;
  • Auxílio em estabelecer uma rotina familiar e para o sono no bebê, entre outras ações.

Portanto, as doulas são profissionais capacitadas para prestar um suporte não médico para a gestante. Elas não podem prescrever medicações nem conduzir os partos. No entanto, podem transmitir experiências, facilitar a comunicação da gestante, ensiná-la sobre medidas naturais benéficas para ela e o bebê, além de dar o amparo emocional em momentos de vulnerabilidade.

Quer saber mais sobre as doulas e seu papel nos partos? Confira este nosso artigo institucional sobre o tema!

Puerpério: o que é e quais os desafios?

O termo puerpério se refere ao período em que os efeitos anatômicos e fisiológicos da gestação e do parto ainda tem um impacto significativo sobre a saúde/bem-estar da mulher. Associado a ele, surgem também às respostas emocionais em relação aos cuidados com o filho e a adaptação a essa nova fase da vida.

Quer saber mais sobre ele? Acompanhe o nosso post!

O que é o puerpério?

Considera-se que ele começa logo após o parto. Apesar de haver um consenso sobre o início do puerpério, ainda há discussões sobre quando ele termina. Afinal, quando o organismo e a mente da mulher ainda passam por um processo de adaptação pós-parto mais significativo? Até quando ela precisa de cuidados com um olhar mais atento às eventuais complicações da gestação e do parto?

Tradicionalmente, o puerpério é definido como o período de 6 semanas seguintes ao parto. Quando a adaptação da mulher ao pós-parto é mais intensa. Nesse intervalo, podemos perceber que ela passa por grandes desafios, o que demanda uma assistência médica especializada. Por esse motivo, esse é o corte mais frequente nas definições nacionais e internacionais, como a Cartilha do Parto e do Puerpério do Min. Da Saúde.

A Organização Mundial de Saúde, por exemplo, tem recomendado que a mulher realize três consultas com o médico que acompanhou o pré-natal para a avaliação do puerpério:

  • Primeira — no terceiro dia pós-parto;
  • Segunda — em um a duas semanas do pós-parto;
  • Terceira — na sexta semana de pós-parto.

Assim, pode-se dar uma assistência à mulher no início das três fases do puerpério:

  • Imediato (1º ao 10º dia);
  • Tardio (11º ao 42º dia);
  • Remoto (a partir do 43º dia).

A partir da sexta semana, porém, não significa que a paciente estará desassistida. Pelo contrário, ela continuará sendo acompanhada pelo ginecologista/obstetra nas consultas periódicas comuns habituais na vida da mulher.

Entretanto algumas sociedades médicas, como o Colégio Americano de Ginecologistas e Obstetras, têm recomendado a extensão do puerpério até o terceiro mês do pós-parto. Por isso, metaforicamente, esse período tem sido chamado de “4º semestre de gestação”.

Portanto, A decisão de como será feito esse acompanhamento puerperal pode ser individualizada de acordo com as características de cada pós-parto.

Os desafios do puerpério

As gestações e os partos são fenômenos que causam uma extensa alteração no organismo da mãe, como:

  • redução da resistência vascular;
  • aumento do débito cardíaco;
  • mudanças nos níveis hormonais;
  • distensão da pele abdominal;
  • estímulo às células pigmentares da pele;
  • abertura do canal da pelve.

Isso é necessário para que ela possa abrigar o feto e gerar um nascimento saudável. Além disso, nesse período, o corpo da mulher se adapta para os desafios do cuidado do recém-nascido

O puerpério é o momento em que grande parte dessas mudanças cessam e o organismo da mãe tenta voltar para a homeostasia habitual. No entanto, novas transformações surgirão devido à rotina de cuidar de um filho, de lactação, entre outras razões.

Alterações do pós-parto

Algumas alterações são mais frequentes e não representam um risco significativo para a saúde da mãe, como:

  • Calafrios e tremores;
  • Involução uterina;
  • Lóquios, isto é, a perda de sangue pela vagina;
  • Edema na vulva e na vagina;
  • Disfunções urinárias temporária, como perda involuntária ou pouco antes da vontade da micção;
  • Flacidez abdominal;
  • Fogachos;
  • Anovulação;
  • Crescimento das mamas, que pode ser acompanhado de dores;
  • Perda de peso.

No entanto, parte das puérperas podem enfrentar complicações mais graves, como dor intensa na parte baixa do abdômen, sangramento vaginal com odor forte e febre. Elas são indicativos de infecções, que demanda uma consulta médica urgente.

Relação com a família

Quando um bebê chega ao lar, ele se torna o centro das atenções. Os familiares, os vizinhos e os amigos começam a visitá-la para ver o novo morador. Contudo, o instinto de proteção do bebê ainda pode estar aflorado. Então, ela pode ter um receio de expor o filho a doenças e acidentes devido ao contato com mais pessoas.

Aos poucos, é importante se preparar para abrir mais espaço, pois esse contato com novas pessoas é saudável para o desenvolvimento do bebê.

Também, sentindo-se fragilizada, a puérpera pode demandar uma maior atenção do parceiro e sentimentos de desamparo. Além disso, a chegada de um filho traz uma mudança na relação afetiva e sexual com o parceiro.

Amamentação

Após o parto, umas das mudanças mais pronunciadas é o início da produção de leite pelas glândulas mamárias.

Na primeira semana, por exemplo, as características do leite materno são diferentes: ele é mais amarelado e o volume liberado é menor. Isso assusta algumas mulheres, que acreditam estar com algum problema para o aleitamento. Depois da primeira semana, o leite começa a ser liberado em maior quantidade e adquire a coloração branca que temos em nossa mente.

Algumas mulheres, porém, podem enfrentar dificuldade para a produção de leite. Isso pode desencadear sentimentos de frustração, que precisam ser abordados para prevenir o adoecimento mental.

As consultas puerperais servem também para a mulher compreender o que acontece durante a lactação. Ela será educada sobre a forma de dar de mamar, a prevenção de fissuras mamárias e como identificar dificuldades na amamentação.

Adaptação à rotina do bebê

Esse é um dos principais desafios que as mães relatam nas consultas de puerpério. Os bebês têm um ciclo muito diferente dos adultos: eles dormem por mais tempo e acordam frequentemente durante a noite para se alimentar.

Associado a isso, os estudos mostram que os sentidos da mulher se adaptam para ficarem mais sensíveis às necessidades do bebê. Isso a deixa em estado de prontidão, tornando-se, por exemplo, mais sensível ao choro e ao despertar noturno. Então, é natural que elas sintam uma maior fadiga.

Alterações no humor

Os estudos mostram que diversas mudanças hormonais ocorrem no corpo da mulher no pós-parto. Isso tem um impacto nos neurotransmissores responsáveis pela sensação de alegria, bem-estar, medo, entre outras emoções. Até 90% das mulheres relatam algum dos seguintes sintomas nesse período:

  • choro inexplicável;
  • irritabilidade;
  • tristeza;
  • inquietação;
  • dificuldades para dormir.

Somado a isso, ela ainda enfrenta a adaptação aos desafios explicados anteriormente. Portanto, o puerpério é naturalmente um momento em que a mulher pode se sentir frágil e insegura.

As consultas de puerpério são essenciais para a mulher, tendo o objetivo de acolhê-la em toda a sua integralidade. Além disso, buscamos educá-la e esclarecer suas dúvidas a respeito das mudanças que virão nos próximos dias e meses. Por fim, é essencial tratar e prevenir complicações relacionadas ao pós-parto e à lactação, entre outros pontos.

Quer saber mais sobre o puerpério e os cuidados nessa fase? Confira este post sobre o tema!

Ciclo menstrual: quando consideramos irregular?

Existem muitas dúvidas relacionadas ao ciclo menstrual: quando é irregular ou regular? Quando isso significa uma doença? Como isso afeta a fertilidade? E principalmente o que isso pode indicar?

Considera-se que um ciclo menstrual tem uma duração média de 28 dias, sendo ainda considerado normal quando dura entre 24 e 38 dias. Esse intervalo é medido tendo em vista o primeiro dia de sangramento entre um ciclo e outro.

No entanto, há muita controvérsia científica sobre o valor de delimitar um intervalo preciso. Por isso, o diagnóstico de um ciclo irregular deve ser individualizado paciente a paciente.

Quer saber mais sobre o tema? Acompanhe nosso post!

O que é o ciclo menstrual?

Os ciclos menstruais apresentam uma duração média de 28 dias. Contudo isso é apenas uma estimativa populacional e, portanto, não significa que intervalos maiores ou menores indicam uma alteração na saúde ginecológica.

Parte da literatura médica entende que uma mulher apresenta ciclos normais quando eles duram entre 24 e 38 dias. Conforme a referência teórica, outros valores maiores ou menores podem ser encontrados.

No entanto, números exatos não apresentam tanta importância. Afinal, o que mais importa é a avaliação médica, que observará outros pontos para determinar se é necessária a investigação mais extensa do quadro.

Além disso, é muito importante que a mulher entenda que seus próprios ciclos menstruais poderão variar entre si. Em um mês, podem durar 28 dias. Em outros, 30. Há pacientes que apresentam uma maior tendência há ciclos sempre bem cronometrados enquanto outras observam uma maior variação.

Regulação do ciclo menstrual

Fase folicular — tem início no primeiro dia do ciclo e dura até aproximadamente o décimo terceiro. É influenciada principalmente pela ação do hormônio folículo estimulante. Folículos são cavidades recobertas por camadas de células produtoras de hormônio, dispostas em forma de saco preenchidas por líquidos. Eles contêm os óvulos, as células reprodutivas, que ficam armazenadas nos ovários desde o nascimento.

Sob o estímulo do FSH, os folículos crescem, amadurecem, mas apenas um deles se torna dominante e libera um óvulo nas tubas uterinas (ovulação). Enquanto se desenvolvem nessa fase, eles produzem quantidades cada vez maiores de estrogênio.

Esse hormônio tem ação sobre o endométrio uterino, fazendo com que suas células se multipliquem e o tecido fique mais espesso. Futuramente, caso haja a fertilização, o embrião se implantará nele para se desenvolver.

Fase ovulatória — é a fase chamada de “meio do ciclo”, ocorrendo geralmente no 14º dia do ciclo. Algumas horas antes da ovulação, o corpo secreta quantidades progressivamente maiores do hormônio luteinizante. Ele age no folículo dominante para provocar a sua maturação final e posterior rompimento. Com isso, há a liberação do óvulo, que é depositado nas tubas uterinas. Lá, ele sobrevive por 24 a 36 horas em média.

Fase lútea — após a ovulação, as células remanescentes do folículo dominante vão se transformar em outra estrutura, o corpo lúteo. Ele libera principalmente a progesterona, que, em associação com o estrogênio, vai provocar a maturação e espessamento final do endométrio (fase secretora). Assim, esse tecido se torna pronto para recepcionar um eventual embrião formado pela união do óvulo por um espermatozoide.

Caso a fertilização ocorra, as células do embrião passarão a secretar um hormônio chamado de gonadotrofina coriônica (hCG), o qual manterá o corpo lúteo. Caso contrário, o corpo lúteo se degenera e produz cada vez menos progesterona e estrogênio. Com isso, o organismo identifica que não houve uma gestação e volta a produzir mais FSH para começar um novo ciclo menstrual.

O que caracteriza o ciclo irregular?

Até pouco tempo, considerava-se ciclo irregular aqueles que duravam menos de 24-26 dias ou mais de 36-38 dias. No entanto, recentemente, há uma tendência de enquadrar todos os tipos de distúrbios menstruais dentro de um único conceito, — o sangramento uterino anormal (SUA). Assim, é possível fazer uma investigação mais completa e padronizada.

A Federação Internacional de Ginecologia e Obstetrícia (FIGO) criou o acrônimo PALM-COEIN para organizar as principais causas de SUA:

  • Pólipos uterinos;
  • Adenomiose;
  • Leiomiomas (miomas uterinos);
  • Malignidade (câncer) e hiperplasia (crescimento tecidual excessivo benigno);
  • Coagulopatias;
  • Ovulação disfuncional;
  • Endométrio disfuncional;
  • Iatrogenia;
  • Nenhuma classificação anterior.

Pólipos uterinos

São lesões endometriais intrauterinas, geralmente benignas, que se formam a partir da multiplicação excessiva de alguma região do endométrio. Com isso, surgem processos inflamatórios e outras alterações que levam à irregularidade menstrual.

Adenomiose

Ocorre quando as células endometriais invadem o miométrio (tecido que forma a parede uterina).

Leiomiomas

São os famosos miomas uterinos, que são lesões benignas resultantes do crescimento descontrolado de células musculares lisas do miométrio. Caso cresçam a ponto de afetar a função endometrial, podem provocar distúrbios menstruais.

Malignidade e hiperplasia

As malignidades e as hiperplasias podem afetar o ciclo menstrual por diversos mecanismos, como a produção de substâncias parecidas com os hormônios regulatórios, bem como as próprias lesões de degeneração do tecido.

Coagulopatia

São doenças que comprometem a funcionalidade da coagulação do sangue, fazendo com que ela seja excessiva ou insuficiente. Como o endométrio tem muitos vasos sanguíneos, os ciclos podem se alterar com as disfunções coagulatórias.

Ovulação disfuncional

São condições médicas que afetam os processos ovarianos explicados anteriormente. Uma das mais prevalentes é a síndrome dos ovários policísticos. Nela, a produção excessiva de hormônios masculinos (androgênios) pela mulher faz com que os folículos não completem a maturação. Com isso, não ocorre a ovulação em alguns ciclos, o que provoca amenorreia ou o prolongamento do intervalo intermenstrual.

Disfunções endometriais

São doenças causadas por disfunções no endométrio que não se enquadram como pólipos uterinos ou adenomiose.

Iatrogenia

São as alterações causadas por alguma intervenção médica, como uso de pílulas contraceptivas, cirurgias e outros fatores.

Outras causas

São causas que não se enquadram anteriormente, como os transtornos da tireoide e as manifestações psicossomáticas.

A irregularidade dos ciclos menstruais pode ser sinal de algum processo patológico que deve ser investigado. Além disso, ela também é comum em pacientes que enfrentam dificuldade para engravidar.

Quer saber mais sobre a importância dos ciclos menstruais para a fertilidade? Confira nosso artigo sobre o tema!

Amamentação: conheça os benefícios

A amamentação é fundamental, visto que traz muitos benefícios para o bebê e a mãe. Por esse motivo, muitos especialistas recomendam que as mães devem amamentar seus filhos exclusivamente no peito por 6 meses, no mínimo.

Depois desse momento, novos alimentos podem ser inseridos na dieta do bebê, mas o leite materno ainda está indicado até o final do 1º ou 2º ano de vida. Por esse motivo, as mães são incentivadas a manter o aleitamento desde o pré-natal.

Contudo, a decisão é pessoal. A mãe tem autonomia para decidir se e até quando amamentar. Portanto, há mulheres que mantém o aleitamento por um período mais longo, enquanto outras escolhem não amamentar ou encurtar o período.

Há ainda situações em que o aleitamento materno é contraindicado. Esse é o caso, por exemplo, de mães portadoras do vírus HIV. Como há o risco de transmissão pelo leite, elas não podem amamentar.

Nesse tipo de situação, é possível recorrer a bancos de leite ou a fórmulas infantis desenvolvidas de acordo com as necessidades e saúde de cada bebê.

Quer saber mais sobre os benefícios do aleitamento materno? Acompanhe o nosso post!

O que é a amamentação?

Na nossa espécie, o leite é a principal forma de nutrição da prole nos primeiros meses de vida. Ele contém todos os nutrientes necessários para o nosso desenvolvimento, além de fortalecer o sistema imunológico e auxiliar no amadurecimento do aparelho digestivo dos bebês.

Quando começar?

O desenvolvimento e o amadurecimento das glândulas produtoras de leite começam ainda durante a gestação. No entanto, alguns hormônios inibem a produção de leite. Durante o trabalho de parto, porém, outras substâncias são liberadas pelo organismo de forma que a amamentação pode, em geral, ocorrer logo após o parto.

Quando não for possível, o leite materno pode ser coletado e ofertado para a criança nos berçários e nas UTIs neonatais. A amamentação no peito, por sua vez, pode ser feita tão logo quanto o recém-nascido tenha condições clínicas.

Nos primeiros dias após o nascimento, o leite tem características diferentes que será produzido durante a maior parte do processo. Por esse motivo, ele recebe um nome especial, — colostro —, o qual é rico em:

  • Proteínas;
  • Vitaminas;
  • Minerais;
  • Água;
  • Carboidratos;
  • Leucócitos e anticorpos, os quais fortalecem o sistema imunológico do bebê para o combate a infecções.

Os açúcares presentes no leite também auxiliam no amadurecimento do sistema digestório do bebê, além de estimularem o crescimento de uma flora microbiana protetora.

A partir do fim da primeira semana de amamentação, o leite ganha as características que nós conhecimentos, um líquido branco. Ela também é rica em nutrientes, componentes do sistema imunológico.

Benefícios da amamentação para o bebê

Estudos têm mostrado que a ausência ou a insuficiência de aleitamento materno estão relacionados a:

  • aumento do risco de mortalidade e adoecimento no primeiro ano de vida e na infância como um todo;
  • maior risco de desenvolvimento de algumas doenças crônicas por toda a vida.

Portanto, os benefícios da amamentação, em curto prazo, são:

  • Neurodesenvolvimento — o leite apresenta nutrientes (como as gorduras mono e poli-insaturadas) que favorecem o desenvolvimento saudável do sistema nervoso central. Além disso, há evidências de que o aleitamento tem um efeito analgésico e fortalece sobre o vínculo entre a mãe e o bebê;
  • Amadurecimento gastrointestinal — As substâncias do leite estimulam as funções gastrointestinais e promovem o crescimento de uma flora bacteriana protetora. Com isso, há redução de risco de diarreia e gastroenterite, aumento da sensação de saciedade, melhoria da atividade da lactase e redução do risco do risco de enterocolite necrosante, em crianças prematuras;
  • Proteção contra infecções — os bebês que tiveram amamentação regular durante o primeiro ano de vida tiveram um risco menor de hospitalização por doenças respiratórias, otites, infecções urinárias e sepse;
  • Redução de risco da síndrome da morte infantil súbita. Quanto maior o período de aleitamento, maior a proteção.

Aparentemente, não é apenas o leite materno que traz benefícios, mas todo o ato de amamentar. Por exemplo, há também evidência de que o próprio contato pele a pele durante a amamentação também seja positivo para reduzir o choro infantil e aumentar os níveis de glicose no sangue do bebê.

Também, há evidências de que os benefícios da amamentação se mantêm mesmo após a sua suspenção:

  • Proteção contra infecções respiratórias até 2 a 6 anos de vida, especialmente se a amamentação foi mantida por mais de 9 meses;
  • Redução do risco (inclusive na idade adulta) de desenvolvimento de obesidade, diabetes mellitus tipo 1 ou 2, doenças cardiovasculares, hipersensibilidades imunológicas e doenças inflamatórias intestinais;
  • Melhora no neurodesenvolvimento — além de reduzir o risco de transtornos de neurodesenvolvimento, o aleitamento parece estar relacionado com coeficientes de inteligência mais elevados na infância.

Benefícios da amamentação para a mãe

A amamentação também é vantajosa para a mãe, oferecendo benefícios, tais quais:

  • Redução do risco de perda de sangue no pós-parto. A amamentação logo após o parto estimula a liberação de ocitocina, o que ajuda o útero a retornar ao seu tamanho normal mais rapidamente e diminui o risco de hemorragias;
  • O aleitamento materno exclusivo, por liberar hormônios contraceptivos, atrasa o retorno da ovulação.

O aleitamento materno também traz benefícios de longo prazo para a mulher, como:

  • Redução do risco de câncer de mama, de ovário e de endométrio;
  • Efeito protetivo no sistema cardíaco e circulatório, diminuindo o risco de hipertensão arterial e outras doenças cardiovasculares;
  • Redução do risco de diabetes mellitus tipo II.

Existe algum benefício para o pai e para a família como um todo?

A amamentação também pode beneficiar a família como um todo:

  • Alguns estudos mostraram que os custos de uma família no primeiro ano de vida de uma criança são menores quando a amamentação é regular;
  • Meninas que veem sua mãe aleitando seus irmãos têm maior chance de amamentarem seus filhos;
  • A participação do pai nos cuidados com a amamentação fortalece os vínculos afetivos.

Por todos esses benefícios que vimos, a amamentação é recomendada durante o primeiro ano de vida do bebê. A Organização Mundial de Saúde, apoiada por vários estudos, aconselha o aleitamento materno até o final do segundo ano de vida.

Quer saber mais sobre esse tema? Confira nosso texto completo sobre o tema!

Diabetes gestacional: sintomas

O pré-natal é fundamental para a mulher compreender o que muda no seu corpo e os riscos associados às gestações. A partir desse acompanhamento longitudinal, você pode tomar tanto medidas preventivas quanto terapêuticas para manter uma gravidez saudável. Dentre as condições que podem ser identificadas, está a diabetes gestacional (DG).

A DG é uma doença que surge devido às modificações metabólicas causadas pela interação do organismo materno com o feto. Sua etiologia está relacionada a uma série de hormônios liberados pela placenta, os quais, em mulheres predispostas, pode elevar significativamente os níveis de glicose no sangue.

Em geral, a diabetes gestacional é uma doença assintomática, a qual é comumente descoberta nos exames de rastreio realizados a cada trimestre. Entretanto ela também pode ser sintomática, provocando manifestações semelhantes às outras formas de diabetes mellitus. Quer entender melhor? Confira o nosso post!

O que é a diabetes gestacional?

A diabetes gestacional é uma condição caracterizada principalmente por um nível elevado de glicose no sangue que surge durante a gravidez ou, em casos incomuns, o puerpério. Assim, pode resultar em complicações para a saúde da mãe e do bebê.

Ela é causada, principalmente, pelo aumento da resistência do corpo à ação da insulina, o hormônio responsável pelo equilíbrio dos níveis de glicose no sangue (glicemia).

Isso ocorre devido à produção de alguns hormônios produzidos pela placenta. Eles aumentam a glicemia com o objetivo de aumentar as reservas de energia disponível para o desenvolvimento da gestação.

Na maioria das gestantes, essa modificação metabólica não provoca nenhuma doença ou quadro preocupante. Afinal, o pâncreas da mulher reage aumentando a produção de insulina para contrabalancear o aumento da resistência.

Entretanto, em mulheres predispostas, a diabetes gestacional pode surgir, pois a resposta pancreática não é suficiente para manter níveis glicêmicos saudáveis.

A diabetes gestacional e a evolução da gestação

No primeiro trimestre de gestação, o desenvolvimento da placenta ainda é insuficiente para provocar alterações significativas da glicemia. Como veremos, se forem identificados níveis elevados de glicose no sangue, a manifestação possivelmente se deve a um quadro de diabetes ou pré-diabetes anterior à gravidez.

A partir do segundo semestre, porém, a diabetes gestacional pode ser diagnosticada. Ela geralmente é identificada em exames realizados no início do terceiro semestre da gestação ou ainda no segundo trimestre se houver sinais e sintomas compatíveis.

Quais os sintomas da diabetes gestacional?

A diabetes gestacional pode desencadear alguns sintomas causados pela hiperglicemia. Por isso, ela se manifesta, na grávida, em um quadro muito semelhante ao das outras formas de diabetes mellitus, como:

  • Sede excessiva e persistente (polidipsia);
  • Micção frequente (poliúria);
  • Fome aumentada (polifagia).

Contudo esses sintomas usualmente aparecem quando a glicemia está bastante elevada, o que indica um maior descontrole da doença. Outras manifestações menos comuns são:

  • Cansaço excessivo;
  • Ganho de peso excessivo da gestante;
  • Boca seca frequentemente.

O que fazer ao perceber sintomas?

Diante de qualquer um desses sintomas, é muito importante conversar com o médico que avalia o seu pré-natal. Desse modo, ele poderá conduzir uma investigação mais aprofundada.

Com o avanço da condição, a condição também pode trazer manifestações no feto e na gestação, como:

  • Feto com peso elevado para a idade gestacional;
  • Aumento do volume de líquido amniótico (polidrâmnio).

Como é feito o diagnóstico da diabetes gestacional?

Em muitos casos, a diabetes gestacional é assintomática. Em outras palavras, a mulher não nota nenhuma alteração em sua saúde. Por esse motivo, o acompanhamento da glicemia no pré-natal é muito importante no diagnóstico dessa condição.

O diagnóstico em mulheres assintomáticas e sintomáticas

Por ser assintomática na maioria dos casos, o rastreamento de todas as mulheres é a melhor forma de diagnosticar a doença.

Dessa forma, o médico realiza exames laboratoriais periódicos para a identificação e níveis elevados de glicose no sangue. Essa conduta é padrão para todas as gestantes, mesmo que elas não tenham nenhuma queixa clínica.

No primeiro trimestre da gestação, requisita-se a glicemia de jejum. Assim, podemos identificar mulheres que apresentam diabetes mellitus tipo 1 ou 2 previamente à gravidez. Apenas dizemos que se trata de diabetes gestacional, quando as alterações são identificadas a partir da 24º semana.

A partir dos resultados, também é possível avaliar se há tendência ao desenvolvimento de diabetes gestacional. Então, podem ser indicadas mudanças nos hábitos de vida para prevenir o desenvolvimento da condição.

No início do terceiro trimestre, realiza-se o teste oral de tolerância a glicose. Nele, a gestante ingere uma solução com altos níveis de açúcar. Então, durante três horas, os níveis de glicose são monitorados em intervalos de 60 minutos.

A alteração da glicemia em alguma dessas medidas diagnostica a diabetes gestacional tanto em mulheres sintomáticas quanto assintomáticas.

Fatores de risco

Os riscos nos ajudam a compreender quais mulheres têm uma maior probabilidade de desenvolver a DG. Assim, o acompanhamento pré-natal pode ser individualizado para a identificação precoce da diabetes gestacional. Os principais fatores de risco conhecidos são:

  • Obesidade;
  • Sedentarismo;
  • Diabetes gestacional anterior ou pré-diabetes;
  • Síndrome dos ovários policísticos (SOP);
  • Histórico familiar;
  • Bebês de gestações anteriores nascidos com peso superior a 4 kg.

Nesses casos, o momento e a frequência dos testes glicêmicos podem ser diferentes da rotina que explicamos acima. Afinal, o pré-natal deve ser sempre individualizado às características de cada mulher em cada gestação.

Portanto, é muito importante que a mulher compreenda que a diabetes gestacional é geralmente assintomática. Entretanto, mesmo assim, causa lesões silenciosas e distúrbios gestacionais. O rastreamento no pré-natal é essencial para evitar complicações tanto para a mãe quanto para o feto.

Quer saber mais sobre a diabetes mellitus e as complicações que ela traz para a mãe e o bebê? Confira este nosso artigo completo sobre o tema!